Um Ano De Mudanças

2 Capítulo 2 - Quando a sua vida começa a desabar.


Notas iniciais
Ok, agora a historia vai ficar ainda mais dramatica kkk mas prometo que as coisas vão melhorar pra Caroline logo!

Me arrependi de ter saído no mesmo instante em que cheguei a calçada, a chuva tinha aumentado em um nível alarmante. Deveria voltar pra casa, pedir desculpas a minha mãe, deitar na minha cama e ficar deitada.

Mas eu não queria, eu queria fazer alguma coisa. Só nao sabia por onde começar.Quer dizer, tenho apenas 17 anos, um pai ausente, uma mãe em depressão, não tenho amigos, nem namorado. Não sou boa em nada, escrevo algumas músicas de vez em quando e minha mãe diz que eu tenho uma boa voz, mas acho que isso não vai me garantir uma faculdade ou uma casa nova com meu próprio quarto e um banheiro sem problemas com a descarga.

"Eu poderia pedir ajuda para a minha vó" pensei, e no mesmo tempo meu cérebro bloqueou essa possibilidade. Se tinha uma pessoa com quem eu não podia contar era a minha avó, ela nunca apoiou o casamento da minha mãe com meu pai (eu até posso entender o motivo), e quando minha mãe fugiu de casa e casou com ele escondido, minha avó meio que a deserdou. Minha mãe me levou para conhecê-la uma vez, e ela me tratou com desprezo. Aparentemente eu pareço muito com meu pai.

Desde então nunca mais tive contato com ela, vontade não me faltava. Mas eu sentia que nada do que eu pudesse fazer iria agrada-la, nem mesmo meu incrivel truque com cartas de baralho que aprendi a fazer assistindo algum programa aleatório na tv. Ta aí outra coisa em que eu sou boa, talvez eu possa trabalhar em algum circo e viajar pelo Brasil mostrando a todos o meu maravilhoso talento.

Ok, voltando a realidade.

Deixei meus pés me guiarem como se tivessem vida própria. Perdida em pensamentos, só voltei a mim quando olhei para trás e vique estava completamente perdida. Que ótimo! Já estava escurecendo, a chuva ainda não tinha dado uma trégua e minhas meias estavam encharcadas. Percebi que não podia adiar mais aquilo, sentei no chão e comecei a chorar. Era um choro alto e desesperado, e eu nem me preocupei em tentar abafar. Afinal, do que adiantava esconder? Ninguem realmente se importava, de qualquer maneira.

Na verdade eu me sentia cansada, tentei aguentar firme todo esse tempo, vesti a fantasia de mulher durona, mas não passo de uma garotinha indefesa. Eu apenas queria uma vida feliz, deitar no colo da minha mãe ou estar rodeada de amigos comendo cachorro quente. Era pedir demais?

Decidi voltar para casa, vou faltar ao trabalho hoje. Pensando melhor, vou me demitir e procurar um emprego melhor, já que estava tudo por minha conta agora, pelo menos farei as coisas direito.Tive todo o cuidado pra não fazer nenhum barulho, minha mãe com certeza já estava dormindo e eu não queria acorda-la. Tirei a roupa e fui colocar no varal para secar, mas quando passei pela cozinha um frasco em cima da mesa chamou minha atenção. Tratava-se de um remédio tarja preta que eu não me lembrava de ter visto em casa em nenhum momento.

- Mãe? Você está ai?

Não obtive resposta.

- Mãe?

Em passos lentos fui até seu quarto, tudo o que encontrei foi a cama desarrumada. Sem conseguir controlar a respiração, e com milhôes de pensamentos ruins na cabeça, abri a porta do banheiro, e a cena que vi com certeza será capaz de tirar meu sono pelo resto da vida.Minha mãe estava desmaiada no chao, ao seu lado havia cacos de vidro por toda parte, e a parede estava manchada de sangue. Senti meu corpo ficar pesado, e desabei no chão sem conseguir conter as lágrimas

.- MÃE? ACORDA MÃE!

Com a mão tremendo, tentei sentir sua pulsação e não consegui nada. Aproximei a cabeça do seu peito e também não consegui ouvir seus batimentos cardíacos. Olhei para as suas mãos e vi que tinha um pequeno papel enrolado, meio manchado de sangue. Era um bilhete, para mim.

"Querida Caroline, eu sei que você ja passou por muita coisa. E isso provavelmente será mais um choque pra você. Mas eu não tenho mais forças para continuar, e também não tenho mais forças pra te proteger. Você é a única coisa boa que me aconteceu, e agradeço a Deus todos os dias por ter uma filha como você. Saiba que eu tenho orgulho da garota forte e guerreira que você se tornou, por isso sei que ficará bem melhor sem mim. Siga a sua vida agora, realize seus sonhos e seja muito feliz. Eu te amo. E eu sei que você fará as escolhas certas"

Eu não conseguia acreditar em tudo aquilo, esperava que fosse alguma pegadinha daqueles programas de TV, e logo minha mãe sairia de trás da porta com uns cameras-man e logo estaríamos todos dando risadas e comendo biscoitos. Mas nada disso aconteceu.Pode parecer estranho, mas eu peguei o braço da minha mãe e me envolvi. Seu corpo estava frio mas não me importava, nada mais importava. Eu estava sozinha agora, não podia contar com ninguém.

E a onda de desespero voltou como uma avalanche, desabei a chorar compulsivamente, até que vencida pelo sono. Adormeci naquele chão frio do banheiro.

Notas finais
triste né? eu nao quis aprofundar mais sobre a morte da mãe de Caroline pq nao quero causar um certo "choque" entre vcs.