Um Faraó em minha vida

11 Confusões em família - Pt II


Notas iniciais
Oiii pessoas, bem vindos novos leitores!

Confusões em Família — Parte II

A senhora Peterson bateu na porta de acesso ao porão e os jovens a ouviram os chamar para o jantar. Clay fez o rapaz lavar as mãos e depois subiram até a sala de jantar, onde o pai de Clay, um senhor magro de cabelos grisalhos e óculos redondos, olhou por cima deles, assim que percebeu a presença do garoto.

— Pai esse é meu amigo Tut, ele é novo no país.

— Amigo? — questionou intrigado ao filho — Seja bem vindo ,Tut, vamos nos sentar.

Postaram-se à mesa e Tutankhamon levou um chute na canela no momento que pareceu querer servir-se, voltou-se intrigado para Clay que sorriu disfarçadamente.

— Minha mãe gosta de servir todos — falou o rapaz.

一 Eu fiz um curso de gastronomia nutritiva, sei exatamente a porção diária que minha família deve consumir, sabia que a obesidade mata mais que acidentes de trânsito? 一 falou a mulher que começava a servir o marido.

— Então Tut? De onde é? 一 perguntou o senhor Peterson ao rapaz.

— Tebas.

— Tebas?

— Ah.. o pai dele é egiptólogo estavam acampados num sítio arqueológico na antiga Tebas — Clay intrometeu-se.

—Que interessante, seu pai por acaso não é o especialista que perdeu a múmia aqui na nossa cidade, não é? E seu nome é Tut por conta de Tutankhamon?

— Não e sim — respondeu apenas ainda olhando para a mulher servir.

—Ele não é de falar muito? — o pai voltou-se a Clay.

— Ele ainda não está muito familiarizado com o idioma e acredite ele fica melhor de boca fechada.

— Ora Clay, não seja mal educado. Querida pode me servir um pouco de vinho?

— Eu aceito — respondeu rapidamente pegando uma taça.

— Quantos anos tem rapazinho? — A mãe perguntou.

— Ora um pouco de vinho não vai fazer mal pros garotos — o pai observou — Sirva uma taça pro seu amigo Clay.

O garoto revirou os olhos e serviu meia taça ao faraó, que tomou-lhe a garrafa e encheu até quase derramar.

— Vinho lembra minha casa no Egito.

— Seu pai te deixava beber? 一 a mãe intrigou-se.

— Ah ele nunca estava em casa, mas a bebida faz bem para saúde, nos deixa fortes — respondeu dando um gole — Maravilhoso, digno de um banquete.

— É um bom vinho, mas me conte mais sobre você, faz muito tempo que o Clay não traz um amigo para casa. Como passava os dias no Egito?

— Com muito calor, geralmente ficava na sala do trono ouvindo pessoas o dia inteiro, muito entediante — ele falou e Clay franziu o rosto balançando negativamente com a cabeça — eu fazia cultos e...— Clay gesticulou com as mãos para parar — Matava pessoas? — falou interpretando errado os sinais do garoto que desistiu e respirou fundo recostando-se a cadeira. Os Peterson trocaram olhares curiosos até que o pai soltou uma gargalhada.

— Ahh entendi, gostei do seu senso de humor rapaz, deve ser horrível ter o nome de um faraó, deve ouvir piadas o tempo todo.

— Na verdade ninguém ousaria….

— Experimenta isso, o frango da mamãe é uma delícia — falou enfiando uma coxa de frango na boca do rapaz para que não falasse mais nada.

Quando o jantar acabou, Clay chamou o jovem para ajudá-lo com a louça, no entanto Tut limitou-se a experimentar tudo que via pela cozinha enquanto Clay fazia o serviço.

Voltaram pela sala e Clay escapou dos pais dizendo que precisavam terminar o trabalho escolar. Em seu quarto, sentou-se na escrivaninha e tentou estudar, enquanto Tut o distraia com toda a espécie de pergunta.

一 Eu estou tentando estudar 一 falou quando o jovem já não tinha perguntas e se limitava a lançar bolas de papel contra a sua cabeça.

一 O faraó está entediado.

一 O faraó devia pegar um livro e aprender alguma coisa, aí não ficaria entediado 一 Clay retrucou.

一 O porão da Sam é mais divertido. É cheio de coisas diferentes e curiosas. Aqui só tem livros, e não tem nem figuras neles! Tem mais daquele vinho?

一 Não! 一 respondeu Clay intempestivo 一 Eu preciso estudar, minha vida não parou porque você resolveu ressuscitar, okay senhor faraó. 一 falou. Tut lhe fez uma careta e voltou a se recostar a cabeceira da cama quando olhou para o assoalho e sorriu.

Ficou instantes parado, esperando Clay voltar a concentrar-se nos estudos e quando o percebeu compenetrado, desceu da cama e arrastou-se pelo chão contando as tábuas do assoalho. Quando chegou na qual imaginou ser a que viu nos pensamentos de Clay no outro dia, puxou um de seus cantos, abrindo-a e retirando as revistas enroladas dentro de um saquinho e se pôs a folheá-las.

一 Hum… interessante 一 falou ao ver a foto de uma loura com seios enormes 一 Não é possível. Clay, posso lhe fazer mais uma pergunta?

一 Que é? 一 questionou sem paciência.

一 Como as mulheres desse tempo conseguem ter seios quase maiores que suas cabeças? 一 Clay voltou o olhar a ele confuso.

一 Guarda isso agora!一 gritou.

一 É anatomicamente impossível 一 mostrou a foto ao jovem no mesmo instante que a senhora Peterson adentrou a porta sem cerimônia com uma bandeja em mãos. Clay deu um salto tomando a revista das mãos do faraó, e a escondendo sob o cobertor.

一 Eu trouxe biscoitos e leite, o que está acontecendo? 一 a mãe questionou desconfiada.

一 Como algumas mulheres conseguem seios maiores que a própria cabeça? 一 Tut questionou a ela e Clay bateu com a palma da mão na testa.

一 Cirurgia plástica, eu acredito.一 Ela arqueou a sobrancelha com estranheza.

一 Cirurgia? Ah! Sim cirurgia! Fazíamos cirurgias no Egito, geralmente para ossos quebrados ou lobotomias. Mas ainda não faz muito sentido seios tão grandes, nem as amas de leite precisavam que fossem tão grandes.

一 Tut! Cala a boca 一 Clay pediu.

一 Querido onde estão seus modos, respeite as culturas de povos subdesenvolvidos. Nem todos tem acesso a medicina avançada. Vou deixar a bandeja aqui 一 falou e já ia saindo quando viu as outras revistas ainda dentro do saquinho.一 O que é isso? 一 Pegou as revistas e Clay arregalou os olhos 一Querido! Sabe que pornografia é expressamente proibida nesta casa!

一 São só revistas mãe 一 ele falou gaguejando.

一 Só revistas? Começa assim com uma simples revista e daqui há dez anos você vai estar dirigindo filmes com títulos como o mastro e a coelhinha!

一 Como sabe o nome de filmes…

一 Clay Peterson! 一 Ela o interrompeu 一 Você está em apuros mocinho!

一 São minhas! 一 Tut a interrompeu 一 Desculpe senhora Peterson eu não devia ter trazido 一 falou e a mulher voltou-se a ele.

一 Ah… menos mal, seria horrível saber que meu garotinho consome esse tipo de lixo industrial repleto de misoginia, depois de tanto empenho em criá-lo. Bom, Tut, vou confiscar as suas revistas. Isso não é material para um jovenzinho estar em contato. E deixe o telefone do seu responsável pois terei de informar sobre esse intempérie.

一 Desculpa senhora Peterson, tenho certeza que se eu tivesse pais tão dedicados, gentis e amorosos como vocês, eu não teria que redirecionar minhas carências afetivas a coisas impróprias como estas 一 falou e a mulher arregalou os olhos surpresa e Clay bufou.

一 Ouviu isso Clay, devia dar mais valor aos pais que têm, nem todos têm a sorte de ter pais atenciosos como nós.

一 Na verdade, eu mal conheci meu pai ele estava sempre tão ocupado e… a minha mãe morreu quando eu nasci.

一 Ohh! Pobrezinho.

一Tut chega de drama tá 一 Clay intrometeu-se.

一 Clay! Deixa de ser insensível ele perdeu a mãe. Tem algo que eu possa fazer para que se sinta melhor querido?

一 Acredite mãe, faz muito, mas muito tempo… mais do que poderia imaginar…

一 Ele tem razão, faz tempo eu era apenas um bebê…

一 Coitadinho, eu sinto muito. Quer alguma coisa?

一 Na verdade... sobrou frango?一 falou com um leve sorriso.

一 Não, mas eu posso fazer uns nuggets caseiros, assados no forno é claro. Você quer?

一 Eu adoraria senhora Peterson a sua comida é realmente deliciosa.

一 Ouviu isso Clay, você nunca elogia a minha comida. Eu vou lá embaixo assar os Nuggets. Volto logo 一 a mulher sorriu saindo do quarto.

一 Não usou esse amuleto na minha mãe, não é?

一 Não… eu disse que sou bom com palavras e as garotas gostam de mim, sei ser adorável. Deve tentar, quem sabe assim deixa de ser virgem.

一 Dá para parar! Não, peraí. Se seu corpo foi totalmente restaurado, já que a sua múmia não tinha mais dedos ou mesmo um pênis… Você é virgem de novo 一 constatou o garoto.

一 Não sou não.一 falou sentando-se a cadeira e colocando os pés sobre a escrivaninha.

一 É sim! E é mais velho que eu 一 Clay sorriu maleficamente 一 Quem é o virgem agora?

一 Ora eu era casado, tive filhos!

一 Em outra vida, aqui você é um virgem de dezoito anos que nem sequer beijou uma garota!

一 Não sou não!

一 Ah é sim! 一 Sorriu o rapaz empurrando os tornozelos de Tut para fora da escrivaninha.

一 Mesmo que eu seja, estou a três dias nesse mundo e mais perto de perder do que você!

一 Haha, conta outra 一 Zombou o adolescente.

一 Eu sou, bonito, adorável e as garotas gostam de mim. Não será problema.

一 Você não é mais um faraó! Aqui as coisas são bem diferentes. Você é só um estrangeiro sem nada.

一 Vou me casar com a Samantha até a próxima lua, quer apostar?

一 Sam nunca vai se casar com você, primeiro porque ela nem tem direito legal para fazer isso e segundo, porque você é só um idiota de cabelo grande. Ela gosta de caras inteligentes e interessantes, como o professor de história, não de um cadáver que resolveu sair andando por aí...

一 Estamos destinados, ela só não percebeu isso. E devia estar grato porque até onde sei, ninguém chegava perto de você antes de eu chegar.

一 Não estão destinados coisa nenhuma. Ela só deu o azar de derrubar uma caixa mágica no chão, só isso. E Sam e eu já nos falávamos antes de você chegar.

一 Oh está com ciúme一 falou ficando em pé 一 é por isso quer que eu volte. Gosta dela, não é? E sabe que não tem a menor chance comigo aqui.

一 Você é muito convencido! Não preciso gostar dela para saber que ela está cuidando de você, ou melhor, se todos nós estamos nessa loucura é porque a gente ia acabar ferrado se te deixasse por aí, não gostamos de você, não queremos você aqui. É arrogante, mimado e só nos mete em confusão. Podia simplesmente pegar esse amuleto mágico e voltar para casa, mas é egoísta demais para fazer isso. Então prefere ficar aqui, fingindo que pode fazer parte desse mundo, falando essas besteiras sobre a Sam parecer com a sua irmã-esposa só para sentir que faz algum sentido você estar aqui.

一É por isso que você não tem amigos 一 falou pegando a mochila dourada.

一 Porque falo a verdade?

一 Não, porque acha que sabe tudo e que suas verdades são únicas 一 retrucou o faraó 一 Eu fui faraó, mas nunca fui presunçoso o suficiente para dizer o que outras pessoas pensavam sobre algo. Gosto de estar aqui, Sam gosta de mim aqui, até mesmo a serva insolente está tentando me ajudar a viver essa nova vida. No meu primeiro dia na escola, mesmo sem conhecer nada fiz mais amigos que você em dezessete anos!

一 Te pego na saída não é nenhuma promessa de amizade 一 Observou Clay 一 Desculpa se sou sincero demais para não dizer o que você quer ouvir faraó. Onde você vai?

一Para casa.

一Espero que esteja falando de um palácio no Egito há uns quatro mil anos atrás.

一 Não, estou falando da casa da minha futura esposa.

Falou e bateu a porta, desceu as escadas rapidamente e topou com a sra Peterson.

一 Tut, já estão quase prontos.

一 Desculpa senhora Peterson, mas eu vou ter que ir, e as revistas eram dele. Seu filho é um depravado que gosta de olhar moças com seios assustadoramente grandes 一 Disse e a mulher arregalou os olhos furiosa.

Tut, deixou a casa dos Peterson e se pôs a caminhar pelo quarteirão, pensou em usar seu medalhão para encontrar o caminho até a casa de Sam, mas sabia que era perigoso ficar mexendo com forças as quais não sabia controlar, seguiu então as paradas do ônibus escolar até avistar o colégio. Subiu pelas escadas de incêndio até o terraço e lá se aconchegou perto da sala de energia.

Olhou para o céu e reconheceu algumas estrelas.

一 Vocês ainda são as mesmas, mesmo tudo tendo mudado. Sabem porque eu estou aqui? 一 falou recostando a cabeça a parede.

****


一 Como deixou ele sair sozinho! 一 Gritou Sam na manhã seguinte assim que Clay lhe relatou o ocorrido.

一 E como eu ia impedi-lo? Eu tô de castigo por três semanas e vou ter que assistir uma palestra sobre pornografia ser a erotização da misoginia, por culpa dele! E porque tá usando óculos escuros às oito da manhã?

一 Na verdade a culpa é sua, porque não assiste na internet e pega vírus de sites enquanto navega em modo anônimo como todo o mundo? 一 Cris interrompeu 一 Agora ele pode estar em qualquer lugar da cidade! Devíamos ter colocado uma plaquinha de identificação nele, porque sinceramente, nem cego se perde tanto... 一 Sam a cutucou e apontou a frente. Tut com cara de cansado cabelos desgrenhados, com a roupa amassada abria passagem por entre os estudantes.

一 Tut graças a Deus! 一 Sam exclamou indo na direção dele com um abraço 一 você tá bem?

一 Com fome.

一 Imagina se não 一 Clay revirou os olhos e os arregalou apavorado ao ver Samantha tirar os óculos 一 Que houve com seus olhos, tá usando drogas? 一 O garoto questionou ao ver os olhos vermelhos dela.

一 Clay… qual é? O que houve é que quando eu tinha cinco anos tive a brilhante idéia de pedir um irmãozinho aos meus pais e para de pegar no pé dele. Não devia ter deixado o pobrezinho dormir na rua! 一 Sam esbravejou e Tut tentou tocar seus olhos vermelhos com a ponta do dedo.一 Eu sei que tá horrível.

一 Devia colocar um pouco de sangue de morcego 一 disse o rapaz assustado e os três voltaram a atenção a ele 一 Faz bem pros olhos, morcegos enxergam bem, vai evitar que ela fique cega 一 explicou ele e Clay balançou a cabeça negativamente.

一 Eu só estou cansado dessa história toda, estamos nos arriscando cada dia mais por ele e ele não tem nem aí pro nosso esforço.

一 Eu disse que as revistas eram minhas para sua mãe.

一 E depois disse que não eram.

一 Porque você mereceu.

一 Porque eu disse a verdade? Desculpe grande faraó se eu feri seus sentimentos em te falar que você tá ferrando com as nossas vidas!

一 Chega! 一 Sam se pôs entre os dois.

一 Deixa, adoro ver homem fazendo barraco, é excitante. 一 Cris disse entusiasmada

一 Não, tira essa cara de meme do Michael Jackson comendo pipoca e inventa alguma coisa para me justificar na primeira aula.

一 Porque?

一 Olha para ele, tá um lixo. Vou para casa dar um jeito nele, voltamos no segundo período.

Cris concordou e viu os dois se afastar pela rua. Clay virou as costas e ela o seguiu.

一 Disse que ele ia odiar a escola 一 o garoto falou quando percebeu-a em seu encalço.

一 Eu achei… mas foi só o primeiro dia. De qualquer forma, você errou, devia ter cuidado dele.

一 Eu tenho cara de babá de múmia?

一 Nem eu, mas fazer o que? Estamos nessa.

一 Só não quero ir para cadeia por culpa dele! Precisa me ajudar a mandar ele de volta, porque a Sam parece que tá gostando da idéia dele ficar. E vão acabar descobrindo e a gente vai ser mandado para um laboratório ou pior, não descobrem e vamos para cadeia por roubo e falsificação. Sabe como fazem cerveja na cadeia? Ele jogam pedaços de pão dentro do vaso sanitário e esperam fermentar!

一 Porque ta preocupado com cerveja? Você nem deve beber...

一 Se eu for preso o alcoolismo vai ser a única opção ao suicídio!

一 Certo, mas o que vamos fazer? Ele falou muita besteira nas aulas, mas os outros alunos acham que ele é só um idiota que zoa de tudo, é na escala social dessa escola isso não é tão ruim 一 Cris constatou.

一 Connor ficou com medo dele ontem.

一 Sério?

一 É.

一 Okay, ele é engraçado, bonito e botou medo no valentão da escola. Se ele entrar pro time de futebol, vai acabar sendo o rei do baile.

一 Espera, Connor ficou com medo pelo que ele disse não por algo que tenha feito. Ele me falou que era péssimo guerreiro. Vamos colocá-lo no meio dos valentões, eles vão acabar com ele e ele vai ver que esse lugar não é para ele.

一 Acho que Connor tá afim da Sam, ele dá umas olhadas para ela às vezes. Talvez a gente possa usar isso.

一 Connor gosta da Sam? Que droga, que tem essa garota, que todo o mundo gosta dela?

一 Todo o mundo quem? 一 Cris intrigou-se.

一 A múmia… O tal do Michael…

一 Michael não gosta dela, ele é só um amigo.

一 É claro que gosta, ele fica como um pavão abrindo o rabo quando está perto dela e sem falar que ele só falta mijar nela quando tem outro garoto por perto para marcar território.

一 Aiii meu Deus, é verdade.一 Cris arregalou os olhos 一 Deve ser por isso que ele continua com a gente mesmo com todo o mundo sabendo que ele queria estar com os Alfas. Como pode ele é nosso amigo desde o primário… É tipo ter tesão pela irmã. Posso entender isso do Tut, mas o Michael… Ela nem faz o tipo dele...

一 Ele é um garoto de dezessete anos cheio de hormônios, o tipo dele é qualquer uma que der mole. Mas vamos voltar ao foco em despachar o faraó?!

一 Tá, fazer ele levar uma surra dos valentões, mas como vamos fazer isso? Ele não pode se machucar muito, não quero me sentir mal depois 一 Cris perguntou e ele adiantou-se uns passos e apontou para o cartaz que dizia “Testes para o time de futebol, venha ser um lobo da Woodbury school

*****

Notas finais
Curiosidades faraônicas: Oftalmologia no Egito Antigo O Calor que beira o insuportável. Tempestades de areia, com milhões de grãos e muitas pedras voando ao redor. E nenhum óculos para se proteger. Dá para se ter uma idéia das conseqüências para os olhos... Infecções e cegueira eram os principais problemas oftalmológicos do Egito antigo. Então, o que eles fizeram? Um pouco de sangue de morcegos para os olhos dos cegos, afinal os morcegos possuem excelente visão noturna e, assim, acreditava-se transferir para as pessoas este dom, quer colocando o sangue em seus olhos ou injetando-os em seus ouvidos. Também era comum amassar olhos de porcos e misturá-los com mel e argila vermelha para, em seguida, derramar a mistura nos ouvidos dos pacientes. Estes e outros tratamentos para problemas oculares são encontrados no Papiro Edwin Smith. Datado em aproximadamente 1.700 a.C., é considerado o tratado científico sobrevivente mais antigo conhecido, contendo o conhecimento médico dos antigos egípcios. Seu texto consiste basicamente da apresentação de 48 casos, cada um dividido em quatro ou cinco seções. Possui 4,5 metros de largura e 33 centímetros de altura e foi escrito por um autor egípcio desconhecido, provavelmente um escrivão que copiava outro manuscrito de um período mais antigo, provavelmente entre 3000-2500 a.C. Em 1862, o americano Edwin Smith, na cidade de Luxor, adquiriu o papiro em circunstâncias controversas. Por isso, o papiro ficou abandonado até 1920, quando o arqueólogo, egiptólogo e historiador americano James Henry Breasted se incumbiu de traduzir seu conteúdo, tarefa que concluiu em 1930. Apesar de incompleto, o manuscrito é reconhecido por seu valor intrínseco ao permitir uma noção sobre como antigos egípcios já reconheciam que danos no sistema nervoso central podem ter efeitos em áreas distantes do ferimento. E que já falavam em cura para catarata utilizando cérebro de tartaruga. Bastava colocá-los sobre os olhos e fazer uma invocação aos deuses. Doenças do olho eram freqüentes e infecções, tais como tracoma (que ainda é comum no Egito atualmente), cegueira noturna, catarata e distorções das pálpebras. Antigos praticantes egípcios também foram hábeis em realizar cirurgia ocular – o que seria normal no deserto, onde objetos estranhos são soprados para dentro do olho, causando irritação. Inovadores, os médicos egípcios curavam cegueira noturna alimentando o fígado do paciente com um pó, rico em vitamina A.