Um Encontro Na Tempestade

5 Jantar à luz de relâmpagos


Notas iniciais
Estou fazendo os capítulos grandes, estão gostando?
Boa leitura! /o/

Com a chegada da noite o mar começou a ficar agitado novamente. Um raio caiu no meio do oceano e Nami acordou com um solavanco. Antes de qualquer coisa ela notou que Luffy estava tremendo de frio, encolhido no mesmo lugar de algumas horas atrás. Sua cabeça estava enfiada entre as pernas O que é fácil quando se é de borracha) e estas estavam envoltas por seus braços. Na verdade, ele deu um jeito de se abraçar, com os braços dando suas voltas em seu corpo. Sem hesitar ela tirou o casaco de Luffy que estava usando e o cobriu da melhor forma que pode.

– Seu idiota. Porque você me deu sua roupa se fica morrendo de frio sem ela? — disse ela com um suspiro.

Recebeu uma resposta do simático estômago do capitão, que pedia por comida.

– Não, não vai aparecer uma cesta de piquenique mágica cheia de carne pra você. Conforme-se. — respondeu ela — O que estou fazendo?? Falando com o estômago do Luffy?? Acho que estou faminta também.

Nami levou um susto quando de repente o céu ficou todo branco com um relâmpago, revelando uma sombra ao longe viajando no mar. Segundos depois o céu escureceu novamente quando ouviu-se o trovão, tornando impossível ver o objeto misterioso.

Mesmo que não parecesse um navio, a mente esperançosa da navegadora convenceu seus olhos de que seus companheiros estavam vindo ao resgate.

– Ei Luffy acorde rápido!!! — gritou ela para o amigo adormecido.

– AAH O QUE? Estátua de bronze?? — ele se desenrolou quando percebeu que não estava sonhando. — mas... Nami... quem, onde porque... hã, o que foi?

– Venha, acho que estou vendo o Sunny chegando!

– Sério?? Vivaaa!! — ele veio saltitando até a entrada da caverna — onde??

– Não consigo ver direito — ela aguçou o olhar — vaamos, mais um relâmpago por favor, vamos...

Como se obedecendo ao pedido, o céu ficou claro de novo, revelando que o suposto navio estava mais próximo. Porém, para a decepção dos dois, aquilo era pequeno demais para ser o Sunny. Tão pequeno quanto um baú.

– Pelo jeito não são eles — Luffy disse desapontado — aah que pena, queria tanto comer carne... — sua barriga roncou tristemente concordando.

– Mas se não são eles, o que é aquilo? — Nami perguntou curiosa — parece realmente...

De fato, quando o objeto misterioso se aproximou tanto que poderiam toca-lo, ele se revelou...

– Um barril!! — exclamaram os dois.

– Sugooi, será um barril de comida?? — Luffy indagou empolgado, se preparando para lançar o braço.

– Calma calma apressadinho — Nami o interrompeu — no meio de uma tempestade, aparece um barril, que pode ser tanto comida quanto uma bomba, intacto para nós, presos numa caverna, e você não acha nada suspeito?

– Não — ele disse como se encontrasse barris no mar todos os dias.

– Uuh, você é mesmo impossível — suspirou.

Ele içou o carregamento usando o braço, e com um puxão ele trouxe-o para dentro. Era um alto barril de madeira escura, grande o suficiente para os dois ficarem dentro. Ao chacoalha-lo, puderam ouvir o som de algo balançando dentro.

– Oobaaa tomara que seja carne!!! — disse Luffy com os olhos brilhando.

– Eu acho que seria muita sorte, mas vamos ver — disse Nami.

Ao abrirem o barril, ficaram surpresos ao encontrar... uma cesta de piquenique. Tiraram-na para fora e observaram os detalhes: fibras de madeira fina e clara trançadas pela cesta inteira, com um estranho laço vermelho na alça. Era do tamanho de um microondas, e parecia estar cheia.

Rápido como um raio, Luffy abriu a tamba e admirou o conteúdo, encantado. Nami soube na hora que devia estar cheia de delícias, pois quase foi cegada com a brilho dos olhos do amigo, e teve de desviar do rio de saliva que ele estava fazendo.

Havia sanduíches, bolos, tortas, massas, bolinhos de arroz, e o que fazia seu capitão delirar: uma grande travessa cheia de suculenta carne. O que ela mais gostou em tudo foi a grande garrafa de suco de laranja, sua ruta predileta. Só pela cor do conteúdo ela soube que era laranja pura. Antes que se desse conta, sua boca começou a nadar em saliva, e ela percebeu como estava morta de fome.

– Isso tudo é... tão... uau.

– O que estamos esperando?? ITADAKIMAAAAZU — Luffy começou a tirar a comida para fora.

Eles notaram que tudo estava preparado para dois: duas porções de cada comida, dois pratos, dois pares de talheres, dois copos... tudo. Ah, mas quem se importa? É comida! E começaram a se empanturrar. O capitão nem sabia direito o que estava comendo, enfiava tudo de uma vez na boca, mas Nami saboreava cada pedaço: estava tudo incrível, o tempero no ponto, a comida estava até quente. Continuaram devorando tudo sem parar por alguns minutos até pararem para tomar ar.

– Está muito bom!! Digno de Sanji!! — disse Luffy feliz, acariciando a barriga.

– É realmente incrível — Nami comentou estupefata — uma comida deliciosa dessas aparece no mar quando estamos morrendo de fome. Isso é tão suspeito...

– Tudo isso de graça e você ainda reclama? — ele riu — quem é você e o que fez com a Nami??

– Ok ok, vou relaxar. Que tal um brinde de suco de laranja?

– Ótima ideia!

Pegaram suas canecas e encheram com o suco tão laranja quanto o cabelo da navegadora.

– A nós — disse ela.

– E a nossa incrível sorte para encontrar comida — completou ele.

– KAMPAAI!!!

Foi um grande banquete. Estava bem escuro, mas eles não se importaram. Relâmpagos iam e vinham, clareando o céu por uns momentos para que eles pudessem se olhar. Mesmo naquela caverna e com aquela escuridão, esse jantar ficaria para sempre em sua memórias.

O capitão desmiolado teria acabado com toda a comida de uma vez, mas depois de um ou dois socos ele concordou em deixar Nami guardar grande parte. Ao olhar com mais atenção para a cesta, eles encontraram uma toalha que forrava o fundo. Totalmente desdobrada ela era grande o suficiente para dar um boom cobertor. O problema é que eles teriam de ficar juntos para dividir. Digo, juntos mesmo.

– Você percebeu que essa toalha não é tão grande né? — observou Nami desapontada — você me deu seu casaco ontem, pode ficar com a coberta.

– O que? Não! Espera, porque estou usando meu casaco? — questionou Luffy, reparando pela primeira vez que estava vestido.

– Vi você tremendo como um vibrador — respondeu ela — e depois você diz que não tem frio... Vamos, é o mínimo que posso fazer por você depois de tudo.

– Nada disso, eu tenho mais a agradecer a você do que você a mim. — ele deu de ombros — Talvez possamos dividir se ficarmos... próximos — ele ficou levemente vermelho — quer dizer, se você não se importar.

– Eu não me importo! — ela respondeu mais rápido do que pretendia — digo, que mal há nisso? Afinal tudo é por causa do frio.

– Sim claro, o frio!.

Constrangidos, eles arrumaram a cesta de novo no barril e levaram tudo para o fundo da caverna. Depois, meio nervosos, deitaram no chão lado a lado e tentaram se cobrir, mas como esperado, precisariam ficar mais próximos para não ficarem com metade do corpo descoberto. Pouco a pouco seus ombros se tocaram, depois os braços, pernas, até que estivessem totalmente colados. O escuro disfarçou que ambos estavam vermelhos.

Ao tentar se ajeitar, acabaram deitados de lado, cara a cara. Os rostos estavam separados por centímetros, compartilhando a mesma respiração. Nami nunca se sentiu tão nervosa, mas não recuou. Pelo contrário, se aproximou mais alguns milímetros e lhe sussurrou:

– Você tem estado mais sério que o normal. Não, essa não é a palavra, seria... gentil?

Ele hesitou antes de responder:

– Bem, acho que estou grato demais por tudo o que você fez por mim, e estou tentando retribuir, por mais que seja difícil, sendo menos idiota e infantil.

– Se quer saber, você ser idiota não é de todo ruim, é engraçado e divertido! Isso faz nossa situação parecer menos ruim.

Os dois sorriram. Nami continuou:

– Estar deitada aqui com você me deixa mais segura, sabe. Fico imaginando o quão louco o Sanji ficaria se soubesse disso. — ela deu um risinho.

– Então eu acho que essa vai ser o nosso segredo — Luffy deu um largo sorriso.

– Olha só, Luffy escondendo coisas de sua própria tripulação? — ela disse ironicamente — Esse capitão está amadurecendo e ficando levado.

– Levado não é a única coisa que eu estou ficando.

– O que... o que você quer dizer?

– Acho que ainda tenho que descobrir — ele riu sem graça — se eu tiver coragem suficiente, talvez possa admitir isso pra mim mesmo.

– Sabe, acho que me sinto igual a você.

Antes que pudesse perder a coragem, Nami esticou o pescoço e deu um beijinho na testa do amigo.

– Boa noite capitão, e boa sorte com isso pra você e pra mim.

Ela conseguiu deixa-lo sem palavras com esse gesto, pois quando ele se recuperou do choque ela já havia pegado no sono.

– Boa... boa noite Nami.

Ele retribuiu seu beijo ao encostar seus lábio na ponta do nariz da amiga e, feliz com esses últimos segundos, se aconchegou e dormiu.

Notas finais
Quero a opinião de vocês sobre o próximo capítulo. Pelas minhas suposições ele vai ficar bem grandinho, então como vocês preferem que eu poste: tudo em um único capítulo grande ou separo em dois menores? :3
Digam como gostam mais XD
Obrigada por ler, e aguarde o próximo capítulo!