Um Casamento Forçado
19 Capítulo 19
Notas iniciais
Droga! O gosto em minha boca era horrível.Pela segunda vez eu estava vomitando todo o meu almoço.Escovei os dentes novamente, eu estava tão enjoada, fui para minha cama.
—Está melhor Saky, sua mãe está preocupada.-Falou Hinata.
—Estou melhor, foi algo que eu comi. -Eu falei pensativa.
—Sei.
—Vou dormir um pouco estou cansada. -Eu falei tentando ficar sozinha.
—Não vai não, você está dormindo o dia inteiro Sakura. -Falou Hinata.
Já tinha dois dias que eu havia brigado com Sasuke. Nós não haviamos conversado, nem se visto desde então. Eu estava me sentindo tão vazia, solitária e com fome!
—Vou ver meu pai então senhorita Hyuuga, já que não vou dormir mesmo.-Eu falei impaciente e me levantando, fui até o quarto de meus pais lentamente. Abri a porta vendo minha mãe ler meu pai.
—Estou melhor, só comi algo que vez mal papai. -Eu falei e ele me olhou. -Posso ler agora para você, se quiser.-Eu comentei e me sentei no sofá.
—Vou comer algo queria, leia para ele já volto. -Minha mãe se levantou e beijou os lábios de meu pai, ouvi ela sussurrar um “Eu te amo.”
—Está sendo mimado papai. -Eu falei me sentando ao lugar de minha mãe.-Quer que eu leia para o senhor ou cante algo? Meu pai pegou o caderno e escreveu” termine de ler o livro que sua mãe estava lendo para mim.”-Ta bom.-Foi o que eu falei antes de pegar o livro e começar a ler. -A chuva ainda não tinha acabado, o sol ainda brilhava. Como pode chover e fazer sol ao mesmo tempo? Eles são tão contrários...
Li umas 15 paginas, eu já estava quase dormindo. Senti um arrepio e olhei para meu pai, vi ele de olhos fechados. Fechei o livro e fui até a cama, ele ainda continuava pálido. Beijei sua testa sentindo sua pele fria. O olhei meio em pânico, ele estava tão frio. Peguei sua mão, estava gelada.
—Papai?-Eu o chamei meio desesperada.-Pai!-Eu praticamente gritei e ele não si moveu.-Não, não, não!-Eu falava rápido sem acreditar.
Segurei em seus ombros e o sacudi com leveza. Meu coração estava doendo, era torturante. Me inclinei sobre seu coração e não ouvi nada.
—Não, papai acorde! -Eu gritei chorando. -Por favor não nos deixe, eu preciso de você-Eu falava em meio aos soluços.-Mãe!Mãe!Hinata!-Eu gritei.
A porta foi aberta por elas duas junto com guardas. Minha mãe me olhou confusa me vendo debruçada sobre meu pai em meio á lagrimas que desciam como uma cachoeira por meu rosto. Não consegui fazer nada se não chorar. Os olhos de minha mãe se arregalaram e correu em direção ao meu pai. Suas mãos foram para o rosto dele.
—Querido, acorde meu amor.-Sua voz saiu dolorosa.-Não, n-não, co-como ?-Ela perguntou me olhando e eu me agarrei mais á meu pai.
—E-eu esta-estava lendo, quan-quando o o-olhei e-ele parecia es-estar dormindo, mas...-Eu não consegui terminar á frase.Os olhos de minha mãe ficaram sem vida e frios, eu me assustei.
—Ele me deixou, ele sabia que isso ia acontecer hoje, ele se despediu de mim.-Minha mãe falou como se estive distante, eu tentei segurar as lágrimas, mas não conseguia, o rosto de minha mãe já estava banhado por elas.
—O-o que está di-dizendo? -Eu falei me afastando de meu pai.
—Ele escreveu hoje á manhã inteira poemas que ele falava para mim quando estavamos noivando, ele escreveu que me amava mais que tudo... –A sua voz morreu e ela se jogou sobre ele chorando.
Senti uma mão quente em meu ombro, era Hinata ela me abraçou delicadamente. Aquele buraco em meu peito agora era um precipício, onde eu havia me jogado, meu coração estava batendo dolorosamente rápido. Me apertei em Hinata enquanto tentava parar de chorar, os soluços de minha mãe eram autos eu ouvia ela sussurrar “não” varias vezes.
Me afastei de Hinata, “chame Nagato”eu falei baixinho. Hinata saiu as presas do quarto olhei para a porta vendo os guardas ainda lá.
—Saiam agora! -Eu falei fria, eles se inclinaram e saíram.
Respirei fundo e olhei para minha mãe, ela ainda balançava a cabeça negativamente e chorava sobre o corpo de meu pai. Fui até ela e a puxei para meus braços.
—O que será de mim sem ele? -Ela falava com a voz tremula.
—Eu estou aqui. -Eu falei e ela desatou em chorar, eu não sei como mais nenhuma lagrima caiu de meus olhos dessa vez.Eu agradeci por isso, porque essa semana o que eu mais fiz foi chorar como uma fracassada.-Não chore mãe.-Eu falei, eu teria que receber Nagato sozinha, ele teria que fazer os documentos sobre o motivo da morte de meu pai.Eu teria que cuidar do enterro sozinha, meu coração se apertou e eu me senti mais vazia e solitária.
(...)
Já estava no final da tarde, eu não queria esperar até amanhã para enterrar meu pai. Ao por do sol era melhor, meu pai amava ver o por do sol com minha mãe. Eu havia cuidado de tudo, o cemitério era nas terras de meu pai, só nossa família era enterrada lá. Eu estava em frente ao espelho com um vestido negro. Havia mandado avisar Sasuke, meu coração se apertou quando pensei nele.
Apensar de tudo eu estava conformada com a morte de meu pai, eu só me sentia sozinha sem o homem que eu idolatrei minha vida toda. A porta se abriu e minha mãe entrou em meu quarto, seus olhos estavam vermelhos e inchados, os meus com certeza não estavam diferentes.
—Sasuke está na carruagem á nossa espera.-Minha mãe falou com a voz sem vida.
—Onde está Hinata?-Eu perguntei.
Eu não queria ninguém no enterro de meu pai, apenas nós. Eu sabia que todos os nobres falariam de mim por isso, mais não me importei, eles não conheciam meu pai, só conhecia o tamanho de sua riqueza.
—Está no pátio com rosas brancas e Lírios.-Falou minha mãe sorrindo. A primeira flor que meu pai deu á ela foi um Lírio.
—Vamos?-Eu perguntei e ela segurou meu braço.
—Não estava pronta para perde-lo.-Ela falou distante caminhando comigo.
Assim que chegamos ao pátio, vi a carruagem que estava á nossa espera, Gai dessa vez não mostrou o sorriso e a animação, ele estava quieto e triste. Ele e meu pai eram muito amigos.
—Duquesa, os empregados querem ir ao velório.-Falou Gai e eu me surpreendi.
—Fale que eles serão bem-vindos, mande pegar as carruagens para leva-los.-Respondeu minha mãe e entrou na carruagem, Hinata entrou em seguida, ela levava tantas rosas brancas.
—Força.-Ela Sussurrou para mim e eu confirmei. Respirei fundo e entrei.
Sasuke me olhou com intensidade e pegou minha mão, ele nada disse apenas ficou o caminho todo acariciando minha mão. Eu nada falei, nós éramos tão orgulhosos. Mais eu não me importei com meu orgulho, o vazio que eu senti se fechava quando estava com Sasuke, soltei sua mão da minha e me encostei em seu peito, ele nada falou apenas passou seus braços ao meu redor e me abraçou.
—Sinto muito my lady Haruno.-Falou Sasuke.
—Não sinta, isso dói. -Minha mãe falou com a voz sem vida.
Olhei para Sasuke como se avisasse que minha mãe não estava bem. Me desgrudei dele e peguei as mãos de minha mãe, nossas mãos estavam cobertas por luvas negras. Eu não falaria nada, ela não precisava de palavras dessa vez e sim de afeto. A viagem toda passei acariciando suas mãos com lentidão, eu queria que ela sentisse minha presença.
Assim que chegamos senti o vazio aumentar, desci da carruagem me surpreendendo por ver os pais de Sasuke, Naruto e seus pais também.
—Os avisei sobre o acontecido, eles são próximos.-Falou Sasuke atrás de mim e eu apenas confirmei.
Mikoto se aproximou de minha mãe e a abraçou com força, os pais de Naruto se aproximaram.
—Meus pêsames Sakura.-Falou Kushina e Minato.
—Obrigada por terem vindo.-Eu falei e eles me abraçaram.
Fugaku foi o mais discreto, ele apenas me abraçou rapidamente e se afasto. Mikoto veio acompanhada de minha mãe e me abraçou também.
—Ele está em um lugar melhor.-Falou e se afastou.
—É ele está.-Eu falei baixinho.
Naruto se aproximou com Hinata, Naruto nada falou apenas abraçou á mim com força e depois fez o mesmo á minha mãe.
—Não lhes direi que sinto muito, porque quem está sentindo é vocês.-Falou Naruto olhando para mim e minha mãe, nos agradecemos á isso com um sorriso de lado.
E logo os empregados chegaram, Hinata distribuiu rosas brancas á todos, e deu o buque de Lírios á minha mãe.Apareceu outra carroça e eu fiquei confusa, até que desceu minha Tia Mai, seu olhar como sempre era severo, com ela desceu com dois homens, um de cabelos brancos e olhos roxos, e um lindo loiro com olhos azuis penetrantes. Minha tia venho até mim e me reverenciou levemente com os outros rapazes atrás.
—Querida, meus pêsames.-Ela me abraçou e depois á minha mãe.
—Sou o Duque Suigetsu.-Falou o de cabelo branco, vez reverencia e eu também viz.-Sua tia me falou muito da senhora majestade. -Ele me olhou ainda inclinado com os olhos mais interessantes que já vi na minha vida. –Meus pêsames.-Ele falou e se afastou.
O de cabelo loiro sorriu, como ele era lindo! Ele aproximou com segurança e sensualidade, era como se fosse Sasuke andando. Fez reverencia e os cabelos loiros e grandes se mexeram com a brisa que sobrou.
—Sou o príncipe Deidara do Reino do sol.-Ele falou.-É um prazer conhecer te Majestade Sakura.-Ele falou e indicou sua mão, coloque a minha sobre á dele e ele á beijou olhando em meus olhos. -Meus pêsames, seu pai era um homem muito interessante, o conheci quando criança. -Ele falou e eu tirei minha mão da sua.
—O que o príncipe do Reino do sol faz em meu reino? -A voz fria de Sasuke soou e eu o olhei.
—Desculpe me majestade, mas eu sou cunhado do rei Gaara, minha irmã é rainha do Reino do Sol, mas agora é casada com Gaara.-Deidara explicou primeiro os seus laços entre o outro reino. -Gaara me mandou aqui para representa-lo, ele não pode vir, minha irmã dera á luz á qualquer momento.-Ele respondeu.
—Querida? -Minha tia me chamou e eu me inclinei.-Com licença.-E fui em direção á minha tia ela segurava flores de cerejeira na mão.
—Nossa. -Eu falei admirada e minha mãe sorriu, minha tia me deu as flores de cerejeiras.
—Seu pai ás achava tão belas, por isso te deu esse nome Sakura.-Ela falou e eu sorri.-Não ás quero chorando, seu pai ficaria triste e decepcionado se vocês se fecharem para o mundo, sejam fortes e sigam em frente.-Falou Mai e eu quase chorei diante de suas palavras.
—Seremos fortes, temos uma á outra.-Falou minha mãe e eu me admirei, tia May conhecia minha mãe como ninguém, ela conseguiu anima-la, meu coração se aliviou diante disso.
—Quero saber como está seu casamento Sakura, eu quase não á deixei ir para casa quando soube.-Ela falou e todas elas olharam para mim.
—Está, Sasuke tem uma personalidade... difícil, como eu. Mas eu o amo.-Eu falei e Mikoto sorriu.
—O que estava fazendo com o príncipe Deidara e Duque Suigetsu?-Eu perguntei e minha tia sorriu.-Os conheço á alguns tempo querida, seu pai conhecia Deidara e Suigetsu era amigo de Deidara então quando souberam do enterro eles vieram me trazer, eu não estava em casa e sim no castelo do Duque é aqui perto.-Ela falou.
—Eu mandei lhe avisar, mais demoraria dias até a senhora chegar tia.-Eu falei.
—Querida, seu pai deve estar orgulhoso de você, tão educada, forte e delicada.-Ela falou e eu corei.
—Obrigada, eu quero dar adeus á meu pai.-Eu falei.
Nós nos olhamos e fomos todas em volta do enorme buraco, meu pai dizia que quando morremos podemos assistir nosso velório. Quando viram nos aproximando, todos se calaram e prestaram atenção. Minha mãe desfez o laço do buque e se aproximou mais de onde estava o caixão.
—Eu agradeço á presença de todos. -Minha mãe falou com a voz meio tremula, ela iria chorar e eu também. -Obrigada por estarem aqui. -Minha mãe já chorava, fui até ela e toquei em se ombro, ela sorriu em meio ao choro. -Kizashi, você foi e sempre será o homem mais importante de minha vida.-Minha mãe jogou um Lírio.-Eu nunca vou te esquecer.-Cada frase ela jogava um Lírio, era como se ela enterrasse uma parte de si com meu pai.-Você me deu um presente lindo.-Ela olhou para mim e eu sorri sentindo minhas lagrimas descerem pela minha bochecha, o vento sobrou e eu senti a presença de meu pai mais viva como nunca.-Eu sinto tua presença meu amor.-Minha mãe declarou e eu sorri mais ainda diante da paz que senti.-Eu te fiz lebrar nos momentos mais lindos de nossas vidas. Eu lhe mostrei o quanto o amo.-Todos já tinham lagrimas descendo pelo rosto.-Você é um homem incrível e nos encontraremos na nossa próxima encarnação.-Minha mãe sussurrou mais um “te amo” e se afastou.
Eu me aproximei e senti a mão de minha mãe e Hinata em meu ombro.Joguei as flores de cerejeira lentamente sobre o caixão.
—O senhor foi maravilhoso, um ótimo pai! Eu lembro das noites que o deixei em claro por causa de um pesadelo e a maneira como você e mamãe me paparicavam quando eu estava assustada. Nesses últimos dias eu lhe dei tanta atenção que eu acho que se o senhor pudesse me expulsaria de se quarto junto Hinata e minha mãe.-Eu falei e elas sorriram.-Desculpe pelas vezes que fui teimosa. Eu sempre amei o apelido carinhoso que você e Tia Mai me deram.-Olhei para minha tia e ela sorriu. -Eu te amo.-Eu falei e joguei a ultima flor de cerejeira.
Me afastei e vi todos as pessoas passarem pelo tumulo de meu e dizerem palavras do quanto ele era maravilhoso, engraçado, amigo... Minha Tia Mai nada falou apenas abriu um lindo sorrindo e fechou os olhos, o vento sobrou tão suave e ela sorriu mais ainda antes de jogar uma rosa branca no caixão. Essa foi a única visão que tive antes de tudo escurecer á minha volta e eu sentir suavemente braços fortes me segurarem.
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