Um Caso Não Registrado - 1ª Temporada
25 Capítulo 24 - O Fim do Começo
Notas iniciais
Hotch ficou calado durante o almoço todo enquanto Rossi e Jéssica conversam sobre coisas alheias, mas logo o amigo percebeu que Hotch não estava bem e que algo o incomodava, quando terminaram a refeição Rossi chamou Hotch para conversar, eles foram até a pequena varanda do apartamento enquanto Jéssica foi lavar a louça e Jack voltou assistir TV.
Ao chegarem à varanda Rossi foi direto ao assunto:
— O que ela queria Aaron? Coisa boa não era! – ele se referia a Strauss.
— A UAC está me oferecendo aposentadoria. – Hotch olhava para o céu.
— E o que você respondeu?
— Eu não decidi nada, disse que precisava pensar.
— E isso está incomodando? Eu sei que tem algo a mais na situação.
— Tem sim... – Hotch puxou uma cadeira branca que tinha na varanda ele fez sinal para que Rossi puxasse a outra e eles se sentaram de frente para o outro.
— O que houve Aaron?
— A Assuntos Internos vai investigar o caso de Foyet.
— Investigar o que? O caso teve fim, Foyet está morto! – Rossi encarou Hotch nos olhos.
— Mas a Assuntos Internos diz que eu me envolvi por questão pessoal e que matei Foyet por vingança.
— Aaron ele estava com sua mulher e seu filho... E com uma agente nossa! A Strauss não se lembra disso?
— Sabem, mas ainda assim haverá a investigação e outra coisa... Eles vão investigar se a Agatha e eu estamos tendo um caso, por causa das ligações do Foyet que dizia que tínhamos algo.
— O infeliz vai infernizar até do túmulo?
— Eu vou ter que aceitar a aposentadoria.
— E você quer isso Aaron?
— Eu não sei... Rossi eu perdi a Haley por causa do meu trabalho, eu o deixei tomar a frente de tudo e mais uma vez minha carreira está ameaçada a troco de nada.
— Aaron você perdeu a Haley por culpa de um psicopata sem remorso!
— Não, eu a perdi por causa deste trabalho... E a perdi desde a noite em que cheguei em casa e ela tinha ido embora, foi nesta noite que perdi Haley.
— Você ainda a amava?
— Eu sempre amei a Haley.
— E a Agatha?
— Como?
— Aaron a mim você não pode enganar... Vocês estavam tendo algo.
— Sim estávamos... Mas eu não sei dizer se a amo.
— Ela já sabe que vocês serão investigados sobre o que acontece entre vocês?
— A Strauss disse que ligaria para ela. – Hotch levantou-se e encostando-se no parapeito da varanda ficou olhando para o céu enquanto Rossi ficou sentado o observando.
***
Agatha arrumava suas coisas em seu quarto novo, a casa que ela e Francine haviam se mudado já era toda mobiliada mesmo não concordando com aquilo Agatha aceitou a mudança, quando ela ajeitava suas roupas para serem guardadas no guarda-roupa Francine aparece para conversar:
— O que achou do seu quarto? É bem maior que o da outra casa!
— Francine eu não estou a fim de conversar. – Agatha se manteve séria e nem olhou para Francine parada na porta.
— O que você tem? – Francine cruza os braços.
— O que eu tenho? – Agatha desta vez encara Francine – Você sabe que eu não quero saber daquele infeliz e você aceita que ele compre uma casa para gente?
— Agatha ele fez muita coisa por você não se recorda? Você está sendo muito ingrata!
— Não estou... Eu tinha um acordo com ele e quero mantê-lo!
— Você está nos Estados Unidos mesmo fazendo um trabalho inferior você é uma agente do FBI! E graças a quem? A ele!
— Francine eu não vou discutir... Estou com os pontos ainda e nervosismo não ajuda só aumenta a dor, mas vou te avisar de algo: eu logo me mudarei.
— Vai voltar para o Brasil e viver a vida medíocre que tinha?
— Francine eu preciso arrumar minhas coisas... E depois eu quero descansar!
— Está bem... – Francine saiu deixando Agatha sozinha.
Agatha terminou de arrumar suas roupas e quando começou a ajeitar seus livros em uma prateleira de madeira o celular tocou:
— Alô! – respondeu ela.
— Srta. Silva?— era a voz de Strauss.
— Sim.
— Quem fala é a Sra. Strauss.
— Boa tarde senhora, me desculpe não reconheci sua voz.
— Como está?
— Eu estou bem, recebi alta hoje do hospital.
— Ótimo... Srta. Silva eu estou te ligando para comunicar que semana que vem a senhorita precisa comparecer no departamento da UAC, a Assuntos Internos está investigando o caso do Foyet.
— Mas o caso já não está encerrado? Ele está morto! – Agatha sentou-se na cama.
— Mas as circunstâncias da morte foram duvidosas!
— Duvidosas? Sra. Strauss ele tinha atirado em Haley e me esfaqueava quando Hotch chegou, o Hotch precisou reagir!
— O senhor Hotchner não devia ter participado da perseguição ao Foyet ele se envolveu por questão pessoal e vingança.
— Vingança? Sra. Strauss o Foyet era um assassino!
— A Assuntos Internos tratará disso e do caso da senhorita com o senhor Hotchner!
— Como é?
— A senhorita deve saber que não é permitido casos entre agentes inclusive quando são do mesmo departamento!
— Sra. Strauss...
— Compareça na próxima semana, o dia e o horário foram enviados para seu email, até a próxima!— Strauss encerra a ligação.
— Droga! – Agatha joga o celular em um canto da cama e senti uma pontada de dor em um dos seus ferimentos.
Sua cabeça ficou a mil passou a pensar em Hotch e em como essa investigação interna afetaria sua carreira ficou pensando no que podia fazer por ele, pois se sentia em divida com ele pelo fato de ter sido salva duas vezes e também pelo fato de estar apaixonada, tudo o que ela queria era não prejudicar Hotch e lembrou-se de quando ele disse que não era certo dois agentes se envolverem e passou a se culpar.
Agatha encostou a cabeça no travesseiro quando seu celular tocou novamente:
— Alô!
— Agatha? É a Emily!
— Oi Emily...
— Estou ligando para avisar que sua arma foi liberada pela pericia como evidência e também foi encontrado um colar de ouro com a letra J pelo que eu sei pertence a sua amiga.
— Verdade... O Foyet deve ter roubado dela naquela noite.
— Você tem condições de buscar aqui na UAC?
— Claro que sim...
— Que voz triste...— Emily percebeu que algo incomodava Agatha – Como está?
— Eu vou ficar bem. – Agatha enxugou uma lágrima que rolou de seus olhos.
— Se quiser conversar...
— Emily quer saber? Eu quero sim, você está na UAC?
— Estou sim.
— Vocês estão trabalhando em algum caso?
— Estávamos o resolvemos hoje cedo, agora estou lendo alguns arquivos, mas venha aqui se puder e saímos para tomar um café.
— Eu vou me arrumar e logo estarei ai.
— Tchau, até daqui a pouco.
— Tchau Emily e obrigada! – Agatha encerrou a ligação.
***
Jack pegou no sono, Rossi aproveitou e chamou Hotch para que eles dessem uma volta, Jéssica disse que Hotch podia ir que ela ficaria com Jack e os dois saíram.
Rossi estava dando todo apoio que Hotch precisava naquele momento, Hotch mantinha sua seriedade e fingia estar superando tudo enquanto na verdade ele estava acabado por dentro e não parava de se culpar pela morte de Haley. Eles ficaram passeando pelas ruas sem rumo, Hotch insistia em dizer que a melhor solução seria se aposentar e ficar com Jack, mas Rossi pedia para que ele pensasse na situação com calma.
Agatha foi até a UAC assinou os papéis que precisava para poder pegar sua arma e o colar de Francine de volta, após isso Emily a chamou para que elas saíssem e tomassem um café.
Por ironia do destino Rossi e Hotch pararam em uma cafeteria e se surpreenderam ao ver que Agatha e Emily estavam no mesmo lugar que eles.
Hotch sentiu-se confuso ao ver Agatha já ela sentiu-se nervosa havia se passado apenas uma semana do enterro de Haley a situação toda era delicada, Emily ao ver Rossi e Hotch os convidou para que se ajuntassem a elas mesmo estando nervosos Hotch e Agatha não protestaram.
Eles se sentaram em uma mesa e fizeram seus pedidos, Hotch não mencionou nada sobre a visita de Strauss e Agatha não mencionou nada da ligação, ela queria desabafar a situação com Emily que se mostrou ser uma grande amiga, mas ela não faria isso com Rossi e Hotch por perto.
Eles conversaram assuntos alheios, mas a tensão entre Hotch e Agatha era muito obvia, quando se passou um tempo o celular de Emily e Rossi tocaram ao mesmo tempo, eles foram chamados para um caso.
— Precisamos ir... – Rossi se levantou da mesa encarando Hotch querendo dizer algo com o olhar.
— Hotch quando você volta? – perguntou Emily.
— Eu ainda não sei... – respondeu Hotch evitando olhar para Agatha.
— E você Agatha? – perguntou Rossi.
— Tenho trinta dias de atestado, depois eu não sei... – Agatha abaixou a cabeça.
— Nós vamos indo, acredito que é bom vocês conversarem. – disse Rossi olhando para Hotch.
— Tchau para vocês. – disse Emily se retirando com Rossi.
Rossi e Emily deixaram os dois sozinhos, Agatha pensou em ir embora, mas quando se levantou da mesa para se despedir Hotch a segurou pela mão pedindo que ela ficasse:
— Agatha não vá ainda... Precisamos conversar.
— Sobre a Strauss? – Agatha se senta novamente.
— Ela foi até sua casa?
— A infeliz me ligou! – Agatha passou as mãos em seus cabelos cacheados. – É verdade que o caso será investigado?
— Sim.
— Hotch você é inocente de tudo... Como eles são capazes de acreditar que a morte do infeliz foi duvidosa?
— Eu não sei... Agatha a UAC me ofereceu aposentadoria.
— Como? – os olhos de Agatha se encheram de água.
— Eles também estão investigando sobre nós dois, acredito que todos da equipe serão entrevistados. – Hotch encarou Agatha.
— Eu sei... – Agatha segurava o choro – Eu acho... Eu vou pedir demissão.
— Demissão? – Hotch arregalou os olhos brevemente – Por quê?
— Eu não quero arruinar sua carreira Hotch... É melhor assim eu me afastar da UAC.
— E o seu sonho de ser uma profiler?
— Eu acho que não é para mim... – Agatha não conseguiu segurar as lágrimas – Eu posso trabalhar em algum hospital como psicóloga.
— Agatha você não pode abrir mão do que almeja você não tem culpa de nada.
— Nem você tem... Hotch o pouco tempo que eu te conheço eu sinto que sua carreira é importante.
— Mas foi o que mais me prejudicou... Eu deixei o trabalho tomar conta da minha vida, perdi a Haley por isso.
— Não Hotch, a Haley se foi por culpa daquele infeliz!
— Agatha eu perdi a Haley faz tempo...
— Você nunca deixou de ama-la não é? – Agatha encarou Hotch.
— Agatha eu...
— Me responda Hotch... Seja sincero, eu não irei julga-lo se você ama a Haley, ela foi sua esposa e mãe do seu filho.
— Sim... Eu sempre amei a Haley, mas quando te conheci fiquei confuso.
— Você tinha razão mesmo... Não é legal dois agentes se envolverem.
— É...
— Hotch... – Agatha pegou na mão dele – O que vai fazer? Aceitar a aposentadoria?
— Sim... O Jack precisa de mim.
— Eu irei pedir demissão.
— Agatha não faça isso... – Hotch colocou sua outra mão por cima da mão de Agatha – Você é muito jovem, você não pode desistir.
— Hotch eu adorei a equipe, a UAC... Adorei tudo, mas pelo visto não deu certo.
— Você está desistindo por causa das situações que viveu?
— Eu praticamente vi a face da morte três vezes... Hotch é tanta coisa que não dá para explicar.
— E você acha que essa é a melhor decisão?
— Eu acredito que esse não seja meu caminho...
— Agatha...
— Hotch...
— Eu acho que você deveria pensar mais um pouco.
— Eu acho que essa é a melhor solução... – Agatha enxuga suas lágrimas – Hotch você é uma pessoa maravilhosa, continua sendo esse homem que é que o Jack vai te amar e te respeitar muito e espero que encontre forças para superar a perda da Haley.
— Eu espero que você encontre seu caminho e consiga superar os traumas que viveu.
— Precisamos ser fortes... – Agatha se levanta – Eu preciso ir... A Francine e eu nos mudamos e eu não terminei de organizar minhas coisas.
— Porque se mudaram? – Hotch se levanta.
— A Francine não queria voltar para aquela casa pelo que aconteceu...
— Entendi... Você está de carro?
— Não, eu vou chamar um táxi.
— Eu posso te acompanhar, você ainda está debilitada.
— Assim como você... Hotch eu posso ir sozinha é melhor que a partir de agora... – Agatha hesitou um pouco.
— A partir de agora o que? – Hotch se aproximou para encara-la nos olhos.
— É melhor que nós nos afastemos um do outro. – mais uma lágrima rolou dos olhos de Agatha.
— Agatha...
— Tchau Hotch... A gente se vê semana que vem no departamento para sermos julgados.
— Tchau... – Hotch pensou em falar alguma coisa, mas não sabia o que dizer Agatha virou as costas e saiu da cafeteria enxugando as lágrimas, pelo visto aquilo era o fim de tudo.
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