Um Dia Tudo Vai Dar Certo
4 P.O.V. Mary: feliz ate certo ponto.
Notas iniciais
Mostrei quase todo o colégio para ele, como eu sempre chegava uma hora mais cedo, então deu tempo, ou quase, terminei o passeio pelo colégio na porta da sala de literatura, faltando dez minutos para a aula começar. Eu havia pegado o horário dele, e ensinei-lhe como achar a suas aulas, o mais engraçado é que ele tinha boa parte das aulas comigo.
– Você poderia me acompanhar, nas aulas em que estivermos juntos? – perguntou ele, me tirando dos meus devaneios.
Olhei para ele com cara de que estava em outro lugar.
– Você me escutou Mary? – disse ele.
– Sim, só estou pensando como te responder.
– Então você vai dizer não– disse ele fazendo cara de decepcionado.
– Não é bem assim.
– Como não– disse ele ainda decepcionado.
– Eu adoraria te acompanhar nas aulas, mas...
– Mas...
– É que tem as minhas irmãs.
– Como assim, irmãs? – disse ele com espanto da voz.
– Bem elas não são minhas irmãs de verdade, eu apenas considero– quando eu disse isso ele ficou mais aliviado– Olha você precisa entender, eu as conheço deste de muito tempo, elas sempre me acompanharam, nós sempre estamos juntas, e... – disse abaixando a cabeça.
– Calma Mary– disse ele levantando o meu queixo para olhar para ele– Não estou te pedindo em namoro, pelo menos não agora– ignorei a sua ultima fala, mas não pude ignorar o rubor em meu rosto, ele continuou quando eu o olhei– Mas só que fique ao meu lado nas aulas que temos em comum.
Eu me forcei a falar sem ter hesitação na voz.
– Eu sei Tyler, só te aviso que pode ocorrer de você ficar esquecido, ou de lado– o que é impossível– ou aconteça outro imprevisto, que você não fique chateado comigo por não te dar atenção, ou que dependa da só da minha amizade– não que isso seja ruim.
– Não se preocupe– disse ele com um sorriso esperançoso– Eu nunca ficaria chateado com você.
– Como você tem esta certeza?
– Eu sei, qual é a sua aula de agora?
– Literatura, igual a sua– disse entregando-lhe o horário dele.
– Que sorte eu tenho– disse abrindo um largo sorriso.
– É você deu sorte mesmo, mas lembre-se do que eu disse.
– Eu nunca me esqueceria.
– Vamos, não quero perder a aula.
– Primero as “ladys” – disse ele, abrindo aporta para eu passar.
– Obrigada Tyler, você é muito gentil– disse passando pela porta.
Eu vi a Emy e a Annie sentada nas cadeiras do fundo. Fui em direção a elas, quase pulando, mais lembrei que atrás de mim estava o Tyler, então diminui o ritmo, olhei para traz para ver se o via, mas ele não estava. Achei esquisito, mas continuei a andar ate as meninas.
– Oi Mary– disse Emy.
– Oi Mary– disse Annie.
– Oi Emy– disse abraçando ela, em seguida abracei a Annie– Oi Annie.
Sentei-me e olhei para o quadro, a professora já havia começado a escrever, involuntariamente procurei o rosto do Tyler na sala, mas não achei.
*******
A hora do intervalo finalmente chegou, não estava nem um pouco interessada na matéria, na verdade queria saber onde o Tyler havia se metido na aula de literatura, não havia visto ele lá. Na verdade, passei a aula toda procurando por ele, e sempre que a Emy ou a Annie perguntava se eu estava bem eu disfarçava e fingia interesse na matéria.
Sai da sala e foi para o pátio, de lá dava para ver o local exato onde eu e o Tyler nós esbarramos, eu repassei mentalmente o nosso encontro imprevisível, repassei cada detalhe do rosto dele, cada linha, cada articulação se movendo quando ele falava, cada fio de cabelo que estava fora do lugar, mas que o deixava ainda mas perfeito, a boca carnuda dele, só de pensar nela me dava vontade de beija-lo e os olhos, em seu tom de vermelho castanho, era de tirar o fôlego, suspirei pensando nisto.
– Bum!!! – disse alguém me dando um susto, eu só não pulei por que a pessoa usou as mãos para pegar na minha cintura de surpresa que acabou enfatizando mais o susto, eu reconheci atitude depois de me recuperar- que demorou por volta de 6 segundos- só podia ser...
– Emy! Você sabe que eu odeio levar sustos.
– Sei disso, mas é hilário ver a sua cara de espanto– disse Emy começando a rir. Ela estava com uma cara de palhaça.
– E você nem para impedir? – disse perguntando a Annie, que estava mas atrás.
– Eu não, vocês que se entendam– disse Annie se aproximando.
– E ai você vai contar, ou a Annie e eu teremos que arrancar de você– disse Emy com cara maligna, eu sabia o que significava, e ela me faria cócegas ate eu falar- eu sei não é tão maligno, é que eu odeio cócegas, tanto quanto odeio sustos, e a Emy faz umas cócegas que dói. O problema era que eu não sabia do que ela estava falando.
– O que? – perguntei.
– Qual é Mary, você não é tola, muito menos eu, a Emy só um pouquinho– disse Annie fazendo uma cara “você sabe que eu te amo, né” com uma mistura de “ mais ainda assim eu te amo”.
– Ei– disse Emy dando um tapa de leve no ombro de Annie– Eu não sou tola, nem um pouquinho– disse ela fazendo bico, tive que rir, por que a ela fica hilária quando se finge de mimada.
– Annie não fala assim da Emy– disse me aproximando dela e repousando a mão em sua cabeça– Ela não tem culpa disso– dito isso me afastei o mais rápido e mais longe que consegui, não queria leva um tapa dela igual à Annie, que por sinal dói, mesmo sendo leve, só depois delas insistirem muito voltei para perto da Emy, mais preparada para correr a qualquer hora.
– Podemos voltar aquele assunto– disse Emy meio triste, fiz um coração com as mãos e mostrei a ela, ela viu e sorriu um pouco, em seguida virou a cabeça de lado.
– Você esta se referindo à parte que eu corro de você? – disse começando a me virar para correr, vi a Annie começar um ataque de riso que me fez rir com ela.
– Não, me refiro ao que te perguntei– disse ela, mudando seu comportado de triste para eufórica.
–Ah! Mas ainda não sei do que vocês estão falando– disse ficando mais séria que poderia, mas sem sucesso, pois ainda ria muito por causa do ocorrido.
– Fala serio Mary! Ou você acha que nós não vimos– disse Annie apontando para a Emy e para ela.
– Mas o que vocês viram? – estava ficando confusa, não fazia ideia do que elas estavam falando, mas ai pensei melhor.
– MARY!! – disseram as duas em uníssono.
– Vocês estão querendo saber por que eu estava tão distraída na aula? – perguntei para confirmar as minhas suspeitas.
– Sim– disse Emy, e a Annie fez uma cara de aliviada.
– Não foi nada de mais– disse dando de ombros.
– Nada de mais, pode parar isso Mary, pode começar se explicar– disse Annie cruzando os braços, ela olhou para a Emy, para que ela fizesse o mesmo, demorou um pouco para a Emy sacar, mas no fim estava as duas me reprendendo.
– Que foi? Não foi nada de mais.
– Sei, acreditamos– disseram as duas ao mesmo tempo e em puro sarcasmo.
– Tá, posso ir? – disse fingindo não notar o sarcasmo das duas, mesmo sabendo que não colaria, mas não custava nada tentar, comecei a me virar para me afastar, mas elas foram rápidas, cada uma pegou em meu pulso e me virou.
– Mary, conte tudo? – disse Annie agora com um certa preocupação na voz.
– Não foi nada Annie, eu só conheci um novato– disse, não era nada de mais.
– Só– disse Emy– Que tédio.
– Você vive com tédio Emy– disse revirando os olhos.
– Não foi só isso, não é Mary! – disse Annie com cara de “já descobri tudo”.
– Não, foi só isso, o que você esta insinuando Annie? – disse começando a perguntar: como? Eu sentia que logo eu descobriria.
– Vocês não... se... – ela não conseguiu terminar, mas eu sabia o que ela queria dizer.
– Annie! Você acha mesmo que eu destas que sai beijando qualquer um, me sinto ofendida– disse abaixando a cabeça, me soltei delas– Tem certeza que você me conhece Annie? – disse virando as costas para elas e foi para qualquer lugar longe dali.
– Mary eu não falei por mal– disse ela se aproximando de mim e repousando a mão no meu ombro que logo tirei, deslocando o meu ombro para frente– Eu sou falei isso, porque você não estar normal, e não é a primeira vez que você conhece um novato– ela fez uma pausa– Isso me parece que ele mexeu com você, perdão pelo que falei– ela disse esta ultima parte com uma voz triste, isso me cortou o coração, o que mais odeio- bem mais do que sustos ou cócegas- era vê a Annie ou a Emy tristes, eu as amo muito, como irmãs que nunca tive, mas eu não podia ceder, então apenas continuei andando e as deixei para trás.
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