Um Caso Não Registrado - 2ª Temporada
28 Capítulo 28 - A Visita (Parte 03)
Notas iniciais
Hotchner ao dirigir sentia algumas dores no local da ferida a bala, ele se queixava mentalmente, porém a preocupação com Agatha era maior, ele tinha vontade em ultrapassar os limites de velocidade do trânsito no anseio de chegar logo à penitenciaria de Virginia, queria poder chegar antes dela para assim não permitir que ela visitasse John Curtis sem nenhum preparo psicológico.
***
Ashley tentou em vão conversar com a amiga, mas assim que Agatha se arrumou pegou suas coisas e saiu as pressas da academia, os demais cadetes observaram ela sair completamente fora de si o comportamento de Agatha era estranho a todos, a violência praticada por ela contra a cadete Diane Turner durante o teste intrigava a todos que cochichavam entre eles sobre o ocorrido, algumas cadetes tentaram sondar Ashley na esperança dela responder, todavia Ashley ignorou a todas as questões que lhe fizeram sobre o ocorrido.
Agatha ao entrar em seu carro bateu a porta com toda a força, pela primeira vez não quis ouvir Backstreet Boys enquanto dirigia, antes de pegar no volante checou se tinha chamadas perdidas em seu celular e várias ligações de Hotchner faziam parte delas, ela pensou enquanto dava partida no carro se devia ligar para ele, mas decidiu que não e resolveu revelar sobre a visita depois que a fizesse, ela não tinha a mínima noção de que ele já estava a par de tudo.
Agatha estava ansiosa e chegou a esbravejar alguns palavrões quando tinha que parar para aguardar o sinaleiro, queria chegar o mais rápido possível na penitenciaria, mas quando finalmente chegou ao seu destino sentiu-se enojada ao imaginar que ficaria de frente a John Curtis, foi guiada por um guarda da penitenciaria para estacionar seu carro e quando desceu do mesmo começou a se perguntar o que falaria a John Curtis.
Como devo começar? Perguntava-se. Que tipo de perguntas eu devo fazer? O que eu devo exatamente descobrir? E mais perguntas ecoavam em seus ouvidos.
Ao adentrar o ambiente primeiro se encontrou na recepção sendo guiada pelo guarda, o guarda recepcionista ao vê-la se aproximar já perguntou:
‒ Visita?
‒ Sim... – perdida em seus pensamentos ela procurou pelos bolsos de sua jaqueta sua credencial de cadete para apresenta-la – Eu sou a cadete Agatha Silva e tenho uma visita agendada. – ela mostrou sua credencial.
‒ Vejamos... – o guarda recepcionista pegou das mãos de Agatha a credencial apresentada e passou a checar as informações em seu computador – Visita para o detento John Curtis... Confere? – ele arqueou as sobrancelhas para encara-la.
‒ Confere. – respondeu ela.
‒ Eu preciso que assine o caderno de visitas e se caso já porte alguma arma entregue-a e passe pela revista. – o guarda devolveu a credencial de cadete a Agatha.
‒ Certo. – concordou ela ao guardar sua credencial no bolso da jaqueta.
Agatha entregou sua arma e foi revistada, quando a revista foi finalizada e ela estava prestes a ser guiada para ver John Curtis ela surpreendeu-se com a voz de Hotchner a chamando euforicamente:
‒ Agatha! Por favor, Agatha espera!
‒ Senhor, senhor! – gritava um guarda que andava as pressas atrás de Hotchner – Não pode entrar desta maneira!
‒ Hotch? – perguntou-se Agatha mais para si mesma não querendo acreditar que ele se encontrava ali.
‒ O que pensa que está fazendo? – indagou Hotchner aflito ignorando o guarda a chama-lo.
‒ Como soube que estaria aqui? – perguntou ela atônita.
‒ Você não pode ir visita-lo desta maneira. – disse Hotchner seriamente – As coisas não podem ser assim.
‒ As coisas não podem ser assim como? – retrucou ela impaciente – O que faz aqui?
‒ Eu não vou permitir que você vá ver John Curtis sem nenhum preparo.
‒ E que preparo é necessário para isso? – Agatha cruzou os braços.
‒ Você precisa se preparar psicologicamente.
‒ Hotch depois nós conversamos. – Agatha tentou lhe dar as costas, mas ele a puxou pelo braço – Hotchner!
‒ Você não pode ir.
‒ Eu vou sim! – disse ela convicta ao se soltar das mãos dele.
‒ Senhor mostre sua identidade agora! – exigiu o guarda que o seguiu.
‒ Agente Aaron Hotchner do FBI. – afirmou Hotchner ao apresentar sua credencial – Eu irei acompanhar a cadete na visita.
‒ Só é permitido somente uma pessoa na visita. – respondeu o guarda recepcionista.
‒ Ela é apenas uma cadete e eu sou o agente chefe responsável sobre ela. – redarguiu Hotchner guardando sua credencial e entregando sua arma na recepção.
‒ “Apenas uma cadete?”— questionou Agatha incrédula, porém ignorada por Hotchner.
‒ Agente Hotchner... – começou o guarda.
‒ Eu exijo acompanha-la. – interrompeu Hotchner convicto em não deixar Agatha ir sozinha.
‒ Um momento... – o guarda recepcionista se retirou por alguns instantes, Agatha zangou-se a frase “Ela é apenas uma cadete...” havia a deixado mais irritada e ansiosa com tudo aquilo que evitou contato visual com seu chefe e noivo.
O guarda recepcionista voltou e consentiu que Hotchner a acompanhasse, Agatha quis protestar, mas isso podia atrasar mais ou acabar com sua visita a John Curtis que aceitou a contragosto a companhia de Hotchner.
Hotchner foi revistado antes de ser guiado a ver John Curtis com Agatha, era procedimento padrão da penitenciaria.
Eles foram guiados por um guarda para uma sala onde havia uma mesa com quatro cadeiras, duas de cada lado. Hotchner e Agatha sentaram-se um do lado do outro, Agatha desviava o olhar de Hotchner que queria antes lhe falar alguma coisa, mas notou que ela estava muito chateada então guardou para si o que queria dizer então eles aguardaram por alguns minutos que para ela pareceram horas.
Quando a porta do ambiente foi aberta por um guarda que adentrou o ambiente e deu espaço para que John Curtis que era carregado pelos braços por dois guardas a entrar, cada um o segurava em cada braço, Agatha sentiu seu estômago embrulhar.
John Curtis estava vestido com o uniforme vermelho de detento do presidio, calçava sapatos brancos que fazia conjunto a vestimenta, seus cabelos loiros e um pouco grisalhos estavam de um cumprimento maior que da última vez em que Agatha e Hotchner o viram que foi quando Agatha foi raptada por ele e Hotchner junto à equipe foi salva-la, além do cabelos sua barba estava grande e despenteada e era notável que ele havia perdido um pouco de peso.
Os olhos claros de Curtis pairaram sobre Agatha e ele não conseguiu esconder a satisfação e a malicia de revê-la novamente, Agatha revirou os olhos enojada enquanto Hotchner o encarava com toda a seriedade que mantinha.
John Curtis tinha as mãos e os pés algemados e os guardas que o seguravam pelos braços o fizeram sentar em uma das cadeiras para que ficasse diante de Agatha e Hotchner e eles ficaram ali fazendo guarda.
Curtis quebrou o silêncio:
‒ Porque veio acompanhada? – Curtis encarou Hotchner – Pelo visto vocês ainda tem um caso não é mesmo?
‒ Quais foram às outras atrocidades que você cometeu? – indagou Agatha com a voz tremula.
‒ Isso é uma visita ou um interrogatório? – retrucou Curtis voltando a fita-la – Porque se você veio aqui como uma agente do FBI me interrogar eu exijo a presença de um advogado.
‒ Você se acha no direito de querer algo? – esbravejou Agatha já impaciente.
‒ Acalme-se. – exigiu Hotchner que pegou no braço dela.
‒ Está muito nervosa minha princesa. – respondeu Curtis soltando um sorriso malicioso.
‒ Eu não sou sua princesa! – exclamou ela inquieta.
‒ Agatha eu disse para se acalmar. – exigiu Hotchner do seu modo sério de ser.
‒ O agente Aaron Hotchner nunca muda... – disse Curtis em tom debochado – Sempre sério e querendo manter profissionalismo até mesmo diante de sua noiva.
‒ Noiva? – questionou Hotchner – Você disse “noiva”?
‒ Você é surdo ou se faz? – retorquiu Curtis que se mostrou um pouco incomodado – Era para ela ser minha.
‒ Eu não sou nenhum objeto seu! – respondeu Agatha irritada.
‒ Agatha, por favor, fica calma. – pediu Hotchner.
‒ Não gosto de ver minha boneca irritada a toa. – disse Curtis voltando a sorrir – Vai me dizer qual o verdadeiro motivo da sua vinda?
‒ Eu quero saber o que você aprontou além das coisas que sabemos! – respondeu Agatha ficando enojada com os olhares de Curtis sobre ela.
‒ Agatha você acha que é assim vai conseguir informações quando for interrogar alguém? E eu já disse que se isso for um interrogatório eu exijo um advogado e quero saber quais acusações tem contra mim.
‒ Você não tem noção mesmo ou se faz... – disse Agatha.
‒ Veja só como minha boneca está descontrolada... Você precisa manter a calma meu amor... Eu imagino que os últimos acontecimentos a estejam deixando ansiosa assim...
‒ Do que está falando? – interrompeu Hotchner – Do que anda sabendo e como anda sabendo?
‒ Querida vamos fazer o seguinte... – Curtis ignorou o interrogatório de Hotchner – Na próxima visita venha só e poderemos conversar melhor... Guardas a visita acabou!
‒ Não, espera! – exclamou Agatha ficando-se de pé – Eu tenho mais perguntas... Eu preciso saber...
‒ Saber o que? O que você realmente quer? – questionou Curtis – Quer ser uma agente do FBI e fazer o seu trabalho ou quer me ver fritar? Guardas a visita acabou! – os guardas então levaram Curtis para fora da sala que saiu sorrindo para Agatha lhe dando uma piscadela.
‒ Vocês não podem leva-lo! – exclamou Agatha.
‒ Agatha, por favor, se acalme! – exigiu Hotchner pegando no braço dela mais uma vez.
‒ A culpa é sua! – esbravejou ela se soltando das mãos de Hotchner – Se eu estivesse sozinha ele teria respondido as perguntas... – Agatha saiu da sala transtornada e Hotchner a seguiu, um guarda os guiou de volta a recepção onde eles pegaram suas armas de volta.
Agatha evitou Hotchner a todo custo, ao sair da penitenciaria foi até seu carro e saiu dirigindo as pressas, Hotchner que queria a todo custo à atenção dela entrou em seu carro apressou-se no volante e impediu a passagem dela.
‒ Qual é o seu problema? – esbravejou ela saindo do carro para confronta-lo.
‒ Que perguntas você queria fazer a ele? — retrucou ele ao sair do carro.
‒ Como? – Agatha coçou a cabeça desentendida.
‒ Você disse que se eu não tivesse a acompanhado ele teria respondido suas perguntas.
‒ Sim...
‒ O que iria perguntar a ele?
‒ Hotch, por favor, eu não quero conversar.
‒ Responda. – exigiu ele – Você tinha em mente o que perguntar? Estava preparada para visita-lo?
‒ Hotch... – Agatha tentou conter as lágrimas.
‒ Está percebendo? Você não estava e na verdade não está preparada... Como está se sentindo agora?
‒ Péssima com várias lembranças ruins em minha cabeça.
‒ Compreende agora? Você não está preparada psicologicamente quanto é que não percebeu nada.
‒ Como assim eu não percebi? Não percebi o que? – Agatha se aproximou um pouco mais de Hotchner para encara-lo ao enxugar as lágrimas.
‒ Ele se referiu a você como minha “noiva”.
‒ E o que tem? É obvio para ele que continuamos a manter nossa relação.
‒ Não... – discordou Hotchner – Eu tenho certeza que ele já sabe que a pedi em casamento.
‒ Oras Hotch e quem teria falado? Somente a equipe e Jéssica sabem disso.
‒ Obvio que a equipe e muito menos Jéssica viriam até aqui e contariam isso a ele.
‒ Então?
‒ Mas a nossa relação hoje não é mais segredo para ninguém e outra coisa... Lembra quando ele disse: “Eu imagino que os últimos acontecimentos a estejam deixando ansiosa assim”?
‒ Sim... – Agatha refletiu por alguns instantes – De que acontecimentos ele se referiu?
‒ Entendeu aonde eu quero chegar? – Hotchner a fitou nos olhos.
‒ Sim agora eu entendi. – Agatha abaixou a cabeça pensativa.
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