Um Brinde Para Nunca Crescermos.
3 Capítulo 3
No dia seguinte, todos estavam esperando ansiosamente para Kakashi entrar, iriam xingá-lo, gritar e fazer de tudo até que ele os colocassem nos lugares "normais". Mas, sabiam que iriam ter que esperar, afinal, Kakashi sempre se atrasava.
— Não acredito que fui obrigado a me sentar aqui'dattebayo. — resmungou Naruto. O loiro estava sentado no meio da sala, na última carteira e atrás da pequena Hyuuga. Sasuke estava atrás de Deidara, na fileira da porta, segunda carteira, Sakura e Ino não haviam sido separadas, porém estavam na fileira ao lado de Deidara e Sasuke, na mesma direção. Kankuro se encontrava na primeira carteira da fileira da janela e Kiba na última carteira, na mesma fileira de Kankuro. O grupo havia sido totalmente separado. — Ino! Como pode isso? — indignou-se Sakura, aos sussurros. — Pelo menos não fomos separadas, Sakura. — Mas ah! Olha quem está do nosso lado. Era o fim para a menina de fios rosas, como iria sobreviver o resto do ano ao lado de Uchiha Sasuke e Deidara? Eram dois idiotas no mesmo nível, apesar de achar que Deidara superava Sasuke algumas vezes. — Fale na cara! — interrompeu Deidara. As duas o olharam com as bochechas vermelhas. Foram "pegas no pulo", podemos dizer. — N-não estamos f-falando nada demais! — gaguejou Ino. — Eu ouvi o meu nome, suas fofoqueiras. — Cale a boca! — disse Sakura, agora se irritando — Tenho nojo quando pessoas como você falam comigo. — E eu tenho enjoos... — começou Sasuke — .. quando vocês falam comigo. Agora era Ino que sentiu seu sangue borbulhar. Quem aquele garoto pensava que era para falar daquela forma com as duas? Notou Deidara cair na gargalhada e olhou para Sakura que abaixou a cabeça, parecia que os olhos da Haruno haviam se enchido de lágrimas, e Ino sabia o porque. A loira se levantou da cadeira e voou no Uchiha.Iniciou-se a guerra na sala de aula. Ino tentava de todas as formas possíveis tentar bater em Sasuke, que ria se defendendo com o próprio caderno nos locais em que a Yamanaka tentava acertar. Deidara apenas ria da situação, Sakura continuava com a cabeça abaixada e em silêncio, com as palavras de Sasuke ecoando em sua mente. Naruto observou a gritaria na frente da sala, viu Sakura e ficou confuso. Queria ir até lá e perguntar o que ela tinha, mas assim que se levantou, observou Hinata se virar para ele, se sentou de novo. Não ia deixá-la falando sozinha. — Na... Naruto-kun. — Sim, Hinata? — perguntou, com um sorriso. — A-ah, é que eu e Kiba-kun e-estamos sem um membro n-no tra... trabalho de... — Desembucha'ttebayo. — ele riu. Hinata corou e abaixou os olhos para o chão. — Oh, desculpe! — disse — Não foi intenção minha... — S-sem problema. A Hyuuga se virou para frente e sem dizer mais nenhuma palavra. Naruto sentiu-se mais culpado do que nunca por ter falado daquela forma com a menina, mas não foi intenção. Kiba havia escutado a conversa e sabia o que viria depois disso, mas resolveu não tocar no assunto. — Ohayo, meus queridos alunos.Na entrada os passos de Kakashi começaram a se tornar mais lentos conforme os olhares malignos o notaram. — SEU FALSO! — berrou Kiba — COMO PÔDE FAZER ISSO COM A GENTE? Kakashi continuou com o sorriso. — Do que estão falando? — KAKASHI-SENSEI, EU VOU TE MATAR! — vários alunos começaram a dizer a mesma coisa.O homem olhou para eles, esforçando-se ao máximo para manter o sorriso na tentativa de acalmar os alunos, mas por dentro queria correr antes que cadernos e mochilas voassem em sua direção. Mantenha a calma... pensava.— Me desculpem, mas isso foi ordens de Jiraya-sama. — ERO-SENNIN? COMO ASSIM'TTEBAYO?— Jiraya-sama é o novo diretor da escola, ele não disse? — o professor estava surpreso.— Sabe quando você desiste da sua vida? — comentou Kankuro no meio dos olhares surpresos — Então, é agora que isso está acontecendo comigo.Começaram a discutir sobre isso, mais do que irritados. Jiraya havia enganado os alunos de cabo a rabo. — Quero sair desse lugar. — disse Ino.Sakura finalmente levantou a cabeça, olhando para a amiga.— Por que, Ino? — perguntou o homem.— Estou perto desse moleque. — apontou para Sasuke — E simplesmente não o suporto.Alguns riram.— Só por isso? — Kakashi arqueou as sobrancelhas — É melhor assim. Pelo menos não tem com quem você conversar. — O quê?! Eu me recuso. Ino se levantou, fazendo com que seus fios loiros se balançassem e o perfume doce deles expandirem-se por toda a sala. Vários garotos suspiraram ao sentir.— Por favor, Ino, sente-se. — pediu Kakashi, entediado.— Não! Simplesmente é como uma ofensa para mim ficar perto dele.Sasuke revirou os olhos.— Ino, fique aqui... — sussurrou Sakura.Mas a loira realmente não queria. Se Sakura queria ficar ali ouvindo as indiretas e ofensas do Uchiha e de seu amigo, ela que ficasse onde estava, mas Ino não iria suportar ver Sakura ficar daquele jeito toda vez que os comentários de mau gosto surgissem, e, provavelmente voaria de novo pra cima de Sasuke ou Deidara.
— Isso é frescura. — rebateu Sasuke.A garota olhou para ele, a cor azul dos olhos pareciam estar se tornado vermelhos, como se estivessem em chamas só de ouvir a voz do Uchiha. Deidara estremeceu, mas Sasuke continuou: — Qual o problema de ficar aqui? — perguntou — Ou você só está tomando as dores da sua amiguinha? Sasuke estava simplesmente jogado em sua carteira. Um dos braços estavam em cima da cadeira, a outra mão estava servindo de apoio para sua bochecha e as pernas abertas e jogadas no meio do espaço entre a sua fileira e a do lado. Um desleixado. — Cale-se. — ouviu a voz de Sakura. Olhou para Sakura, ela havia abaixado sua cabeça de novo, com os fios rosas escondendo seu rosto, a mesma olhava para sua carteira. O garoto riu, ela tinha mesmo o mandando se calar? Que piada, pensou. — Uhh, se irritou? — perguntou. — Cale-se, Sasuke. — repetiu Sakura. Uma das coisas que o irritava em Sakura e Ino, era o fato de as duas não usarem nenhum sufixo com ele, como se ele fosse um qualquer. — Você acha que é quem, Sakura? — E você... — começou a levantar a cabeça, sem olhar para ele — Pensa que é quem? Agora a sala toda estava em silêncio. Sakura e Sasuke nunca haviam se falado daquela forma. Ele sentiu uma certa raiva. — Olhe bem as suas palavras. — retrucou. — Olhe bem as suas. — rebateu a menina — Você acha que eu sou o quê, Sasuke? Uma de suas mulheres? Não, não sou e nunca vou ser. — e riu friamente — Eu não sou louca. Sasuke deu uma risada alta, como se aquilo fosse a coisa mais hilária que ele já tivesse ouvido. — E desde quando quero uma irritante como você? Sakura fechou forte seus olhos por um segundo, tentando segurar as lágrimas. — SASUKE! — gritou Naruto — Como pode falar desse jeito com a Sakura-chan?! — Sakura-chan? — repetiu Sasuke — Sakura... chan? — e começou a gargalhar. Mas a risada do Uchiha se silenciou assim que um livro foi arremessado em seu rosto e o fazendo bater sua cabeça na parede. Agora todos começaram a rir. Sakura havia perdido a paciência e logo depois do livro, mandou seu estojo, caderno e por fim, a mochila. — Chega. — disse Kakashi, em voz alta — Deidara, Kankuro, Sasuke, Sakura, Naruto, Ino e Kiba, pra fora. — MAS O QUE EU FIZ'DATTEBAYO? — POR QUÊ? — QUE INJUSTIÇA É ESSA? — Não vou repetir. Kakashi estava sério, e isso amedrontava a sala, já que o professor estava sempre sorrindo. Os 7 alunos saíram, deprimidos, exceto Sasuke que estava até feliz em sair, assim poderia quebrar o pau com a Haruno sem interrupções. Assim que saíram, Kiba, Kankuro, Deidara e Naruto foram para um lado, Ino, Sakura e Sasuke para outro. Sasuke segurou o braço de Ino com força antes que ela pudesse ir embora. — Me solte, idiota! — disse a loira. — Isso foi tudo sua culpa, e idiota é você. Sakura não queria ficar mais ali vendo os dois discutirem, queria distância. — Minha culpa? Não! A culpa foi do Kakashi-sensei em me colocar perto de você. — A culpa na verdade foi dessa... — olhou para Sakura com desprezo — Dessa sua amiga em ficar me tacando as coisas. — Dessa amiga? Olhe como fale de mim! — intrometeu-se Sakura. — Sasukeeee! — escutaram. Era Deidara, no fim do corredor. — Vamos logo, desgraçado. Pare de ficar andando com essas coisas. — COISAS?! — gritou Ino — COMO OUSA? — Tem razão... — disse Sasuke. O garoto largou o braço de Ino e deu as costas para as duas, e as garotas fizeram o mesmo. Pareciam crianças, não só eles, mas como todos os 7 que saíram da sala. Dentro da mesma agora estava um silêncio total, e Kakashi dava a aula de história, substituindo Kurenai com tranquilidade. Todos que restaram pareciam felizes sem os que saíram, estava tudo calmo. Hinata estava de cabeça baixa e escrevia sem parar em seu caderno. As palavras que ela escrevia se misturavam com as lágrimas que caíam, e acabavam borrando, mas ela continuava. Era um desabafo. Sobre a sua vida, seu amor não correspondido. Fechou seu caderno, não queria continuar a escrever. Aquilo era doloroso para a garota. Admirava o Uzumaki desde os 5 anos de idade, mas nunca pôde se aproximar dele sem que desmaiasse, corasse ou gaguejasse. Era uma coisa intensa, muito forte que ela não conseguia aguentar. Apenas Kiba e Shino sabiam disso tudo, e se contasse para Neji, haveria uma briga entre eles. Tinha que se controlar e ser forte, era o que ela pensava, precisa esquecer tudo isso. — Bom, é isso por hoje. E não se esqueçam do trabalho de história, é para o mes que vem. — disse Kakashi, com seu sorriso natural no rosto. A terceira aula passou com Asuma, dando Matemática. O homem era moreno e alto, e tinha um sorriso contagiante sempre, como se a vida sempre estivesse "de bem" com ele. E por falar em Asuma, um dos seus pontos fracos era Kurenai, estavam noivos. E os alunos sempre faziam de tudo para perguntar à ele sobre a professora, para deixá-lo envergonhado. Ino era a principal que o deixava extremamente roxo, por serem amigos fora da escola, ela tinha uma certa liberdade em dizer coisas do tipo. Assim que a aula passou, veio o intervalo. A pequena Hyuuga se direcionou para os fundos da escola, onde sempre ficava e ninguém exceto Kiba e Shino, a encontrava. Assim que se sentou lá, dobrou os joelhos e colocou os braços em cima, logo depois a cabeça, se apoiando neles, deixando todo seu cabelo negro cobrir seu rosto e um pouco do corpo, e, finalmente, caiu em um choro baixinho, quase inaudível.
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