Um Dom Improvável
5 Consequências
Notas iniciais
Londres – Segunda-feira da semana seguinte
Alguns dias depois do julgamento Laurel e Oliver não mantiveram muito contato e o clima dentro da casa ficou bastante desagradável, principalmente, para Felicity que esteve no meio de tudo. Nenhum deles quis comentar o ocorrido, então, ela permaneceu no escuro e se manteve concentrada nos estudos.
Por falar em concentração, Laurel dobrou o tempo no escritório da promotoria atrás de outro caso e teve que suportar os olhares de afronta e desdém, por causa da resistência por parte do departamento em deixá-la assumir o caso. Por outro lado, Oliver procurou ser mais compreensível e a trilha sonora matinal foi suspensa por tempo indeterminado.
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No mesmo dia, à noite
Felicity e Oliver estão sentados no sofá e em frente a TV com uma bacia de pipocas no colo e assistindo a um novo episódio de Dancing with the Stars. Laurel ainda não deu as caras no apartamento.
— Laurel não chegou? — Oliver por cima do sofá e tenta disfarçar a preocupação.
— Por que? Está com saudades? — Felicity retruca com sarcasmo.
— Você viajou agora. Não é nada disso, só achei estranho ela demorar. Mas, no mínimo deve ter saído com a galera do trabalho ou algo do tipo.
— E esse algo do tipo seria com algum carinha? — Felicity provoca.
— Estou começando a me arrepender de ter perguntado.
— Então por que perguntou?
— Por nada, eu só… — engole seco – fiquei preocupado. Ela está trabalhando a semana inteira sem descansar, inclusive traz serviço pra casa. E desde que perdeu aquele caso, sei lá… Só quero que ela esteja bem. — Oliver fica pensativo, pois, em parte sente-se culpado e não sabe como ajudar.
— De qual caso estamos falando mesmo? Não me lembro da Laurel comentar comigo. Como ficou sabendo?
— Ah, bem, ela falou algo comigo, nada demais, só citou sobre um tal de Nobotov.
— Deve ser aquele caso que deixou ela bastante nervosa segunda. Estranho, Laurel parecia tão concentrada. Não sei como ela foi perder aquele caso.
E Felicity realmente nunca poderia imaginar mesmo, principalmente que Oliver teve participação no desfecho, de maneira indireta e contra a própria vontade, mas, teve e agora nem poderia revelar para a outra colega a razão para estarem tão distantes.
— Esses figurões sempre conseguem as coisas, não seria o primeiro e nem o último. Acho que a Laurel só deu azar. — Desconversa.
— Talvez. Agora deu pra entender a razão para tanto mau humor esses dias, porém, o que eu não consigo entender é porque vocês não estão conversando. Parece que o problema dela é direto com você. Rolou alguma coisa que eu não saiba?
— Não rolou nada, Felicity. Ainda com essa insistência de que estamos nos pegando? — Oliver demonstra inquietude.
— É melhor falarem de uma vez pra que eu me mude. Não vou servir de vela pra vocês.
— Ok, esse assunto já deu pra mim. Vamos parar com esse papo ruim. — Oliver deixa a pipoca de lado e levanta para ir até a cozinha.
— O que eu disse demais, Oliver? Vocês são solteiros, bem-sucedidos e atraentes.
— Acontece que a Laurel não me interessa. E outra, já te passou pela cabeça que eu posso não estar interessado em nenhuma mulher no momento?
— Isso sem dúvidas seria estranho. Ainda mais para um homem tão bonito como você.
O comentário sai de maneira natural e sem filtro, o que logo gera um rubor muito grande no rosto de Felicity e uma gagueira descontrolável de nervoso diante do sorrisinho sem vergonha de Oliver.
— Q-quero dizer que você é um homem apessoado e… e elegante e gentil e também… bom, não que eu goste de ficar te elogiando, senão vai pensar que estou a fim de você e nem passe pela sua cabeça uma coisa dessas, viu? Eu não estou interessada, apenas quis elogiar e agora não consigo formar uma frase coerente. Que vergonha!
A reação de Oliver é continuar rindo da situação, mas, como ele gosta de provocar, insinua várias coisas. Entre elas, uma paixão reprimida de Felicity por ele e a possibilidade de observá-lo durante o sono ou quando está sem camisa passeando pela casa em dias calorentos. Lógico que a discussão começa e pipocas são jogadas em Oliver, além de alguns xingamentos. No auge da discussão, Laurel chega do trabalho cansada e com extrema dor na cabeça. Ninguém nota sua presença e os ânimos não são dos melhores.
— O que estão fazendo? — Pergunta um pouco irritada.
O sorriso no rosto de Oliver diminui e a tensão reaparece, Felicity parece perceber, porém, fica mais preocupada com a possibilidade de Laurel ter escutado uma das asneiras ditas pelo colega.
— Há quanto tempo está parada aí? — Felicity pergunta em seguida.
— Menos de um minuto. Estão discutindo? — Levanta uma das sobrancelhas em irritação.
— O quê? Claro que não, só estávamos conversando.
— Quer saber? Por que não se agarram de uma vez? Essas brigas só podem ser amor platônico.
— Hum… Estávamos preocupados com você. — Oliver corta o assunto.
— Eu estava trabalhando. Se não lembra, eu perdi um caso no início da semana passada. Agora, por favor, parem de discutir. Preciso descansar. — Antes que Laurel deixasse a cozinha, Felicity chamou por ela.
— Laurel, espera um pouco.
—O que foi? — Laurel fica mais irritada que antes.
— Por que não comentou comigo sobre o caso? Eu poderia ajudar. Comentou com o Oliver.
Laurel entende a desculpa e olha para Oliver. Com certeza não deixaria Felicity saber sobre o possível “dom” que ele possui para prever certas coisas, como havia lhe explicado. Ele balança a cabeça em negação, pedindo em silêncio para confirmar a justificativa que ele supostamente havia dito.
— Não poderia ajudar e além do mais, não gosto de falar sobre minhas derrotas.
—Foi apenas um caso, você vai conseguir vencer o próximo e ser promovida. — Felicity incentiva realmente solícita.
Na verdade não era isso que ela pretendia dizer, mas, diante do humor negro da colega e presença do Oliver, mudou de ideia.
— Eu agradeço Felicity, mas, não acho que conseguirei essa promoção tão cedo. Vou para o quarto, boa noite. — Retira-se e deixa os colegas em silêncio na cozinha.
— Ela não parece nada bem. — Felicity comenta.
— É… Eu percebi.
— Deveria conversar com ela e saber porque está despejando em você toda a raiva por ter perdido.
— Eu acho que não é o momento. Talvez ela esteja naqueles dias femininos.
Felicity olha para ele desacreditada e sem pensar solta:
— Oliver Queen, as vezes você é um trouxa.
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