Um Dia Chuvoso

1 Sentimentos que não se nota


Notas iniciais
Faz tempo que queria postar uma história shizaya e quando finalmente consigo de volta a dona criatividade, não sai uma história com final feliz T.T
Espero que gostem e comentem.
Bye.

Em dias chuvosos como aquele é que Izaya notava sua solidão, ainda mais se fosse no dia dos namorados.

Ele poderia ser sádico, cínico, masoquista, irritante, egocêntrico, mas, apesar de tudo, ele ainda era humano. Um humano que age como Deus, porém ainda humano. Mesmo com todo o esforço, seus sentimentos ainda forçavam presença e certos sentimentos estavam incomodando-o naquela tarde.

De seu apartamento tinha visão de uma parte movimentada da cidade, onde casais apaixonados passeavam e pessoas saíam à procura de presentes em cima da hora, mesmo de baixo de chuva. Para Izaya, o dia dos namorados é simplesmente uma data comercial em que os humanos gastam seu dinheiro em coisas inúteis tentando agradar uma pessoa e esse relacionamento não durar nem nas próximas semanas. Izaya achava isso ridículo, e parecia que o humano que mais lhe intrigava, também achava isso.

Em todos esses anos, Izaya nunca havia visto Shizuo com uma namorada séria ou que durasse até o dia dos namorados, a maioria das declarações que o loiro recebia ou eram ignoradas, ou recusadas duramente. Até hoje o garoto dos olhos vermelhos não entendeu o porquê disso, afinal todo homem tem necessidades, até mesmo ele, porém Izaya não ligava para essas coisas já que era um ser superior aos outros. Mas Shizuo, por quê ele não sucumbia nunca?

Com a cabeça nas nuvens, Izaya decide sair para dar uma volta, pois na cabeça dele era muito mais deprimente ficar em casa olhando a felicidade dos outros de longe do que sair na rua e ver de perto. Quem entende a mente dele não é mesmo?

Andando sem realmente ligar para onde seus pés o levavam, ainda pensava nos questionamentos de antes. Por que? Por que?

Quando voltou a realidade, percebeu que estava em Ikebukuro, mais precisamente perto da moradia de certo loiro monstruoso. Assim que se deu conta, deu meia volta e começou a se distanciar de lá, tudo o que menos queria nesse dia era arrumar confusão com Shizuo.

Depois de andar alguns metros, em um beco se depara com uma cena inesperada para ele. Shizuo estava sendo agarrado por uma garota, ou ele estava agarrando uma garota, Izaya não queria saber. Com passos curtos e silenciosos se distanciou, mas ainda a tempo de ouvir declarações que, sem saber o porquê, machucavam seu coração.

Correu como nunca antes havia corrido, não ligava para os olhares, nem para os obstáculos no meio do caminho, queria apenas correr, o mais rápido que podia para longe daquela cena. Nunca antes havia sentido uma dor como aquela, sentia como se uma mão esmagasse seu coração num punho de força. Não sabia o porquê, nem como, nem quando, apenas sabia que seu coração não estava pronto para isso, muito menos sua mente. Não esperava por algo assim, nem que Shizuo seria capaz, nem que um dia se importaria tanto. Mas se importava.

Após alguns minutos, encostou-se em uma parede do que parecia ser um galpão. A chuva tinha voltado a cair. Escorregou na parede até estar sentado no chão barrento, sem se importar se estava se molhando, ou se ficaria doente depois desse dia, apenas queria descarregar todo o peso que aquela cena lhe proporcionou.

Chorou e chorou por horas, não tinha ideia de quantas horas eram e nem se importava, apenas chorava. Chorava por finalmente ter entendido o porquê, entendido que aquela cena o afetou tanto por causa de sentimentos que não deveriam existir e que ele pensava não ter.

******

Izaya despertou no dia seguinte com uma dor de cabeça terrível. Acordou numa superfície macia, não sabia como foi parar ali, já que a última coisa da qual se lembrava era de estar próximo de um galpão durante uma chuva forte e... chorando.

Tentou se levantar de onde quer que estivesse, mas uma tontura o fez voltar para onde estava. Olhou ao redor e reparou que estava em um quarto, e pelo o que conseguia ver da janela, parecia ser de um apartamento não muito alto. Quando recuperou um pouco mais os sentidos, sentiu um cheiro conhecido no apartamento, o cheiro era da pessoa que ele menos queria ver agora. Tentou se levantar novamente e dessa vez conseguiu. Saiu cambaleando pelo apartamento até chegar a sala.

Shizuo estava deitado no sofá e dormia profundamente. Izaya gostaria de ser aquele que acordaria todo dia ao lado dele e veria essa imagem todos os dias, mas sabia que Shizuo nunca iria querer ter nada com ele, afinal Izaya é a pulga não é mesmo?

Se aproximando, ajoelhou ao lado do sofá e observou o rosto daquele que de alguma maneira conquistou seu coração. Tentava guardar o máximo que podia os traços do loiro. E então, encostou de leve seus lábios, sentindo seus olhos marejarem. Novamente se afastou e deixando um pequeno bilhete, saiu do apartamento silenciosamente, sem olhar para trás.

******

Quando Shizuo acordou, já era quase fim da tarde. Levantou ainda meio sonolento e dirigiu-se ao quarto. Quando lá chegou, percebeu que Izaya não estava mais em seu quarto. Desesperado, procurou por todos os cantos do apartamento não o encontrando em lugar nenhum, sentou na mesa de jantar e percebeu que havia uma papel que não estava ali antes.

Curioso, pegou o papel e nele estava escrito em palavras simples e numa letra rápida, com pequenas gotas de lágrimas secas:

'Eu te amo, desculpe não ter coragem de falar cara a cara.

"O pior cego é aquele que não quer ver", isso se encaixa comigo, não acha?

Att. Sua pulga predileta'

******

Izaya desapareceu depois daquele dia, ninguém sabia aonde ele tinha ido, o que tinha acontecido com ele, nem o que estava fazendo.

E assim, a cidade de Ikebukuro finalmente teve paz, mas nem todos acharam isso bom e sim preocupante. Porém, não há o que fazer quando se fala de sentimentos.

Notas finais
Obrigada por lerem (*u*)/
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!