Um Caso Não Registrado - 1ª Temporada
65 Capítulo 64 - O Telefonema
Notas iniciais

‒ Não é melhor que eu converse com ela? – indagou Agatha enquanto os demais discutiam o que fazer.
‒ Para que você iria conversar com ela? – retrucou Hotch.
‒ Talvez ela fale algo a mais. – respondeu Agatha.
‒ Eu concordo com a Agatha. – disse Rossi – Se John Curtis pediu que Francine viesse até aqui talvez ele tenha um recado a Agatha.
‒ Isso pode ser provável. – assentiu Blake.
‒ Francine também mencionou que ele ligaria mais tarde... Podemos usar isso. – sugeriu Morgan.
‒ Mas é certeza que John Curtis viu Francine ser rendida por nós... – foi falando Prentiss – Ou seja, o plano dele falhou... Vocês acham que ele ligaria?
‒ Precisamos arriscar alguma coisa. – disse Reid.
‒ Agatha. – chamou Hotch – Pode entrar e conversar com Francine.
‒ Agora? – indagou Agatha.
‒ Sim, agora. – respondeu ele e Agatha entrou na sala de interrogatório.
Francine se admirou ao ver Agatha entrar e soltou um falso sorriso, Agatha puxou uma cadeira e sentou-se de frente a ela.
‒ Estou admirada que deixaram você vir... – começou Francine – Eu achei que seu amado não ia permitir.
‒ Você disse que precisava conversar comigo... – respondeu Agatha a encarando nos olhos – Então diga o que tem para dizer.
‒ Veja só você... – Francine tinha tom de deboche na voz – Está acabada... Antes você andava tão linda, sempre arrumada, bem maquiada... Agora você não está usando um brilho labial sequer.
‒ Você quer apenas me criticar? – indagou Agatha se levantando.
‒ Não! – exclamou Francine – Por favor, não vá embora.
‒ Seja direta Francine! – exigiu Agatha ao sentar-se novamente.
‒ Está bem... Como você está?
‒ Como assim? – Agatha franziu o cenho – Francine vá logo ao assunto!
‒ Foi o que ele mandou saber! – berrou Francine – John pediu que eu a visitasse para saber como está ele disse estar preocupado que queria voltar a ter contato com você... Ele pediu para saber isso e nada mais.
‒ Ele não disse nada a mais?
‒ Ele disse sentir sua falta e que seria capaz de tudo para você voltar para ele.
‒ E o que mais?
‒ Só isso e pediu que eu não mencionasse que vim a pedido dele e que ligaria às dez da noite para mim.
‒ Tem certeza que ele não disse mais nada? Vocês se encontraram?
‒ Ele me ligou de um número privado e me pediu para vir aqui.
‒ Está bem. – Agatha se levantou.
‒ Mas o que eu disse é verdade: você está acabada, olha seu semblante!
‒ Francine me poupe! – exclamou Agatha que bateu a porta ao sair.
‒ Vocês acham que John Curtis irá ligar? – perguntou JJ assim que Agatha se juntou a eles.
‒ Talvez agora ele ligue para fazer contato com a Agatha. – respondeu Reid – Porque apareceu na mídia que Francine foi rendida ele sabe que ela está aqui conosco ele pode aproveitar para ligar, mas querendo falar com Agatha.
‒ Vou pedir para Garcia providenciar tudo. – disse Morgan se afastando dos outros.
***
As horas pareciam se arrastar e todos tentavam controlar suas ansiedades, Garcia a pedido de Morgan deixou tudo preparado para caso John Curtis fosse ligar. Agatha olhava o relógio de cinco em cinco minutos, quando anoiteceu ela ficou mais eufórica e Hotch tentou tranquiliza-la.
Quando o relógio marcou cinco minutos para as dez, Francine foi levada por Rossi para a sala de reuniões da equipe e lhe tiraram as algemas, Prentiss deu às instruções:
‒ Francine é o seguinte: Você precisa o fazer falar ao máximo entendido?
‒ Como assim? – perguntou Francine ao sentar-se a mesa diante de seu celular que estava conectado ao notebook de Garcia.
‒ O faça falar bastante, ele vai querer saber se você foi liberada ou não, responda que sim.
‒ E se ele não acreditar?
‒ Você vai precisar manter firmeza na voz, mantenha a calma.
‒ O que eu vou ganhar ajudando vocês? – Francine encarou a todos e pousou o olhar sobre Agatha e Hotch.
‒ Vai ganhar de não ser acusada de cumplicidade aos crimes de John Curtis. – respondeu Hotch em seco.
‒ Crimes? John não cometeu crime nenhum! – exclamou Francine.
‒ Ele matou mulheres inocentes para replicar um caso nosso e feriu duas agentes! – esbravejou Agatha – Francine você mais do que ninguém sabe que John é capaz de qualquer coisa!
‒ Agatha, mantenha a calma. – ordenou Hotch e Agatha se calou.
‒ Falta um minuto. – disse Reid olhando para o relógio.
‒ Mama está pronta? – perguntou Morgan a Garcia.
‒ Eu já nasci pronta. – respondeu Garcia em frente ao seu notebook.
E foi certeiro, quando o relógio marcou dez horas da noite o celular de Francine tocou e a chamada aparecia como “número privado”.
Francine respirou fundo e após três toques ela atendeu a chamada que estava em viva voz:
‒ Alô. – disse Francine ao atender.
‒ Você já deve imaginar quem é não é mesmo?— Agatha ao ouvir a voz de John Curtis pensou que fosse vomitar.
‒ Eu sei que é você John...
‒ O que acontece a minha Francine? Parece muito nervosa...
‒ Eu nervosa? Impressão sua John. – Francine não conseguia disfarçar a tensão.
‒ Está precisando de ajuda para sair daí?
‒ Ajuda para sair? Não entendi...
‒ Você acha que eu sou estupido?— esbravejou John Curtis do outro lado – Passou na TV para todo o país você sendo rendida pela FBI!
‒ Sim, mas foi um engano John... Eles me liberaram. – Prentiss fez sinal de positivo para ela.
‒ Eu não sou idiota!— berrava ele – Eles não te soltaram eles estão te usando sua burra!
‒ John eu não sou burra!
‒ Você tem certeza disso? Você é burra sim! Quem mandou se juntar naquela coletiva de imprensa? Você não pode ver câmeras, gente da TV que quer se mostrar não é Francine? Você nunca vai chegar aos pés da Agatha nunca!— ouvir John mencionar o nome de Agatha deixou Hotch incomodado – Passe a droga do telefone para Agatha agora!
‒ Agatha não está comigo... – respondeu Francine com lágrimas nos olhos.
‒ Francine passe o telefone para ela agora! Eu sei que minha bonequinha está ai... Quero falar com ela!
‒ O que faremos? – perguntou Garcia acionando o mudo da ligação em seu notebook.
‒ Eu vou ter que falar com ele. – respondeu Agatha.
‒ Não! – exclamou Hotch.
‒ Ele precisa falar mais, como a ligação está em modo “privado” preciso de mais para achar a localização. – explicou Garcia.
‒ Vocês vão me deixar esperando? Colocaram a chamada no mudo para eu não ouvir vocês? Aposto que o agente Hotchner não quer deixar minha bonequinha falar...
‒ Garcia tire a ligação do mudo. – ordenou Hotch.
‒ Sim senhor! – respondeu Garcia eufórica e ela desativou o mudo.
‒ Aqui é o agente Hotchner.
‒ Olá agente Hotchner... Será que eu poderia falar com minha princesa?
‒ Se quer falar alguma coisa fale a mim! – exigiu Hotch.
‒ Pelo visto você não esconde mais o seu caso com ela não é mesmo?
‒ O que você quer?
‒ O que eu quero agente Hotchner?— vociferava John – O que eu quero? Era eu que devia estar em seu lugar, eu devia comandar essa equipe!
‒ Eu não tenho culpa de ter demonstrado um bom trabalho e ser promovido. – respondeu Hotch seriamente.
‒ Você se acha não é mesmo? “Eu não tenho culpa de ter demonstrado um bom trabalho e ser promovido”. – respondeu John com deboche – E porque nunca aceitou ao menos meus testes para ocupar o lugar de Jason Gideon? As minhas indicações já pararam na sua mesa!
‒ Porque eu já tinha Jason Gideon na equipe.
‒ Jason Gideon é um irresponsável! Ele deixou seis agentes morrerem, ele quase matou Elle Greenaway e o doutorzinho Spencer Reid! Ele teve Estresse Pós Traumático e foi aceito de volta? Como pode o deixar continuar no FBI por mais algum tempo? Eu desejo que ele morra Elle Greenaway me fez um imenso favor ao atirar nele! Desejo que ele morra!
‒ Tudo isso se trata só porque você não entrou para a equipe? – indagou Hotch – Replicou um caso matando mulheres inocentes e depois machucou duas agentes nossas por conta disso?
‒ Eu fui ignorado agente Hotchner! Nem os testes deixaram que eu fizesse!
‒ Para um homem na sua idade ter um ataque de histeria por conta disso é meio infantil não acha?
‒ Aaron Hotchner não me provoque! Você não sabe do que sou capaz! Agora... Coloque Agatha na droga do telefone!
‒ Você não vai falar com ela!
‒ Agente Hotchner você já tem uma coisa que eu sempre almejei que foi seu cargo não é justo que fique com duas coisas que tanto almejo! Eu sei que agora não sou mais um agente do FBI o cargo já não deve me interessar mais, mas Agatha é minha! Somente minha!
‒ Eu não sou sua! – berrou Agatha sem paciência.
‒ Agatha, por favor, não diga nada. – pediu JJ.
‒ Finalmente a voz da minha bonequinha! Como está minha princesa?
‒ Eu não sou sua bonequinha e nem sua princesa! – respondeu Agatha aos berros.
‒ Você se lembra de quando ficava nua para mim que eu dizia que você se parecia com uma boneca de tão perfeita?— Hotch fechou os olhos desejando não ter ouvido aquilo. – Saudades daquelas noites... Eu tenho saudade do seu cheiro, da sua pele... De todas as garotas você era especial.
‒ E você é um velho nojento! – respondeu Agatha – Você acha que eu tinha prazer em dormir com você?
‒ É claro que tinha!— retrucou John.
‒ Eu nunca tive John! Você se esqueceu de que eu era uma garota de programa? Você podia ser o cara que mandava, mas eu via você como um cliente porque era você que me mantinha! Eu fingia gostar seu idiota!
‒ Você não disse isso!
‒ Eu nunca gostei de você! Hoje eu me arrependo por tê-lo deixado me tocar! – lágrimas rolavam dos olhos de Agatha.
‒ É mentira!— se percebia que John Curtis também chorava – Você é a minha garota preferida! Eu cuidava de você... Nunca deixava que os clientes fossem longe demais não deixava que te machucassem... Como pode falar essas coisas?
‒ John nós tínhamos um trato... – respondeu ela enxugando as lágrimas – O trato era que depois que eu acabasse a faculdade eu ia seguir minha vida, não seria mais garota de programa!
‒ E eu avisei que não aguentaria ter você longe de mim por muito tempo! Como pode ficar com ele? Aaron Hotchner não te ama! Pergunte a ela agora... Pergunte!— antes que Agatha pudesse falar John encerrou a ligação.
‒ Baby Girl diga que conseguiu alguma coisa! – implorou Morgan.
‒ Sim... – respondeu Garcia – Rastreei a chamada e o endereço que consegui foi esse. – Garcia virou o monitor do notebook.
‒ Eu conheço esse endereço! – exclamou Agatha – É o endereço de Sean Smith!
‒ Espere um momento... – disse Prentiss – John Curtis está em Milwaukee?
‒ Ele quer abalar Agatha de todo o jeito. – disse Hotch – Vamos precisar decolar agora.
‒ Hotch você não acha que ele pode já ter saído de lá? – perguntou Rossi.
‒ Precisamos arriscar.
‒ Ele deve ter ido de jatinho... – disse Agatha pensativa – Ele tem um.
‒ Então vamos nessa? – perguntou Blake.
‒ Temos que ir logo! – respondeu Agatha.
‒ Você fica! – ordenou Hotch.
‒ Mas Hotch...
‒ Eu não vou dar esse prazer a ele... Não irei te colocar em risco Agatha, portanto, você fica aqui com a Garcia! – Agatha sabia que não adiantaria discutir e foi obrigada a acatar a ordem de Hotch.
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