Um Bonito Amor
21 As mágoas de um passado...
Notas iniciais
POV RAUL ON.
Eu estava me sentindo bem, ter tirado uns dias para ir à minha chácara e nisso ter levado Gilda foi a melhor coisa que já fiz. Me sinto tão bobo quando estou com ela que me faz sentir o coração pulsar forte a cada vez que a vejo, não dar mais para viver sem essa menina, tão jovem e tão madura. Quando ajudei Cecília e Rogério na busca pela outra gêmea, esta sendo minha Gilda, não imaginava que ia procurá-la para a mãe mas também para mim. Preciso dela comigo.
Depois de voltar do restaurante com minha Gilda a deixei em casa e finalmente eu havia chegado na minha. A exaustão estava prestes a me vencer que já ia cochilando no sofá, mas então o meu celular começa a tocar de um número restrito.
— Alô? Quem é? – Pergunto desconfiado.
— ( Silêncio )
Ninguém falava do outro lado, mas eu podia muito bem escutar a respiração, alguém estava me ouvindo.
— Se você não tem nada melhor pra fazer irei desligar. – E então desliguei, estava cansado e não permitiria que tirassem onda comigo dessa maneira.
Após esse episódio me dirigi para meu quarto. Banhei e me preparei para dormir, enquanto fechava uns arquivos do computador uma mensagem chega no meu celular, rapidamente vou abri-la por pensar ser a Gilda mas acontece que era de um número a qual não estava salvo nos meus contatos.
Mensagem recebida:
Foi muito bom te ouvir. Tenha uma boa noite.
Fico horas olhando aquela mensagem na curiosidade de saber quem era. Quem poderia ser?
No mesmo instante penso que seria Mariza, mas isso logo me é descartado porque a mesma estaria me odiando agora e não acredito que me mandaria uma mensagem dessa forma. Volto a martelar, e então para acabar com as dúvidas resolvo ligar para esse número.
“O numero para qual você ligou está desligado ou fora da área de cobertura”...
— Desligou?
Volto a ligar, e dessa vez nem chama mais. Quem diabos seria?
Isso me deixa irritado e para esquecer, ligo para Gilda.
— Alô. – Ela fala com a voz rouca, já estava dormindo e eu a acordei.
— Me desculpa, eu te acordei. – Falo sem jeito.
— Não se preocupe, aconteceu alguma coisa?
— Você por acaso tem outro número que eu não saiba? – Fui direto e sei que soaria estranho.
— Oi? Que eu saiba não, somente esse. Porquê?
— Alguém me ligou, mas não falou nada, em seguida mandou uma mensagem dizendo ter adorado ouvir minha voz. Achei que poderia ter sido você. – Ela dar um risinho fraco do outro lado da linha.
— Eu não faria isso, você sabe, não tenho porquê fazer isso. – Ela me diz. – Não seria Mariza?
— Pensei também, mas acredito que não, ela deve está me odiando agora então não seria capaz de me mandar tal mensagem. — Explico-lhe.
— Hum, mas o que será isso? Bem, porque não liga para esse número da mensagem?
— Já fiz isso, mas desligaram o telefone ou removeram o chip.
— Que estranho. Mas com certeza, isso é coisa de gente que não tem o que fazer meu amor, não se preocupe tanto. – Ela busca me tranquilizar.
— Deve ser, eu vou deixar você dormir, nos vemos amanhã. Bons sonhos minha linda. — A digo e ela me deseja o mesmo, logo finalizamos a chamada.
Gilda tem razão é coisa de gente que não tem o que fazer, eu não deveria me importar tanto. Me ajeitei em minha cama e fechei os olhos, caindo em um sono profundo...
“— Você vai aprender a me respeitar, sua criança inútil!
Eu sentia minhas costas arderem, e para uma pele de uma criança de dez anos, isso é como está sendo arrastado no asfalto quente.
— Tão inútil como pai, meu pior erro foi ter te trago ao mundo!
Ela esbravejava cada vez mais, e a cada palavra eu sentia o cinto estalar nas minhas costas. E algo quente começava a escorrer pelas minhas costas, isso era sangue. Ela batia com tanta força que cortava minha pele.
— Eu deveria ter abortado esse feto imundo, que não fez outra coisa além de estragar meu corpo!
Agora suas palavras doíam muito mais do que aquelas cintadas, sentia que não resistiria. Queria gritar meu pai, alguém, mas, eu não tinha mais forças. A olhei sem conseguir chorar mais, seus olhos estavam de puro ódio, eu a vi assim e como para acabar com aquilo, ela me acertou em só golpe do lado da fivela e aí não aguentei, senti então que estava passando por um grande buraco negro. Não conseguia falar, mas minha mente gritava, eu gritava por dentro.
— Eu nunca vou te perdoar, nunca!....
Eu continuava caindo naquele buraco, e sem explicação tudo sumiu...”
— Não vou te perdoar! – Gritei.
Eu estava todo suado, aquilo foi um pesadelo, o mesmo que tenho há anos. Não entendo porque isso voltou, pois já não sonhava nos últimos meses e de repente, volta.
Levanto um pouco tonto, balancei minha cabeça tentando de alguma forma afastar esse pesadelo de meus pensamentos e em seguida me dirijo para o banho...
****
Eu pretendia buscar Gilda na faculdade para irmos almoçar juntos, mas, não consegui me livrar do trabalho, então me desculpei e a disse que mandaria alguém a buscar, mas ela recusou dizendo que ia na casa de sua mãe que já havia chegado de viagem e que em seguida viria trabalhar, apenas concordei. Quando finalmente me livrei de alguns clientes por aquela manhã, me esparrei no pequeno sofá que havia em meu escritório, fiquei ali, buscando fechar um pouco os olhos, pois a minha noite não fora uma das melhores.
Quanto mais eu tento, mais aquele pesadelo vinha a minha cabeça. Aquilo já estava me irritando, já não havia sonhado com isso fazia um bom tempo, e então porquê agora?
Meu celular começa a tocar insistente. Atendo sem nem ao menos ver quem seria.
— Alô? – Digo me levantando do sofá.
— Oi Raul, aqui é a Cecília. Tudo bem?
— Ah, oi Cecília, sim. E você como está? Quando chegou? – Pergunto sentando-me em minha poltrona.
— Estou bem, obrigada! Cheguei ontem pela madrugada. Bem, eu te liguei para pedir que venha à minha casa esta noite, é um jantar que estarei oferecendo para você e Gilda para comemorar o namoro de vocês. – Ela dizia animada.
Obviamente Gilda já lhe havia dito que estávamos namorando, por isso o jantar, mas não sei se estou disposto para ir esta noite, ainda mais que não estava bem e não queria ter que suportar Raquel com seus vexames.
— Cecília eu te agradeço muito, mas, podemos adiar o jantar? Eu não estou muito disposto hoje. – Digo a verdade.
— Eu sei, Gilda também recusou, mas estou pedindo pra você. Você sabe, gosto das coisas oficializadas em nossa família, e quanto antes , melhor.
— Entendo. – Respondi sem ânimo.
— E então? – Pergunta-me esperançosa.
— Tudo bem, iremos.
— Ah, muito obrigada. Aguardarei vocês, até daqui a pouco.
Desliguei e pus as mãos em meus cabelos, aquele maldito pesadelo ainda rondava meus pensamentos.
— Oi, desculpe demorar tanto, é que estava na casa de minha mãe, eu disse que ela havia chegado e que....
Eu não esperei ela falar mais nada e corri para abraçá-la. Fiquei abraçado a ela um bom tempo, sei que ela não entendia minha reação repentina, mas eu não queria soltá-la, era como se ela fosse a única capaz de me livrar desses pensamentos ruins, preenchendo-os com seu amor.
— V-você está bem? – Pergunta-me sem entender. Eu me afasto e a olho em seguida a dando um beijo calmo.
— Agora estou, porque você chegou.
Então eu a abraço de novo e a carinha de confusa que ela faz me deixa muito mais apaixonado.
— Vem cá, me conta o que está acontecendo. – Ela me puxa para o sofá e fica esperando que eu diga algo.
Acontece que nada sai de minha boca e ela continua esperando.
— Eu não tenho o direito de me meter em sua vida, mas, não guarde algo que você tem necessidade em compartilhar. – Ela segura o meu rosto. – Não irei cobrá-lo, quando achar que pode falar eu te ouvirei.
Não esperei ela dizer mais nada e simplesmente disse o que estava acontecendo. Ela já sabia da minha história com minha mãe, a contei no dia em que a pedi em namoro. E eu queria falar sobre esse pesadelo ou eu enlouqueceria.
— Ela realmente traumatizou você. – Disse após me ouvir.
— É, mas já fazia um tempo em que não tinha mais esse pesadelo, e ontem voltou. – A olhei com desespero. – Tenho medo de dormir esta noite e voltar a sonhar, eu...
— Shiu... Vem cá. – Ela então me leva de encontro ao seu colo e começa a acariciar meus cabelos. – Eu ficarei com você.
Me senti tão em paz, Gilda tinha esse dom de fazer tudo ficar melhor, e estava me sentindo muito melhor com ela ali, me dando carinho e me confortando. Sempre digo que preciso dela, mas não especifiquei o porquê, e mais do que tudo agora entendo a razão, ela é minha calmaria, minha paz, meu conforto, essa mulher veio até no momento certo para me ajudar a superar todos os meus medos que me atormentam por conta daquela mulher. Eu realmente a amo e cuidarei para fazê-la feliz, porque ela já me faz imensamente feliz...
POV RAUL OFF.
Ele é muito mais frágil do que eu poderia imaginar, passou por tanta coisa e agora estaria sofrendo as consequências. Eu quero ajudá-lo, quero estar aí quando precisar, quero poder passar pela aprovação junto com ele, pois sei que sozinho ele não conseguirá. Podemos vê-lo sendo bruto mas ele é um doce de pessoa, até ouvir ele falar grossamente, mas ele tem seus sentimentos aflorados, e eu o via assim quando ainda o amava platonicamente com um homem bruto e grosseiro, mas a verdade é que ele é alguém que supera suas expectativas, alguém que precisa de cuidados e muito amor pois Raul é daqueles precisa receber para poder dar e, por esperar tanto por receber de sua mãe, acabou se tornando esse cara frio que hoje eu consigo enxergar toda a sua dor virando amor, um sentimento a qual ele sempre esperou e nunca recebeu. Hoje eu posso lhe fazer receber todo esse amor e ele pode me dá, porque nosso amor é recíproco.
Abaixo meu olhar para ele que estar com sua cabeça apoiada em minhas pernas, estava tão sereno agora que era como se eu tivesse conseguido acalmá-lo de um choro intenso, um sorriso bobo escapa de meus lábios ao vê-lo cochilar ali somente com meus carinhos em seus cabelos macios.
— Está pensando em algo bom? – Pergunta-me, tirando-me de meus pensamentos, abrindo seus olhos negros.
— Ah, sim, era algo muito bom. – Respondo, esboçando um sorriso ao ver que ele tinha acordado.
— Você já almoçou? – Pergunta levantando- se e estendendo sua mão para mim para que eu também me erguesse.
— Sim, com mãe Cecília. – Respondi.
— A propósito temos um jantar com ela e os outros hoje. – Diz segurando minhas mãos.
— Sério? – Questiono unindo minhas sombrancelhas. — Ah, não me diga que aceitou?
— Pois é, não tive muita escolha. – E fala sorrindo levemente.
— Me desculpe, eu pedi a mãe Cecília para não fazer isso porque não tinha necessidade. – Lamento e ele segura meu rosto.
— Não precisa pedir desculpas, logo Cecília estar no seu direito quanto mãe, ela quer algo correto e não vejo porquê não fazê-lo. – Diz carinhosamente.
— Eu sei, mas é que... – Então eu me desvio de seu olhar e encaro o chão.
— O quê? – Indaga trazendo meu olhar para o seu novamente.
— É que não vou me sentir confortável com Raquel lá. – Declaro.
— Hum, é, eu também não estava confortável quanto a isso mas, temos de encarar, não precisamos ficar evitando-a. – Me diz e afasta a franja de meus olhos.
— Você tem razão, tentarei ignorá-la ao máximo pois sei que tentará me provocar.
— Isso, faremos dessa forma, a ignoraremos. – E então ele me dá um selinho.
— Bom, então voltarei ao trabalho. – Digo lhe devolvendo o selinho.
— Espera, estava pensando de que eu precisaria de uma secretária pessoal, você não pode fazer isso sozinha, sendo minha secretária profissional e pessoal.
— Eu consigo, não se preocupe. – Digo entusiasmada.
— Não quero sobrecarregar você Gilda, ainda tem sua faculdade, então colocarei o anúncio de uma nova secretária pessoal. – Ele diz dirigindo-se para sua mesa e digitando algo em seu computador.
Eu fico parada tentando analisar a situação, e realmente ficaria puxado para mi levando em conta as responsabilidade da faculdade, mas por outro lado eu fico apreensiva só de imaginar que outra mulher poderia estar muito próximo a ele já que é dessa forma que exige o ofício de pessoal, e muito mais nervosa porque poderia ser outra Mariza da vida, porque não é difícil se apaixonar por Raul.
— Hum, qual o perfil dessa secretária? – Pergunto tentando não deixar muito visível meu ciúmes.
Ele desvia seu olhar no computador e me olha lentamente, em seguida começa a pensar.
— Bem, eu estava pensando em uma garota mais jovem que Mariza... — Já começou despertando meu ciúmes. – Por volta de uns 25 à 28 anos, com aparência chamativa e bem instruída porque irá haver momentos de que terei de levá-la às festas de negócios, e também...
— Eu posso ser sua secretária pessoal! – Digo rapidamente, antes que ele continuasse. Ele me olha espantado.
— Gilda, já disse que não quero sobrecarregar você. – Eu respiro fundo.
— Bem, então eu posso ser sua secretária pessoal e contrataremos uma secretária profissional. Não deve ser difícil controlar a sua agenda. – Digo nervosamente.
Ele então dar a volta na mesa e se aproxima de mim, o vejo se aproximar com um sorriso sarcástico. Droga! Ele sabe que estou com ciúmes.
— Ciúmes? – Pergunta-me retoricamente.
— N-não, é que bem, eu posso fazer isso, já que sou sua namorada posso andar com você por aí, e não tenho mesmo nenhum curso de secretariado pra ser secretária profissional, então acho que mais se encaixaria para mim aqui seria ser a pessoal, portanto, cuidarei de sua agenda e... – Ele começa a rir. – Do que está rindo?
— Você fica linda com ciúmes, sabia? – E então me beija carinhosamente.
— Mas porque quer uma secretária tão nova? – Pergunto manhosa.
— Você é mais nova.
— Bem, mas não é mesma coisa.
— Por que?
— Sou sua namorada.
— Ah, isso é certo.
Ele então segura minhas mãos e as beija.
— Então deixarei para você encontrar uma secretária profissional do perfil que você quiser, apenas exijo que tenha curso de secretariado, você será minha pessoal agora, ok?
— Ok! – Concordo tranquila.
Dei-lhe um beijo e me retirei de sua sala, seguindo para minha mesa. Fiquei pensativa, de quem eu procuraria para ser a secretária dele. Mas já que ele deixou que eu encontrasse uma do perfil que eu quisesse, com certeza eu iria atrás de uma que fosse jovem, que tivesse curso de secretariado mas também que seria casada, assim eu não precisaria me preocupar tanto...
*** Horas mais tarde***
— Você está bem? – Pergunto ao ver Raul distante.
Estávamos na mansão da mãe Cecília, eu e Raul ficamos sentados na sala enquanto esperávamos mãe Cecília e os outros descerem.
— Sim, cadê a Cecília?
— Ainda não desceu, mas já está vindo. – Digo, olhando para as escadas.
— Ah. – Falou fracamente.
— Tem certeza que está bem? Parece tão longe.
— Está tão na cara assim?
— Sim.
— Bem...- Ele suspira. – É que já chegou a noite e...
— Não pense nisso, eu estarei com você. – O interrompi sabendo que ele se referia ao seu pesadelo.
— Obrigado! – Agradeceu me dando um abraço.
— Olha que casal lindo! – Me afasto de Raul, ao ver que mãe Cecília, Rogério, Bruno, Vanessa e Raquel desciam as escadas. – Parabéns Gildinha! – Diz Vanessa vibrante.
— Obrigada! – Digo sem jeito.
— Desculpa fazê-los esperar. – Lamenta mãe Cecília, dando um abraço. – Vamos para a sala de jantar, pois a comida já será servida.
E então nos dirigimos para a sala de jantar. Raquel passou na nossa frente com a cara mais emburrada possível, ela estava com muita raiva, e muito mais porque sei fora obrigada a participar daquele jantar sem sua vontade. Nos acomodamos nas cadeiras e logo começaram a nos servir.
— Raul você ganhou na loteria, minha irmã vale ouro! – Começa Bruno e me deixa sem jeito.
— Menos Bruno. – Digo envergonhada. Raul riu fracamente.
— Sei disso Bruno. – Fala Raul colocando sua mão sobre minha, vejo Raquel revirar os olhos. – Cuidarei de Gilda como meu tesouro. – Eu corei na hora.
— Eu acredito em você, Raul, sei o que cuidará da minha menina. – Diz mãe Cecília encantada.
— Com certeza! – Completa Rogério.
Depois de iniciarmos a comer, eu finalmente olhei para Raquel, ela nem sequer havia tocado na comida, estava longe e com certeza muito zangada com tudo aquilo.
— Vocês formam um lindo casal! – Vanessa observou com o seu jeito inocente.
— Obrigada Van!
— Na verdade, sempre achei que formariam um belo casal. – Ela continuou, e fiquei meio surpresa.
— Sério Vanessa? – Raquel se pronunciou sarcasticamente.
— Sim.
— Que mentirosa! – Raquel despejou sem esconder sua irritação.
Embora eu soubesse que ela estaria seca de raiva e ciúmes, sei que Vanessa só estava falando aquilo para agradar, porque sei também que era mentira já que dizia o mesmo para Raquel antes.
Vanessa não saberia como reagir diante de Raquel, então decidiu não se pronunciar mais, o que achei ótimo.
— Eu acho que Raul pode fazer Gilda muito feliz, você não Raquel? – Bruno provocou, e eu senti um nervosismo de esse jantar acabar muito mal.
— Não seja patético como sua namorada! – Ela retruca olhando para seu prato irritada.
Mãe Cecília fez sinal para Bruno parar com as provocações, ele adorava quando Raquel estava indefesa e quando surgia oportunidade de atacá-la, ele fazia sem mais, do tipo que devolve na mesma moeda.
— Bom, eu já estou cheia, o jantar estava maravilhoso mãe. – Finalmente digo afastando meu prato, na verdade eu queria sair dali, daquele clima.
— Sim, estava muito delicioso Cecília, como sempre seus jantares são os melhores. – Raul elogia, mas percebo que ele continua distante.
Será que esse pesadelo ainda está tomando de conta de seus pensamentos? Bom, mais um motivo para sair dali, sabendo que ele não estava bem.
— Muito obrigada Raul, fico feliz. Bem, o motivo desse jantar foi de celebrar a vinda de mais um membro para essa família...
— Outra vez! – Rebate Bruno, insinuando que Raul estaria repetindo aquele jantar, já que foi o mesmo quando namorou com Raquel.
Mãe Cecília faz outro sinal para Bruno indicando de que pare com as provocações, mas ele parecia não se importar em ser repreendido desde que fosse suas provocações estivessem fazendo efeito em Raquel.
— Bem, que seja outra vez, mas estou feliz em recebê-lo com genro, já que você é um grande amigo da família. – Finaliza mãe Cecília.
— Faço minhas as palavras de Cecília. – Concorda Rogério.
— Eu estou muito feliz porque realmente amo a Gilda, podem ficar tranquilos que darei o meu melhor para fazê-la feliz. – Raul disse me olhando serenamente.
— Ah, você vai fazê-la feliz? Ela e mais quantas? Não seja patético! E você sua sonsa, acha que ele pode te fazer feliz? Acorda, essa ceninha é até você dar o que ele realmente quer! – Esbravejou Raquel, saindo dali com muita raiva.
Ficamos em perfeito silêncio, ainda pasmos pela reação de Raquel, eu não estava tão surpresa eu tinha quase certeza que ela faria um show, só achei que estava demorando muito para fazê-lo, essa sim fora minha surpresa.
— É.. Raul, peço desculpas pela Raquel, você sabe como ela é. – Mãe Cecília disse envergonhada.
— Não se preocupe com isso Cecília, eu não me importo com o que ela diz, acredito que ainda está magoada porque terminamos, mas o que eu poderia fazer se não amo? Fique tranquila quanto a isso, então não precisa se desculpar. – Ele falou da maneira mais calma e compreensiva possível.
— É mãe, não se preocupe com isso, eu e Raul estamos bem, o que Raquel fizer não influenciará em nada. – Digo tentando deixar tranquila minha mãe, já que ela parecia está incomodada com o comportamento de Raquel.
— Vocês são compreensíveis, mas eu falarei com ela, ela não poderá agir sempre, já é adulta e terá de agir como tal. – Ela disse firme.
— Bom, mas seja calma meu amor, você sabe que Raquel gosta de chamar atenção, não é a primeira vez dela agindo assim. – Rogério a encoraja e ela assente.
— Então vamos Gilda, preciso descansar e você também. – Raul diz se levantando. Mas sei que ele queria apenas sair dali por não está tranquilo, com certeza esse pesadelo o estava rondando.
— Sim, mãe muito obrigada pelo o jantar, nos veremos em breve. – Digo me levantando e ela faz o mesmo, e então dou-lhe um abraço.
— Está bem minha filha, volte para casa em segurança.
— A deixarei em casa Cecília, não se preocupe. – Disse Raul.
Passamos pelos portões da mansão e pegamos estrada. Raul estava inteiramente absorto em seus pensamentos mas concentrado na estrada, eu estava preocupada dele acabar ficando doente por seus pensamentos ficarem forçando a lembrança do pesadelo, eu realmente o queria ajudar, mas não sabia como...
Havíamos chegado em frente ao meu apartamento. Raul saiu do carro e deu a volta abrindo a porta para mim. Assim que eu sai, ele me prendeu sobre o carro me abraçando, enterrando seu rosto em meu pescoço. Eu fiquei realmente preocupada com aquilo.
— Você está bem? – Pergunto-o dando leves tapinhas em suas costas.
Ele então se afasta um pouco de mim e me beija. Após cessar o beijo, ele me olha penosamente.
— Gilda?
— Sim?
— Posso dormir com você?
Eu fiquei surpresa e sem jeito. O que eu poderia dizer? A essas alturas eu não deveria pensar besteiras, pois o olhando vejo que em seu olhar está quase gritando dizendo que precisava de mim, eu via uma criança triste, com medo de dormir sozinha por causa dos pesadelos, era assim que eu o estava vendo. Eu cuidaria dele essa noite, o faria dormir tranquilo, não deixaria que nenhum pesadelo o perturbasse, se ele precisava de mim eu então estaria ali para confortá-lo, estaria ao seu lado.
— Sim, cuidarei de você essa noite!
Ele sorriu aliviado e me abraçou outra vez. Logo, subimos para meu apartamento, nos preparamos, deitei com ele na mesma cama sem me importar que estaríamos no mesmo lugar, apenas deitei sobre seu peitoral sentindo o ar de sua respiração balançar pequenos fios da minha franja, estava tranquila ao saber que ele dormia bem...
POV RAQUEL ON:
Eu avanço as escadas furiosa entrando no meu quarto quase arrebentando a porta ao fechar. Não acredito que presenciei aquela cena patética. Raul e Gilda namorando, realmente não posso aceitar que o perdi. Não os deixarei em paz, como ele ousa a dizer na minha frente que a ama, sendo que nunca disse para mim? Ah, Raul eu não deixarei essa humilhação passar, e por certo, minha mãe também fez com que eu me humilhasse aparecendo nesse maldito jantar, o que ela acha que eu sou?
Enfurecida, jogo o primeiro objeto que vejo na minha frente, não sei bem o que seja mais acabei cortando minha mão, então era algo de vidro. Corro para pegar uma gaze dentro de uma pequena mesinha de utilidades, rapidamente, enrolo o corte com a gaze evitando que escorra mais sangue. Fico um bom tempo pressionando o corte, e me seguro para não chorar, mas não pelo o corte que fora superficial, mas pela humilhação que havia passado, não havia passado uma pior além daquela na festa da irmã de Raimundo onde Raul beijou Gilda por engano e acabou terminando comigo. Me dá ódio só de pensar.
Alguém bate na porta e é minha mãe, não queria falar com ela estava irritada demais para ouvir ela me repreender. Ela abriu a porta e se aproximou, dou-lhe as costas, sendo rebelde mesmo.
— Por quê agiu assim filha? – Perguntou-me calma, com era sempre, mas sabia que estava com raiva.
— Eu disse que não queria comparecer. – Rebato ainda de costas. Ouço ela suspirar.
— Me desculpe, por ter pedido que aparecesse, mas filha somos uma familia, e você sabe que Gilda apareceu quando era você, mesmo ela morrendo por dentro porque ela sempre o amou, ela foi e não fez todo esse show que você fez, ela apenas aguentou.
Eu não consigo falar, sinto que se o fizer serei grosseira com ela.
— Filha não estou pedindo que aceite, porque sei que mesmo você ter namorado com Raul por capricho sei também que se apaixonou de verdade, mas não é você que ele ama. Apenas suporte e vamos viver sem discursões.
— O que ela tem que eu não tenho? POR ACASO É MAIS BONITA? – Esbravejo, sentindo uma lágrima escorrer por mais que eu segure.
— Não se trata disso filha, vocês são completamente idênticas fisicamente, mas suas personalidades são diferente e talvez por isso, Raul..
— Não fale mais, saia, eu quero ficar sozinha. – Digo com voz embargada, droga eu já estava chorando.
— Filha não chore, eu...
— Saia! – Me viro rapidamente para ela correndo para a porta, esperando que ela saia.
Ela então olha para minha mão machucada, e se apressa em querer cuidar daquilo.
— Você se cortou, oh meu Deus, eu vou cuidar disso. – Ela pega o pacote da gaze que eu havia deixado sobre a cama e se aproxima de mim. – Me dá sua mão.
Eu simplesmente a afasto.
— Por que se preocupa? Realmente está preocupada? – Pergunto-a cética.
— Raquel...
— Você nunca se preocupou comigo, sua vida inteira desde que eu me entendo por gente, é a Gilda, então não precisa se preocupar agora. – E então eu pego a gaze da mão dela, enquanto ela estava estática como se a verdade fosse um choque para ela. – Saia, por favor, quero está sozinha.
— Filha, não é assim..
— Saia! – Gritei.
Ela saiu e eu finalmente pude desabar em choro...
As vezes a gente só precisa de atenção e nada mais, não que esteja cobrando isso agora, não, nem vale a pena mais. É só que ainda criança, por volta dos meus 7 ou 9 anos, não me recordo a idade certa, mas era de quando exatamente eu comecei a entender as coisas.
Minha mãe é realmente todo esse doce de pessoa, ela é gentil e compreensiva, simplesmente adorável, mas eu não pude dividir tanto amor assim com ela. Ela estava sempre ocupada, pensando, pesquisando ou chorando pela Gilda, a filha perdida, era assim. Teve momentos em que eu amaldiçoei a pessoa que havia a levado, só porque eu tinha que ver minha mãe chorar toda vez que o detetive chegava dizendo que não a encontrou.
Ela sempre me tratou bem, quando finalmente pensava em se distrair e saia comigo, eu não me sentia feliz porque por mais que ela tentasse sorrir livremente para mim, era óbvio que fingia, ela não conseguia. Eu odiava quando ela escolhia o parque para passearmos, porque lá havia varias crianças que eram gêmeas e isso a fazia parar por um momento para chorar.
Aos poucos ela foi me esquecendo, eu vivi por muito tempo sendo a sombra da Gilda, nem mesmo Bruno tinha a sua atenção, mas ele era mais novo e não entendia o que estava passando e mesmo assim ele tinha Rogério que sempre estava presente para ele e para mim também, ele fora para mim um bom padrasto.
Eu tentei várias formas de chamar a atenção dela, mas sua atenção só estava voltada para a gêmea perdida, eu só servia quando ela não aguentava mais chorar.
Quando finalmente atingi minha adolescência, eu decidi que não mendigaria por atenção nem dela e nem de ninguém e foi quando eu fazia as coisas sem lhe consultar, pedi um cartão de crédito e estourava com meus amigos me aliviando daquele peso que passava em casa. Eu gastava com roupas e mais roupas, festas e mais festas, tudo que eu pedia ela me dava, ela só fazia meus caprichos por que queria me suprir de alguma forma, ela sabia que havia me abandoando para viver memórias de sua outra filha.
O dia em que finalmente Gilda apareceu do qual Raul teve participação em ajudar, eu sabia que tudo estava perdido para mim e foi então que decidi a ser rude, grossa e fazer da vida dela impossível assim como a minha foi por suas míseras memórias. Ela não merecia gozar de felicidade agora que foi encontrada, embora minha mãe fizesse de tudo para agradá-la e me fizesse ser o monstro da história, eu jurei e não a deixaria ser feliz.
Eu descontaria toda a infelicidade que passei por minha mãe preferir chorar por ela toda a noite ao invés de me colocar na cama e me dizer Boa Noite. Ela continua roubando a atenção de minha mãe mesmo ela se esforçando para amar as duas, mas eu sinto que a Gilda recebe em dobro seu amor. E não somente de minha mãe mas, também de Raul, no início, era por capricho eu o querer porque eu queria vê-la sofrendo, fazê-la sentir como é ruim amar alguém e não ser correspondida, e eu usei o Raul para isso, mas acontece que agora, ele está com ela e parece gostar mesmo na mesma intensidade que ela gosta dele e só de pensar me dá calafrios e muita raiva, porque no princípio era só por impulso, mas acontece que eu me apaixonei por ele e eu não posso aceitar Gilda me tirando ele agora. E então sim, ela iria me pagar por isso porque querendo ou não, era por causa dela que minha mãe vivia sofrendo e eu também, por causa dela Raul me deixou, então não quero que ela seja feliz e se depender de mim, não será...
POV RAQUEL OFF.
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