Um Dia, Talvez...
1 Capítulo 1
– Não! Eu não consigo contar!! Quando eu penso em contar, eu não consigo!
– Mas você nem ao menos tenta, só fala que não conseg..
.- Claro que tento! Meu coração quer isso mais que tudo! — Interrompe Leandro.
– Se seu coração quisesse mesmo, ele venceria seu cérebro nessa disputa desleal e te deixaria contar... — Disse, já irritado.
– Mas... mas, então você não acredita no meu amor?
– Acreditava, tento acreditar, mas a dúvida começou a tomar conta de mim...
Ao ouvir essas palavras, lágrimas correram pelos olhos de Leandro que sentou na cama, colocou a mão no rosto e pôs-se a chorar. Caio não estava acreditando no que acontecia naquele exato momento: Por que? Porque ele não consegue vencer seu medo? e resolveu sair do quarto. Choroso, Leandro viu Caio passando pela porta, levantou-se correndo e segurou-o:
– Não vá... Não me deixe sofrendo
Caio não respondeu até que Leandro o abraçou fortemente:
– Por favor...
Gentilmente, as mãos de Caio seguraram as de Leandro:
– Leandro, eu te amo. Eu te amo muito. Nunca imaginei que esse sentimento existia em mim, mas agora, pela primeira vez que sinto algo tão intenso e tão grande, a pessoa a quem amo não quer me deixar gritar ao mundo a verdade. Eu posso não ter sido a melhor pessoa do mundo por muitas vezes, mas quando te encontrei, quando encontrei o amor da minha vida, eu mudei, eu mudei por você e esperei, há 3 anos espero... Esperei até você decidir suas prioridades e parece que eu não sou uma delas e talvez eu nunca seja, porque o medo que há em você é maior que o amor que você sente por mim..
.- Mas Caio, eu não posso perder tudo porque fui egoísta ao contar para a minha família! Eu não posso perder minha família!
– Você nunca iria perder tudo, eu sempre estaria ao seu lado... E eles são sua família, eles te amam, nunca te odiariam por amar alguém...
– Nem por amar um homem?
– Um ser humano... Como todos eles e como você... Eu achava que você já tinha aceitado isso.
Caio soltou as mãos de Leandro, levou-o até a cama e o pôs sentado. Os dois se olharam:
– Por favor Caio... Você é mais corajoso que eu, por isso conseguiu entender melhor seu coração. Eu sei que eu te amo, mas não sei como fazer as pessoas entenderem. – Disse com os olhos cheios de lágrima.
– Eu pensava que você era tanto quanto eu, ou até mais. Afinal, quem me mostrou o amor foi você... Você fez sua escolha, ou melhor, não fez... Mas eu tenho que fazer a minha. Que um dia você aceite nosso amor... Eu vou esperar, mas tenho que me afastar de você aí você saberá se eu sou importante ou não.- Disse virando-se em direção a porta.
Leandro jogou sua cabeça no travesseiro para não ver a partida de seu amor e Caio passou pela porta e deixando que uma lágrima caísse, a primeira dentre as muitas que percorreram o caminho com ele até sua casa.
– Como ele pode me fazer isso?? Uma hora eu contaria aos meus pais, porque ele não esperou?? Só mais um pouco, só nos conhecemos há 4 anos... Quatro anos...
– Quatro anos... Eu o conheci há 4 anos e nem percebi como me apaixonei, pensei que ele me amasse assim como eu o amava, mas acho que mereço tudo isso: nunca serei amado de verdade, nunca valerei a pena pra ninguém, nunca alguém retribuirá o meu amor, porque eu nunca saberei amar... — As pessoas olhavam-no enquanto falava sozinho pela rua.- É...
Acho que ele nunca me amou de verdade. — Abriu a porta e foi se deitar.
Fale com o autor