Um Certo Alguém
1 Capítulo 1 - O Barman
Débora sempre foi uma menina tímida e meio nerd, por causa disso nunca teve muitos amigos, muito menos namorado... Sua única amiga é sua irmã mais velha, Sandra, que apesar de serem muito diferentes e brigarem muito, Débora sabe que sempre pode contar com ela. Cassandra, como gosta de ser chamada, é uma menina baladeira e que odeia estudar, praticamente o oposto da irmã, que cursa Química na faculdade. As duas moram no bairro de Fátima, no Rio de Janeiro e ajudam seu pai a cuidar do bar da família, o Flor do Lácio.
Numa sexta-feira, Débora chega triste em casa.
— O que foi, minha filhinha? – pergunta seu pai, Hugo, percebendo a tristeza nos olhos da menina.
— Nada pai, é só que eu fui muito mal na minha prova hoje. – respondeu Débora ainda chateada.
— Mal quanto? – seu pai pergunta preocupado.
— Tirei 9, minha pior nota do semestre. – falou Débora cabisbaixa.
— Ah, filha, achei que você tinha ido realmente mal, 9 é uma nota ótima. – Hugo respondeu aos risos.
— É, mas não para mim. – a menina contestou desanimada.
— Paizinho, você me dá o dinheiro da minha mesada adiantado, por favor? É que eu quero ir na Kurt hoje! – pediu Cassandra fazendo uma cara de cachorrinho sem dono e interrompendo a conversa dos dois.
— Olha, Sandra Regina, eu vou fazer o seguinte: eu te dou o dinheiro, mas com a condição de você levar a Débora junto, porque ela está muito tristinha. – disse Hugo.
— Ah não, pai! Mas eu nem quero sair! – reclamou Débora.
— É pai, a Debs nem gosta de ir na boate, aliás, acho que ela nunca foi! – falou Cassandra tentando se livrar da irmã antissocial.
— É essa a minha condição, ou vão as duas ou ninguém vai! – respondeu Hugo decidido.
— Ai, tá bom, então vamos, Debs? – pediu Cassandra.
— Tá bom, só deixa eu me arrumar, mas se eu não gostar a gente vai embora, viu? – avisou Débora.
— Tá bom, vai lá!
Passados alguns minutos, as meninas saíram e foram em direção à boate Kurt que era muito frequentada pela Cassandra. Chegando lá, ela se juntou aos seus amigos e deixou Débora sozinha. A menina então, que já esperava esse comportamento de sua irmã, se sentou no bar e pegou o livro que tinha trazido na bolsa, ela até tentou ler, mas a música do lugar era muito alta, sendo assim não lhe restou outra alternativa a não ser guardá-lo de volta na bolsa.
Como Débora não conhecia ninguém, ela ficou observando as pessoas dançando, imaginou que isso poderia ser um experimento, talvez ela pudesse usá-lo em alguma pesquisa da faculdade.
Algum tempo depois, um menino se sentou ao seu lado e pediu uma bebida ao barman, que lhe atendeu prontamente. O garoto ficou ali esperando seu drink e tentou puxar conversa com Débora.
— Oi, você vem sempre aqui? – perguntou o desconhecido.
— Não, ela nunca vem, senão eu lembraria! – respondeu o barman entregando o drink ao garoto.
Débora ficou vermelha e finalmente reparou no barman, que era um homem muito bonito, loiro dos olhos azuis e com um sorriso lindo. Ela ficou confusa com o que ele disse, não sabia se era um elogio, já que se ela tivesse vindo outras vezes ele a teria notado por sua beleza ou se ele se lembraria dela por ser uma menina estranha... Antes que ela pudesse dizer algo, um cliente chamou a atenção dele pedindo uma bebida e ele teve que se afastar. Sendo assim, Débora pôde, enfim, responder a pergunta do menino:
— Oi, é... Não, é a primeira vez que eu venho, não costumo sair muito. – disse Débora ainda constrangida pelo comentário do barman.
— Ah sim, eu também não saio muito, eu sou novo na cidade, aí resolvi vir aqui para conhecer algumas pessoas. – o garoto falou querendo puxar conversa.
— Ah, que legal. – Débora respondeu e se virou na cadeira para ver se encontrava o homem de olhos azuis.
O outro garoto, percebendo que Débora estava distraída, tentou chamar sua atenção novamente:
— Meu nome é Felipe, a propósito. E o seu?
— O meu é Débora. – respondeu a menina tendo que parar de procurar o barman.
Os dois continuaram a conversa, o garoto realmente queria fazer amizade com a Débora, mas ela não estava cooperando, só ficava pensando naqueles lindos olhos azuis e no sorriso que o barman tinha lhe dado, mas infelizmente ele não voltou para perto dela, pois a boate começou a ficar mais cheia e ela percebeu que seria difícil conversar com ele novamente, fora que outra menina poderia chamar sua atenção e ele se esqueceria dela. Assim, ela já estava conformada que eles não iriam mais se falar e ela ficaria sem entender o que ele quis dizer com o comentário anterior.
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