Um Dia, Talvez...
3 Capítulo 3
O despertador começou a tocar e da sala Caio pode ouvi-lo:
– Aff, que coisa mais barulhenta! – Disse irritado.
Quando foi se levantar, percebeu a cabeça recostada na sua barriga.
– Tinha até me esquecido que esse menino está aqui. Quero só ver o que ele pretende fazer. Sorte dele é que eu não trago as mulheres até minha casa...
Leandro mexeu um pouco a cabeça e Caio temeu acordá-lo.
– Como ele não acordou com esse despertador???
Olhou aquele cabelo caindo pela testa de Leandro e pensou: "Parece que foi colocada artesanalmente por um anjo...". Olhou e passou a mão no seu cabelo.
– Ahh, o que eu estou fazendo?!?... Mas... mas parece tão bonito... Tão inocente...
Suas mãos não paravam de acariciar aqueles cabelos macios.
– Ele deve estar exaustado, afinal, foi uma longa viagem até aqui. Mas mesmo assim, como ele consegue ser tão bonito? Até desleixado e largado no chão ele ainda é...
"AAAHH, pára de pensar nisso! Seu doido! Affe, já me bastam as mulheres". Pensou assim, mas tirou, calmamente, o seu corpo do sofá e deitou Leandro lá. "Por que eu estou tratando-o assim?!". Desistiu de se entender e foi se arrumar para ir trabalhar.
Pegou uma calça e camisa no guarda-roupa e foi tomar um banho. “Bem, não deve ser horrível ficar com ele por um tempo, afinal, eu já quase amei a irmã dele e ele é tão bonito quanto ela. Não, o que? O que eu 'tô' falando?! Pára de pensar nisso, cérebro. Pára!”. Caio continuou discutindo consigo até que chegasse à porta do banco, abriu-o e esperou até que todos os funcionários entrassem e o seu dia de trabalho começou. O dia foi corrido e várias mulheres passaram por lá; ele as via, mas não sentia nada, mas não sabia se era porque sempre foi assim, ou se era porque já tinha outra pessoa... Foi almoçar.
Ao voltar ao banco, viu um rosto conhecido:
– Leandro, o que você faz aqui? – Espantou-se com aquela presença.
– Oi Caio! Bem, é que várias mulheres estavam ligando em casa perguntando de você, pensei que fosse algo importante por isso liguei para a minha irmã e perguntei onde você trabalha, e parece que ela acertou. Além disso, queria andar um pouco e procurar um lugar fixo para ficar.
– Ah, é isso, não precisa se preocupar com essas mulheres, elas não são nada para mim...- “Realmente, é um lindo sorriso... Cérebro, ele é homem.”
– Nossa, é assim que você as trata?
– Hm, às vezes. Mas então, você vai sair mesmo?
– Provavelmente, hoje mesmo. Não quero atrapalhar... — Respondeu Leandro cabisbaixo.
– Mas você não está — Caio hesitou em sua resposta e Leandro olhou-o, esperançoso-..Se você acha que é o melhor...
Seus olhos pararam de brilhar por um momento, mas sorriu:
– Vou procurar um lugar o mais rápido possível então.
– Certo...
Ele sabia que não queria dizer aquilo, Caio não queria, mas ele não sabia o porquê. Agradeceu quando já era hora de voltar para casa. No caminho, ele hesitou “E se ele não estiver mais lá? Será que ele já foi sem nem ao menos me dar tchau? Ou será que quando eu chegar, ele abrirá a porta para mim e o meu jantar estará pronto? Ele...de avental... sorrindo e me olhando nos olhos, meus braços enlaçando seu corpo e aquele rosto junto do meu, perguntando baixinho no meu ouvido se eu quero que ele PARE! Cérebro, pára de pensar nele, AGORA!”, todos na rua o olharam assustados e sem graça Caio continuou andando.
Quando chegou não tinha ninguém em casa,
– Sabia que não teria ninguém. Melhor, assim posso voltar a minha rotina que por um dia aquele moleque atrapalhou... Mas, ele podia ter ao menos se despedido, ele deve ser um mal-educado assim como a irmã, tsc.
Tirou a roupa e foi para o chuveiro:
– Aaah! Por que você 'tá' nu no meu banheiro? O que você faz aqui? – Falou assustado.
– Hahahaha sempre que a gente se encontra, alguém está pelado! – Fato que fez com que Caio corasse.
– Eer, hm, você disse que não estaria aqui hoje, por isso estou à vontade já que é minha casa!
– Desculpa de novo, mas é que eu ia tomar banho.
– Moleque, o que você ainda está fazendo aqui?!- Caio escondia sua felicidade por trás de seu típico estresse.
– Meus pais me ligaram e vão vir para cá, então achamos melhor eu esperá-los para escolhermos um lugar juntos. — respondeu enquanto se enrolava numa toalha.
– Não esperava por isso — seu coração sorriu — mas tudo bem, fique, às vezes é bom uma companhia.
Leandro não disse nada. Saiu do banheiro e Caio foi tomar seu banho. Saindo ele sentiu um cheiro de comida, Leandro de avental segurava uma lasanha já quente e sorrindo, disse:
– Comprei-a em forma de agradecimento! Coloque uma roupa e vamos comer. — Disse alegremente.
Virou-se para colocá-la na mesa, mas se esqueceu que o sofá estava bem no seu caminho e caiu, ou melhor, quase caiu: Caio o segurou bem na hora, mas isso fez com que os dois caíssem no sofá e a lasanha foi parar longe. Leandro, em cima do Caio, percebeu quando esse corou. Caio desviou, rapidamente, seu olhar; Leandro, achando engraçado, sorriu e encostou seu rosto no de Caio, o deixando ainda mais vermelho e disse baixinho:
– Você quer...- A respiração de Caio aumentou e se eu coração disparou — que eu...- Caio nunca tinha sentido aquilo, seus lábios secaram de pressa- faça alguma outra coisa para comermos? — perguntou, inocentemente.
Caio não conseguiu esconder a decepção e olhou para Leandro:
– Não, não precisa, só sai de cima de mim, que é meio incômodo quando se está pelado...
– Não parece ser incômodo, estou sentido uma certa tensão ali embaixo — disse sorrindo
Mais uma vez, Caio ficou vermelho e virou para o lado.
– Eu não sabia que você gostava disso, Caio. Do jeito que minha irmã falava sempre pensei que você fosse um garanhão que pegava várias...
– Eer, eu não sei do que você está falando, agora sai de cima de mim!
– Pra falar a verdade, eu não casei por isso, a Olive sabia, eu tinha certeza.
– Por isso o que menino?! Eu não sei do que você está falando. — Quanto mais falava, mais vermelho ficava.
– Que lindo você fica assim... E pensar que estou bem aqui... – e encostou seu rosto no de Caio.
As mãos de Leandro desceram calmamente e percorreram todo o caminho até chegar onde queriam; Caio não sabia o que falar, Leandro estava sendo tão carinhoso, sua respiração ficou mais ofegante, mas ele não conseguia olhar para cima.
– Olha pra mim — Disse sorrindo.
De repente, os braços de Caio entrelaçaram no corpo de Leandro e mudaram-no de posição. As roupas de Leandro foram tiradas rapidamente, e Caio disse:
– Só dessa vez, eu preciso acabar com essa sede que tenho por você.
Leandro não respondeu, porque nada mais precisou ser dito até o amanhecer. Quando abriu os olhos, Leandro se deparou com aqueles grandes olhos castanhos fitando-o:
– O que foi? Por que está me olhando assim?
– Leandro, eu ainda não consegui me saciar... Quer dizer, eu consegui, mas — Leandro sorriu, mas Caio, sério, sentou-se.- Eu não consigo parar de te querer.
Sem querer, Leandro começou a dar risada:
– Será então que você gosta de mim?!
Caio não soube o que responder. "Gostar?! Gostar de um homem? Como? Não é possível!"
– Não, não. Claro que não. — Respondeu, já se levantando e indo para mais um dia de trabalho.
No banco, nem conseguia prestar atenção nas coisas à sua volta: "Será?! Não, não, ele é homem, eu sou homem, e não! Pronto. Isso não tem discussão, só porque a noite foi boa e eu quero mais, isso não quer dizer que... Haha, não!". E na volta para casa: "Ok, a noite foi muito boa, eu quero repetir, sabe, sem compromisso, sem sentimento, apenas prazer. E ele... num avental... Talvez, seja o que eu sempre estive procurando...", uma lágrima caiu de seus olhos, até que elas não pararam mais de cair, "Talvez ele seja o que eu sempre procurei... Porque seu sorriso, seu cabelo, seu corpo...". Abriu a porta e lá estava, sorrindo e segurando uma outra lasanha:
– Caio? Por que você está com essa cara?! Caio!!
Ele não respondeu, com dois passos chegou até Leandro e disse:
– Leandro, e se eu gostar mesmo de você? — Seu olhar triste não podia ser escondido.
– Eu ficaria feliz, porque parece que sentimos o mesmo um pelo o outro. – E ambos sorriram.
Abraçaram-se e aquela noite parece ter sido melhor que a anterior. Quando acordaram, Leandro disse olhando para a lasanha caída na porta:
– Parece que estamos perdendo muitas lasanhas.-E, os dois sorriram.
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