Um Bonito Amor

25 Mudanças/ Ligação anônima


Notas iniciais
Hello! já faz um tempo, como vcs tem estado? Espero que bem! Ainda tem gente que queira ler a essa história por aqui? rsrs Bom, eu voltei com esse cap, tive que apressar alguns acontecimentos hehe... vms ler...

Já fazia cerca de um mês que Raquel estava hospedada em meu apartamento, e nesse tempo a gente evoluiu, aliás, ela evoluiu para uma melhora. Confesso que estava com muito medo dela querer estar em minha casa para armar para mim, mas para minha surpresa ela estava se tornando uma pessoa melhor.

Eu e Raul continuamos bem, sem intrigas e desentendimentos, pelo contrário nos amávamos cada vez mais. O único problema é ele ainda não aceitar totalmente a Raquel, pois ainda acredita que ela possa fazer algum mal, mesmo ela demonstrando todos os dias que estava disposta a mudar, ele também não acredita na mudança de Raimundo.

Ao falar em Raimundo, além de Raquel ele também parece ter mudado, disse-me uma vez que estava desistindo de mim, pois havia entendido que quem ama deixa ir, e que ele me amava muito para me querer à força, disse-me que não tentaria nada mais para separar-me de Raul ,mesmo achando que ele não era suficiente pra mim, mas desejava que ele pudesse me fazer feliz, pois se eu estivesse feliz estava bom pra ele. Achei estranho, mas no correr dos dias fui me certificando de que isso era verdade e que ele não falava da boca pra fora, o que também me deixou feliz e tranquila, pois ele e Raquel estavam mudados e não pretendiam mais me fazer infeliz com o Raul. Nos tornamos amigos e temos conversas saudáveis, mas continua o mesmo exibicionista de sempre (risos). O problema é que Raul ainda não acredita nessa mudança e tem ciúmes quando me ver com ele, mas também não acredita na mudança de Raquel, mas nem discuto sobre isso com ele, sei que um dia ele vai acabar percebendo que ambos mudaram e vai desencanar.

—Sabe Gilda, eu lamento muito tudo de ruim que eu já tenha te feito, na verdade ainda não me sinto confortável em estar aqui sabendo que fui muito antipática com você. — Ela confessa-me enquanto me ajudava a separar as compras do supermercado.

—Eu não me importo, sabia que algum dia íamos nos dar bem. — Viro-me para ela. — Sabe? Confesso que estava receosa em você querer aprontar outra vez comigo, e acreditava que queria estar aqui para me fazer algum outro dano. — Disse-a.

Ela sorriu sem jeito e me deu um leve tapa no braço.

—Boba. — Disse e se sentou na bancada. — Na verdade mesmo eu não sei o que me deu, eu só quis esquecer tudo e tentar ser diferente com você, porque acabei chegando à conclusão de que nossa rixa não fazia sentido, eu estava brigando sozinha. — Disse ela pegando uma maçã que estava na bancada, mordendo-a.

—Como assim? — Pergunto-a, finalizando a organização das compras que havíamos feito mais cedo.

—Não importa o que eu fizesse, você sempre me perdoava e talvez isso me irritava ainda mais em você, porque mamãe sempre ficava do seu lado por ser tão boa e compreensível. — Disse-me e eu sentei à sua frente na bancada.

—Eu nunca tive ódio de você, mas confesso que ficava com raiva algumas vezes, porque era mimada e arrogante.

Estávamos relembrando momentos e nos entendendo.

—Hum, acho que já expliquei sobre essa minha fase. — Disse pensativa.

—Sim, mãe Cecília me disse na verdade. Você agia assim por “achar” que ela só pensava em mim como filha. E acho que você não poderia ter sido mais tola, pois mãe Cecília nos ama igual, você que fez tempestade em copo d´água.

—Oras, você diz isso porque não sabe como é ruim querer o carinho de alguém e esse alguém não está nem aí pra você. — Falou fazendo aquela cara de deboche, pois apesar de tudo havia coisas que não se podia mudar, e Raquel continuava debochada.

—Te entendo, mas você entende também que mãe Cecília ficou sem uma das filhas e...

—Tudo bem, eu sei, eu sei. — Falou me interrompendo. — Eu já entendi sobre tudo isso, mas... — Ela pausou a fala pensando em algo. — Você não sente nem um pouquinho de raiva de sua mãe adotiva?

Eu fiquei pensativa por um tempo. Não, eu nunca tive raiva de mãe Assunção, ela sempre me deu amor e carinho e havia entendido o que fez, foi grave, mas a entendi.

—Não, mãe Assunção foi tudo que eu sempre pude ter, uma grande amiga, um alguém que fez o impossível por mim, ela me criou com muito amor e me ensinou a amar. — Digo, sorridente ao longe ao ter lembranças de mãe Assunção.

—Ah, mas nem um pouquinho de raiva mesmo? — Ela faz um gesto de minúsculo com o polegar e o indicador. — Tipo, por ela ter te sumido com você acabou que te privando da boa vida que poderia ter tido desde criança. — Eu sorrio serenamente para ela.

—Ela me livrou talvez, de ser entregue para outras pessoas. Você sabia não é que nossos avós poderiam sumir com uma de nós duas, não é? — Ela assente desinteressada.

—É, sabia disso, eles tentaram me dar, mas com muita luta acabaram me aceitando, ou melhor me aturando porque Rogério que tinha alguma posição me registrou como filha, então eu não seria a filha de um pobre homem. — Falou e abocanhou outro pedaço da maçã.

—Aturar? — Pergunto curiosa me inclinando querendo saber mais sobre esse detalhe. — Ela dá de ombros.

—Eu nunca liguei, se me queriam bem, se não, bem também.

—Nossa, que louca você. Como pode não se importar se seus avós não estão nem aí pra você, que é neta, ah, eu sentiria muito. — Confesso ingênua.

—Claro, você é uma bobona. — Diz com aquele ar arrogante, mas que eu já estava acostumada. — Eles não eram bons, eram orgulhosos e arrogantes, sempre se preocupavam com a posição social.

—Me parece muito com alguém. — Digo maliciosa a olhando.

—Quê? Ah, eu não sou assim... Quero dizer, não mais. — Diz orgulhosa, sorrio.

—Estou feliz. — Digo dando a volta na bancada me aproximando dela.

—Pelo o quê? — Pergunta-me na defensiva ao ver que eu me aproximava dela.

—Porque você mudou e está aqui. — Abraço-a forte a pegando de surpresa. — Por um lado foi muito bom você ter tido aquele discursão com mãe Cecília, porque de alguma forma fez com que nos entendêssemos.

—Ei, sem melosidade. -Diz me afastando sem jeito. — Eu só deixei de te importunar porque entendi que você é muito boa e de nada teve culpa, mas ainda sou a mesma Raquel. — Fala sem me olhar nos olhos.

—Claro, mas mesmo assim isso me deixa feliz que possamos nos entender. — Digo serena e ela me esboça um fraco e tímido sorriso.

E eu estava realmente feliz por essa mudança dela, apesar de ela continuar sendo aquela Raquel arrogante que dificilmente revela sobre seus sentimentos bons, mas só em ela e eu nos tratar com duas e boas irmãs, eu já estava muito feliz, pois o que eu sempre quis desde que cheguei aqui era que fôssemos unidas e hoje isso estava se tornando possível.

....

O Raul parou de receber ligações anônimas, mas então eu passei a recebê-las. Ainda não o contei sobre esse fato, não querendo o preocupar, mas a cada dia as ligações se intensificavam e ninguém falava o que me irritava. Cheguei a pensar que fosse Raimundo mesmo tendo mudado, pois uma vez na cantina da faculdade recebi essas ligações e ele me olhava malicioso com o celular na mão, mas não era, pois ele atendeu um telefonema na minha frente enquanto as ligações anônimas ainda chamavam no meu celular.

Eu havia acabado de chegar em casa quando o meu celular começou a tocar no anônimo de novo, fiquei na dúvida se atendia ou não, já que nada falavam, mas resolvi atender.

—Alô? — Pergunto. Ouço a respiração. — Ouça, eu vou agora mesmo na delegacia e estarei lá até que me ligue outra vez pra rastrearem esse número, estou cansada dessa brincadeira, deixou de importunar meu namorado agora está me perturbando, mas isso acaba hoje! — Digo furiosa, Raquel ouve minha gritaria e se aproxima.

—O que houve?

—Aquele anônimo de novo. — A respondi cochichando, pondo a mão no autofalante do celular.

Não entrei em detalhes porque ela já sabia dessa conversa.

—Me dá aqui! — Ela disse arrancando o telefone da minha mão. — Olha aqui...

—Não, Raquel! — Repreendo-a, pegando o celular de volta. — Deixa, eu resolvo isso. — Completo cochichando pra ela, e ela revira os olhos. — Olha, estou avisando senão disser de quem se trata do outro lado da linha, eu irei agora mesmo na delegacia e só sairei de lá quando você ligar outra vez para que possamos rastreá-lo, então diz quem é você!

Houve um momento de silêncio, a pessoa ainda estava lá, apenas respirando. Raquel fazia gestos para que eu a desse o telefone, eu recusava sabendo que ela era muito explosiva e nada iria resolver, coloquei apenas no viva voz para que ela pudesse ouvir.

—Ok, estou indo agora mesmo para a delegacia...

—Espera, por favor.... — Parei no mesmo instante, alguém finalmente do outro lado respondeu.

—Uma mulher? — Falou Raquel desacreditada.

—Sh! -Digo para ela. — Você é.... é uma mulher? — Pergunto nervosa, estou nervosa.

—Sim, por favor, você poderia me encontrar agora? — Ela disse, e eu fiquei espantada, do que se trata isso?

—Não, não sei quem é você, porque quer me encontrar, o que quer? — Pergunto olhando aflita pra Raquel que estava muito atenta ouvindo.

—Por favor, eu preciso que me ouça. — A mulher parecia triste.

—Não aceita! — Cochichava Raquel fazendo gestos negativos.

—Não irei, não sei de quem se trata, você pode ser muito bem uma sequestradora. — Falo qualquer coisa porque estou muito nervosa.

—Não, não se trata disso. Eu só quero que me ouça por alguns minutos. — Ela insistia.

Sua voz era suave e triste, me parecia de uma senhora de mais idade. Eu estava nervosa pela primeira vez aquele número anônimo ter falado alguma coisa, e estava também muito curiosa, o que ela queria?

—Era você quem ligava para meu namorado também? — Jogo a pergunta, eu só queria saber de quem se tratava.

—Sim, por favor, te explico tudo se me encontrar agora. Estou bem próximo de seu prédio, aqui no café. Está lotado de gente, você não precisa ter medo, eu só quero conversar e me explicar. — Ela diz e eu arregalo os olhos para Raquel que também me olha espantada.

—Espera, eu vou com você. — Raquel diz pegando sua bolsa que estava jogada em meu sofá.

—Não, tá maluca? Não sabemos quem é. — Cochicho a impedindo de sair.

—E nem vamos saber se ficarmos aqui. — Diz Também cochichando.

—É... — Limpo a garganta. — Como sabe onde eu moro? Oh meu Deus, você é um stalkear! — Digo alterada com minha descoberta. — Vou agora mesmo na delegacia.

—Por favor moça, não sou exatamente uma stalkear, acontece que... — Ela pausa e parece pensar nas palavras certas. -Bem, estou disposta a lhe contar tudo, por favor me encontre agora. — Em sua voz havia súplica.

Raquel se encontrava já na porta fazendo gestos para sairmos, mas eu estava com medo.

—Não irei! — Raquel revira os olhos e eu a ignoro voltando minha atenção para a ligação. — Não irei, você incomoda a mim e a meu namorado há tempos, está me seguindo sabendo até onde eu moro, então o único lugar que irei agora é na delegacia. — Digo em um misto, raiva e nervosismo.

—Entendo, peço desculpas por causar esses transtornos, mas eu realmente decidi falar e você é a única que pode me ajudar por agora. — A mulher diz e eu fico tentando absorver tais palavras.

No que eu poderia ajudá-la?

—Ajudar?

—Sim, por favor me encontre, estou à sua espera aqui no café ao lado de seu prédio.

—Eu não sei eu...

—Não seja burra, vamos, ligaremos para a polícia no caminho. — Diz Raquel, mas a mulher havia escutado.

—Não, não envolva a polícia, não é preciso, não quero te fazer nenhum mal, acredite. — A voz dela me passava uma confiança, mas eu não estava muito segura de encontrá-la.

—Então, sobre o quê quer falar comigo? Me diga e talvez irei.

—É... — Ela para um momento e eu espero ansiosa. — Bem, se vier até aqui serei capaz de dizer-te pessoalmente.

Não estava convencida, muitas pessoas se metem em problemas por causa desses stalkears e eu não iria ser uma vítima.

—Não me ligue mais, ou irei denunciá-lo. Estou desligando.

Não esperei que ela falasse, desliguei e fiquei pensativa, Raquel me tirou do transe me sacundindo.

—Gilda, você perdeu a chance de descobrir quem era. — Disse ela, voltando a fechar a porta, onde ela estava me esperando para que fôssemos atrás da pessoa.

—Não quero saber quem seja, só quero deixe de perturbar o Raul e eu.

—Ah, mas a gente poderia ter ido e acionado à polícia. — Ela senta desanimada no sofá. — Às vezes você age como uma pessoa burra. — Fala e eu a ignoro.

Estava prestes a ligar para o Raul e falar sobre o acontecido, talvez ele ficaria irritado por eu ter ocultado sobre isso, mas juntos iriamos encontrar uma solução. Assim que começo a discar os números, o celular toca outra vez anônimo, respiro fundo e irritada.

—Agora já chega! Vou agora mesmo na delegacia e....

—O que eu tenho a falar é... sobre o Raul.

Fico parada um tempo, tentando entender. Raquel se aproxima e pede para que coloque no viva voz, o faço.

—Raul?

—Sim.

—Olha, o que é isso? Você é por acaso uma ex cliente furiosa? Ou alguém que ele colocou na cadeia? Ou.... uma amante? — Essa realmente pulou da minha boca por que nem eu mesma queria acreditar nisso.

A pessoa ficou calada, e eu fiquei irritada.

—Responde! É isso, não é? Você é uma amante! Responde!!!

—Na verdade... — Ela hesita e meu coração dispara. — Eu sou... a mãe dele. Sou a mãe de Raul De La Peña.

Deixei o celular cair de minhas mãos, não acreditava que seria possível. A mãe dele estava de volta, estou mesmo espantada com tudo isso.

Não espero mais nada, e saio de meu apartamento às pressas, ouço apenas Raquel me chamar e em seguida me acompanhar, estava indo ao café que ela disse que estaria, precisava saber o que era que estava acontecendo...

Notas finais
E aí? Aguardem os próximos cap....