Um Caso Não Registrado - 1ª Temporada

26 Capítulo 25 - O Julgamento Interno


Notas iniciais
E mais um capítulo para vocês... As emoções e casos da equipe voltam com tudo no próximo! Boa leitura!

Hotch ao chegar a seu apartamento viu que Jéssica estava jogada no sofá com a TV estava ligada, mas ela estava dormindo. Jack não estava pela sala, Hotch foi em seu quarto e viu que ele dormia em sua cama tranquilamente.

Quando Hotch voltou à sala Jéssica estava despertando:

— Aaron... Já voltou? – perguntou Jéssica sonolenta enquanto esfregava os olhos.

— Sim... Rossi foi chamado para um caso.

— E você volta quando a trabalhar?

— Eu não sei... – Hotch abaixou a cabeça.

— O que está acontecendo Aaron? – Jéssica pode perceber que algo incomodava Hotch.

— Eu acho que não vou voltar a trabalhar... – ele se senta ao lado de Jéssica.

— Por quê? – Jéssica arregala os olhos.

— A UAC me ofereceu aposentadoria, benefícios vitalícios.

— E você vai aceitar?

— Eu creio que isso seja o melhor para Jack.

— Mas Aaron seu trabalho sempre foi muito importante!

— Este foi o meu erro... Se eu não tivesse colocado meu trabalho em primeiro lugar Haley estaria conosco.

— Aaron... – Jéssica pegou em sua mão – Quando a Haley saiu de casa e foi passar aquela temporada comigo... Ela disse que nunca deixou de te amar, era sofrido demais para ela ver que você passava mais tempo fora do que em casa, mas ela sempre admirou você como um herói.

— Eu não fui um herói suficiente... Quando foi para salva-la eu não fui herói.

— Aaron a Haley admirava o que você fazia, ela nunca quis fazer você escolher entre um e outro... Ela só queria que tivesse jeito das coisas entrar em sintonia... Eu tenho certeza que Haley é orgulhosa do homem que você é... E você para o Jack é como aqueles mocinhos da televisão, você é o homem do bem, Aaron eu peço: não desista do seu trabalho!

— E o Jack? Eu não posso abandona-lo!

— E quem disse que você vai abandona-lo? Você é o pai dele e continuará sendo!

— Mas Jéssica...

— Aaron você vai continuar com seu trabalho e continuará sendo o pai de Jack... Eu estou aqui para lhe ajudar, Jack é meu sobrinho quando você estiver fora eu fico com ele.

— Jéssica eu fiz isso antes... Ficava fora e deixava Haley sozinha com ele e agora eu a perdi.

— Aaron... – Jéssica apertou sua mão – Não foi você que apertou o gatilho para acabar com a vida dela... Criminosos como aquele psicopata sempre existirão, sempre haverá um para apertar o gatilho e matar uma mãe de família e os maridos não podem se culpar... Você não deve se culpar, da onde Haley está eu tenho certeza de que ela quer que você siga em frente!

— Você tem certeza? – Hotch a encarou nos olhos.

— Aaron se você desistir e se aposentar vai mostrar a Jack que fraquejou... Hoje ele não entende muito, mas quando ele crescer e começar a entender ele vai saber que você desistiu por se sentir fraco e culpado!

— Será?

— Aaron você é um herói para Jack e sempre será agora você vai dizer ao departamento que você não irá se aposentar!

— Jéssica porque você faz isso?

— Porque você e Jack são minha família... Aaron você é o irmão mais velho que eu não tive... Aaron eu amo vocês! – Jéssica o abraçou.

— Obrigado Jéssica... Obrigado! – Hotch correspondeu o abraço de Jéssica e ali tomou uma decisão definitiva.

***

Uma semana se passou e o dia que Hotch e Agatha seriam interrogados e julgados chegou. Agatha manteve segredo sobre o julgamento e sobre a decisão de pedir demissão preferiu que de início Francine não soubesse de nada.

Quando Agatha chegou ao departamento viu Hotch aguardando o elevador, ela respirou fundo tentando manter a calma ao se aproximar dele.

— Bom dia. – disse ela seriamente.

— Bom dia. – respondeu Hotch que virou o rosto para olha-la – O que decidiu?

— Aquilo que eu decidi desde a semana passada. – Agatha ficou curiosa em perguntar se Hotch havia optado mesmo em se aposentar, mas preferiu não puxar muito assunto ela achou que era melhor afasta-lo de seu coração e por isso evitou muito contato.

O elevador chegou e eles entraram quando chegaram ao andar da UAC o restante da equipe os aguardava, todos tinham olhares assustados cheio de dúvidas e medo, Agatha ao sair do elevador ganhou um abraço de Prentiss lhe mostrando apoio.

— Fomos todos interrogados. – disse Morgan – Eles estão tentando de todas as maneiras encontrar algo para acabar com você Hotch.

— Aquele infeliz já morreu, mas ainda está causando problemas... – disse Garcia segurando o choro – Eles não podem tirar o senhor da gente!

— Eu no momento não posso garantir nada. – respondeu Hotch.

— Até que enfim chegaram... – disse Strauss saindo de sua sala – Me sigam, por favor! – Strauss se aproximou do elevador e apertou o botão para subir.

Hotch e Agatha não disseram nada apenas se olharam e depois olharam brevemente para a equipe que estava toda ansiosa e temerosa com o que aconteceria com eles dois.

Os dois entraram no elevador com a Strauss e pararam no décimo andar, Hotch já conhecia aquele lugar do departamento já Agatha era a primeira vez que colocava os pés ali, era um corredor com uma porta ao final, não tinha quadros nas paredes como nos outros andares, apenas a iluminação que vinha do teto, Strauss caminhava a frente deles dois até a porta.

Quando Strauss abriu a porta Agatha sentiu seu coração gelar por alguns segundos a sala era um tribunal de assuntos internos do FBI, eles entraram e uma equipe de homens engravatados os aguardavam um deles era o senhor Anderson que sentiu vontade de sorrir para Hotch e Agatha para cumprimenta-los, mas sentiu que não pegaria bem para ele.

Hotch e Agatha sentara-se aonde Strauss indicou em frente à equipe engravatada que estava sentada em uma mesa quadrada de madeira, Strauss se juntou a eles. Um deles se levantou com um papel na mão e começou a ler o seguinte texto:

Caso Interno número 100: O Caso Interno se refere aos agentes Aaron Hotchner o chefe de equipe de Análise Comportamental e a Agatha Cristina da Silva a agente registradora da equipe. O Interrogatório e julgamento acontecerá pelo fato do agente Aaron Hotchner ter participado de um caso que era pessoal o que causou a morte do suspeito George Foyet conhecido como o Ceifador e também pela situação do agente estar envolvido em um caso com a agente Agatha Cristina da Silva.

O homem sentou-se novamente encarando Hotch e Agatha olho a olho, Strauss estava com uma vontade enorme de sorrir, mas segurou o riso e alegria no momento.

Outro da equipe encarou Hotch e Agatha por alguns segundos e depois começou o interrogatório:

— Agente Aaron Hotchner o senhor poderia explicar sobre o caso do Ceifador.

— Sim senhor... – Hotch passou a encarar o homem com seu jeito sério demonstrando que não tinha nada a temer – Foi um dos meus primeiros casos como analista de perfil, o caso aconteceu em Boston há mais de dez anos, o suspeito que ficou desconhecido durante muito tempo matava vítimas aleatórias na maioria das vezes eram casais uma vítima ele matava com tiros e a outra com facadas.

— O que impediu de o senhor e a equipe que trabalhava naquela época não terem conseguido capturar o suspeito?

— O suspeito não deixava DNA, digitais e nenhum tipo de evidência física, as poucas testemunhas que tinham não conseguiam nos ajudar pelo fato do suspeito andar mascarado.

— E qual foi o perfil passado para a policia de Boston?

— O perfil da época era de um homem branco entre 25 e 30 anos, solitário sem amigos e família que pudesse ter um emprego onde não tinha interação social, com um passado cheio de traumas pela família.

— E através deste perfil o senhor nunca desconfiou que fosse uma das vítimas no caso o senhor George Foyet.

— Não senhor... A vitmologia foi feita e não encontramos conexões, George Foyet soube disfarçar muito bem fingindo ter amigos e família.

— Quando o senhor o interrogou não chegou a suspeitar de nada.

— Eu só pude interrogar Foyet uma vez e foi no hospital quando ele fingiu ser atacado pelo suspeito foi feito uma entrevista cognitiva, mas o suspeito no caso o Foyet não ajudou muito e por restrições médicas não foi possível interroga-lo de novo, os médicos alegaram que ele sofreu um trauma muito grande e que era melhor deixa-lo se recuperar. – enquanto Hotch respondia as perguntas os outros da equipe faziam anotações e Strauss o encarava seriamente.

— E porque o caso foi arquivado?

— Os crimes haviam parado de serem cometidos, não houve nenhuma vítima e ficamos sem pistas, o delegado da época o senhor Shaunessy pediu que o FBI se retirasse e arquivou o caso.

— E sobre esta carta? – o agente que interrogava pegou da mesa a carta que Foyet havia enviado ao delegado Shaunessy, a carta estava em um pacote transparente de evidências.

— Eu tive conhecimento desta carta através do diretor Sr. Anderson.

— Isto confere. – respondeu o Sr. Anderson.

— A carta diz que se o suspeito parasse de ser caçado ele pararia com os crimes enquanto o Shaunessy vivesse.

— Sim. – confirmou Hotch não desviando o olhar.

— O senhor realmente não sabia do conhecimento desta carta?

— Não.

— Srta. Silva.

— Sim senhor! – Agatha se ajeitou na cadeira e encarou o homem que interrogava.

— Como a senhorita se envolveu no caso?

— Eu não me envolvi senhor... Eu sou apenas uma agente que foi contratada para fazer os registros dos casos que a equipe do Sr. Hotchner trabalha e o caso do Ceifador era mais um.

— Mas a senhorita se envolveu... A senhorita foi uma vítima!

— Não porque eu quis... – todos pararam as anotações e encararam Agatha pela maneira que ela havia respondido – Infelizmente Foyet teve acesso ao hotel que eu estava hospedada.

— E antes disso? Ele atacou à senhorita e sua companheira de moradia certo? Porque ele a escolheu como uma vítima?

— Foi uma terrível coincidência... Foyet havia ido a casa em que eu morava fazer uma instalação de serviços de segurança eu seria uma vítima de qualquer jeito sendo da equipe ou não já que foi descoberto que Foyet estava atrás dos clientes que atendeu.

— E a senhorita conseguiu se salvar?

— Por um pouco... Os agentes Hotchner, Rossi e o doutor Reid chegaram a tempo e Foyet escapou pela janela do meu quarto.

— Senhor Hotchner... – o homem voltou-se a Hotch – Porque quando o caso se tornou pessoal o senhor não se afastou?

— Foyet iria tornar pessoal para qualquer um... Ele fez um acordo com o senhor Shaunessy depois tentou comigo se eu saísse do caso desistindo ele iria ter outra pessoa da equipe como alvo.

— O senhor tem certeza disso?

— Sim senhor, Foyet queria estar no controle.

— E ele fez refém sua esposa e seu filho para conseguir um acordo?

— Foyet era um psicopata frio não se importando com a dor alheia, ele fez minha família de vítima por vingança porque eu não aceitei seu acordo.

— E a Srta. Silva... – o homem voltou seu olhar a Agatha – Porque Foyet a fez de vítima duas vezes?

— Eu acredito que seja pelo fato de eu ter conseguido ser salva a primeira vez... Foyet tinha prazer em matar suas vítimas e comigo isso não aconteceu.

— Não foi para provocar o senhor Hotchner?

— Não. – Agatha entendeu aonde ele queria chegar – Foi pelo fato dele não ter conseguido me matar.

— A senhorita é nova no FBI não tinha tanto conhecimento no caso do Ceifador como pode garantir que ele matava suas vítimas por prazer?

— Sério que o senhor me pergunta isso? – Agatha arregalou os olhos – Foyet foi um sádico o tempo inteiro... A carta, as coisas que ele escreveu nas cenas dos crimes, o telefonema exigindo um acordo... Era muito obvio que ele via tudo isso como um jogo! – exclamou ela irritada.

— A senhorita tem total certeza disso?

— Quem é que não tem? – Agatha se levantou irritada – Ele era um psicopata maldito e ele matou uma pessoa na minha frente! – Agatha não aguentou segurar as lágrimas ao lembrar-se de Haley morrendo em seus braços, Hotch permaneceu sério não demonstrando nenhum nervosismo, mas seu coração doía só de pensar na morte de Haley.

— Nós temos evidências onde o suspeito diz que vocês tinham um caso... A Senhorita tem certeza de que ele não fez te fez de vítima para provocar o agente Hotchner?

— Se não fosse eu, seria qualquer um que ele quisesse... O senhor não passou tempo com ele com uma arma apontada para sua cabeça para saber!

— Exigimos respeito Srta. Agatha! – exclamou o homem que interrogava.

— Desculpe-me senhor, mas eu não aceito o fato da gente ser interrogado como se o psicopata do Foyet fosse inocente! – Agatha sentou-se de volta enxugando as lágrimas.

— Nós gostaríamos que vocês ouvissem isso... – o homem pegou um pequeno gravador e colocou um áudio para ser escutado – Este é o áudio da primeira ligação de Foyet ao senhor Hotchner. – ele apertou o play para que todos pudessem ouvir.

O áudio:

Eu sou um mentiroso? Senhor Hotchner cadê aquele homem correto e conservador? Um caso com uma agente poderia acabar com sua carreira! Senhor Hotchner eu sei dos fatos há bastante tempo... Agatha seria a minha primeira vítima, depois que fiz a instalação na casa dela eu voltei para vigiar a casa e vi o senhor chegando, o senhor entrou e saiu depois de um bom tempo! Estavam fazendo sexo?

Agatha sentiu um arrepio e uma náusea ao ouvir a voz de Foyet naquele áudio.

— Senhor Hotchner o que o senhor foi fazer na casa da Srta. Silva? – perguntou o homem dando uma pausa no áudio.

— Isso é um absurdo! – exclamou Agatha antes que Hotchner pudesse responder.

— Srta. Silva eu peço que se controle! – exclamou o homem.

— Isso é ridículo! Isso não tem necessidade... Vocês estão fazendo tempestade em copo de água! – Agatha se levantou – Eu não posso aceitar que vocês queiram acabar com a carreira de alguém a troco de nada! – Hotch não soube o que dizer ele olhou brevemente para Agatha sem reação.

— E quem disse que queremos acabar com a carreira dele? – perguntou um dos homens que fazia as anotações.

— Então qual a necessidade disso? Foyet foi um covarde e psicopata! Eu sei muito bem porque o maldito me atacou duas vezes eu tenho as feridas que ele me fez... O senhor Hotchner fez o que tinha que fazer e outra coisa: se fossem a família de vocês não iriam fazer o mesmo? Quantos criminosos o senhor Hotchner ou outro agente não tiveram que sacar suas armas e atirar? Vocês também são agentes devem saber como é isso? – todos prestavam atenção em Agatha enquanto Strauss bufava de raiva – E sobre o que Foyet disse ou deixou de dizer isso pouco importa! Ele era um sádico e assassino!

— Srta. Silva você deve saber que um caso entre dois agentes não é apropriado! – exclamou Strauss não se contendo.

— Vocês tiraram conclusões à base de que? A base de um áudio de um psicopata infeliz? Se quiserem me demitir me demitam, mas não estrague a carreira de um homem que tem história no FBI! – Agatha olhou brevemente para Hotch – Ele fez o que tinha que fazer e ainda tem que lhe dar com a perda de alguém querido... Por favor, parem com esse julgamento sem fundamentos! – Agatha sentou-se.

— Senhores... – Hotch se levantou – Eu assumo que o caso se tornou pessoal para mim e muito mais quando minha família foi envolvida junto com uma agente, mas concordo que esse julgamento é sem fundamento, Foyet era um psicopata que ficou a solta por mais de dez anos ele não merece ser tratado como um inocente.

— Não dissemos que ele era inocente senhor Hotchner! – respondeu o homem que interrogava.

— Mas estão o tratando assim... Estou sendo julgado por vocês pelo fato de eu ter atirado em um psicopata que matou minha esposa e quase matou minha companheira de trabalho... – Hotch olha para Agatha – E vocês se importam com o que ele falou ou deixou de falar.

— Senhor Hotchner, sente-se! – respondeu o homem, Hotch sem questionar sentou-se o encarando – Senhor Hotchner que fique claro que não julgamos Foyet como inocente todos nós aqui temos conhecimento do caso... Qual o veredito agentes?

— Não tem nada a ser questionado – respondeu o Sr. Anderson – O agente agiu de maneira que qualquer um agiria e sobre o que Foyet disse deles terem algum caso pouco importa, ele era um psicopata e mentiroso mentiu por mais de dez anos ser uma vítima! – Agatha sentiu vontade de sorrir para o Sr. Anderson.

Os outros presentes concordaram com o que o Sr. Anderson disse à única que protestou contra foi Strauss:

— Eu acredito que deve ser mais investigado! – mas os outros foram contra ao que ela queria.

— Está bem... – o homem do interrogatório levantou-se – Assunto encerrado: o agente Hotchner não agiu de maneira errada durante a investigação e sobre o suposto caso que poderia haver entre os dois... Não passou de uma mentira de um psicopata!