Um Dia na Vida(?) de Silva

1 Um dia na vida(?) de Silva


Silva acordou para mais um dia, ou assim ele achava, afinal todo dia ele acordava às seis da manhã para trabalhar, por que ele não acordaria naquele dia? Não que ele tivesse certeza que eram seis horas, mas como ele sempre acordava às seis horas para trabalhar, e ele tinha certeza que havia acordado trabalhar, pois todo dia era assim. Claro que havia a exceção dos dias de fim de semana, mas por ele se sentia mole por todo o corpo, como era comum em todos os dias em que acordava para trabalhar, ele não sentia nada de estranho.

Ao se levantar, Silva percebeu algo estranho. Mesmo incapaz de enxergar com clareza o ambiente à sua volta, uma coisa era certa: Aquele lugar aonde havia acordado não era seu quarto. Não que naquele momento ele fosse capaz de saber exatamente como era seu quarto. Talvez aquela situação fosse vantajosa, afinal as manhãs que começavam em seu quarto nunca eram prazerosas: Uma cama de casal aonde sua esposa não mais dormia, não que ele tivesse mais uma esposa, já haviam se passado quase cinco anos desde o divórcio que também levou embora seu filho. Estranhamente nada disso estava incomodando Silva naquele momento, talvez pelo fato de que ele tinha acabado de acordar. Sentindo necessidade de algum movimento ele começou a arrastar os pés. Se ele estivesse prestando atenção à sua volta, ele teria visto o relógio público que marcava sete horas e dez minutos, ele estava atrasado para o trabalho, não que isso o incomodaria.

É importante notar que as roupas de Silva estavam rasgadas, algo que estranhamente não parecia ser um problema. Atacado pela fome, ele resolveu que talvez fosse uma boa ideia comer algo, afinal saco vazio não para em pé. Não que ele tivesse pensado isso. A primeira coisa que chamou sua atenção foi um movimento furtivo numa rua estreita, mas era apenas um gato, nada que fosse importante. Agindo como se nada tivesse acontecido, Silva resumiu sua caminhada e procura por um café da manhã.

Não demorou muito para que Silva encontrasse um lugar lotado de gente tentando conseguir comida, o que era um problema, pois ele sabia instintivamente que a maior parte da comida já teria acabado quando ele tivesse a chance de pegar sua parte. E assim foi, mas para sua surpresa, a melhor parte havia sobrado, não sem alguns motivos por trás disso: Um esforço muito maior era necessário para se ter acesso à ela, poucos eram aqueles que se davam ao trabalho, mas Silva não se interessava por isso. Não muita coisa passava pela cabeça de Silva enquanto ele usava uma ferramenta, mais exatamente uma pedra que estava próxima, para abrir a casca de sua deliciosa refeição. Assim que obteve sucesso, um sorriso formou-se em seu rosto e ele preparou-se para comer, mas não sem antes soltar uma palavra no lugar dos apenas gemidos que havia soltado naquele dia.

– Brainz.

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