Um Bonito Amor
40 Aquele grande amor um dia existiu?
Notas iniciais
Estava muito ansiosa para dar a notícia a Raul, pois estava certa que ele iria ficar feliz. A noite sai quase as presas da mansão e quando passava pela sala, mãe Cecília me abordou.
— Filha, e essa pressa?
— Bom, é que estou indo até Raul, vou dizer a ele sobre o bebê. — Digo com o coração alegre.
— Quer que eu vá com você? — Pergunta-me mãe Cecília.
— Não será necessário mãe, tenho certeza que tudo sairá bem. — Digo positiva.
— Gilda e se o Raul ignorar sobre o bebê? Digo, ele está tão irritado com você que possa ser...
— Raquel,não fale isso nem de brincadeira! — Disse mãe Cecília rapidamente.
— Tudo bem, só achei que poderia ser uma possibilidade. — Diz Raquel com toda a sua sinceridade.
— Eu não acho que isso vai acontecer, Raul adoraria ter um filho, e isso irá fazer ele repensar melhor. — Digo. — Bom, agora vou indo, estou muito ansiosa.
— Cuidado filha, o motorista vai com você.
— Obrigada mãe, logo estarei de volta.
E assim sai dali, o motorista já estava me esperando e assim que entrei no veículo seguimos para o apartamento de Raul.
Os minutos naquele elevador até o andar de Raul parecia uma eternidade, apesar de estar muito ansiosa para que ele soubesse a notícia, também estava muito nervosa. Finalmente, havia chegado ao andar de Raul, respirei fundo e tentei me acalmar umas três vezes antes de bater em sua porta, e depois de alguns segundos, ele abriu a porta. Estava com short de seda que dormia e se apresentava sem camisa, me imaginava que já estava deitado, fiquei o admirando por um bom tempo como era bom poder olhá-lo outra vez. Respirei fundo e tentei dizer algo, mas antes que eu pudesse, ele me cortou.
— O que faz aqui? — Diz de forma séria, não parecia nenhum pouco feliz em me ver.
— Sei que não quer mais me ver, mas eu preciso te falar uma coisa. — Digo esperando que me convide para entrar, mas ele não o fez.
— Não quero saber de nada, assim que pegue o mesmo caminho por onde veio. — Disse grosseiro e eu senti imensa tristeza.
— Raul eu...
— Gilda, qual parte de NÃO QUERO MAIS TE VER, você não entendeu? — Fala se irritando com minha presença ali, mas eu precisava o dizer logo.
— Eu sei que não quer me ver, mas eu preciso te contar algo e não sairei daqui até que me ouça.- Digo firme e passo rapidamente por ele entrando no apartamento. — Tem que me ouvir.
— Eu não quero te ouvir, saia! — Diz indicando a porta para que eu sai dali.
— Raul, o que eu tenho para te dizer é muito importante, eu..
— Saia! Não me faça de tirar a força daqui. — Disse perdendo a paciência.
— Não, me ouça, Raul eu... nós...
— Por que você não voltou meu amor, o que houve?
Eu não poderia acreditar naquela voz, me virei lentamente para trás e lá estava ela, apenas de roupa íntima escorada na porta que dava acesso ao quarto de Raul.
— O que significa isso? — Pergunto com as lágrimas saindo de meus olhos sem que eu pudesse controlar.
— O que você ver queridinha, não está claro? — Diz Mariza.
Me viro para Raul que não tem nenhuma expressão.
— Raul, como você pôde? Eu...
— Já ver que não vou perder tempo sofrendo por você, assim que vá embora. — Ele disse e meu coração estava em pedaços.
— Eu não acredito nisso...você e Mariza... porqueê? — Pergunto com voz embargada.
— Não tenho que te explicar nada, nada mesmo. — Ele passa para o lado de Mariza e põe seu braço em volta de seu pescoço. — Vá embora, não vê? Está nos atrapalhando. — Disse friamente.
Não conseguia dizer mais nada, o choro era constante e não conseguia falar. Queria poder gritá-lo que iria ser pai, mas naquele momento não conseguia, não imaginava que Raul pudesse chegar a tanto, achei que algum dia realmente tivesse me amado.
— Não... não imaginava que pudesse me trair assim. — Digo controlando o choro.
— Também não imaginava que você fosse capaz de me trair daquela maneira e veja só, agora sabe que ninguém é confiável, nem mesmo você. — Disse ele ainda encostado em Mariza.
— Raul, tudo que eu fiz foi para ajudar, eu jamais quis te prejudicar. — Disse séria. — É verdade, sua mãe me buscou e conversamos, muitas coisas eu entendi, coisas que você também entenderia se a ouvisse, mas como eu via o quão difícil seria para você perdoá-la, decidi não mais ajudá-la em nisso e me afastei, tudo que eu queria é que vocês se entendessem e jamais te prejudicar.
— Me entender com ela? Ah, por favor, não me venha com todo esse conto, você não é digna de confiança. — Disse e eu senti a severidade em sua voz.
— Gilda, é melhor você ir, você errou querida, aceita que você vacilou com Raul. — Disse ela acariciando os cabelos dele, e aquela cena me deu nojo.
— Foi voce nao foi? Claro, chegou a me ameaçar naquele dia no restaurante. — Digo me dando conta dos fatos. — Como você pôde ser tão cruel, como?!
— Cruel, eu? Ai, menina você está péssima, a única que foi cruel aqui, essa foi você.
— Eu vou te matar Mariza! — Digo e avanço para cima dela, me agarrando em seus cabelos.
Raul tentava nos separar, mas eu a segurei com toda força que me restava, eu queria a matar ali mesmo.
— Gilda, já chega! — Raul gritou quando conseguiu me tirar de cima de Mariza.
— Raul ela...
— Vai embora Gilda. — Disse ele abrindo a porta para mim..
— Raul, você vai ficar com ela? Ela...
— Vai embora Gilda e nos deixe em paz. — Ele disse friamente e um nó se fez em minha garganta, mas não choraria mais na frente dele, não mais.
— Eu não posso acreditar que você vai destruir o amor que construímos. — Digo me sentindo péssima.
— Não, aqui a única que destruiu tudo foi você, então vá embora agora mesmo, e por favor não venha me procurar para outro show desses, anda, vá embora. — Disse ele com toda a frieza que havia em seu olhar.
Não tive coragem de dizer mais nada, estava magoada demais para dizer qualquer coisa. Sai as pressas daquele lugar, me encontrei com o motorista que ainda estava a minha espera. Tentei enxugar as lágrimas e busquei disfarçar.
— Você pode ir, eu vou caminhar um pouco, depois pego um táxi.
— Senhorita Barreto, sua mãe mandou que eu viesse deixá-la e a levasse de volta, então não posso voltar sem você. — Ele diz humildemente.
— Não se preocupe, eu vou ligar pra ela e dizer que vou dar uma caminhada, por favor pode ir. — Tento ser convincente.
— Senhorita, não quero me colocar em problemas, ordens são ordens.
— Sim, eu sei, mas não há problema, eu vou falar com ela, pode ir eu quero caminhar um pouco.
— Tem certeza?
— Sim.
— Está bem, mas por favor ligue e avise a senhora Cecília. — Ele disse e eu assenti, em seguida entrou no carro e se foi.
Assim que o motorista sumiu de vista eu desabei em choro, não consegui controlar, as palavras duras de Raul vinham constantemente à minha cabeça e eu não poderia suportar.
Caminhei por muitos metros e já não fazia idéia por onde andava, mas também não me importava, eu só queria andar e esquecer o que vi nesse dia, Raul com a desgraçada da Mariza. Eu sei que errei, mas Raul correr para os braços de Mariza se ele dizia odiá-la, ah eu já não aguentava mais.
Como se estivesse em outro mundo, apenas andando sem me importar com nada, não via mais nada ao meu redor, buzinas e mais buzinas, pessoas me gritando, mas eu não entendia, apenas estava concentrada na minha dor, coloquei a mão no meu ventre e fiquei mais triste do que poderia, pois Raul jamais iria querê-lo, aquilo não poderia me deixar mais desanimada.
E, como se eu estivesse apenas existindo, andava e andava sem rumo, quando uma buzina soava insistentemente e uma grande luz se aproximou de mim até que eu me senti sendo jogada ao longe e como se nada mais importasse, apaguei...
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