Notas iniciais
‎"O tempo não cura tudo. Aliás, o tempo não cura nada, o tempo apenas tira o incurável do centro das atenções." Martha Medeiros

Ponto de vista Jared Roberts


Tinha acabado de entrar no avião, ela tinha vindo. Mas não em tempo suficiente para me convencer de ficar, fui para meu acento, sentando-me perto da janela, lá dava para vê-la ainda, neste momento meu coração parou por alguns milésimos de segundo, a vendo caída no chão, chorando. Meu mundo estava acabado, a vendo chorar, e pela quinta vez naquelas ultimas semanas em que ficamos sem nos falar, eu chorei, a vendo chorar, eu queria voltar , abraça-la e dizer que ficaria tudo bem, que começaríamos do zero, que ficaríamos juntos para sempre, porem não poderia voltar mais, ela havia feito sua escolha, havia dito na carta que tinha lhe mandado.

A viagem foi mais longa do que eu imaginava, havia dormido e acordado varias vezes durante o voo imaginando como ela estava porem eu tinha que esquecer o quanto ela era linda ao acordar, o quanto ficava perfeita quando corava, o quanto era lindo o seu sorriso quando conquistava algo, o quanto ela era perfeita em todos os sentidos. Eu suspirei e olhei para a janela, vendo o mar e pensei sarcasticamente “ Londres ai vou eu !” antes de fechar a janela e pegar um livro para ler.

Não havia percebido que tinha dormido,novamente , encostado na janela, a aeromoça havia me acordado e pedido para prendermos o cinto que iriamos pousar, estava bastante frio em Londres, suspirei derrotado, eu odiava frio, porem, o frio me lembrava a mulher que eu amava, Charllote Lewis , ela amava frio, pois poderia apreciar os cappuccinos sem queimar a boca de tão quente, acabei sorrindo involuntariamente, por lembrar do que sempre me falava no verão “Calor ! Droga de calor ! Eu quero é frio, eu amo frio , não fico cozinhando por meia hora quando vou para o central Park, se tem sol de mais as pessoas reclamam, se nevam clamam, por mim nevaria sempre, eu estaria no Canadá onde sempre neva, quando digo sempre, é sempre mesmo ! Aqui é só no inverno ! Grave o que digo Jared, irei para o Canada !” Era sempre a mesma coisa no verão enquanto uns aproveitavam a estação do sol, ela ficava estressada por sentir calor, iria ser longo período em Londres, não iria aguentar ficar sem ela, mas tentaria.

Levantei-me indo para fora do avião, logo indo em direção as malas, esperei por um longo tempo, quando avistei a minha, peguei rapidamente, a mesma já com raiva da demora, e fui para o frio da Londres, minha grande Londres , estremeci ao ver o quanto o vento estava gelado, pegando um taxi, falei o endereço para o motorista, e me encostei no banco, pegando o celular para ver se tinha algo de interessante. Quando liguei, vi treze chamadas da Samantha, cinco chamadas de James e uma mensagem da Charllote, quando vi que era mesma, eu gelei, com medo do que eu poderia ver, respirei fundo e abri a mensagem, já começando a lê-la , na mesma dizia : “Jared,sei que quando ver está mensagem , já deve está em Londres, eu tentei Jared , tentei chegar a tempo, mas quando li a carta já era tarde, Jared, quando passou pelo portão e disse adeus, você levou comigo algo que nunca um dia pensei entregar novamente “meu coração” . Eu o amo, mas se te ver longe de mim vai te fazer feliz, então aproveite sua vida em Londres, eu te amo, e sempre vou te esperar” . Fiquei chocado com as palavras, ela me amava , e eu tinha vindo para Londres, porem , me lembrei das palavras da noite anterior da minha viagem que Samantha me disse “Ela te ama Jared, ela pode negar , mas eu vejo o modo que ela te olha, ela ainda não sabe disso, mas ela te ama, Jared, ela só irá perceber quando estiver prestes a te perder ! Olha vá embora, e quando ela ver, ela vai lutar para ter você de volta, siga para Londres, ela precisa ver o quanto você é importante, vá” aquelas palavras haviam sido as inspiradoras da minha partida, eu estava em Londres para tentar viver minha vida sem ela, tentar , pelo menos viver sem que meu mundo girasse em torno dela. E havia sido verdade ela soube que me amava quando eu estava indo embora, quando ela estava me perdendo , percebi que havia chegado no local desejado, o apartamento que meu pai havia me dado aqui em Londres para ficar perto dele, não tinha adiantado pois em seguida ele sofreu um acidente, vindo a falecer, suspirei com as lembranças, suspirar, um ato que tinha se tornado diário par mim, desde que tinha conhecido Charllote, novamente ela veio em minha mente, segui a diante, pagando o motorista e indo com minhas malas para meu novo lar.

Fui direto para a portaria,reconhecendo o Sr. Carlos o porteira que cuidava do prédio a anos, o cumprimentei com uma animação um tanto inesperada, estava com saudades daquele apartamento. Subindo fui direto para o apartamento, percebendo que no mesmo andar a quatro anos atrás não tinha nenhum vizinho, pensando bem, vendo aquela garota de cabelos loiros ondulados, com feições singelas um pouco frágeis, ela me parecia familiar, foi então que ela se virou erguendo a cabeça me olhando surpresa.

–A meu Deus ! Jared? — Ela me olhou com um misto de surpresa e felicidade, não havia reconhecido na primeira vez que a vi, mais ao olhar aqueles olhos azuis, fui tomado por uma súbita animação.

–Melissa! Caramba a quanto tempo ! – Ela sorriu ainda mais ao perceber que eu havia a reconhecido, ela veio em minha direção me dando um abraço apertado, eu o retrebui com muito entusiasmo –Você está linda ! – eu sorri ainda mais a vendo corar como sempre, ela não gostava muito de ser elogiada, mais eu sempre ignorava este fato.

– Verdade ! Você foi embora sem se despedir , e você, melhorou muito desde a ultima vez que o vi, andou indo pra academia grandão? — Eu sorri um pouco envergonhado, por ela ter percebido essa mudança , desde a ultima vez que eu tinha a visto eu não tinha musculo nenhum e era um fraco nerd que ninguém gostava de andar – Ainda se sente envergonhado pelas garotas se jogando ao seus pés ?

– Urgh ! Paramos por aqui ! Então me conte as novidades, as coisas que eu perdi ! Bem, espero não está te atrapalhando – Foi então que percebi que ela estava arrumada para sair, para ir em algum lugar, esbocei um pequeno sorriso envergonhado.- É claro que não, eu estava indo tomar um café no The Closer . Então aceita um café ? Se é que você ainda continua com a mania de julgar todo café e querer tomar somente seus cappuccinos ! – Ela sorriu abertamente comigo, ainda continuava a mesma após quatro anos longe, a mesma junvetude, a mesma animação, sempre uma grande companheira – Porem temos que deixar essas coisas no seu apartamento ! –Ela sorriu ainda mais quando olhou minhas malas, foi ai que percebi ,ainda estava parado no corredor, sem muitas coisas a dizer fomos para o apartamento, conversando, perdi para ela esperar eu banhar e trocar de roupa, o que ela fez prontamente. Logo em seguida fomos para o The Closer , o café que ficava no final da rua , o único local onde eu costumava chamar de lar e hoje mais parecia um refúgio para começar a esquecer todas as coisas que eu havia deixado em Nova York.

Notas finais
Muitos dizem que o tempo cura todas as feridas. Mentira