Notas iniciais
Boa leitura.

Um casal qualquer.

Com o passar dos minutos Dean foi se sentindo cada vez mais leve, ele sabia que estava partindo, sabia que estava deixando tudo e todos para trás e não queria isso, mas depois dessa infelicidade que Frank fez com seu corpo talvez fosse melhor assim, talvez fosse melhor descansar por toda a eternidade.

Quando ele acordou estava em um lugar calmo e sereno, ele estava de baixo de uma pequena árvore era uma cerejeira e ela estava toda florida de rosa. Dean se levantou e começou a andar pelo local, o garoto tentava se lembrar de algo, porém não conseguia. Sua memória havia se perdido. Ele sabia que tinha alguma coisa importante, mas mesmo com todos os esforços do mundo não se lembrava.

Dean continuou andando até que avistou um homem, ele estava todo vestido de branco e estava sentado na sombra de uma árvore lendo um livro. Dean chegou sorrateiro, não fez o mínimo de barulho.

– Desculpa atrapalhar, mas o senhor poderia-me dizer onde estou? – Disse o garoto em tom calmo e flácido. O cara abaixou o livro e fitou Dean.

–Primeiro não sou um senhor. Você está no seu mundo de descanso, aqui é o que dizem de céu, mas aqui é só outro mundo distante que abriga alguns mortos. – Explicou ele.

– Mortos? Eu morri? Como eu morri? Não consigo me lembrar de nada. – Dean questionou para si próprio.

– Geralmente é assim mesmo, com o passar do tempo você retoma a memória, mas muitos preferem não lembra-la.

– Eu sinto que tem algo de importante, parece que eu deixei alguém, eu tenho que me lembrar. – Proferiu.

– Tudo tem seu tempo, você se lembrará de tudo quando for necessário. – Disse por fim.

Períodos foram passando e as memórias de Dean foram chegando lentamente, primeiro as da sua infância, depois a da adolescência e por fim a da maior idade, porém tinha uma parte que travava e ele não sabia o que fazer, pois sentia que aquela era a faze que mais precisava ser lembrada.

Dean foi se tornando amigo de Rupert, cujo era o guardião da alma do garoto, ele sabia de toda a vida de Dean na terra, porém ele não podia falar nada, o garoto tinha que descobrir sozinho.

O tempo nesse tal mundo dos mortos era diferente do tempo terrestre, lá não era agitado ou tinha a correria do dia a dia, era apenas um bom lugar de descanso. Dean agora meio que morava em uma casinha de madeira simplesinha, seu guardião morava em uma casa ao lado feita do mesmo material.

Em certa noite Dean acabou sonhando e nele contava sobre a sua vida com Rafael, desde o começo até o fim, o garoto acordou assustado pelo tal final, mas foi ai que se lembrou de que todo esse sonho era verdade. “Deuses o final da minha vida foi isso? Por que eu tive que morrer daquele jeito? Eu era tão feliz com o Rafael. E agora com será que ele está? Eu vou falar com Rupert.” Esses foram seus pensamentos logo após a lembrança ter voltado a sua mente.

Dean precisava saber de respostas então saiu de madrugada com suas roupas de dormir não se importando se o guardião estaria acordado ou não.

– Rupert abra essa porta! Preciso urgentemente falar com você. Abra, eu sei que está me ouvindo. – gritou. O guardião saiu com uma cara toda amassada denunciando que ele deveria estar em seu décimo sono.

– O que aconteceu? Por que dessa gritaria toda? – Sua voz era rouca.

– Eu me lembrei de tudo. Lembrei-me da minha morte e lembrei-me de como ele sofreu me vendo morrer. Rupert eu preciso voltar, eu preciso falar com Rafael, eu preciso vê-lo. Isso tem como? – Perguntou.

– Sim, tem como, mas... – Dean o interrompeu.

– Tinha que ter! Sempre tem a porra do “mas” para atormentar minha vida. – E fez sinal para que o outro prosseguir.

– O problema é que eu tenho que conseguir tipo um baixo assinado com os maiorais.

– Você mesmo não pode fazer isso? – Questionou.

– Os maiorais. – Colocou ênfase na voz. – Eu sou apenas um guardião, mas eu posso tentar por você.

– Sem nada em troca?

– Sou teu guardião não posso pedir nada em troca. – Passou sua mão no ombro do garoto e olho dentro dos seus olhos. – Eu sou seu amigo, quero seu bem, o que importa é a sua felicidade e se isso te faz feliz eu tentarei.

– Você é o melhor guardião do mundo. – Lhe deu um abraço. – Obrigado.

Naquela mesma manha Rupert falou com um dos maiorais e depois de muita insistência conseguiu com que Dean voltasse a terra, porém o guardião deveria ir junto, o único que poderia ver ou ter contato com o garoto era Rafael e depois da meia noite.

Quando Dean voltou à terra junto com Rupert notou que a cidade onde morava continuava a mesma só algumas pequenas coisas haviam mudado. Eles estavam andando pela avenida, já eram dez horas da noite, Dean reparou no telão de noticias que ficava perto de um dos bancos da cidade, de começo estava passando as horas, mas depois veio o dia e o ano. Dean ficou chocado.

– Como assim já faz dois anos que eu vim a falecer? – Perguntou ao guardião.

– Eu não te falei? – Dean negou. – Bem, o planeta onde todos os mortos são abrigados tem um horário diferente do daqui.

– Ah sim, faz todo o sentido, mas custava ter me avisado antes? – Ainda encarava o telão tentando acreditar no que via.

–Eu achava que tinha te falado, mas a culpa não é só minha, pois você não me perguntou nada.

– Tudo bem. – Depois tudo ficou no maior silêncio.

Ficaram sentados em um banco até dar onze horas e depois caminharam para a antiga casa de Dean, pois o garoto tinha esperanças que Rafael ainda morasse lá. Caminharam com calma vendo a beleza da cidade.

Quando chegaram a casa faltavam dois minutos para a meia noite, entrar e se depararam com a cena: Rafael com uma corada no pescoço e em cima de uma cadeira. Era meia noite. Dean gritou. Rafael olho, mas já era tarde demais ele tinha pulado.

– Sinto muito. – Falou Rupert depois de um longo tempo de silencio, onde demorou muito para as lagrimas de Dean cessarem.

– Não sinta, acho que isso foi meio que uma brincadeira do destino. Tipo, ele chorou em minha morte e agora eu choro com a dele. – Disse voltando a ficar com os olhos marejados. – Vamos voltar, não aguento mais ficar aqui. – Antes de finalmente partirem o guardião falou:

– Talvez nós o encontremos em nosso mundo. Se eu falar com alguns dos maiorais e eles concederem vocês podem até morar juntos. – Dean ouviu aquilo sem muita animação.

– Você já fez demais para mim, não quero que seja rebaixado ou coisa do tipo. – Deu de ombros, mas antes de sair tirou o corpo de Rafael do local onde estava pendurado, o colocou no sofá, deu-lhe um beijo na testa e falou em seu ouvido “Durma em paz meu bem”.

Eles voltaram para o lugar onde habitavam, Dean foi direto para sua casa arrasado, não queria falar nem ver ninguém, ele queria ficar isolado com a sua dor. Rupert não gostando da situação de seu amigo e protegido foi falar com a coordenação para ver se eles poderiam liberar Rafael.

Não foi nada fácil ele teve que insistir muito e também teve que renunciar sua evolução de cargo, pois ele estava prestes a se tornar um maioral, mas pela felicidade de seu protegido renunciou.

Rafael por ter se matado não tinha um guardião, ele vivia sozinho em uma parte daquele mundo, mas ele não perdeu as memórias. Todos que cometiam suicídio não tinham as memórias apagadas para pensar, por toda eternidade, na burrada que tinha feito.

Rafa estava pensando na voz que o chamou quando se matou. “Eu a ouvi direito. Tenho certeza que era a voz do Dean, mas como? Será que é possível dele estar aqui também?” se perguntava.

De repente ele viu um homem se aproximando ficou um pouco assustado por saber que existia mais pessoas naquele lugar com ele.

-Licença, por favor, me diga que é o Rafael. – Implorou. – Não aguento mais andar nessa merda.

– Sim, eu sou Rafael. – Disse desconfiado e o olhando torto.

– Que bom, pelo menos achei um. Por acaso você conhece um rapaz chamado Dean? – Perguntou um pouco ofegante.

– Sim, eu o conhecia era meu namorado, ele foi morto por um babaca. – Encarou o chão.

– Porra, aleluia, eu te encontrei. Vamos seu namorado o espera. – Puxou o braço de Rafael indicando para que ele levantasse.

– Você só pode estar de brincadeira comigo, solte-me. – Rafa não acreditava que aquilo poderia ser verdade.

–Você quer ver o Dean ou não? Se quiser tem que confiar em mim. – Mesmo com o pé atrás confiou no homem. – A propósito eu sou Rupert, guardião do Dean.

–Eu não tenho guardiões. – Murmurou.

–É claro que não, você cometeu um erro, mas eu meio que o cobri para você. – Disse sorrindo.

–Por que o cobriu para mim? – Perguntou.

–O Dean está muito triste, dá até dó de o ver daquele jeito. Por isso eu renunciei meu cargo para trazer você de volta para ele. – A esperança e a felicidade voltaram à ativa no corpo de Rafael, ele ainda não acreditava muito no que o outro dizia, mas assim sua alma pareceu sair do estado pesado em que estava e começou a ficar mais leve.

Andaram por um tempo, na verdade muito tempo, até que chegaram a um local com duas casas de madeira e com uma bela cerejeira florida de “jardim” nela havia um garoto encostada observando o lindo pôr do sol.

Foi uma atitude espontânea e sem nenhum comando Rafael correu até Dean e o abraçou por trás, o garoto surpreso pela invasão de privacidade na mesma hora desvencilhou o abraço e olho assustado para a pessoa. Ficou surpreso, estava praticamente de queixo caído. Dean pegou na gola da camiseta de Rafael e o beijou, era um daqueles beijos de tirar o fôlego.

–Eu jamais irei te deixar novamente. – Disse Dean quase chorando e puxou Rafa para um abraço muito apertado.

Rupert observava a cena com um grande sorriso no rosto e com aquele sentimento de dever comprido, decidiu deixar os meninos mais a vontade e voltou para sua vida solitária. O lindo casal ficou muito tempo ali conversando, se beijando e abraçando. Eles queriam ficar juntos o máximo possível para compensar o tempo perdido.

Quando foram para dentro da casa fizeram uma coisa que estava muito em falta para ambos: sexo. Seus corpos não precisavam mais de roupas, suas bocas trocavam os sabores, seus toques eram leves e sedentos. As palavras salientes jogadas ao vento, a união de corpos era em um encaixe perfeito. O prazer que sentiam era uma coisa anormal, eles estavam realmente felizes juntos, eles eram almas gêmeas que estão ligadas uma na outra e nem mesmo o destino podem as separar. No meio da noite Dean falou:

–Rafael eu te amo muito. – O beijou.

–Eu também te amo meu garoto. – Devolveu o beijo.

–Sabe, eu acho que o amor tem muitas barreiras a ser vencidas e agora estamos aqui juntos, isso quer dizer que nós somos vencedores no jogo do amor, não é? – Perguntou Dean acariciando a mão pelo peitoral do outro.

–Sim, nós vencemos todas essas malditas barreiras, meu amor. – Deu-lhe um beijo na boca e depois na testa. – E agora podemos saborear a nossa conquista juntos.

E assim foi o resto de toda a eternidade do casal, sendo feliz com a companhia um do outro, se amando em todas as noites possíveis e o mais importante nenhum deles deixou aquele amor desfalecer.

Notas finais
Como eu acabei me sentindo um monstro com o final de "Um conto qualquer" eu resolvi fazer essa pequena continuação. Espero que tenham gostado.
Qualquer erro me avisem e obrigada por ler até aqui. :)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!