Um Bonito Amor
37 O início de uma tormenta
Notas iniciais
No escritório eu estava um pouco desconcentrado, pois meu pensamento estava em Mariza, porque tenho certeza que irá me procurar e é aí que ela se verá comigo.
Havia me atrasado um pouco por ter me desconcentrado o dia todo, então finalizava arquivos junto com Yamilex.
— Você já pode ir Yamilex, já passou de seu horário. — Digo-a conferindo o relógio.
— Daqui a pouco senhor, estamos quase finalizando os arquivos. — Diz ela concentrada em anexar os arquivos nas pastas.
— Não quero abusar de você, e não quero que pense que sou um explorador. — Digo a dando mais alguns arquivos para anexar.
— Não se preocupe com isso, o senhor não está me explorando, estou passando do meu horário por livre espontânea vontade apenas por querer ajudá-lo, pois percebi que não estava bem o dia todo. — Disse agora me dando sua atenção.
— Você tem razão, estava muito desligado do trabalho hoje, por sorte não teve audiência, senão não sei como iria ser. — Falo anexando o último arquivo. — Prontinho.
— Viu? Foi rápido. — Ela diz se erguendo.
— Sim, obrigado! Você é muito eficiente. — Digo e ela esboça um riso vergonhoso.
— Esse é meu trabalho senhor Raul.
— Você não pensa em liderar a empresa de seus pais? — Saio com essa pergunta a ela.
— Ah, há uma espécie de hierarquia em nossa família, os homens da família lideram a empresa e depois de meu pai será Raimundo. — Confessa ela.
— Raimundo. — Digo pensativo. — Acredito que você seja muito mais eficiente e qualificada para liderar a empresa de sua família. — Falo sincero.
— Minha mãe diz o mesmo, mas meu pai quer seguir essa hierarquia. E quer saber? Isso não me interessa, nunca me interessou esse poder da família sempre quis alcançar as coisas por meus próprios pés, já faz muitos anos que não dependo do dinheiro de meu pai. — Revela e eu fico curioso.
— Mesmo? Então você e seu pai são brigados ou algo assim?
— Ah, isso não, eu amo o meu pai e ele me ama, somos unidos. Acontece que eu não gosto muito das facilidades, acredito que as coisas devem serem conquistadas com suor para aprendermos a dar valor, sempre pensei assim. — Disse ela.
Fiquei um tempo pensando o quão diferente Yamilex era diferente do tal Raimundo, ela sim tinha escrúpulos, era uma batalhadora e esse tipo de gente me agrada. Nunca tive a oportunidade de conversar assim com ela e estava sendo bem interessante em saber.
— Admiro você, realmente esse Raimundo deveria aprender mais com você. — Jogo as palavras.
— O senhor não gosta de meu irmão não é? — Pergunta retoricamente.
— Não, não gosto. — Respondo prontamente.
— É, sempre soube. Mas, Raimundo está mudando senhor Raul, ele está fazendo de tudo para liderar a empresa da familia e dar esse orgulho ao nosso pai. — Diz ela com carinho.
— Entendo que é seu irmão e que o defende, está certa. Mas, a mim ele não cai bem.
— É por Gilda não é? — Não respondo. — Bom, por isso não se preocupe, Raimundo já se convenceu de que não poderá tê-la, eu mesma o disse várias vezes que seria impossível porque via o senhor e Gilda muito felizes juntos e que ela o ama, ele comprovou e não teve outra a não ser entender que ela nunca seria dele. — Disse sincera.
Embora Yamilex me dissesse isso sobre Raimundo eu não conseguia confiar, era algo que eu não conseguia controlar, pois quando as pessoas me defraudam uma vez eu não consigo confiar mais. E dessa forma é com Raquel, Raimundo e aquela mulher que se diz minha mãe.
— Pode ser que ele tenha mudado, mas eu não sou de confiar tão facilmente nas pessoas. — Digo sendo sincero outra vez.
— Bom, deve acreditar no que quer acreditar, não irei obrigá-lo a confiar em meu irmão. Agora já vou indo. Até amanhã senhor Raul. — Se despede.
— Ate!
Yamilex, saiu do escritório e eu fiquei ali ainda organizando minha pasta com processos para ir embora em seguida. E antes que pudesse fazê-lo, alguém entra e tranca a porta.
— Mariza? — Surpreso, me levanto.
— Olá Raul! — Diz tentando ser educada.
— O que faz aqui? — Pergunto dando a volta na mesa, me aproximando dela.
— Vim ver você, ou será que não posso? — Diz ironicamente.
— Eu não quero você aqui, vá embora agora mesmo! — Falo irritado.
— Calma, Raul. Considera isso apenas como uma visita de ex secretária... — Ela se senta na poltrona. — Ou devo dizer ex... amante?
Uma raiva me consumiu e eu queria poder matá-la ali mesmo.
— Vamos, saia! — Gritei-a, a pegando pelo o braço com toda a força a pondo de pé.
— Nossa, tão violento. Você sabe onde eu quero toda essa valentia não sabe? — Se aproxima sensualmente de mim. — Como nos velhos tempos.
— O que você quer em? — Digo enfurecido apertando bruscamente seus braços. — Com que direito você acha que deve ameaçar a Gilda?
— Ah, eis que a boa puritana já foi fazer fofocas. — Ela abre um sorriso debochado. — Que idiota essa garota.
— Olha aqui Mariza, eu já expulsei você daqui uma vez e não me custa nada fazer isso outra vez. — Digo ainda segurando seus braços, mas ela se desvencilha e se afasta de mim.
— Eu não tenho medo de você e nem da sua namoradinha inútil, então não adianta me ameaçar. — Fala segura de si.
— Mariza, você sabe muito bem que não sou de ameaças, eu apenas ajo, então se você realmente preza a sua vida, fique longe da Gilda... de nós. — Ela rir. — O que é engraçado?
— Nada, apenas me deu vontade. — Ela se aproxima de mim. — Você realmente a ama tanto?
— É claro que a amo, mas que pergunta idiota é essa?
— Você seria capaz de perdoar uma traição de sua amada Gilda?
Preciso de um tempo para entender onde Mariza quer chegar.
— Não cairei em seus contos Mariza, assim que vá agora mesmo embora de meu escritório. — Digo irritado apontando para a porta.
— Por que não responde Raul, perdoaria a uma traição de Gilda Barreto? — Retorna com a pergunta.
— Isso não vai funcionar, esse truque de querer me colocar contra Gilda não vai colar, agora vai embora daqui! — Grito.
— Muito bem, irei, mas voltarei e você me dirá se a perdoaria ou não. — Ela diz e caminha até a porta tranquilamente.
Assim que ela foi embora, sinto que ela irá fazer qualquer coisa para me separar da Gilda, mas eu não cairei em seus contos, meu amor pela Gilda é mais forte que qualquer coisa, e mesmo assim Gilda seria incapaz de me trair, eu confio cegamente nela.
POV RAUL OFF...
No dia seguinte, recebi uma mensagem da senhora Muller pedindo para se encontrar comigo no café perto da minha casa, não sabia ao certo se deveria ir, já que eu não teria mais nada para falar com ela. Acabei indo e pedindo a virgem que ela não me pedisse para ajudá-la outra vez.
— Que bom que veio querida! — Disse ela ao me ver.
— Senhora, eu só vim porque...
— Eu sei filha, e me desculpe por pedir que me visse outra vez. Então irei direto ao ponto.
Ela parou um pouco e respirou fundo, como se o ar lhe faltasse.
— A senhora se sente bem? — Pergunto preocupada.
— Não muito minha filha, mas não se preocupe. Bom, eu estou indo embora outra vez, entendi que o meu filho está feliz sem mim, e eu não quero estragar isso. — Diz com fraqueza.
— Mas, senhora, e desistiu realmente de ter o perdão de seu filho? — Pergunto sentindo pena.
— Talvez, nunca o terei querida, eu o fiz muito mal e é compreensível que ele jamais me perdoe. — Diz triste.
— Mas ainda pode tentar, não desista, apenas fique. — Insisto.
— Minha doença está entrando em um grau muito avançado e não sei quanto mais irei resistir, gostaria de ter tempo o suficiente para alcançar o perdão de meu filho, mas pelo o que vejo não terei mais tempo. — Sua voz embarga e eu sinto também uma tristeza. — Estou voltando para Paris para dar continuidade no tratamento com meu médico, ele pediu que eu voltasse para tentarmos retardar a doença, é uma esperança, mas não é nada certo.
— Entendo, e sinto muita pena em não ter conseguido ir mais adiante para ajudar-lhe a conseguir o perdão de Raul, mas...
— Meu bem eu entendo você, eu só quero que esteja sempre ao lado dele, que cuide dele e o faça imensamente feliz, estarei tranquila sabendo que você estará ao lado dele. — Disse e eu peguei suas finas mãos.
— Não se preocupe, eu amo o seu filho e jamais o deixarei, jamais. — Digo e me desprendo de suas mãos. — E, quando pretende ir embora?
— Daqui a duas semanas, David está organizando o fechamento da agência, não será prudente a deixar funcionando sem ter ninguém para administrar, a fecharei, mas deixarei para que se algum dia eu volte para cá a tempo eu possa reabra. — Explica.
— Vou sentir a sua falta senhora Nicole. — Digo sincera e então nos levantamos para um abraço.
— Também sentirei sua falta querida, você é uma grande pessoa, obrigada por tudo. — Disse saindo do abraço. — E cuide bem de meu filho.
— Cuidarei. — Digo e nos despedimos cada uma para um lado.
NARRADOR ON...
Mariza tinha uma carta na manga, ah se tinha, e teria certeza que com o que acabara de conseguir, terminaria de uma vez por todas com o romance de Gilda e Raul....
— Quero ver se com isso Raul De La Peña você a perdoará, estou segura que não. — Dizia Mariza para si mesma enquanto guardava suas provas, saindo as pressas daquele ambiente em busca de Raul...
NARRADOR OFF...
POV RAUL ON...
O dia estava sendo muito cansativo, tive algumas audiências quase intermináveis, e quase ao fim do dia já me sentia total esgotado, e ainda não havia falado com a Gilda. Peguei meu celular e coloquei no aplicativo de mensagens buscando pelo o contato dela. Assim que enviei a mensagem uma visita desagradável se fez presente em meu escritório.
— Senhora você não pode entrar. — Yamilex tentava impedir Mariza que entrara a força em meu escritório. — Senhor...
— Tudo bem Yamilex, eu me viro. — Digo para Yamilex que assentiu e saiu dali, me deixando a sós com Mariza.
— O que você quer aqui outra vez? — Pergunto irritado, eu não estava com paciência.
Ela me encarava de forma estranha, era como se tivesse satisfeita com algo, não sei explicar. Mariza se aproximou de minha mesa, e jogou um envelope com algo dentro.
—Novamente te faço a pergunta Raul: Você perdoaria uma traição de Gilda? — Perguntou seriamente.
— De novo com esse absurdo? Saia daqui Mariza, não me interessa nada vindo de você?
— Nem mesmo o que tenho pra te dizer de sua querida Gilda? — Não a respondo, ela pega o envelope e estende para que eu pegasse.
— O que é isso? — Pergunto receoso.
— Pegue e veja você mesmo.
Peguei o envelope de suas mãos, mas não ousei em abrir, eu tinha que entender que Mariza quer me separar de Gilda, não poderia confiar nela.
— Leve isso, nada do que você me disser me fará desconfiar da Gilda, sei que tramou algo, mas saiba que não cairei em seu jogo.
Ela se senta calmamente e apanha o envelope, tirando umas fotos de dentro.
— Isso não é um jogo Raul, isso é real e tenho provas, veja por você mesmo como te trai sua amada Gildinha. — Disse firme e joga as fotos sobre a mesa.
Eu não pude ver claramente e as peguei para ver exatamente e, uma tristeza percorreu toda a minha espinha, eu não poderia acreditar que aquilo era verdade, Gilda, logo a Gilda fazer isso? Não pude crer. Joguei as fotos sobre a mesa outra vez, caindo em minha poltrona me sentindo, infelizmente traído....
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