Notas iniciais
Era muito bom estar correndo de um ciclope com meus novos melhores amigos, ciclopes sempre atrapalham minha vida. Bom, para chegarmos até ai, tenho que contar do início. Tudo começou nas férias...
Era meu ultimo dia de férias e eu iria sair daquela escola chata, não havia recebido nenhuma ligação, carta ou e-mail de meu amigos, esperei todos os dias um único sinal de vida deles, mas nada nunca chegava.
Minha avó havia me colocado em uma nova escola, nessa temos que andar com um fardamento constituído por uma blusa branca, terno azul marinho escuro com detalhes brancos e uma gravata vermelha. No primeiro dia tentei me enturma, mas foi meio difícil já que haviam muitos mortais falando bobagens desnecessárias.
Havia um menino que sofria de TDAH, na hora eu suspeitei se ele era um semideus, mas não havia nenhum sátiro na sala, eu tinha certeza disso, eu e ele ficamos muito próximos nesse meio tempo, embora fôssemos muito diferentes, ele era um cara de ficar com muitas garotas, loiro com olhos azuis e uma cicatriz entre seu olho esquerdo e aparentava ser um valentão.
Depois da aula de português fui para o intervalo, lanchei apenas um suco de laranja e fui ver se havia algo em grego para ler na biblioteca, no caminho eu esbarrei em uma menina de cabelos negros e olhos castanhos, os livros que ela segurava foram ao chão, me abaixei junto a mesma para ajudá-la .
— Desculpe, eu não havia lhe visto — Disse meio encabulado.
— Está tudo bem, já não é a primeira vez esse ano, sabe? Eu tenho hiperatividade, é difícil de controlar — Ela me respondeu.
— Prazer, sou Colin. Qual seu nome? — Digo enquanto pego os últimos livros e papeis.
— Sou Kim, obrigada pela ajuda, tenho que ir. — Ela se levanta.
— Certo, espero que possamos nos ver de novo. —Digo entregando suas coisas.
Kim era um pouco tímida, pois não disse nada, apenas pegou os seus pertences e voltou a andar enquanto eu entrava na biblioteca que não tinha nenhum livro em grego por sinal, embora não fosse uma grande surpresa.
O dia não tinha como ficar melhor, penso em um tom irônico. Ainda faltavam uns 10 minutos para o final do intervalo. Avistei Kim falando com o diretor, um velho de cabelo grisalho e um terno dos anos sessenta. Fui para o refeitório, lugar grande com paredes pintadas de um azul vivo. Fiquei ouvindo música no fone de ouvido até o intervalo acabar, coisa que não demorou muito a acontecer, fomos a sala de aula e quem foi transferida para a minha turma foi Kim, ela olha para mim e senta ao meu lado.
— Oi Colin!
— Oi Kim, vai ficar por aqui?
— Vou, a outra turma era um pouco difícil de lidar para mim.
— É, mas vamos voltar a aula.
— S-sim, a aula.
O professor começou a explicar algo sobre átomos, não sei bem o que era já que não conseguia me concentrar em absolutamente nada.
– Trabalho em grupo, três pessoas no máximo. — Foi o que ouvi o professor dizer.
Eu logo olhei para Kim que fez um sinal de positivo com sua mão direita, nós nos juntamos e começamos a conversa.
— É... eu posso me juntar a vocês?
— Kevin? Você está nessa turma? Vem se junta comigo e o Colin — Kim disse para Kevin. — Vocês já se conhecem?
— Sim, Quem não conhece o Kevin? vamos ao trabalho! — Disse.
— Claro! — Ambos disseram.
Começamos a nós conhecer cada vez mais, Kevin já havia nascido com essa cicatriz, Kim era vizinha de Kevin, mas eles não se falavam tanto assim. Havia tocado para o ultimo horário da escola, recolhi meu material e fui para meu apartamento, morava apenas minha avó e eu, era pequeno, no prédio só tinha cinco andares e eu morava no quinto.
Peguei o elevador e subi para minha casa, minha vó me esperava com o almoço na cozinha, comi um pouco e me tranquei no meu quarto, fiz minhas atividades e mexi um pouco no computador, sei que não posso, mas todos no segundo e terceiro andar são alcoólatras, o cheiro me escondia.
Minha avó sabia de tudo, semideuses, missões, filhos de Apolo e todas essas maluquices. Não tinha segredos com ela. Ficava lá o dia todo, olhava a Manhattan e esperava o anoitecer para jantar e dormi, meus dias foram assim por meses, até eu conhecer Kevin e Kim que ao longo do tempo se tornaram meus melhores amigos.
Era um dia ensolarado, estávamos querendo sair para algum lugar, a aula já havia acabado, eram três da tarde e decidi que poderíamos tomar um soverte ou algo desse tipo.
— Vamos tomar um soverte? — Pergunto sorrindo.
— Eu quero Colin! —respondeu Kim animadamente.
Fomos a uma soverteria e eu escolhi sabor chocolate, Kim escolheu roxo magico, provavelmente era algo relacionado a uva, e Kevin pegou um chamado pedacinho do céu. Estávamos felizes até ouvirmos uma voz.
— Vincent vai pagar um belo lanche para mim por esses aqui! — O homem alto de um só olho pegou Kim.
— Larga ela! — Digo a ele grito enquanto pego meu arco e atiro.
— O que era aquilo? Kim Você está bem? Como esse arco apareceu em sua mão? — Kevin perguntou rapidamente.
— Um ciclope! Ela está, não se machucou... Magia, minha avó lhe conta. Vamos! — Digo e fomos para meu apartamento já que era bem perto dali.
Entrei no meu apartamento às pressas e corri para o meu quarto jogando tudo o que podia em minha bolsa.
— Vó, emergência explique a eles, semideuses! — Gritei.
Minha avó saiu correndo de dentro do quarto dela.
— Eles são?
— Sim, eles são.
Voltei com uma mochila pequena e cheia de coisas. Minha avó deu uma carona e nós deixou na estação de Long Island, nós íamos pegar um trem até o acampamento. Compramos nosso bilhete e fomos para um vagão com apenas duas pessoas, reconheci de cara quem era.
— Mayara?! — Gritei.
— Colin? — Ela respondeu e me abraçou.
— Quem é o menino? — Perguntei.
— Fala doLeonardo? Ele também é um semideus, um ciclope perseguiu a gente hoje, mas nós conseguimos despistar eles em uma soverteria — Ela disse.
Começo a olhar para o menino, cabelos castanhos e olhos verdes, pele bronzeada e poucas feições em seu rosto, alto, porem vários machucados e cicatrizes em seu braço.
— Olá Leonardo, vocês não despistaram o ciclope, vocês deixaram o ciclope com a gente naquela soverteria! Esse aqui é Kevin e ali é a Kim — Disse.
— Olá, prazer! — Mayara disse.
— Prazer! — Ambos disseram.
— Entrem! — Mayara disse.
Entramos, nos sentamos e daqui para frente um silêncio mortal tomou conta de todo o trem. Kevin falou que precisava ir ao banheiro, ele saiu e o silêncio foi quebrado, embora eu preferisse que as coisas tivessem ficado como antes.
— Então Colin, você tá... Namorando com a Kim? — Mayara disse.
— Não, não... Somos apenas amigos! — Nós dois falamos ao mesmo tempo.
— É, desculpa, sei que deixei vocês com vergonha — Mayara disse.
— Não, não precisa se desculpar não! — Kim disse.
— E Percy? — Perguntei.
— Ele me deu dinheiro, ele falou que de trem ia ser melhor e quando eu chegasse ele já estaria lá, falou que não queria que eu usasse o meu Pégaso — Mayara respondeu.
— É, ele tá certo — Disse.
Kevin chegou aqui correndo e nervoso.
— Vamos pular a janela! — Ele disse.
— O que?! — Kim perguntou desesperada.
— O ciclope que atacou a gente está aqui! — Kevin disse já abrindo a janela.
— Sério? Vamos é logo! — Mayara falou indo em direção à janela aberta.
— Vamos pular mesmo May? A gente pode morrer — Leonardo disse.
— Vamos Leo! A gente vai acabar morrendo se ficarmos, então isso não vai mudar nada. — Mayara disse.
O ciclope apareceu e quando nos viu soltou um grande grito, isso foi o aviso. Mayara acenou com a cabeça e pulou pela janela primeiro, logo em seguida Leonardo e Kevin, Kim parecia assustada então eu a puxei e pulei junto a ela. Corremos pela floresta, até Kim parar.
— Acho que torci meu tornozelo! — Kim disse.
— Eu te carrego! — Disse e coloquei-a no meu colo.
— Muito obrigado Colin — ela sussurrou em meu ouvido e deu um beijo em minha bochecha. Fiquei vermelho, gostava de Kim, mas ainda era apaixonado por Sienna, embora ela não respondesse minha paixão.
Corremos até chegar ao acampamento. Falamos com Annabeth que estava na entrada, ela falou para entrarmos que o ciclope deveria estar por vir. Deixei-os na enfermaria com uns dos meus irmãos e fui ao meu chalé onde encontrei Benjamim mexendo nas coisas deles.
— Então, como foi o verão por aqui?
— Foi bom, criamos uma ala medica para apenas filhos de Apolo e amigos, cada um tem agora sua “casa” atrás do chalé, tipo nós temos a ala hospitalar, o chalé de Ares tem agora um arsenal só para eles.
—Bom, fiz o trabalho de um sátiro e trouxe uns semideuses, gostaria de saber se você poderia apresentar o acampamento a eles.
— Claro mano, vou agora, eles estão com a Lucy e o James né? — Benjamim perguntou. Lucy era a nova enfermeira do chalé de Apolo, uma filha de Afrodite enfermeira, cabelos negros e longos, olhos castanhos e irmã de Sienna.
— Sim, vou tomar banho e ver Sienna. Passo aqui mais tarde.
Entrei no banheiro, tomei banho e me vesti. Corri para o chalé de Afrodite, porém ela não estava lá... estava sozinha na praia tomando banho de sol. Sienna estava de biquíni rosa com bolas brancas, óculos de sol numa cadeira lendo uma revista de fofocas que as filhas de Afrodite provavelmente à emprestaram.
— Sienna!
— Colin? Eu não acredito! — Ela disse e me abraçou.
— Então, como foi ficar aqui? — Digo.
— Foi ótimo, porém chato, queria que você e Mel tivessem ficado aqui. Conte-me tudo, quero saber cada detalhe!— Ela disse.
— Então, tudo começou assim... — Contei-a a história toda, tirando a parte em que carreguei Kim.
— Eu não gostei muito dessa Kim — Sienna disse.
— Ciúmes? — Eu à provoquei.
— Não! Lógico que não! — Ela disse ficando vermelha.
— Então porque você não gosta dela? — Perguntei.
— Sei lá! Então, vamos ligar para Mel?
— Certo... Você tem algum dracma? — Perguntei.
— Tenho aqui na minha bolsa.— Ela mexeu na bolsa, tirou um dracma e fez a ligação.
A imagem de Mel começou a aparecer.
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