Um Beijo
1 Capítulo Único
Notas iniciais
na minha opinião poderia ter ficado muito melhor, se, eu não fosse preguiçosa de mais para escrever os dois lados da história, sendo assim, tudo que eu consegui fazer foi contar o lado do meu adorado Saw.
Agradecimento especial ao HStéffano por me ajudar com o titulo que se não fosse por ele seria 'você me odeia?' & a pessoinha que eu esqueci o nome e que adora me fazer essa pergunta, Li-chan.
-Saw -chamou ele e antes que eu pudesse me virar para responder ele já havia voltado a falar novamente. –Você me odeia?
Nossa relação nunca havia sido das melhores e nos últimos tempos piorara drasticamente, sofríamos mutuamente para não nos fazermos sofrer.
Me neguei a erguer o rosto e encarar sua face chorosa, apenas sua voz sufocada já me causava dor suficiente.
Sem responder a pergunta recolhi minha mochila que estava jogada a nosso lado e me ergui do banco, seguindo de cabeça baixa na direção oposta a que eu sabia que ele iria.
-Saw. –ele tornou a me chamar, desta vez gritando, um grito esganiçado e choroso, dolorido.
Virei o rosto em sua direção, mas continuei com os passos largos na oposta enquanto me segurava para não chorar também. –você me odeia? –ele gritou e eu vi, senti, na verdade, era como se tudo tivesse perdido o foco, uma dor aguda e inexplicável se espalhou por todo o meu corpo, tentei responder, mas falhei miseravelmente enquanto continuava a ouvir ele gritar meu nome até que tudo foi escurecendo aos poucos e a ultima coisa que vi foram seus olhos cheios de lagrimas que caiam sobre meu rosto, eu não entendia aquilo, não sabia porque estava deitado e muito menos porque ele me tocava de forma desesperada enquanto continuava a me chamar, cada vez mais distante até simplesmente não chamar mais.
Eu estava sentado, sentado no completo escuro, no vazio, sem conseguir enxergar nada, nem um palmo a minha frente e o silencio era aterrador.
E do silencio veio o som, o som do choro, outra vez, o choro dele, o único som que eu daria qualquer coisa para não ouvir e que mesmo assim vivia a provocar.
E do escuro veio a luz, a luz do sol trazida pelas lembranças.
Estávamos novamente sentados naquele banco em frente ao lago.
-Saw. –a voz dele agora menos chorosa do que antes se fez ouvir. –você me odeia?
E como em tantas outras vezes naquela época eu o abracei enquanto me ouvia sussurrar um não quase inaudível.
Os ventos mudaram e o corpo rente ao meu estava maior, estávamos ambos maiores.
-Saw, você me odeia? –perguntou, desta vez mais como curiosidade do que qualquer outra coisa.
-Não, eu não te odeio Shin. –foi o que eu respondi.
Desta vez chovia, chovia muito e ainda assim nos mantínhamos ali.
-Porque estamos aqui? –perguntou ele tremendo.
Segui até perto de uma das muitas arvores no local e pendurei o guarda-chuva aberto ali, “qualquer coisa para manter o vício”, pensei no mesmo instante.
O som da chuva tornava quase impossível me ouvir àquela distancia e isso o obrigou a se aproximar enquanto eu acendia um dos poucos cigarros que não estava ensopado.
-Você é quem deveria me dizer, foi você quem me chamou aqui nessa chuva, espero que seja importante Sasaki. –respondi ríspido, mais ríspido do que gostaria.
Os olhos dele estavam marejados e isso eu conseguia distinguir bem apesar de toda a água que lhe caia sobre o corpo, o moletom grande de mais para o corpo miúdo estava encharcado e colado no corpo, as madeixas estranhamente ruivas naturais colavam-se a face enquanto o resto da água pingava da ponta da trança comprida.
Temia que ele pegasse um resfriado, esse era o verdadeiro motivo para ter vindo para baixo da arvore, era o verdadeiro motivo de ver ido até ali, poderia ter simplesmente ignorado a mensagem de texto mas sabia que teimoso como era ele ficaria ali se negando a acreditar que eu o abandonara, porque o seu Saw, o Saw com quem convivera desde a infância nunca faria uma coisa dessas.
-Estamos aqui porque eu te amo. –disse ele olhando fundo nos meus olhos e embora minha vontade fosse a de dizer que correspondia a todos aqueles sentimentos confusos dos quais ele me falava a tanto tempo.
Eu simplesmente virei o rosto e deixei que as lagrimas se misturassem a chuva enquanto me afastava e já bem longe da arvore me virei para trás pronto para responder. –eu te odeio Sasaki. –gritei a plenos pulmões enquanto corria para me afastar dali.
A chuva cessou e já estávamos a uns cinco anos daquele episódio.
-Saw -chamou ele e antes que eu pudesse me virar para responder ele já havia voltado a falar novamente. –Você me odeia?
Me neguei a erguer o rosto e encarar sua face chorosa, apenas sua voz sufocada já me causava dor suficiente. Sem responder a pergunta recolhi minha mochila que estava jogada a nosso lado e me ergui do banco, seguindo de cabeça baixa na direção oposta a que eu sabia que ele iria.
-Saw. –ele tornou a me chamar, desta vez gritando, um grito esganiçado e choroso, dolorido.
Virei o rosto em sua direção, mas continuei com os passos largos na oposta enquanto me segurava para não chorar também. –você me odeia? –ele gritou e então tudo enegreceu outra vez.
“você me odeia?”
“você me odeia?”
“você me odeia?”
“você me odeia?”
“você me odeia?”
Foi tudo o que sobrou desta vez, sua voz fazendo a pergunta mais dolorosa possível.
“você me odeia?”
-Sim, eu te odeio. –respondi
“você me odeia?”
-sim.
“você me odeia?”
-sim.
“você me odeia?”
-Sim, sim, sim. Eu te odeio Sasaki Shinori, eu te odeio com todas as minhas forças. –respondi enquanto a verdade era que eu tentava acreditar naquilo com todas elas, tentava tornar aquilo verdade mesmo que seu sorriso fosse tudo que bastasse para derreter a pedra de gelo que tinha no lugar do coração.
“você me odeia?”
“você me odeia?”
“você me odeia?”
Lá pelas tantas, não sei ao certo em que momento eu desisti de responder, mas a pergunta era insistente e continuava a se fazer ouvir, mesmo que eu a ignorasse lá estava ela, como que em busca da verdade, em busca das palavras sinceras que eu jurara nunca proferir.
“você me odeia?”
-sim. –e lá estava eu, novamente respondendo as questões repetidas.
“você me odeia?"
-com tudo que tem dentro de mim.
“você me odeia?”
-sim, eu odeio, será que você não entende?
“você me odeia?”
“você me odeia?”
“você me odeia?”
“Saw, você me odeia?”
Eu senti um aperto enorme daquela vez, algo era diferente, algo havia mudado, havia mais naquela pergunta e o simples som da sua voz pronunciando meu apelido infantil fizera meu coração falhar uma batida e eu resolver responder de forma verdadeira pela primeira vez em muitos anos.
-Não. –respondi simplista sentindo a voz me sair arranhando a garganta, extremamente falha e rouca, como se não pertencesse a um jovem de vinte e três anos e sim a um senhor de noventa e dois.
“então... você me ama?”
Minha alucinação pós-morte aparentemente tinha começado a raciocinar e junto dela veio um barulho de passos, de vozes, uma dor desconfortável, e o som estranho de algo mecânico e ritmado, quase como um relógio.
-eu te amo Sasaki Shinori. Amo com todas as minhas forças. –respondi com a voz ainda mais falha enquanto sentia lagrimas molharem meu rosto, lagrimas caindo em meu rosto, eu finalmente havia admitido.
Tentei levar as mãos a ele, mas não conseguira, uma fraqueza repentina me impedia de fazê-lo.
Olhei em volta, ou ao menos era o que teria feito, se conseguisse. No momento havia algo mais a me preocupar, algo além da dor, dos passos, do relógio esquisito e das vozes, eu estava tentando me dar conta de em que momento eu havia fechado os olhos e quando abri-los havia se tornado uma tarefa tão difícil.
Abri os olhos vagarosamente e senti a luz forte me obrigar a fecha-los tão rápido quanto foi possível, e tudo havia sumido outra vez, eu só conseguia me concentrar em abrir os olhos, era como se todas as outras funções de meu corpo houvessem se desligado apenas para que eu fizesse aquela mínima tarefa.
Tornei a abri-los mais algumas vezes antes de me dar conta de onde me encontrava, um hospital, mas essa visão logo fora substituída por uma cabeleira cor de fogo bem aparada e olhos azuis inquisidores e preocupados ainda banhados pelas lagrimas, mais a baixo, as bochechas rubras e as sardas, o nariz encantador e o sorriso magnifico, o queixo furado, único detalhe que fazia de seu rosto másculo o suficiente para não ser confundido com uma garotinha desde a pré-escola.
Os sentidos voltaram, bem como a dor alucinante que se abatera sobre mim, me fazendo ter uma careta que em outro momento provavelmente seria descrita como engraçada, os barulhos das maquinas que agora eu sabia estarem ligadas a mim começaram a se modificar e eu me sentia voltar para escuridão cada vez mais.
As lagrimas escorriam por minhas bochechas, e pelas dele também enquanto ele se afastava para chamar ajuda, segurei seu braço temendo não tornar a vê-lo outra vez, não sabia o que havia acontecido, mas certamente não havia sido nada bom.
Ele virou o rosto em minha direção e tudo que eu consegui fazer foi soltar um de meus sorrisos sacanas enquanto meus lábios se moviam sem som algum.
“Um beijo”
Foi tudo que eu consegui pedir.
Ele tornou a se aproximar e a ultima coisa que eu senti foram seus lábios junto aos meus em um selo sincero que transbordava emoções de ambos os lados, um selo banhado pelas lagrimas que continham diversos sentimentos conflitantes.
Fechei os olhos lentamente, estavam pesados de mais.
A sensação de seus lábios no meu foi se afastando lentamente até se tornar distante de mais para poder ser sentida e então lá estávamos nós outra vez.
Éramos apenas eu e o vazio.
Sozinhos.
Unidos e completamente separados.
Quietos.
Sem que um único som pudesse ser ouvido.
Nem mesmo meu coração batia para não quebrar o silencio.
Notas finais
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