Um Caso Não Registrado - 2ª Temporada
86 Capítulo 86 - O Segredo de Mateo Cruz
Notas iniciais
Os animais possuem a racionalidade de não tocar suas crias, e os seres humanos a irracionalidade em violar suas crianças.
(Lenilton Silva)
Reid teve auxilio de Agatha para levantar-se do chão e na companhia dos demais voltaram para a sala de reunião.
— Eu vou buscar água para ele. – ofereceu-se Donovan a fazer aquela simpatia.
— Garoto inspira e respira bem devagar. – pedia Morgan a Reid que foi colocado sentado a uma cadeira.
— Eu ainda tenho que conversar com Stephen... – Reid tentou se levantar, mas Agatha o impediu – Por favor, eu preciso ir.
— Fique aqui. – exigiu Agatha.
— Stephen deve ter ficado no escritório, eu vou conversar com ele. – disse Rossi saindo da sala.
— Aqui está a água. – Donovan regressou com um copo de água e entregou a Reid.
— Obrigado Maeve. – mesmo com os nervos a flor da pele Reid conseguiu esboçar um sorriso para Donovan que sorriu de volta.
— Infelizmente temos mais um problema para nos preocuparmos – começou Prentiss – Jason Gideon está vivo e desaparecido.
— As chances de John Curtis o tê-lo raptado são grandes – retrucou Reid terminando de beber sua água e colocando o copo sobre a mesma – ele ameaçou Stephen.
— Mas também tem a hipótese de que ele esteja sozinho e desorientado por aí – falou Blake esperançosa – não faz muito tempo que ele saiu do hospital.
— Teremos que comandar uma busca sobre ele. – disse Hotchner.
— Eu quero acreditar na hipótese da Blake – disse Agatha apreensiva – não irei suportar mais nenhuma maldade de John Curtis com mais alguém.
— Eu devo anunciar que Jason Gideon está desaparecido? – indagou JJ.
— Não seria arriscado? – retrucou Alvez – E se realmente Jason Gideon está nas mãos de John Curtis? Se Curtis ver algo assim na mídia pode querer matar Gideon.
— Mas precisamos arriscar alguma coisa – respondeu Seaver – ficarmos parados e com medo não irá adiantar nada.
— Eu vou começar minhas buscas digitais – disse Garcia – vamos Donovan?
— Claro – Donovan virou-se para Reid e tocou-lhe o ombro – fique bem, por favor.
— Não se preocupe comigo. – disse Reid.
Garcia e Donovan se retiraram, Hotchner ordenou que JJ anunciasse para a mídia sobre o desaparecimento de Jason Gideon, pois era como Seaver havia dito: eles tinham que fazer alguma coisa.
— Ficamos de interrogar Mateo Cruz. – lembrou Alvez.
— Já o trouxe para cá? – perguntou Hotchner.
— Sim.
— O leve para a sala de interrogatório, eu vou interroga-lo.
— Eu vou junto. – disse Agatha.
— Está com os ânimos controlados? – Hotchner a fitou nos olhos.
— Sim. – garantiu ela.
— Falando em Mateo Cruz – lembrou-se Morgan – Prentiss e eu conseguimos trazer todas as fotografias da casa dele e procuramos por mais indícios sobre ele ter abusado de sua sobrinha.
— Encontramos um notebook pessoal dele que contêm umas fotos denunciadoras, deixamos com Garcia assim que chegamos. – concluiu Prentiss.
— Ótimo, precisamos analisar primeiro estas evidências. – disse Hotchner.
— Eu já vou deixa-lo na sala de interrogatório aguardando para causar aquela pressão básica. – disse Alvez que saiu da sala na companhia de Seaver.
— Eu preciso falar com Stephen. – insistiu Reid.
— Ainda não – disse Agatha – Rossi foi conversar com ele, Reid você precisa manter a calma antes de tudo.
— Eu não posso ficar parado sabendo que Gideon pode estar perdido por aí ou nas mãos de John Curtis.
— Nenhum de nós vai ficar parado – garantiu Morgan – nós iremos encontra-lo.
— Quem sabe no interrogatório com Mateo Cruz não descubramos alguma coisa sobre ele? – indagou Blake.
— Blake tem razão – afirmou Hotchner – vamos analisar primeiro as provas que foram achadas sobre ele no caso de Beth Cruz e em seguida interroga-lo.
— Está bem. – a vontade de Reid era sair dali e procurar Jason Gideon pelas ruas, mas ele sabia perfeitamente que aquilo não era um bom plano, por mais que estivesse desesperado ele teria que ter paciência e trabalhar em equipe, portanto, acatou a ordem do chefe.
[...]
Mateo Cruz foi levado à sala de interrogatório por Alvez e Seaver, ele insistia para que lhe tirassem as algemas, porém os agentes ignoraram seu pedido.
Ele ficou aguardando por algumas horas para ser interrogado, Seaver colocou a temperatura do ar-condicionado para a mais fria possível, uma tática antiga que eles sempre usavam para interrogar alguém, pois o frio deixa as pessoas vulneráveis.
Assim que Hotchner adentrou a sala na companhia de sua noiva Mateo Cruz começou a escandalizar:
— Até que enfim! Como vocês tem coragem de me deixar esperando por tanto tempo? Sou o supervisor do departamento!
— Não me faça rir – retrucou Agatha – o senhor já sabe muito bem que não é mais supervisor de nada, não é mais um agente do FBI.
— Eu exijo um advogado!
— Sem escândalos. – exigiu Hotchner que carregava consigo o notebook pessoal de Mateo Cruz.
— O que faz com meu notebook? Vocês invadiram minha casa? Além de me prenderem sem motivo algum vocês invadem minha residência e pegam minhas coisas?
— Te prendemos sem motivo? – Agatha cruzou os braços – Faça-me o favor senhor Mateo Cruz e admita logo sua parceria nisso tudo!
— A agente aqui está ficando maluca achando que todos estão contra ela.
— O senhor me levou até sua casa e quando chego lá Andrew Kane está lá querendo me levar até John Curtis!
— Eu não sabia que ele estava lá, eu juro.
— Mateo Cruz essa desculpa não vai ser aceita, admita que auxiliou John Curtis. – disse Hotchner.
— Vocês estão ficando malucos por causa desse John Curtis!
— Temos provas de que se envolveu para ajuda-lo, temos troca de mensagens de sua sobrinha com o John Curtis e seu nome é mencionado. – afirmou Agatha.
— O que? – Mateo Cruz arregalou os olhos.
— Além da confissão dela que se envolveu com John Curtis. – disse Hotchner.
— Mentira! – Mateo Cruz bateu os pés contra o chão.
— Controle-se! – impôs Agatha – Ou quer que algememos seus pés?
— Isso tudo é mentira – continuou Mateo Cruz – onde está minha sobrinha?
— Gostaríamos de saber – Hotchner puxou as cadeiras para que ele e sua noiva se sentassem de frente a Mateo Cruz – John Curtis causou um incêndio no prédio principal do FBI e no meio disso tudo ela fugiu.
— Mas antes disso ela tentou me matar. – garantiu Agatha.
— Vocês estão inventando, Beth é o ser mais bondoso que existe, ela jamais se envolveria com um maníaco e tentaria matar alguém.
— Você defende muito sua sobrinha – Hotchner foi colocando o notebook sobre a mesa – é capaz de fazer tudo por ela, não é mesmo?
— Claro que sim – Mateo Cruz encarou Hotchner – ela perdeu os pais muito nova, os irresponsáveis se suicidaram e deixaram a menina, eu não poderia deixa-la sozinha.
— E desde então vem sendo muito protetor com ela?
— Faço o que for preciso pela minha sobrinha.
— Faz de tudo mesmo – disse Agatha – é capaz de junto a ela se envolver com um criminoso que persegue alguém, tudo para ver sua sobrinha feliz.
— Ou faz de tudo por ela para que a mesma não venha revelar a ninguém sobre o “carinho excessivo” que tem por ela. – afirmou Hotchner.
— Do que estão falando? – Mateo Cruz arregalou os olhos.
— Beth foi sua primeira? – questionou Agatha o encarando – Ou teve outra antes?
— Agente Hotchner sua noiva está maluca? Do que ela fala? – Mateo Cruz virou seu olhar a Hotchner.
— Ela não está maluca – Hotchner abriu o notebook que já estava ligado e acessando uma pasta de imagens virou a tela para Mateo Cruz observar – ela fala sobre isso aqui.
— O que? – Mateo Cruz esticou o pescoço para olhar melhor as imagens na tela de seu notebook – Eu não tenho nada haver com isso!
— Assim que entramos o senhor afirmou que este notebook era seu.
— Admita Mateo Cruz! – Agatha decidiu usar a postura da agente impaciente e levantou-se batendo a mão sobre a mesa.
— Eu não sei de nada, isso é armação de vocês!
— Armação? – Agatha pegou o notebook e acessou mais imagens – Olha isso aqui! Olha seu depravado! Além das fotos das outras garotas tem umas mais antigas que é da sua sobrinha!
— Você é um pedófilo. – garantiu Hotchner.
— Não sou! – esbravejou Mateo Cruz.
— É sim... – retrucou Agatha – Olha bem essas imagens no seu notebook... Fotos de Beth Cruz quando criança e adolescente e ela está nua nas mesmas!
— Além dela fotos de outras garotas, possíveis vítimas não é mesmo? – Hotchner perdeu a paciência.
— Não, não e não! – Mateo Cruz começou a chorar – Vocês estão entendendo errado!
— Não estamos – prosseguiu Agatha – está bem óbvio que você abusou sexualmente da sua sobrinha durante a infância e a adolescência e com certeza a impediu de falar sobre isso a alguém, então você sempre comprou o silêncio dela, você faz tudo por ela por medo dela de delatar, foi capaz de se envolver com John Curtis para ajuda-la porque ela quer me ver morta ou longe de Aaron Hotchner!
— Não é verdade...
— Mateo Cruz você está preso por pedofilia e por conspiração a uma perseguição sobre uma agente do FBI.
— Eu não sou um pedófilo! – vociferava Mateo Cruz – Eu tenho alguns problemas eu admito, eu tentei me curar...
— A desculpa clássica de quem comete uma coisa dessas – falou Agatha enojada – eu admito que não tenho simpatia por sua sobrinha, mas fico sentida pelo que ela passou em suas mãos.
— Vamos providenciar que uma equipe cuide do caso dessas garotas – Hotchner desligou e fechou o notebook – com certeza são vítimas.
— Por favor, isso será um escândalo... – Mateo Cruz encarou os agentes – eu imploro que não deixem isso se espalhar, o departamento todo não pode saber.
— Impossível. – retrucou Agatha.
— Por favor, eu digo qualquer coisa sobre John Curtis!
— É capaz de nos revelar tudo? – Agatha o mirou no olhar.
— Se vocês garantirem que este meu problema não seja espalhado por todo o departamento.
— Precisamos analisar essa proposta. – disse Hotchner que junto a sua noiva saiu da sala.
O casal foi para um canto do corredor do local em que estavam para discutir a situação:
— Acha que ele vai revelar mesmo? – indagou Hotchner.
— Temos que arriscar. – Agatha deu de ombros.
— Você sabe que iremos blefar não é? Óbvio que o departamento saberá sobre as garotas.
— Isso eu sei, por isso aceito usar o blefe.
— Certo. – aceitou Hotchner.
— Agatha! – era Garcia a clamando pelo corredor.
— O que houve? – Agatha virou-se para olhar Garcia que se achegava a ela.
— Você tem mais um recado.
— Recado?
— Sim... – Garcia precisou parar um pouco para respirar melhor – John Curtis acaba de enviar outro recado.
— O que? – dessa vez Hotchner questionou.
— Recado por onde? – perguntou Agatha nervosa.
— Acabou de chegar uma encomenda, um pacote endereçado a mim, quando o abri era um pendrive e quando o conectei era um vídeo dele... Você precisa ver logo!
— Vamos agora! – Agatha puxou Garcia pelo braço enquanto Hotchner seguiu ambas.
Abusar de uma criança, não é apenas roubar os seus sonhos... é condená-la para sempre, por um crime que ela não cometeu.
(Guibson Medeiros)
Fale com o autor