Um Bonito Amor
43 Saudades daquele amor
Notas iniciais
POV GILDA ON...
Eu não tenho ideia do que possa ter acontecido comigo, só sei que ao abrir meus olhos sinto um forte incômodo com a luz que se propagava naquele lugar.
" O que será que aconteceu?"
A única lembrança que tenho é de quando eu sai arrasada do apartamento de Raul e logo um forte clarão surgiu. " Um acidente? Sim, isso poderia ser".
Me remexo naquela cama estranha e logo vejo mãe Cecília que tinha sua cabeça encostada no cantinho daquela cama ao meu lado. Ela parecia cansada, " Quanto tempo eu estava ali? Não seu dizer". Me remexo um pouco buscando me sentar, e então minha mãe desperta totalmente assustada ao me ver.
— Filha? Você acordou? — Diz ela em um misto de surpresa e alegria. Me deu um abraço delicado.
— O que houve? — Pergunto olhando em volta.
— Você sofreu um acidente, mas apesar da gravidade você e o bebê estão bem. Responde.
Céus, o bebê, que medo de perdê-lo, por Deus ele estava bem. Suspirei aliviada.
— E quanto tempo estou aqui? — Pergunto ainda um pouco desnorteada.
— Hum... — Ela pensa. — Acredito que umas 48 horas. Você estava sedada. como se sente?
E, esfregando os olhos, digo:
— Me acostumando com a luz.
— Deve ser porque ficou um certo tempo sem abrir os olhos. — Ela se levanta de onde estava. — Espera, vou chamar o Doutor para que te revise, volto já!
Ela disse, em seguida dirigindo-se para a porta, logo sumindo do meu campo de visão.
Enquanto esperava minha mãe voltar como o Doutor, acabei por pensar naquela noite na casa de Raul, a esse momento eu queria esquecer, mas vinha com tanta força em meus pensamentos que não contive minhas lágrimas e, acabei chorando muito. Quando me dei conta, mãe Cecília já estava entrando naquele ambiente com o médico ao seu lado. Não consegui disfarçar as lágrimas e minha mãe havia percebido que eu estava chorando e, logo veio correndo para meu lado.
— Por que está chorando meu amor? Não, não chore. — Diz ela carinhosamente, apoiando minha cabeça em seu ombro.
— Aquela noite mãe... Eu.. O Raul.. — Tento dizer algo, mas sinto nó enorme na garganta.
— Não falemos disso agora meu anjo, o Doutor vai te examinar e depois você me conta tudo.
Assenti. Logo, o Doutor se aproximou de mim e pôs umas coisa estranhas no meu pulso e em seguida uma luz nos meus olhos que deviam estar vermelhos devido ao choro. E, depois de algum tempo me examinando, ele parecia satisfeito. E disse:
— Você está indo bem Gilda, logo, logo voltará para casa.
— E está tudo bem com o bebê também? — Pergunto.
— Sim, muito bem. A pancada basicamente foi artificial porque a velocidade estava média, então não chegou a prejudicá-los em graus maiores. Não se preocupe, vocês estão bem. — Responde o Doutor.
— Obrigada Doutor! — Diz minha mãe contente.
— Por nada, esse é meu trabalho. Bom, agora vou ver meus outros pacientes. — Ele disse e concordamos. Em seguida saiu dali.
Minha mãe ficou esperando que eu dissesse algo, mas eu simplesmente não consegui mais dizer nada sobre aquele dia.
— Quer me contar o que aconteceu no apartamento de Raul? — Perguntou ela com o semblante preocupado.
Então começo lhe contando tudo o que aconteceu naquele dia. Minha mãe respirou fundo, era óbvio que ela havia ficado irritada.
— Eu não acredito que ele foi tão cruel, quer dizer, como ele pôde fazer isso com você, sem dar a chance de você se explicar? Ah, mais ele vai me ouvir. Ainda bem que ele ainda não chegou porque agora que sei de tudo, não irei ser cordial com ele. — Diz irritada.
— Ele... Ele está vindo pra cá? — Pergunto ao perceber que ela havia mencionado isso.
— Sim, ligou mais cedo e pediu o endereço do hospital em que você estava, eu dei porque queria saber o que havia acontecido, mas até agora ele não chegou. — Explica ela.
— Talvez você tenha razão, mas acho que Raul não quer mais saber de mim, depois que o vi com Mariza acho que já esqueceu de mim. — Digo sentindo um nó na garganta.
— Não pense assim filha, verá que quando saiba desse bebê, irá repensar todo o mal, você vai ver. — Minha mãe diz confiante e eu assinto.
Depois dessa conversa com minha mãe, havia ficado pensativa, " Será mesmo que Raul repensaria quando soubesse que estou esperando um filho dele?" Na verdade ainda não tenho certeza. E apesar de tudo, mesmo ao ver que ele estava nos braços de Mariza eu queria tanto que ele estivesse aqui comigo, mas talvez ele não virá.
Depois de algum tempo sozinha no quarto, Raimundo entra sorridente.
— Olá princesa mais linda, como está? — Ele diz esboçando um largo sorriso e eu retribuo.
— Raimundo, você ainda por aqui? — Pergunto ao perceber que ele estava ali já há bastante tempo.
— Sim, estou te acompanhando. — Responde, sentando na cadeira ao lado da minha cama.
— Você sabe que não precisa, minha mãe está comigo e eu não quero que você perca seu tempo...
— Hey! Não fala isso, você não é uma perda de tempo, aliás, todo segundo com você é valioso.
Ele diz de forma estranha, como se tentasse me beijar.
— Raimundo, não, isso não. — Evito que continue. — Estou agradecida com você, mas não quero que confunda as coisas.
Observo que ele respira fundo, mas tenta disfarçar.
— Está bem, me desculpe. Eu não devia ter sido tão audacioso.
— Tudo bem. Você se tornou um amigo e demonstrou isso agora que ficou comigo todo esse tempo. — Digo sincera.
— Ah, amigo. — Diz com desconsolo.
— Você sabe que é o único que posso te oferecer, não sabe? Minha amizade. — Digo, segurando as mãos dele.
— Sim, me desculpe, eu entendo. Sei que é o dono do seu coração.
Senti meu coração pulsar forte. Soltei minhas mãos das suas e tentei disfarçar minha inquietação.
— A propósito, ele não vai vir? — Pergunta, mas eu não o respondo. — Quer dizer, ele está chateado, orgulhoso por tudo aquilo com a mãe dele, mas, você não acha que se ele realmente gostasse de você, não estaria aqui? Você teve um acidente, qualquer um que se diz gostar de alguém quebraria o orgulho para estar com a pessoa nesse momento. — Disse.
Raimundo poderia ter razão, e por um segundo duvidei do amor de Raul.
— Não sei Raimundo, ele tem os seus motivos. — Digo sem encará-lo.
Raimundo passa seus dedos por meu queixo e se aproxima outra vez de mim.
— Raimundo, por favor não tente. — Digo o afastando delicadamente.
— Está certo, me desculpe, me excedi outra vez. — Diz se afastando.
— Bom, tudo bem. — Digo sem graça.
— Ser seu amigo já me basta. — Ele diz esboçando um sorriso sincero.
Ele me deu um abraço, e em seguida se retirou daquele quarto de hospital.
DOIS DIAS DEPOIS...
— Aqui está as medicações e orientações, se cuide muito senhorita. — Diz o médico me estendendo uma folha com todas as indicações médicas.
— Pode deixar Doutor, irei me cuidar sim. — Digo satisfeita em sair dali.
— Bom, então vamos filha. — Disse mãe Cecília pegando algumas bolsas.
Finalmente estava de alta do hospital, me sentia super bem apesar do que eu passei, Deus havia me dado uma segunda chance e eu queria aproveitar bem, e quem sabe fosse a chance de me entender com Raul? Eu precisava falar com ele, sobre nós e nosso bebê.
Já era noite e me encontrava em meu quarto da casa da mansão, pois minha mãe não me deixou ir para meu apartamento, e pensando bem, eu já não queria estar mais lá, sozinha.
Tomei um banho e me vesti confortavelmente, em seguida me deitei na cama. Estava sem sono, e então peguei meu celular que estava cheio de mensagens em que muitas era de Lilian e Ronaldo me mandando mensagens de apoio, eles eram muito amáveis.
Continuo mexendo no celular, e deslizando o dedo sobre a tela, pairei sobre o contato de Raul. Nossa, como era difícil olhar seu nome gravado ali e não poder mandar uma mensagem. Não que fosse proibida ou coisa do tipo, eu era livre para fazê-lo, acontece que eu e Raul não estávamos em nossos melhores tempos e tinha medo de como ele reagiria se eu mandasse uma mensagem pra ele. Tentei ainda assim mandar algumas mensagens, mas acaba deletando porque não tinha coragem, e acabei desistindo, jogando o celular para um lado da cama e me virando para o outro, tentando pegar no sono.
Era inútil tentar dormir, pois meus pensamentos gritavam para que eu mandasse ao menos uma mensagem para Raul e quando eu realmente criei coragem para fazer isso, o celular notificou uma mensagem, e então sem muito interesse olhei. Era ele, meus olhos brilharam, meu corpo todo tremia, meu coração pulsava forte como na primeira vez em que ele havia me dado um beijo (mesmo que tenha sido por engano), e um sorriso largo surgiu de meus lábios. Sem hesitar abri sua mensagem.
" Sei que já está bem e em casa, preciso que venha ao meu escritório amanhã, tenho que falar com você"
Isso e nada mais, foi o que mandou, sem nenhum emoji ou algo que expressasse que estava feliz por mim, e isso me deixou preocupada e triste, e de toda forma o respondi que iria vê-lo e da mesma forma evitei mandar qualquer expressão, não queria pagar de ridícula.
Assim que enviei, nada mais ele mandou e então super pensativa me deitei na cama pensando sobre o que Raul queria falar.
" Será que era pra dizer que não me amava mais?" ou " que eu já não lhe interessava mais?". Busquei afastar os pensamentos ruins, pois também queria falar com ele e queria está positiva de que com a notícia de nosso filho ele voltaria a ser o Raul que dócil que tinha sido tão difícil de conquistar, assim eu esperava e desejava que fosse assim... Após algum tempo, peguei no sono...
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