Um Buquê de Flores para Tenma

1 Capítulo 1 — Lírios da pureza


Notas iniciais
Bem, essa é a minha primeira fanfic sobre Inazuma Eleven e eu nem sei se estou fazendo direito.
De qualquer forma (se alguém ler) me digam se ficou bom, se há algo que precisa melhor, como ficou a dinâmica de leitura ou se ficou muito grande.
O capítulo não está betado, então qualquer erro podem me corrigir também.

Boa leitura a todos!

— Você o quê? — Questionou Tenma incrédulo enquanto olhava para o seu colega de time bem a frente dele. Estava sentindo um misto de surpresa, confusão e incredulidade. Definitivamente não estava em seus planos estar naquele estabelecimento a essa hora da noite recebendo uma bomba daquelas.

Seu olhar se desviou para suas mãos que esfregavam nervosamente uma na outra. Na outra ponta, o defensor da Raimon Eleven bebia calmamente o café que acabou de pedir, mantinha um sorriso vazio no rosto e seu cabelo estava desajeitadamente amarrado, como se o penteado tivesse sido feito as pressas, ainda havia alguns fios rebeldes que escapavam.

— Fuji de casa. — Respondeu Kirino dando de ombros e dando outro gole no seu café. Estava bem amargo, sem açúcar ou creme a alta temperatura da bebida acabava por ralar a sua língua, porém ele continuava bebendo. Olhando de relance, Tenma notou que a caneca tremulava levemente.

Um silêncio se instaurou entre os adolescentes exceto pelo irritante barulho que Kirino fazia com os lábios quando tomava um pouco de café, era óbvio que ele detestava aquela bebida, então por que continuava tomando como se fosse a coisa mais deliciosa do universo? Não entrava na cabeça de Tenma, várias coisas não entravam. Errado. Estava tudo errado ali. O pensamento fez com que seus punhos se fechassem firmemente e ele rangeu os dentes um no outro antes de voltar o olhar para seu veterano seriamente.

— Por que está me contando isso? — Perguntou francamente tentando o possível para não soar grosseiramente. Ora, queria estar em casa uma hora dessas, dormindo. Não tinha intimidade o suficiente com Kirino para atender um telefonema às dez da noite.

— Eu precisava contar isso para alguém. — Comentou calmamente girando a caneca na mesa. O rangido que fazia a porcelana friccionando com a madeira estava deixando o adolescente mais novo louco.

— Pensei que era mais íntimo do Shindou-senpai ou do Sangoku-senpai. — Retrucou confuso enquanto coçava seus cabelos cor de chocolate.

— Eles... Eles iriam ficar decepcionados comigo. Principalmente o Shindou. — A voz do defensor vacilou por alguns instantes e Tenma podia jurar que ele ia começar a chorar ali mesmo, porém foi surpreendido quando a expressão do outro suavizou. — Eu só queria desabafar com alguém sem ser julgado por isso.

Naquele momento o coração do menino derreteu com as palavras do seu veterano, se tornara bem sensível para ignorar aquilo. Mas não podia negar que estava surpreso por Kirino estar tão sozinho a ponto de dizer uma coisa tão séria a alguém que mal conhecia, se não conhecesse Kirino diria que ele era imprudente.

Imprudente é realmente algo que o defensor nunca foi. Sempre tão cauteloso e atento aos detalhes, pensava duas, três vezes antes de realizar uma ação e sempre foi o mais sensato do time. Deve ser por isso que estava tão sério à confissão do rapaz.

— E onde você vai ficar?

— Eu não sei.

Tenma o observava perplexo. Ao lado de Kirino havia uma bolsa de esportes enorme que parecia estar cheio de coisas, que não era de futebol supôs o garoto. Kirino dizia as coisas com tanta naturalidade, mas o tremor que a caneca fazia quando ele a levantava já o entregava completamente.

— Não conte isso pra ninguém. — A voz suave o despertou dos seus devaneios e Tenma o encarou com mais severidade. — Principalmente ao Shindou, por favor.

— Eu não faria isso. — Prometeu o meio-campista sinceramente. Não é como se os problemas de Kirino fossem da sua conta, estava apenas oferecendo um ombro amigo, não se via no direito de se meter naquilo.

Durante mais alguns minutos os dois rapazes continuaram conversando sobre coisas diversas. Entre os assuntos estavam os jogos que estavam se aproximando, problemas usuais de escola como exames e trabalhos, até mesmo sobre planos para o futuro, uma vez que esse ano era o último de Kirino, não era incomum vê-lo falar sobre vestibular.

Mas o fato de Kirino tem fugido de casa não entrou mais na conversa dos dois, o jovem de cabelos rosados não fazia nenhuma menção de que daria mais respostas e Tenma tinha medo de acabar invadindo o espaço do outro, embora ficasse incomodado com várias coisas. Entretanto, sua preocupação acabou sendo mais forte que ele quando convidou o defensor para dormir em seu quarto essa noite.

Kirino não tinha lugar para ficar e não estava em condições para dormir na praça, não iria se perdoar se fosse dormir na sua cama confortável aquela noite e deixar o amigo a mercê da sorte. Ele tinha que fazer isso, sabe? Ele tinha.

Os assuntos que eles conversavam eram tão variados, mas ao mesmo tempo tão superficiais, Tenma não conseguia entender por que ele foi escolhido por Kirino uma vez que os dois não tinham intimidade alguma. Aquilo o incomodava profundamente. Foi no meio de uma conversa aleatória sobre futebol que Tenma ouviu seu celular tocar e engoliu em seco ao ver que se tratava da Aki.

Era quase meia-noite. Como o tempo passou tão rápido assim?

— Alô? — Atendeu receosamente.

Tenma! Onde você está?! Sabe que horas são?! — A voz aflita de Aki chamava do outro lado da linha fazendo o coração do moreno apertar. Aki era mesmo uma mãezona, sempre preocupada com ele.

— Desculpe, Aki. Estou com um amigo, perdemos a noção do tempo. — Respondeu se sentindo culpado.

Um silêncio absoluto se fez do outro lado da linha, Tenma apenas sabia que não havia caído a ligação pelo som suave da respiração da moça.

Ele? — Perguntou hesitante.

— Não. — O olhar do garoto caiu e sua voz vacilou brevemente. Um baixo suspiro de “oh” pôde ser ouvido do outro lado. — Aliás, quero levar esse amigo para dormir no meu quarto essa noite, posso?

Claro, não precisa pedir.

Depois de um breve agradecimento e uma despedida, Tenma prometeu que iria para casa imediatamente, afinal, amanhã era dia de escola e quanto mais tarde ele fosse dormir, pior seria para acordar no outro dia. Sinceramente, não é como se Tenma estivesse preocupado com isso naquele momento.

— Tenma, tem certeza que posso dormir lá? Eu não quero incomodar, sabe disso. — Era a primeira vez naquela noite que podia notar uma insegurança na voz de Kirino. Será que sua consciência começava o alertar sobre o erro que cometeu?

— É claro que sim, Aki é uma pessoa boa, vai ver.

Por sorte, Aki não fez tantas perguntas, ela também estava ansiosa para ir dormir, mas sua preocupação a fez ficar acordada. Havia um colchão extra embaixo da sua cama que cabia perfeitamente no chão ao seu lado, então o preparou para seu veterano.

Naquela noite não estava conseguindo pregar o olho, virou-se para o defensor e via que ele dormia tranquilamente virado pra parede, mas sua cabeça rodava com tudo que havia acontecido recentemente. Ele precisava conversar com alguém. Urgentemente. Sentou-se na cama e pegou seu celular, escondendo-se debaixo das cobertas para o brilho não acabar acordando o companheiro.

Vamos ver, chamar Shinsuke ou Aoi estava fora de cogitação.

Poderia ligar para Kyousuke...

Não mesmo.

Taiyou definitivamente saberia o que falar em uma situação dessas e ele não estuda na Raimon, portanto não teria problema em contar. Confiava todos seus segredos a ele. Era isso, ele era perfeito.

Suspirou profundamente enquanto olhava o contato do amigo. E fechou a tela do celular. Não podia trazer mais aquele problema para ele, seu coração apertava ao se lembrar do susto que levou quando o corpo dele vacilou enquanto corriam no parque. Taiyou o tranquilizou dizendo que aquilo era comum acontecer, mas desaparecia com o tempo, e isso não o convenceu.

Passou a mão pelo rosto e pelos cabelos. Estava realmente sozinho? Nunca pensou que as coisas chegariam a esse ponto, sempre foi uma pessoa tão sociável.

Sem mais opções, ele agarrou seu laptop e o ligou. Não ia conseguir dormir de qualquer jeito. Não era exatamente viciado em tecnologia, mas havia um blog de poesias que ele seguia religiosamente. Era como se essas pessoas soubessem exatamente o que ele sentia e havia uma habilidade mágica de colocar isso no papel. Abriu um sorriso ao ver que havia atualizado e ao ver a hora da postagem foi em poucos minutos.

Apolo.

Poderia mandar uma mensagem para ele, talvez tivesse online. Um blush rosado apareceu em seu rosto com esse pensamento, era idiotice. Apolo era um dos poetas mais famosos do site, deve receber milhares de mensagens por dia, acho que sequer as respondia mais.

Bem, mas não custava tentar, certo?

Abriu a caixa de mensagens e ficou por um bom tempo encarando a tela do computador como se esperasse que a mensagem se escrevesse sozinha.

O que posso escrever para ele? Que gosto bastante das suas poesias, que sempre me fazem refletir... Não, isso é muito clichê, tenho certeza que ele recebe muitas mensagens como essa por dia.

Respirou profundamente uma, duas vezes antes que seus dedos automaticamente digitassem.

“Olá, você não me conhece, mas sou um grande admirador dos seus poemas. Li todos até agora, mas seu último me atingiu diretamente, você é realmente muito sensível com as palavras. Oh, bem, você provavelmente deve ouvir esse tipo de coisa o tempo todo. Isso é embaraçoso, mas eu não me sinto muito bem ultimamente e queria falar com alguém...”

Fez um estalo com a língua de frustração, isso estava horrível, não queria dar a impressão de ser uma pessoa tão carente. Apagou toda a última linha antes de continuar.

“Isso é embaraçoso, eu gostaria de saber se você responde todas as mensagens que recebe. Eu só queria que você soubesse que está fazendo um excelente trabalho!”

Bateu as teclar nervosamente apagando toda a última linha novamente... Estava pressionando demais.

“Eu só queria que você soubesse que está fazendo um excelente trabalho, suas poesias falam comigo.”

Nem viu o momento em que clicou para enviar a mensagem e logo mudou de aba, procurando qualquer coisa para ver, algum vídeo de cachorros. Seu coração estava acelerado e cogitou a possibilidade de apagar sua conta e sumir do mapa.

Não demorou nem dez minutos quando viu a notificação na aba do blog, o rosto de Tenma ficou profundamente vermelho e ele soltou uma exclamação. Rapidamente tampou a boca e olhou para seu companheiro ao lado, Kirino permanecia imóvel na mesma posição de antes, então suspirou aliviado de que não havia o acordado. Sem esperar mais, clicou na aba para ver a resposta.

De: Apolo

Estou sempre feliz de ver que minhas poesias afetam aqueles que precisam. Muito obrigado pelas suas palavras gentis e incentivadoras.

Sinta-se livre para me enviar uma mensagem a qualquer momento.

Tenma teve que levar uma mão ao peito para ter a certeza de que ele não iria escapar, pois era possível ouvir os ecos de suas batias ressoando pelas paredes. Apolo realmente estava falando sério quando disse que podia enviar mensagem? Talvez tenha sido só gentil, mas naquele momento não estava com vontade de recusar nada.

“Bem, estou adorando a série de poesias que você está escrevendo sobre os tons nas linhas do coração. Particularmente essa noite estou me sentindo no tom cinza.”

Ele enviou sentindo novamente seu coração disparar. Estaria assim tão desesperado a ponto de desabafar com qualquer um? Era mesmo loucura o que estava fazendo. Não demorou nem cinco minutos quando o ícone de notificação alertou nova mensagem.

De: Apolo

Cinza... Eu sinto muito por ouvir isso. É uma das fibras mais doloridas dentro do nosso coração, por ela passam inúmeros impulsos elétricos. Não quero fazer suposições de nada que esteja passando agora, meu amigo, mas mantenha o queixo erguido e passe o maior tempo possível com quem te faz bem apenas.

Eu tenho uma fraqueza por pessoas que se identificam com a linha cinza, devido a sua posição escondida ela tende a ser ignorada pelas pessoas, o que pode ser bastante perigoso. Sempre que precisar de alguém para conversar venha até mim, garanto que irei responder quando puder. Eu mesmo luto contra isso todos os dias, sei que temos muitas experiências que podemos compartilhar.

Tenma sentiu que iria explodir de tanta felicidade que não pôde conter um largo sorriso, algo que não conseguia fazer desde que acordou essa manhã. Apolo realmente queria manter contato com ele e isso era simplesmente incrível. E ele era tão gentil e doce com as palavras, não é atoa que faz os mais belos poemas do blog.

“Claro que eu gostaria de manter contato com você. Muito obrigado por essa mensagem, estou me sentindo menos sozinho agora graças a você.”

A resposta veio mais rápido do que esperava.

De: Apolo

Fico feliz de ouvir isso.

Me diga, o que se passa em sua mente agora?

Não conseguiu evitar passar a maior parte da noite conversando com Apolo até notar que era quase três horas da manhã e já teria que ir pra cama. Para evitar acidentes no dia seguinte, decidiu despedir-se dele para ir dormir.