06 de janeiro (algumas décadas atrás) — 10:12 hrs

O lado bom do árduo trabalho do Nicolau era poder descansar com sua família nos demais dias do ano. Maria, sua esposa, estava preparando uma festa toda acalorada, com músicas, presentes, decorações e muita comida para o único filho do casal, Nicolai, o Noel sucessor. Enquanto a fábrica não ficava pronta para recebê-lo, o bom velhinho resolveu levar o seu pequeno filho, com apenas 5 anos (comuns) na época, para brincar com suas renas. Ele havia adquirido uma nova, Rudolf, a rena do nariz vermelho, e queria levá-lo para conhecê-la.

— Ela é maior que as outras, papai?

Indagou, enquanto segurava sua mão. O homem sorriu e assentiu, muito sereno.

— Maior, mais forte e tem um nariz vermelho.

— Um nariz vermelho?!

Os olhos brilhantes do garoto cintilaram, e então Nicolau gargalhou daquela forma tão cômica.

— Ho ho, é claro! As viagens sempre acontecem à noite, meu filho, para que as crianças não nos vejam. Precisamos de uma rena sinalizadora para nos guiar na escuridão, entendeu?

— Entendi… e eu vou ter uma rena também, papai?

O homem sorriu.

— Se for bonzinho, pode ser que sim.

— Mas eu sou bonzinho, eu sou!

O menino começou a pular, contente. Nicolau o pegou no colo e o levou rapidamente até o seu estábulo.

— Então acho que já está na hora do seu presente de aniversário, não?

O garoto piscou os seus olhinhos azuis, curioso, e então foi levado até uma área do estábulo, onde algumas das renas se encontravam. Contemplou uma delas, alta, forte, imponente, de nariz vermelho. Encantou-se com o seu porte, com sua galhada, era uma rena enorme, perfeita para puxar o trenó gigantesco que o seu pai conduzia com os presentes das crianças do mundo todo.

— Uau…

— É sua, meu filho.

— E-ela é minha??

O homem gargalhou.

— Não tente roubá-la de mim, hein? Rudolf é o meu melhor amigo. A que estou me referindo é esta aqui.

Se aproximaram mais. Rudolf parecia estar protegendo uma rena, e esta era a Cupido, a rena mais carinhosa e adorável que Nicolau possuía. Ela estava descansando e, perto de si, havia um filhotinho ainda muito miudinho e delicado. O velho sorriu.

— Essa rena é sua, meu filho. Ela irá ser sua amiga, crescer com você, e te ajudará no que você precisar.

O menino piscou os olhos, curioso. Havia adorado o seu presente, sentiu uma conexão muito profunda com aquele filhotinho quando seu olhar o alcançou. Ele logo pediu para descer, mas Nicolau não permitiu que chegasse muito perto, o bebê havia acabado de nascer.

— Deixe-o descansando um pouco, Nic. Mas, me diga… que nome dará a ele?

O menino contemplou o bichinho por um tempo, em seguida sorriu.

— Rudolf!

— Ora, Nic, mais outro?

— Sim, papai, vai ser Rudolf! Eu sinto que ele gosta assim.

O homem parecia contrariado, mas, quando olhou para sua rena de nariz vermelho, o pai do filhotinho, ele também parecia satisfeito com o nome. Nicolau percebeu que aquela escolha havia sido aprovada.

— Perfeito então. Rudolf… cuide bem dele, está bem?

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Nicolai estava brincando com sua rena de estimação quando exercitou um de seus poderes pela primeira vez.

Já havia sido alertado pelo pai que um dia eles despertariam, afinal, estava destinado a ser o próximo Pai Natal. Naquele dia específico, tinha o equivalente a 12 anos comuns quando estava correndo pela neve com Rudolf, que também envelhecia devagar graças à magia centenária das renas, portanto ainda era apenas um filhote muito adorável.

— Eu corro mais rápido que você!

Exclamou, brincando, enquanto corria pela neve. Rudolf propositalmente esbarrou nele para que Nicolai caísse na macia camada branca de gelo, no chão, porém o garoto acabou instintivamente o segurando para se manter de pé, quando, de repente, encanto saiu de suas mãos.

Rudolf caiu com o poder, desmaiou por poucos instantes. O garotinho, assustado e sem saber o que havia acontecido com o seu amigo, correu para casa a fim de chamar o seu pai.

— Papai! O Rudolf dormiu e não quer acordar mais!!

Exclamou, os olhos já cintilando para chorar. Nicolau, preocupado, correu ao auxílio do filho, mas surpreendeu-se ao reparar que, ali, na neve, não havia uma rena.

Era um garoto.

Rapidamente puxou o seu casaco e o protegeu do frio. Levaram-no para casa e o puseram próximo à lareira. O menininho acordou em poucos instantes.

— Rudolf…?

Murmurou Nic, curioso. Seu pai resolveu responder ao seu olhar intrigado.

— Um dia, você precisará de ajuda para comandar a fábrica, meu filho, e só os duendes não são suficientes. Essa magia está dentro de você e um dia precisará usá-la em prol da obra.

— E-eu… fiz isso? Eu transformo animais em pessoas?

O homem sorriu.

— Não só animais, como qualquer outro ser vivo ou inanimado. Suas mãos e seus olhos são cheios de encanto e você estará sempre destinado ao caminho da bondade.

O pequeno garotinho, que antes era uma rena, apenas coçou um pouco a cabeça e esfregou os olhos.

—Ele fala…?

— Você precisará ensinar a ele. Seja responsável, você é o dono dele, lembra?

Nicolai ainda não entendia o tamanho da responsabilidade que carregava nas mãos, mas assentiu obedientemente e fez um carinho nos cabelos de seu amigo.

— Eu vou cuidar de você, Rudolf… para sempre.

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Nicolai cresceu… assim como Rudolf.

O que se iniciou como dono e pet terminou como irmãos. Rudolf havia se naturalizado humano e, agora, possuía gostos, hobbies e sentimentos tão naturais quanto os dos próprios humanos. Era um homem alto, forte e imponente, como o seu pai de certa forma. Tinha uma galhada firme e graciosamente arqueada, a pele escura, brilhante e aveludada, os olhos verdes nos tons de uma esmeralda, uma barba bem feita e longos cabelos trançados.

Rudolf e Nic eram tão grudados quanto irmãos de verdade. Naquele dia, em específico, o moreno estava impacientemente andando de um lado para o outro, no enorme escritório do seu amigo, quando este retornou da excursão na fábrica. Nicolai estava sempre muito ocupado aprendendo os ofícios do pai para poder substituí-lo um dia.

— Ufa! Hoje foi desgastante…

— Você chegou! Quer um chá? Um café? Posso mandar os duendes fazer!

— Não, não, Rudolf, você…

Logo, fez uma expressão surpresa. Notou como todo o ambiente parecia devidamente organizado. Ele arqueou a sobrancelha e encarou o amigo.

— Rudolf… perdi alguma coisa?

— Eu organizei os seus documentos em ordem alfabética! Que, por sua vez, estão em pastas organizadas por ordem de cor, sei que você é mais visual. Sua mesa estava uma bagunça! Então eu solicitei aos duendes que fizessem uma varredura, e eu ajudei um pouco também. Ah, ali no armário tem uma pilha de coisas que achamos na faxina e eu não sei pra onde vão, mas…

— Rudolf…

Ele o encarou com um sorriso de canto. O rapaz, por um segundo, temeu que ele não tivesse gostado.

— Eu… fiz algo errado?

O homem gargalhou e se aproximou do seu amigo, por fim o abraçou. Rudolf não entendeu a princípio, mas jamais negaria um abraço caloroso de Nicolai, e os seus abraços eram os melhores do mundo. Aninhou-se no pescoço dele e ficaram assim por uns instantes.

— Eu já disse para você não se estressar com essas coisas… Você não é um empregado, Rudolf, você é minha família.

Sussurrou. O rapaz alto de cabelos escuros lentamente se afastou e suspirou.

— Eu sei, mas, no fim das contas, todos nós somos, é o que o seu pai diz. Eu só queria ser um membro da família mais útil.

— Como assim? Você não é inútil…

— Mas eu queria ajudar na fábrica, senhor! Eu queria…

— Nic, Rudolf, pode chamar o meu pai de senhor, mas eu só tenho 425 anos, tudo bem? Eu ainda sou bem novinho.

Brincou o homem, rindo em seguida. Rudolf mordeu os lábios, ele tinha um respeito tão grande pelo rapaz que seria um desafio para si próprio chamá-lo por um apelido.

— Pode ser “senhor Nic”?

— Okay, o que você quiser… mas tire essas ideias da cabeça, hein? Eu estou muito cansado, quer vir deitar um pouco comigo?

— Quero! Ah, vem ver o que eu fiz no seu quarto!

Com aquela afirmação, Nicolai ficou um pouco preocupado. O rapaz, animado, puxou o seu amigo pelos corredores até que enfim chegaram no enorme quarto do sucessor. Nicolai se surpreendeu como Rudolf havia conseguido arrumar tudo em tão pouco tempo, era um quarto enorme para organizar, ele provavelmente usou um mínimo de 30 duendes para o serviço.

— Rudolf…

— Eu organizei o seu guarda-roupa em trajes de frio, de férias, de esportes, passeio, casual e de gala! Do outro lado tem as suas revistas e os seus passatempos. Seus instrumentos de esporte estão no armário, os de música estão no segundo quarto, tiramos as poeiras de muitos deles, também tem…

— Okay, okay, Rudolf! Quer trabalhar comigo, hum? É um convite.

O homem travou ao ouvir aquelas palavras. Seus olhos verdes se iluminaram, e Nicolai acabou percebendo que essa era a frase que ele queria ouvir desde o início de tudo.

— E-eu… claro!!! Quando eu começo?? Hoje?? Eu vou ter um uniforme??

Nicolai gargalhou e o puxou para perto de si.

— Depois falamos nisso. Vamos tomar um banho na hidro? Diga que sim, por favor! Estou com o corpo todo dolorido, não quero falar de negócios hoje.

Embora seu tom de voz fosse leve, Rudolf era muito paranóico e exagerado, ouvir que o seu amigo estava com dores o deixou em estado de alerta. Logo foi na frente para preparar o seu banho, embora Nicolai detestasse que ele fizesse tudo sozinho.

— Não se preocupe, eu sei como o senhor gosta da água!

— Okay, mas não se esqueça que te chamei para se banhar comigo, não para ser meu empregado.

Removeu suas roupas e, assim que a água ficou pronta, adentrou. Rudolf veio logo em seguida, tentou relaxar, embora estivesse uma pilha. Nicolai molhou um pouco os cabelos e puxou o seu amigo para mais perto, para ajudá-lo a passar um pano quente e úmido em sua galhada, sabia que ele adorava a sensação e que isso o ajudava a relaxar.

— Você sabe que eu te amo, não sabe…?

Sussurrou. Rudolf virou o rosto pro lado, meio acanhado.

— Sei…

O homem sorriu e deixou o pano úmido de lado, em seguida fez um carinho em suas orelhas de rena.

— Você é meu irmão… meu melhor amigo. Você não é mais um bichinho treinado, não é mais o meu animalzinho de estimação. Aquele tempo passou… então deixe de se comportar como um.

— É que eu… eu só quero fazer o melhor pra você. Para a fábrica toda!

— Eu sei… você é muito inteligente. Você já leu toda a biblioteca desse lugar, estudou a geografia de muitos países, encontrou boas rotas para diminuir o nosso tempo de entrega, você é muito dedicado no que faz. Talvez esse emprego te faça bem, mas lembre que eu não quero que se mate de trabalhar.

Por fim, se aproximou e beijou a sua fronte. Rudolf suspirou e aquiesceu, tentou descansar os músculos tensos. Permaneceram pouco tempo na banheira, Nic logo quis se deitar.

— Vamos…? Já está tarde.

Sussurrou. Se retiraram em conjunto, Rudolf lhe trouxe o roupão, foram até o quarto e lá vestiram algo quente e confortável. O moreno tinha seu próprio quarto, mas gostava de dormir com o amigo. Foram para a cama e, lá, ele rapidamente adormeceu, havia trabalhado tanto que Nicolai percebeu o seu cansaço, se culpou um pouco, precisava colocar uma rédea nessa boa vontade do Rudolf de trabalhar constantemente.

Ligou o abajur e começou a ler um pouco sobre as aventuras de seu próprio pai pelo mundo. Levou uma mão aos cabelos de Rudolf, que descansava um pouco mais abaixo de si, na cama, e passou a lhe fazer um cafuné.

O moreno sorriu.

Notas finais
Oi, gente! Então... essa história tá incompleta e provavelmente vai ficar assim, tô postando só esse capítulo pq eu já tinha terminado ele há um tempo. Se bater a inspiração de novo, talvez eu continue. Não quero excluir pq eu já fiz 2 capítulos kkkk ent vai ser chato jogar td fora. Se tiver alguém lendo isso, pfv deixa um comentário ♥ assim eu entendo que vc quer ler a continuação, talvez isso me anime pra escrever sla :3 Obg gente o/
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.