Um Caso Não Registrado - 2ª Temporada
77 Capítulo 77 - A Confissão
Notas iniciais
Foi acionada com urgência uma equipe de paramédicos e corpo de bombeiros para apagar o fogo da casa, Morgan solicitou uma perícia com especialidade em bombas por causa da explosão final.
Momentos antes quando a equipe estava saindo da casa às pressas com Vincent Rowlings e as crianças eles se atiraram contra o gramado do quintal dos fundos para se salvarem.
Agatha machucou a testa e David Smith que estava agarrado ao seu colo no instante em que fugiam do fogo quebrou seu nariz com a queda.
― Agatha, por favor, fica calma. – pedia Hotchner enquanto ela se agoniava por causa do garoto.
― Ele se machucou, não está vendo?
― Eu vi, mas não aconteceu o pior, agora fique calma, um paramédico virá para cuidar da sua ferida.
― Você também se machucou. – ela apontou para um corte na bochecha de seu noivo.
― Foi superficial. – respondeu ele tocando o rosto com a ponta dos dedos.
Todos tiveram ferimentos leves devido à queda ao gramado por isso não era nada a se preocupar.
As crianças foram encaminhadas para o hospital, Rossi entrou em contato com Erin Strauss para que ela anunciasse aos pais das mesmas que já se encontravam desesperados no departamento do FBI.
Todos retornaram ao departamento, assim que chegaram foram aos vestiários tomarem banho e colocarem vestimentas limpas.
Garcia tinha os olhos lacrimejantes quando eles adentraram a sala de reunião e Morgan já foi acalmar a amiga:
― Estamos bem, não se preocupe. – ele a abraçou.
― Eu quase perdi vocês. – lamentou Garcia.
― Falou certo: quase.
― Agora devemos começar os interrogatórios. – disse Rossi quando todos se acomodaram a mesa.
― Vincent Rowlings foi encaminhado para o hospital, ele também tem que ser interrogado. – afirmou Prentiss.
― O interrogaremos assim que o mesmo tiver alta – disse Alvez – já exigi que a vigilância sobre ele no hospital seja extrema.
― Karl Arnold já está em uma das salas para interrogar. – disse Seaver.
― Então temos que interrogar: Mateo Cruz, Beth Cruz, Timothy Vogel e Karl Arnold. – comentou JJ.
― E o que incendiou a casa? – perguntou Todd.
― Vamos ter respostas agora – respondeu Hotchner levantando-se da mesa para atender uma ligação.
― John Curtis não estava lá. – disse Agatha e todos a miraram.
― Será? – indagou Seaver.
― Não estava – confirmou Hotchner ao retornar a mesa ganhando atenção – fui informado que um corpo foi encontrado no interior da casa, ainda precisa de uma confirmação pelo DNA, porém o corpo queimado tinha pedaços não muito danificados pelo fogo de uniforme de bombeiro.
― Vincent Stiles usava trajes de bombeiro para incendiar as casas. – explicou Prentiss.
― Por que John Curtis não estava lá? – indagou Garcia.
― É um desgraçado – retrucou Agatha – deveria ter imaginado, ele não iria se misturar com os outros foragidos, apenas os usou, mas não ficou junto deles.
― Ele pode estar escondido nos outros endereços de Beth Cruz. – comentou Rossi.
― Fácil demais.
― Garcia e a lista da pasta rosa? – questionou Alvez.
― Estou analisando, são muitos nomes, porém até o momento não encontrei nada suspeito.
― Vamos aos interrogatórios. – propôs Morgan.
― Eu vou interrogar Beth. – anunciou Agatha.
― Iremos juntos. – ofereceu-se Hotchner.
― Não.
― Como assim não?
― Hotch, por favor, eu preciso interroga-la sozinha. – Agatha estava determinada e nada a faria mudar de ideia, portanto Hotchner não argumentou.
A pedido de Agatha, Garcia separou as provas contra Beth para que ela usasse no interrogatório.
Agatha já havia feito um interrogatório antes quando ainda era cadete e foi no caso de Belinda Copland, porém ela interrogou o suspeito na companhia e supervisão de Hotchner, desta vez ela iria interrogar sozinha, ela já era uma agente e já tinha permissão para aquilo.
Beth se encontrava em uma sala de interrogatório, ela estava algemada sentada a uma mesa, a mesma estava impaciente e incomodada com o ar-condicionado ligado ao máximo.
A equipe ficou de assistir o interrogatório pela enorme janela de vidro que dava visão a sala, porém Beth não tinha a visão deles.
Agatha adentrou a sala, Beth a mirou de modo ameaçador obrigando-se a não se intimidar e Agatha precisaria usar toda a artimanha para conseguir informações.
Agatha ajeitou as provas embaladas sobre a mesa e sentou-se de frente à Beth, todos acharam que Agatha iria começar uma enxurrada de perguntas, porém ela ficou a mirar Beth silenciosamente por alguns minutos.
― O que ela está fazendo? – indagou Seaver.
― Mostrando a Beth quem está no comando. – respondeu Hotchner.
― Beth precisa se inibir. – explicou Alvez.
As duas se fitavam como onças uma desejava avançar na outra só que por mais que Agatha estivesse com ódio de Beth ela se controlou ficando de braços cruzados, Beth chegou a se contorcer e apertou seus dedos uns aos outros.
― Vai ficar calada? – Beth perdeu a paciência.
― Está com sede? – perguntou Agatha.
― Como?
― Perguntei se tem sede, porque se estiver eu peço que tragam água, você ficou aqui tanto tempo aguardando.
― Ridícula! – esbravejou Beth – Pare de ser falsa, você me detesta, não finja que se importa!
― Eu estou sendo profissional, todos os agentes precisam ser.
― Comece as perguntas, sei que está louca para saber um monte de coisa só que eu não vou responder nada. – Beth mostrou a língua.
― Já ouviu falar de um ditado que diz: Você saiu da escola, mas a escola não saiu de você?
― Porque pergunta essa idiotice?
― Porque este ditado combina perfeitamente com você... Você está parecendo àquelas garotinhas de colegial querendo se mostrar que é madura, mas não passa de uma mimada que faz birra por tudo.
― Eu deveria imaginar que seria você a vir aqui para assim poder me ofender, nossa Agatha Silva como você é baixa.
― Nem tanto, se eu fosse muito baixa não teria nem entrado para a academia, pois exigem um mínimo de altura para ser agente do FBI. – Agatha segurou o riso de deboche que queria escancarar naquele momento.
― Essa é a minha amiga! – elogiou Seaver do outro lado.
― Ela quer fazer Beth perder a paciência – comentou Prentiss – eu estou adorando essa tática dela.
― Ela é perfeita. – disse Hotchner em surdina, mas Rossi que estava ao seu lado ouviu.
― Eu só queria te mostrar umas coisinhas – prosseguiu Agatha – encontramos essas evidências em seu apartamento.
― Quem deu permissão para isso? – Beth arregalou os olhos.
― Um mandado aprovado pelo juiz, sabe o que é um mandado?
― Você acha que eu sou burra? Coitada de você por ter pensado isso, coitado de todos vocês!
― Burra você não é, porque a burra é a fêmea do burro, sabe aquele animal fofo? Muitos acham que ele é feio e tonto, mas pelo contrário é um animal inteligente e também é bonito.
― Você acha que me atinge com isso? – Beth já escandalizava se contorcendo na cadeira.
― Eu não sou raio e nem bala para atingir ninguém.
― Touché. – comentou Rossi.
― Você fala que eu pareço uma garota, mas a garota aqui é você com essas piadinhas sem graça! – continuou Beth.
― Por isso eu decidi ser agente do FBI, pois como comediante eu passaria fome.
― Escuta aqui sua prostituta! – Beth bateu os pés – Começa logo esse interrogatório ou saia daqui!
― Como eu disse antes, essas evidências sobre a mesa foram encontradas em seu apartamento, pode-me falar sobre elas?
― Não. – Beth mostrou a língua mais uma vez – Você não é a agente sabe tudo? Sempre disposta a investigar e a querer salvar as vitimas, descubra você.
― Vou explicar o que analisei sobre cada uma delas... Veja esta aqui: são embalagens de alimentos de lanchonetes e não é qualquer lanche, é daqueles que vem com um brinde que são estes brinquedinhos aqui, as crianças adoram.
― Pouco me importa.
― Junto deles temos pacotes de doces vazios e além de alimento temos um shampoo infantil, comprou para não arder os olhos?
― Te interessa?
― Aqui no frasco diz: sem lágrimas, achei comovente a preocupação em comprar um shampoo que não arda os olhos das crianças, simpático da sua parte.
― Por favor, pare com estes comentários ridículos.
― Continuando... Também encontramos essa peruca loira no seu quarto e é bem vagabunda.
― A única coisa vagabunda aqui é você!
― Claro que junto a isso temos um pacote de balas de goma vermelha que foi encontrado na sua bolsa mais cedo.
― E por causa da porcaria de um doce vocês me colocaram algemada aqui, quero um advogado!
― Você tem direito, muitos dos quais você conhece trabalha no Tribunal de Justiça da cidade.
― O que? – Beth arregalou os olhos mais uma vez.
― Você não trabalhou lá? Assim que você terminou de cursar direito você começou a trabalhar como uma registradora.
― Se você sabe por que pergunta?
― Prosseguindo sobre as provas, essas são fotos da sua cozinha, tiramos fotos dos alimentos da geladeira e da dispensa, você come muito mal.
― Vocês todos estão contra mim por causa dos alimentos que consumo?
― Você só não come muito mal como também tem um gosto horrível para decoração , aquele apartamento é feio não combina com seu perfil esnobe, parece um apartamento que foi comprado ás pressas.
― Você não sabe nada sobre mim.
― O apartamento é tão ridículo nem se compara com aquela casa linda e enorme da piscina.
― O que? – Beth já não escondia mais seu pavor, ao ouvir sobre sua antiga casa mordeu os lábios em ato de nervosismo.
― Uma enorme com uma decoração muito chique, mas tem um ar sombrio, muitos comentam que casas onde morreram pessoas de formas trágicas tem um clima carregado.
― Cala a boca!
― Eu até que senti isso quando estive lá, sabia?
― O que você foi fazer na casa dos meus pais?
― Quando adentrei o quintal da frente e passei pela piscina senti um calafrio, foi naquela piscina que eles morreram não é?
― Era de se imaginar que investigariam meu passado, aposto que foi aquela ridícula da Penélope Garcia com aquelas roupas bregas que passou essa informação!
― A única brega aqui é você! – exclamou Garcia, a vantagem era que Beth não podia ouvi-la.
― Sabe o mais estranho? – Agatha ignorava os comentários de Beth – A casa toda foi destruída por causa de um incêndio e de uma explosão, mas a piscina não foi afetada.
― Como assim a casa foi destruída?
― Quando eu estava lá começou a pegar fogo do nada.
― Você destruiu minha casa, sua vagabunda! – Beth não conteve as lágrimas.
― Quem destruiu foi você ao se aliar com psicopatas!
― Você me paga!
― Eu não te devo nada.
― Você é uma intrometida! – Beth enfim se descontrolou – Uma intrometida! O que veio fazer aqui nos Estados Unidos? Porque não continuou na droga do Brasil? Você é uma vagabunda, interesseira e aproveitadora, você veio para o nosso país por causa de uma bolsa ridícula de estudos e se prostituiu com John Curtis para conseguir um visto de permanência aqui e o babaca morrendo de amores por você foi lá e mexeu os pauzinhos dele te garantindo dupla nacionalidade, você não é americana, você é uma farsa!
― Já acabou? – Agatha permaneceu sua postura.
― O seu noivo sabe como você conseguiu ser agente registradora sem mesmo ingressar na academia primeiro? – Beth no meio do desespero esboçou um sorriso maldoso – Você não era nada, não poderia ser uma agente registradora, não poderia acompanhar uma equipe do FBI, mas Erin Strauss que era amiga de John Curtis te colocou aqui dentro a pedido dele!
― Até que você é bem informada.
― Você está fingindo não se abalar.
― Por que me abalaria? O Hotch sabe disso muito mais do que você.
― Você não deveria estar com o Hotch e sim com John Curtis, foi Curtis que fez sua carreira, ele te colocou aqui dentro!
― E quem deveria estar com o Hotch? Você?
― O seu noivo esconde muitas coisas não é? Você permite que ele saiba tudo sobre você, porém ele te oculta tanta coisa... Ele nunca falou do que fez comigo? Aposto que não!
― Decidiu começar a usar o blefe?
― Não tem blefe nenhum sua otária, escuta só: Hotch gosta de demonstrar que é um homem sério, mas ele não é nada disso... Quando ele namorava a idiota e falsa da Haley ela a traía comigo!
― Faça-me o favor.
― Não quer acreditar? Mas é a verdade babaca! Haley ficou querendo se guardar, ela me dizia que só transaria com alguém depois de casada, o Hotch coitado não se aguentava e se aliviava comigo, eu tenho provas... Eu tenho cartas, fotos e até mesmo gravação de conversas, pergunte ao meu tio.
― Se você diz. – Agatha deu de ombros e levantando-se recolheu as provas sobre a mesa.
― O Hotch nunca amou a Haley e também não te ama, ele não ama ninguém, ele engana todo mundo, ele me enganou me iludindo fazendo crer que ele gostava de mim!
― Hotch não enganou ninguém, foi você que se iludiu com fantasias da sua cabeça.
― Você é otária igual à Haley, aquela fingida! Ainda bem que ela morreu, George Foyet fez um favor.
― Cala a boca!
― Finalmente a agente Agatha Silva perdeu a paciência! – Beth gargalhou – Isso te mágoa não é? Você estava lá e quase morreu também. – Agatha ignorou o comentário e com as provas nas mãos dirigiu-se até a porta.
Quando Agatha estava para se retirar Beth continuou a falar:
― Quer saber de uma coisa? George Foyet me procurou.
― O que? – Agatha virou para mira-la.
― Isso que você ouviu... George Foyet naquela época investigava a vida pessoal de Hotch e ele descobriu que eu havia sido uma amiga de Haley no colegial, veio até mim querendo saber mais informações, eu percebi qual era a dele logo vi que ele era um psicopata, ele antes queria era matar o agente Hotchner, porém fui eu que o aconselhei matar Haley porque isso afetaria mais ele e o maluco logo aprovou a ideia então Foyet passou a investigar mais, passou a saber quem fazia da parte da equipe para machuca-los também e prejudicar Hotch eis que ele então desvenda que a equipe tem uma agente registradora que era você e assim oferece os serviços dele de instalar alarmes a trouxa da Francine que aceita a proposta e ele mesmo vai lá instalar o alarme só para te observar... Primeiro a intenção dele era feri-la apenas por ferir, porém no dia em que ele instalou o alarme de sua casa ele ficou a vigiar seu lar depois do serviço e eis que ele avistou o Hotch chegando a sua residência e assim ele me informou sobre você!
― Mentirosa!
― Abalou agora? – com dificuldade pelas mãos estarem algemadas Beth ajeita as mechas de seus cabelos – Foi assim que eu descobri sobre você e eu pedi que ele então te matasse, mas o Hotch chegou a tempo aquele dia!
― Você está blefando! – Agatha desta vez não conteve o nervosismo.
― Eu não estou querida, e infelizmente Foyet não concluiu o serviço, eu tinha me vingado e me livrado da Haley era para ser assim, mas tinha que surgir você não é? Logo o Hotch se interessou pela mocinha recém-formada então eu fui saber sobre você, fui a um evento que Francine estava uma vez e procurei saber, a babaca não me revelou muita coisa, porém sabe quem estava no evento? John Curtis.
― Você está exagerando nesta mentira.
― É a verdade meu bem... Eu conversei com John Curtis e passei a ter contato com ele e enfim ele me revelou sobre você e em como te amava e fui eu que o incentivei a ir atrás de você!
― Tudo isso não passa de mentira!
― Apavorada? Pois deve ficar mesmo... Ele não desistiu de você e vai fazer de tudo para você ficar com ele. – Agatha retirou-se da sala, toda aquela postura confiante de início desapareceu.
Os demais da equipe também estavam perplexos e logo a miraram assim que ela ajuntou-se a eles. Hotchner encarou Agatha e tentou pronunciar qualquer coisa, mas estava sem reação o quanto ela estava.
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