Um Dom Improvável
4 O primeiro sinal
Notas iniciais
Na manhã seguinte, Oliver só consegue pensar no pesadelo e seu significado. É doloroso ser o portador de más notícias, principalmente quando ele sabe o quanto Laurel tem trabalhado para conquistar a condenação de Isac Nobotov. A sensação de impotência vivida no sonho parece aflorar e ele mal se situa.
Felicity e Laurel percebem que algo está estranho a começar pela falta da trilha sonora matinal, além do comportamento quieto e aéreo.
— Tá tudo bem com ele? – Felicity cochicha enquanto prepara a vitamina matinal ao lado de Laurel.
— Eu não sei. Ele está assim desde ontem à noite. Será que foi o pesadelo?
— Não faço ideia, mas, se for acho melhor conversar e tentar ajudar. – Felicity sugere e desliga o liquidificador para servir duas taças logo em seguida.
— É... Você está certa.
—Ótimo, então vai lá.
— O quê? Por que eu? Vai você. – Laurel se assusta com a sugestão.
— Porque você tem argumentos melhores do que os meus. É uma advogada e sabe ligar com as pessoas. E nós dois soltamos farpas com frequência, fica estranho chegar lá e simplesmente consolá-lo.
Sentado à mesa, Oliver percebe o embaraço das garotas e resolve intervir, até mesmo para conversar com Laurel.
— Não precisam sair no tapa apenas pra falar comigo. Eu não mordo é só perguntar. – Ele olha para elas e acena para que se aproximem.
— Você ouviu tudo? – Felicity pergunta e é a primeira a sentar.
— Não, mas, notei o incômodo e cochicho de vocês. – Responde e come uma fatia de panqueca.
— Então, o que houve? – Laurel é direta.
— Foi aquele pesadelo? Você mexeu muito durante o sono. – Felicity questiona realmente interessada.
— É... Foi sim e é sobre isso que eu preciso falar com você, Laurel.
— Opa! Já senti que estou sobrando. Vou me arrumar e deixar vocês conversarem, ok? – Felicity levanta meio desconcertada e se afasta.
— Ei... Não Felicity, foi sem querer. Essa conversa pode esperar, vamos terminar o café. Vem, volta pra mesa, por favor.
— Acho melhor terem logo essa conversa. Parece aflito e deixou a Laurel também. É só olhar pra ela.
— É Oliver. O que tem de tão importante pra me dizer. – Laurel pergunta e dá toda a atenção ao colega.
— Tá certo. Fui. – E Felicity deixa a cozinha imediatamente.
— Desculpe, eu deveria ter sido mais educado. Oliver fica constrangido por ter causado alarde desnecessário.
— Não se preocupe. Ela vai ficar bem. É uma mulher forte. – Os dois sorriem.
— Ah, eu tenho uma coisa pra te falar e eu não sei se vai acreditar em mim, mas, eu espero que sim, porque é muito importante.
— O que foi? Vamos, diga.
— Você tem alguma carta na manga em relação ao Isac Nobotov?
Laurel arregala os olhos e uma preocupação gritante surge dentro de si.
— Como sabe sobre isso? Andou vasculhando minha pasta Oliver? – Laurel se altera só de pensar na possibilidade.
— Não! É claro que não. Por favor, não pense esse tipo de coisa sobre mim.
— Então como poderia saber sobre o caso de Isac se você não acompanha julgamentos?
A tensão sobre como um vulcão em erupção e Oliver fica entre a cruz e a espada, pois, se revelar o dom que possui será tachado como idiota e se mantiver em segredo Laurel jamais aceitará o argumento dele.
— Esse é o problema. Eu não mexi na sua pasta e muito menos tenho contato com qualquer pessoa envolvida.
— E eu nunca entrei em detalhes com você sobre o caso.
— Exato. Por isso é complicado.
— E o que é complicado? Oliver para de enrolar e diga logo a razão para querer saber o andamento do processo.
— Eu... Sinto muito Laurel. Você irá perder a causa.
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Tribunal de Londres – 14:00hs
O juiz Harold ocupa o seu lugar e todos os presentes assentam para dar continuidade ao julgamento.
— Promotora e advogado de defesa coloquem-se de pé para ouvir o veredicto.
Laurel e seu rival obedecem ao juiz e apreensivos se preparam para receber o resultado da votação.
Depois das revelações de Oliver, Laurel está uma pilha de nervos e no fundo torce para que aconteça justo o contrário. Foram meses de trabalho, noites sem dormir, acordos de confissão, entrevistas com testemunhas e horas a fio trancada no escritório para ganhar essa ação.
— Mas e se... E se ele estiver certo? Serei motivo de chacota no escritório. Desde o início tentaram me impedir de assumir o caso. E a promoção que eu esperava vai por água abaixo.
É o que Laurel pensa a medida que o coração está acelerado. O juiz Harold chama pelo primeiro jurado.
— O júri chegou a um veredicto? – Ele pergunta.
— Sim meritíssimo – com todos os jurados em pé o resultado é dito em alta voz – o júri declara Isac Nobotov inocente.
A defesa e familiares comemoram e o juiz Harold ordena a liberação de condenação contra o réu.
— Esse julgamento está encerrado. – Bate o martelo.
Laurel está perplexa. Olha para o acusado comemorando e não consegue acreditar no que acaba de acontecer. O assistente da promotoria ao seu lado esquerdo se aproxima e balbucia no ouvido dela:
— Eu te avisei Laurel.
E ela não poderia se sentir mais injustiçada no momento.
— Oliver estava certo. – Sussurra para si mesma.
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