Notas iniciais
Demorei um dia, mas aí está o capítulo 57 para vocês... Obrigada a todos que acompanham e comentam e boa leitura! =)

“Depois que convencemos a nós mesmos de uma farsa fica fácil convencer qualquer um”.

(Maria Vicente Carvalho – Autora)

A curiosidade e ansiedade entre todos eram nítida, Hotch por mais que mantinha a postura de sempre se via em seu olhar a agonia em querer saber de tudo.

Agatha enxugou as lágrimas e se ajeitou na cadeira, todos a miravam sem piscar eis que ela começou a falar os fitando:

‒ Eu fui mesmo uma garota de programa... – ela encarou Hotch por alguns instantes depois se voltou a todos – John Curtis era... Meu “chefe”.

‒ Ele era o cafetão. – consolidou Morgan.

‒ Como queiram chamar...

‒ Por quanto tempo viveu essa vida? – perguntou JJ.

‒ Desde meus quinze anos.

‒ Quinze anos? – exclamou Prentiss e Blake ao mesmo tempo.

‒ Você era apenas uma garota... – avaliou Hotch atônito.

‒ Sim eu era uma garota... Uma garota boba, iludida e sonhadora... Capaz de fazer qualquer coisa pelos seus sonhos. – Agatha abaixou a cabeça brevemente.

‒ E você entrou para esse meio de vida na intenção de realizar que sonho? – perguntou Rossi.

‒ Como todos sabem as minhas origens são brasileiras, mas eu consegui dupla nacionalidade, ou seja, em documento eu sou brasileira e estadunidense.

‒ Você virou garota de programa para conseguir dupla nacionalidade? – questionou Reid – Como assim?

‒ Doutor Reid eu posso não ser tão inteligente como você, mas no meu colégio eu era considerada um dos gênios... Eu sempre fui uma criança que sonhava com o futuro melhor que almejava ser um orgulho para a família... O meu pai já foi um policial federal no Brasil, a vontade de querer caçar criminosos foi por parte dele que me passou inspiração... Meu pai era um amante de romances policiais isso explica boa parte da profissão que escolheu... Ele lia livros da grande autora...

Agatha Christie! – completou Reid e todos o encararam brevemente – O nome dela é Agatha então só ajuntei as peças...

‒ Claro que sim... – comentou Morgan.

‒ Reid não está errado... – continuou Agatha – O meu pai queria que eu me chamasse “Agatha Christie”, mas disse que minha mãe não aprovou muito então deixou como Agatha Cristina.

‒ Que fofo... – apreciou JJ sensibilizada.

‒ E o que essa história toda tem haver com você ser garota de programa e de John Curtis ser seu cafetão? – perguntou Gideon.

‒ Meu pai morreu fazendo o seu trabalho... – continuou Agatha – E eu mais do que já me questionava queria saber o porquê das pessoas matarem as outras... Conclui o colegial com quinze anos de idade e optei por estudar psicologia na faculdade... Como havia dito antes eu era considerada um dos gênios da escola, prestei várias provas e consegui uma bolsa para estudar aqui nos Estados Unidos, mas consegui só a bolsa eu precisava pagar a passagem e me manter aqui...

‒ E como você fez? – perguntou Elle.

‒ Houve uma campanha iniciada pelo meu colégio para arrecadar o dinheiro para que eu conseguisse vir para cá... Foi incrível porque recebi muita ajuda financeira então quando dei por mim estava me instalando no campus da universidade daqui... Eu era uma garota que havia conseguido entrar para uma boa universidade um pouco mais adiantada que os meus amigos próximos... Mas eu vim sozinha deixando minha mãe no Brasil... Eu precisava de um emprego, comecei em uma lanchonete da faculdade... Foi ai que uma nova companheira de quarto se mudou para o mesmo alojamento que eu.

‒ Francine? – perguntou Hotch.

‒ Sim... Francine era uma pessoa cheia das roupas caras, vivia saindo com caras legais da faculdade, mas também com homens bem mais velhos... Enfim ela virou minha amiga então uma vez ela me convidou para uma festa.

‒ Na faculdade? – indagou Hotch admirado e curioso.

‒ Não... Era uma festa em outro lugar e foi ai que eu o conheci.

‒ John Curtis? – perguntou Prentiss.

‒ Sim... Ele mostrou um interesse muito grande por mim eu quis fugir dele porque eu o achava velho demais e quando descobri o que Francine fazia e o que ele era eu quis evitar contato com eles, mas eu não sei eu fui estupida... Descobri que além de ser... Cafetão... Ele era um ex-agente do FBI.

‒ John Curtis! – exclamou Rossi – O que queria tanto a posição de Aaron ou de Jason anos atrás.

‒ Isso tudo então é vingança? – indagou Morgan.

‒ Achei! – exclamou Garcia que ao ir ouvindo Agatha foi mexendo em seu notebook.

‒ Achou o que Garcia? – perguntou Hotch.

‒ John Curtis, 60 anos de idade... – respondeu Garcia – Foi um atirador de elite por alguns anos e depois disso entrou para o FBI como agente secreto... Ninguém desconfiou que, além disso, trabalhasse como cafetão.

‒ Ele era agente secreto? – questionou Gideon – Qual era a área dele?

‒ Era se infiltrar em casos onde envolvia... – Garcia tirou os óculos para esfregar seus olhos.

‒ Que envolvia o que Garcia? – insistiu Hotch.

‒ Comércio Humano e Clandestino.

‒ Bancava o bom agente sendo que tinha seu próprio negócio com garotas! – se queixou Gideon.

‒ Agatha como você aceitou trabalhar para ele? – perguntou Hotch.

‒ Ele me prometeu muitas coisas... Disse que eu poderia ser uma agente do FBI que ele tinha influência até com o governo e conseguia o que queria então fiz um acordo com ele que aceitaria a proposta só enquanto estivesse na faculdade... Ele conseguiu minha dupla nacionalidade e quando faltavam dias para me formar ele me veio com a proposta de ser uma agente registradora. – Agatha voltou a chorar.

‒ Você não foi chamada por causa daquela avaliação que fez sobre o perfil do assassino que caçávamos em Arizona? – perguntou Hotch perplexo.

‒ A minha avaliação foi bem elogiada, mas a verdade é que John Curtis que “mexeu os pauzinhos”. – Agatha voltou a chorar.

‒ Como é? – Hotch ficou transtornado que se levantou sem saber como reagir a tudo aquilo que ouvia.

‒ Agatha... – murmurou Prentiss querendo falar algo, mas nada lhe veio à mente.

‒ Peço perdão... Eu nunca imaginei que ele quisesse prejudicar vocês.

‒ Agatha você não tem culpa! – protestou JJ – Você pode ter feito uma escolha errada, mas se ele nos persegue é porque ele quer.

‒ Quer dizer que se esse maníaco abusou de mim porque perdeu a “garotinha” dele? – perguntou Elle revoltada.

‒ Eu nunca imaginei que isso fosse acontecer... – insistia Agatha entre as lágrimas.

‒ Elle mantenha a calma. – pediu Morgan – O que Agatha fez no passado não tem nada haver com que esse maluco quer!

‒ Como não? – insistia Elle que se levantou – Vocês não ouviram o que dizia a carta dela e o do Hotch? Ele a quer de volta! Por culpa de uma vadia prostituta eu fui estuprada! – vociferou ela.

‒ Vadia prostituta? – Agatha se levantou – Eu já disse não imaginar uma desgraça dessas!

‒ Vocês precisam manter a calma! – exigiu Gideon se colocando de pé.

‒ Você achou que se tornando a vadia desse doente as coisas fossem ser melhor para você? – continuava Elle irritada.

‒ Eu nunca fui vadia de ninguém! – berrou Agatha se aproximando de Elle, Gideon se colocou no meio das duas e Hotch puxou Agatha pelo braço a colocando para fora da sala.

‒ Vadia! – berrava Elle que foi impedida por Gideon e Rossi a sair da sala.

‒ Elle mantenha a calma... – pediu Gideon a obrigando sentar.

‒ Não e não! – protestava ela impaciente.

‒ Cala a boca Elle! – Gideon ao gritar pegou Elle pelos ombros e a fez sentar – Todos aqui sentem o que aconteceu com você, mas lembre-se: você não é a única vítima!

‒ Senhor... – chamou Garcia em voz baixa.

‒ O que foi? – perguntou Gideon.

‒ Tem uma foto no sistema de John Curtis... – Garcia virou a tela do notebook e mostrou a foto para todos, a pedido de Gideon JJ foi chamar Hotch.

‒ Era ele mesmo que queria meu lugar ou o seu Gideon... – alegou Hotch assim que voltou e viu a foto.

Notas finais
Obs: A foto colocada acima é a de John Curtis. Espero que tenha gostado e até o próximo! =)