Notas iniciais
Desculpem a demora!!!!! Estou em época de prova, então por isso demorei um pouco para postar. Espero que gostem!!!

A fúria incontida da deusa da lua era sentida por todos na clareira. As caçadoras mais próximas da menina se afastavam lentamente.

Foram raras as ocasiões em que a tenente das caçadoras vira sua senhora ficar daquele jeito, e a última vez havia sido há séculos. Dentre as atuais caçadoras, poucas já haviam visto ela assim, e as que sabiam o que estava por vir, temiam. Os lobos grunhiam encolhidos e as águias piavam assustadas.

Em um rápido e quase imperceptível movimento, como um borrão registrado em uma fotografia, a menina agora por volta dos seus dezesseis anos apareceu. Percy instintivamente só teve tempo de levantar sua espada para bloquear duas facas de caça em sua direção. As armas feitas de prata arrancaram faíscas ao se chocarem com a espada de bronze celestial.

O som do contato entre as lâminas tirou um suspiro das meninas do outro lado da clareira, e um pequeno levantar de sobrancelhas de Ártemis. Mas não se engane: esse ato por mais simples que possa ter parecido, carregava surpresa e muita curiosidade. Sem que tivessem tempo para se analisarem melhor, uma formidável disputa começava a ser travada naquela clareira.

Com movimentos ágeis e ousados, ambos os guerreiros se revezavam em atacar e defender os muitos golpes.

A deusa da caça, aproveitando-se de sua sutileza, visava de pontos estratégicos para desestabilizar ou mutilar. Sua velocidade superior, lhe dava vantagem sobre suas investidas contra o semideus.

Percy, com sua lâmina, desviava os golpes o melhor que podia. Forçado a priorizar sua defesa, abaixava e pulava sempre que as facas de caça invadiam. Quando a oportunidade surgia, investia contra a abertura de Ártemis. Mas, em rápidas acrobacias da deusa, era prontamente forçado a recuar.

Sem dúvida, fazia séculos que ninguém lutava com demasiada destreza. Mas, por mais habilidoso que Percy pudesse ser, Ártemis possuía milênios de experiência em combate, sobrepondo suas poucas décadas de treinamento. Sem contar que, até aquele dia, ele nunca havia estado em uma batalha real e muito menos com uma das deusas guerreiras.

Não demorou muito para que o jovem deus estivesse coberto por ferimentos feitos por sua oponente. Pequenos hematomas mostravam-se em contraste com grandes cortes, alguns mais sérios do que outros. Perseu, impressionado, olhava para o fluído que saia dos seus machucados que pela primeira vez, ao invés do habitual dourado, vermelho rubro escorria. O que o levou a pensar o que sua mãe havia feito com ele...

Já a deusa permanecia intocada, sem cortes ou sequer arranhões. Seus movimentos ágeis, com uma perícia invejável, nem ao menos balançavam ou tiravam um fio de cabelo do lugar. Seus olhos afiados se mostravam atentos à sua presa, analisando cada pequena reação à sua frente.

Ártemis sem demonstrar, se encontrada espantada por um simples semideus durar tanto tempo em uma batalha contra ela. Ela sabia que poderia facilmente matá-lo, mas depois de o mesmo ter bloqueado seu primeiro golpe, ela queria saber até onde o menino podia chegar.

Perseu vendo uma vantagem, correu para a orla da clareira. Ele sabia que em uma luta direta, perderia. Mas, sobre a proteção das árvores, talvez tivesse alguma chance. Os primeiros troncos já haviam passado quando um vulto passou pela lateral do seu rosto e fincou-se no pinheiro a sua frente.

— Fugindo como um covarde? — pergunta uma voz às suas costas.

Quando a arma parou de chacoalhar, Percy percebeu ser uma das facas de caça da deusa. Pela ardência em seu rosto, Perseu não precisava levar as mãos a bochecha, para saber que havia sido ferido. Virando na direção da voz, observou a forma imponente da deusa parada a menos de quatro metros de distância.

— De jeito nenhum, apenas buscando alguma vantagem.

Como se fosse um sinal, os dois combatentes se apressaram em direção ao outro. Desta vez, cada um portando apenas uma arma. A luta prosseguiu acirradamente.

Ártemis ainda possuía a vantagem, sua agilidade se mostrava promissora em se defender das investidas de Perseu. Sua velocidade e experiência deixava seu oponente ocupado tentando encontrar uma breja quase inexistente em suas defesas.

A cobertura da floresta dava alguma proteção. Várias foram às vezes em que Percy foi protegido por algum tronco que teve a infelicidade de estar entre ele e a deusa. O que o garoto não contava, era a forma sutil que Ártemis o levou de volta a clareira.

Depois de mais alguns golpes, em um momento de distração, Perseu não pôde prever a próxima jogada de sua adversária. Só viu o que o tinha acertado quando, depois da explosão de dor, olhou para a flecha prateada presa em seu ombro. Sangue começou a empapar sua camisa, mas a mancha não era visível graças à cor .

Olhando para frente, pôde ver a jovem deusa com seu arco em mãos, apontando para ele. O brilho da lua iluminava totalmente a clareira agora, e se focasse atentamente nela, seria possível ver uma fina aura prateada circundando-a.

Não demorou para que uma segunda flecha fosse disparada e atingisse o outro ombro do garoto. Com sua respiração descompassada, Percy não pôde impedir que um grunhido de dor escapasse por entre seus lábios. Esforçando-se para não tombar, olhou para a deusa, ajoelhando-se perante a dor e o cansaço que começavam a consumi-lo.

— Você lutou bravamente, semideus. Mas não o perdoarei pelo que fizeste com a minha caçadora — falou a mulher, não escondendo seu tom de desprezo e fúria que novamente surgiu ao se lembrar de sua falecida protegida.

Com o arco novamente preparado, a deusa tencionou a corda, apontando em direção ao menino.

Por um instante, Percy temeu a morte. O jovem deus, se é que ainda podia se chamar assim, nunca pensou que veria sua breve vida passar diante dos seus olhos. Os treinos com sua mãe e com sua tia Hera, as incontáveis horas que passou lendo grossos livros que era forçado a estudar, os momentos em que fora perseguido por Héstia quando invadia seu jardim, e por último seu pequeno momento com as caçadoras.

Como se estivesse compactuando com este sentimento, o clima na clareira reagiu com o que estava prestes a acontecer. Os ventos, que antes eram suaves brisas, se intensificaram levantando poeira dourada e folhas. A cor viva que emanava das árvores ganhou tons mais escuro, imperceptíveis a olhos comuns. A própria iluminação pareceu fraquejar por um instante.

Quando a deusa estava para soltar o fio, foi surpreendida de modo que há milênios não acontecia…

Zoe, com sua confiança inabalável, se postou à frente de Percy. Ártemis pareceu congelar. Não podia acreditar que sua tenente e companheira de séculos estava protegendo um garoto, ainda mais um que havia assassinado sua irmã de caça.

Um sentimento que a deusa há muito não experimentava despontou em seu coração... traição.

— O que significa isso, Zoe?

— Milady, o que aconteceu com a Hanny não é culpa desse garoto.

Zoe foi a caçadora que por milênios foi a que mais compactuava com sua ideologia. Não faltava motivos para Ártemis ficar surpresa em ver sua tenente protegendo um garoto.

As caçadoras, que até então permaneciam observando, se aproximaram surpresas com a líder posta diante da deusa. Mas ao receber o olhar de Ártemis sobre si, as meninas apenas concordaram com a cabeça com as poucas palavras da tenente.

— Mas eu vi ele aqui...

— Fomos emboscadas por monstros, minha senhora — cortou a tenente. — Haviam mais do que podíamos dar contar. Lamento admitir, mas se não fosse esse garoto, teríamos perdido muitas caçadoras.

A deusa ficou surpresa com a confissão. Só então fitou mais profundamente a clareira à sua volta, localizando amontoados de pó dourado e uma parcela de armas e armaduras deixadas pelos monstros. Em sua fúria, Ártemis se esquecera de analisar o campo de batalha – e agora lamentava-se por tal erro.

Percy, que até aquele momento continuava ajoelhado, não aguentou e acabou caindo para trás, chamando atenção de todas as garotas na clareira. Seus machucados deixavam escorrer muito sangue e, se demorassem para serem tratados, logo perderia a consciência.

— Levem-no até uma barraca e tratem de seus ferimentos. Quando estiver apto, eu falarei com ele. As caçadoras que não estiverem feridas e que podem se locomover, deem uma varredura na área. Não queremos surpresas novamente. As demais, cuidem de seus machucados — falou a deusa, seguindo em direção à barraca. — Zoe, quero que me acompanhe.

Com as ordens da deusa, as caçadoras logo se mexeram. Quatro fortes caçadoras se aproximaram do menino deitado no chão. Com desagrado, mas com um toque de cuidado, levaram Percy para a barraca que usavam como enfermaria. O menino, que nada podia fazer, apenas observou as garotas trabalharem.

A tenda de aspecto aconchegante possuía algumas macas estendidas lado a lado com apenas um estreito vão entre elas. Alguns móveis tinham rolos de bandagens e potes com ervas e plantas curativas. Um pequeno braseiro no canto da tenda era usado para fazer oferendas a Apolo, deus da medicina, do sol, da música e da beleza, com objetivo de pedidos ou agradecimentos. Mesmo as caçadoras odiando os homens, e principalmente Apolo em especial, não podiam evitar de pedir ajuda ao deus quando precisavam.

O menino passou a observar uma caçadora de cabelos loiros, que parecia ser a responsável pela enfermaria. Com uma perícia sem igual, ela enfaixava ou curava ferimentos com cânticos em grego antigo. Quando chegou a vez dele, a caçadora lhe deu uma discreto olhar de desprezo, mas logo se apressou a curar seus cortes.

— Se prepare, isso vai doer.

Antes que Perseu pudesse entender o que a menina quis dizer, sentiu uma forte pressão no ombro e logo uma dor irrompeu ali. Quando olhou para o local, a caçadora já segurava a flecha prateada em uma das mãos. Com a outra pressionada sobre a ferida, realizava um cântico para estancar o machucado. Um nome surgiu na cabeça de Percy: “Agatha London”.

— Vejo que é muito habilidosa, Agatha.

— Como sabe meu nome? — perguntou a caçadora surpresa.

— Sou o deus dos heróis, isso inclui as caçadoras. — Por isso sei o seu nome.

— Se é um deus, por que seu sangue é vermelho? — sussurrou a menina, temendo que sua senhora aparecesse.

— Não se preocupe, lady Ártemis está em sua tenda, posso senti-la daqui. E respondendo sua pergunta, até ontem possuía licor em minhas veias como qualquer outro deus. Mas quando lady Héstia me tocou agora há pouco, ela fez algo comigo que ainda não sei explicar — respondeu um Perseu pensativo.

— Ela te transformou em mortal?! — perguntou a caçadora, que não sabia que os deuses podiam fazer isso.

— Não é para tanto, caçadora. Veja, eu ainda possuo a maioria dos meus poderes. — Por um instante, os olhos do deus se iluminaram numa mistura de cores que intrigou a jovem. — Mas de alguma forma, eu me sinto mais fraco... — terminou o deus, mentalizando as últimas palavras de sua mãe.... “Fiz com que seu poder fosse suprimido ao de um simples semideus, embora possa usá-lo quase normalmente. Sua áurea agora está reduzida, mas lembre-se, pode agir como um semideus, treinar como um, mas sempre será um deus.”

Mais uma vez a dor que havia sentido antes surgiu, o que fez o menino grunhir mais forte. Com raiva olhou para a caçadora, que agora tinha duas flechas aos seus pés.

— Não me encare assim, sabe que é o único modo — respondeu Agatha com um sorriso, se divertindo com sua pequena sessão de tortura.

Percy não estava bravo com a jovem à sua frente, mas chateado com sua mãe. Alguma coisa lhe dizia que ela sabia as torturas que sofreria ficando ali. Mas, ele estava disposto a encarar se fosse preciso. Enfim poderia ver um pouco do mundo que por muito tempo estudou em sua cabana.

Os poucos minutos na enfermaria das caçadoras fizeram Percy perceber que somente Agatha chegara a trocar palavras com ele. As demais caçadoras que estava ali nem sequer dirigiam olhares ao deus, preferindo manterem-se afastadas, conversando uma com as outras. Mas não deixavam de respeitá-lo. Afinal, era um deus de qualquer forma.

Sua atenção se voltou para a caçadora filha de Apolo. Como Percy sabia disso, não compreendia. Só sabia que as informações vinham flutuando em sua mente quando se tratava dos integrantes do seu domínio.

— Por que você falou normalmente comigo? — perguntou o deus curioso. — Ao contrário de você, as demais caçadoras mal olharam na minha direção...

— Diferente delas, eu não tive um grande trauma envolvendo homens — começou a semideusa, pegando um pouco de uma pasta verde gosmenta e passando sobre alguns dos cortes mais profundos do deus. — Quando aceitei ser caçadora, não possuía casa ou família. Vivia pedindo dinheiro nos becos ou nas ruas sujas de Londres. Mas um dia um monstro me encontrou e me encurralou enquanto eu fugia. Se não fosse por lady Ártemis e as caçadoras, eu teria morrido sem nem ao menos ser lembrada por alguém...

— Londres?! — Perseu encarou a menina dos olhos verdes e sedosos cabelos loiros. — Quantos anos você tem?

— Eu tenho duzentos e cinquenta e três anos — respondeu a semideusa, percebendo a surpresa dele. — Entrei para as caçadoras quando o Olimpo ainda ficava na Europa.

— Compreendo.... — falou Percy por fim. — Que bom que encontrou uma família. — Tentou mostrar compaixão em sua voz, recebendo um pequeno sorriso da filha de Apolo em troca.

— Pronto, terminamos. — A semideusa foi lavar as mãos em uma pequena bacia sobre um dos móveis. — Sem movimentos bruscos, ou seus ferimentos vão se abrir e demorar mais para se curarem.

— Entendido, comandante — Percy tentou fazer graça , mas só o que recebeu foram olhares tortos das demais caçadoras na enfermaria.

Alguns minutos se passaram até Zoe adentrar a tenda onde sabia que encontraria Percy. Observando o garoto deitado já com seus ferimentos tratados, a caçadora notou a expressão de tédio que começava a aparecer no rosto do deus dos heróis. Ela percebia pelo seu jeito que ele era um daqueles garotos imperativos e cabeça oca, que na maioria das vezes acabava por entrar em enrascadas, sem que precisasse se esforçar muito para isso. Coisa que já a fazia se arrepender de ter prometido ajudar aquele estranho deus.

— Vai ficar parada aí na entrada, Zoe? — perguntou Percy, lentamente virando a cabeça para olhar em sua direção.

A caçadora voltou a si, voltando a assumir sua postura de tenente.

— Lady Ártemis mandou chamá-lo. Ela quer conversar com você. — Sem esperar por uma resposta, ela saiu da tenda.

Percy, com um suspiro que rapidamente se tornou um desconfortável som de dor por causa dos ferimentos, levantou e passou a seguir a garota para fora da enfermaria.

O caminho até a tenda da deusa Ártemis não era muito longo. Mas em comparação às demais tendas, a dela era a mais distante. Perseu caminhava perto de Zoe, enquanto era seguido pelo olhar de mais de trinta caçadoras. Todas estavam ocupadas com os mais variados trabalhos, desde esfolar animais, pegarem água ou até colher e separar temperos.

No meio do acampamento, uma suntuosa fogueira estava sendo preparada. Larga o bastante para caber uma pessoa, a pilha de lenha e galhos chegava a dois metros de altura. Percy passou por ela junto com Zoe e se dirigiram para a maior cabana que montava a forma Ո. Ela entrou primeiro, e logo depois passou a mão pela abertura, chamando-o que entrasse.

A primeira coisa que Percy viu foram as muitas peles animais que enfeitavam o chão e até mesmo as paredes. Uma pequena mesa de centro se encontrava próxima a um braseiro igual ao da enfermaria. Do outro lado, um amontoado de almofadas fazia contraste com um pequeno trono onde uma garota de doze anos encontrava-se sentada. A jovem encarou Perseu com certa curiosidade. Percy, por outro lado, se encontrava desconfortável com tamanha atenção.

— Peço a você minhas sinceras desculpas, Perseu Jackson. Não sabia que havia ajudado minhas caçadoras — a deusa quase cuspiu as palavras , enquanto observava as duas ataduras pelos buracos da camisa suja do garoto. — Minha tenente me contou o que fez e fico agradecida quanto a isso. Mas o que realmente me intriga é saber o que um garoto, mais precisamente um semideus, fazia perdido neste bosque, nas imediações do meu acampamento. E só para avisá-lo, eu saberei se estiver mentindo, então não tente esconder coisas de mim.

— Me chame de Percy — começou o menino, tentando ser simpático, o que de nada adiantou. A deusa sequer expressou uma reação. — Eu moro neste bosque desde que nasci. — respondeu o deus dos heróis. — Eu estava em minha casa quando senti algo nesta parte do bosque. Apenas deixei o instinto me guiar e acabei encontrando um grupo de dracaenaes. Ouvi elas falando sobre as caçadoras e que o primeiro grupo já havia chegado. Quando eu entendi o que isso significava, passei a segui-las até encontrar seu acampamento. — Percy não pareceu se preocupar, nem mesmo mostrou nervosismo, afinal tudo que contava era a mais pura verdade.

— Com quem mora? — perguntou a deusa curiosa.

— Moro com minha mãe, milady.

— E seu pai?

— Não o conheço.

— Estou perguntando se sabe quem ele é.

— Minha mãe nunca falou sobre ele.

— Viveu isolado neste bosque a vida inteira?

— Às vezes minha tia vinha me visitar.

— Como sabia das dracaenaes e até mesmo das caçadoras se viveu isolado todo esse tempo? — agora quem perguntava era Zoe. Recebeu um olhar zangado da deusa, mas não negaria que estava curiosa em saber a resposta.

— Minha mãe e minha tia me forçaram a ler milhares de livros — falou Perseu com forte tédio estampado em sua voz, lembrando-se das intermináveis horas a ler os muitos livros trazidos por Hera.

A deusa o analisava com bastante curiosidade, sem entender como um semideus conseguiu sobreviver por tanto tempo sozinho em meio a uma floresta perigosa como essa.

— Onde aprendeu a lutar?

— Minha mãe me ensinou — Perseu respondeu inocentemente.

Ártemis encostou-se contra o espaldar de seu trono pensativa. Nunca encontrara um semideus tão misterioso como aquele. E o que mais a intrigava era saber sua ascendência divina. Quando estava para perguntar mais algumas coisas ao garoto, foi interrompida por Febe, que apareceu entrado na tenda.

— Estamos prontas, minha senhora. Todas já estão reunidas em volta da pira, só estamos esperando vocês...

Os três ocupantes da tenda se voltaram para a recém-chegada caçadora. Logo, Zoe e Percy fitaram a deusa sentada em seu trono.

— Muito bem. — A deusa suspirou com pesar. — Continuaremos depois. Por ora, vamos dar um enterro digno à nossa companheira de caça.

Quando Perseu chegou ao centro do acampamento, um leve aroma perfumado podia ser sentido no ar. Archotes dos mais variados tamanhos iluminavam toda a extensão da clareira, mas especialmente seu centro, onde a maioria estava disposta em volta de uma grande pira de dois metros de altura. Decorada com muitas flores e arranjos com as madeiras perfeitamente alinhadas, a pira era banhada por óleo.

Não demorou para que quatro caçadoras surgissem carregando o corpo da caçadora embrulhado por uma mortalha prateada em uma maca. Estampada perfeitamente no tecido de seda, havia uma meia lua bordada em cinza.

As caçadoras se aproximaram da maca para se despedirem uma última vez da irmã que havia honrado seu voto até o fim. Depois, com cuidado, o corpo da caçadora foi posto sobre a pira.

A deusa da lua se aproximou e recitou uma prece silenciosa para sua “filha”. Com a iluminação da lua em seu auge, um estalar de seus dedos foi o suficiente para que um archote fosse levado até ela. E com um simples movimento, as chamas começaram a tomar conta da pira.

Ao redor do montante de madeira, as caçadoras se postavam com respeito e pesar. Fazia séculos que não perdiam uma irmã, e toda vez que isso acontecia era um choque. Algumas das meninas deixavam que lágrimas lavassem suas bochechas, enquanto outras se mostravam mais controladas, porém igualmente tristes.

Percy pressentia todos aqueles sentimentos nas caçadoras. Elas faziam parte dos seus domínios, ou seja, seu trabalho era tentar entendê-las para que pudesse ajudá-las. E para começar a compreendê-las, ele teria que aprender a sentir o que elas sentiam. E com a melhor das intenções, o deus dos heróis começou a rezar a sua mãe para que as confortasse naquele momento. Os deuses não precisam rezar para outros, mas Percy, pelo respeito e carinho que possuía por sua mãe e tia, passou a ter este costume sempre que precisava da ajuda delas.

Não foi preciso muito para uma quentura começar a surgir nos corações de todas as caçadoras naquela clareira. As que choravam aos poucos viam suas lágrimas pararem de cair e a dor que todas sentiam em seus corações, gradativamente diminuir. Sabiam que se quisessem honrar a memória de sua irmã caída em batalha, teriam de ser como ela. Se quisessem ser heroínas, não poderiam hesitar. E se fosse preciso que morressem defendendo aquilo que acreditavam, deveriam fazê-lo sem pensar duas vezes... Enquanto pensavam em seus valores, só o que podia ser escutado era o crepitar da pira sendo consumida aos poucos pelo fogo.

Passadas horas desde a cerimônia de cremação, a deusa Ártemis reuniu todas em volta de sua tenda. Mesmo que estivesse aparentemente séria, as meninas podiam ver o olhar abatido que a deusa carregava, mas ninguém tinha coragem de perguntar o que a preocupava. Até o momento em que ela decidiu falar.

— Caçadoras, irei contar a vocês o motivo da reunião emergencial no Olimpo!

Notas finais
Bom é isso... Não sei quando postarei o próximo, mas tentarei ser o mais rápido possível. Ps - Gosto de ler a opinião de vcs. Mesmo que eu demore ou não responda, saiba que eu leio todos os comentários. Então não hesitem em compartilhar o que estão achando da fic. Até a próxima!