Um Anjo no Inferno

9 Capítulo 9 - Chega dessa história de pedofilia


Notas iniciais
Eu gostaria de pedir desculpas a todo mundo que esperou um capítulo semana passada e não teve, eu tive problemas com o Nyah de novo (vou me benzer juro) mas o suporte me ajudou. Eu não conseguia pegar a história do backupp do nyah e postar aqui, felizmente agora eu tenho ela inteira salva no meu computador. Queria dedicar este capítulo a Bloom pela linda recomendação! Sério eu não seria nada sem você..

Dale estava em cima do trailer fazendo a vistoria por cima do trailer de olho para o caso de um zumbi ou Sophia aparecerem. Andrea está preocupada mexendo na arma, ou brincando com ela o que seria mais apropriado. Ela não tem mira nenhuma, mas age como se tivesse muita experiência. Estou deitado no chão pensando sobre muitas coisas, sobre as chances de Sophia, sobre Cristal, sobre muitas coisas.

Ouço Carol chorando baixo e a encaro, deprimida e encolhida pensando na garotinha encolhida. Olho para o alto tentando não ouvir o choro insistente de Carol, mas isso só me lembra de quando eu me perdi na floresta, de como foi ruim. Só que eu sempre tive casca grossa, cresci na floresta. Sophia é diferente, é como se Cristal estivesse lá perdida...

Com esse pensamento levanto, sei que não vou conseguir dormir tranquilamente se não der uma olhada na estrada e na floresta. A imagem da Cristal encolhida e assustada com medo dos zumbis e assustada com os barulhos da noite. Pego minha besta e uma arma, a noite pode ser perigosa.

– Vou andar pela estrada, procurar pela garota – digo para Andrea e noto que Carol para de chorar e me olha com gratidão.

Andrea decide ir comigo, começamos a andar pela floresta iluminando a mata e atentos. A floresta não é uma amiga, ela pode ser uma inimiga cruel se não tiver cuidado. Não falamos nada um para o outro, cada um entretido em seus próprios problemas e pensamentos.

Sophia ainda pode estar viva, eu sobrevivi quando me perdi e não havia ninguém procurando por mim. Agora tem muitas pessoas procurando, ela vai voltar, não vai mais ficar perdida e assustada. A imagem de Cristal volta a minha mente, o que ela está fazendo comigo? Isso está ficando forte demais.

Voltamos para o trailer, vi a esperança de Carol sumindo conforme nos aproximávamos. Vejo que aos poucos a esperança dela vai diminuindo, suspiro frustrado e vou para dentro do trailer coloco minha arma no lado e fecho os olhos e tento dormir, tento apagar essa imagem de Cristal perdida na floresta, tento me focar em uma imagem dela sorridente e alegre.

Acordo com a claridade, combinamos de acordar assim que nascesse o dia. Comemos algumas frutas secas que o resto do grupo havia deixado, vamos até um carro e deixamos um recado com tinta para Sophia no vidro, também deixamos um pouco de comida, um cobertor e uma lanterna. Subo na minha moto, Andrea vai para a caminhonete e Dale e Carol para o trailer. Precisamos ir logo para essa fazenda nos juntar aos outros, mas o mais importante era ver se Cristal estava bem. Não tinha certeza que caso fosse necessário ela usaria aquela faca, ainda tive que pedir para Glenn ficar de olho nela. Glenn que no CCD não tirava os olhos dela!

Geralmente minha mente fica completamente vazia quando dirijo a moto, hoje está diferente. Sinto falta dela aqui na moto comigo, dos braços magrelos e finos me segurando, do seu rosto apoiado no meu. Não foi muito difícil encontrar a fazenda, me aproximo procurando por aquele mar de cachos loiros, nada.

Desço da moto na porta da casa do fazendeiro, vejo Glenn e T­-dog com algumas pessoas que não conheço – prováveis moradores daqui – a porta se abre e um senhor de idade sai acompanhado de Rick e Lori. A procuro com os olhos e nada, antes que eu pudesse perguntar onde estava, ela atravessa a porta.

Os cabelos loiros estão presos em duas trancinhas lhe dando um aspecto ainda mais delicado, a pele está mais pálida que o normal e há olheiras em baixo do seus olhos, mas mesmo assim quando nossos olhos se encontram ela sorri e vem correndo até mim.

Suas tranças balançavam enquanto ela se aproximava, parecia uma criancinha. Não consigo deixar de me perguntar o que houve com ela, quando ela não devia estar a mais de meio metro de distancia seus olhos se fecham e ela começa a cair no chão, a seguro pelos ombros preocupado. Que merda fizeram com ela.

Ela não acorda, chamo­-a pelo nome e ela simplesmente não acorda. A levanto a carregando nos braços – aquela típica posição de recem­ casados quando entram em casa e olho acusador para eles. O que fizeram com ela, eu mandei ela tomar cuidado. Mandei Glenn tomar conta dela.

– Vamos levá-­la para dentro, a pressão deve ter baixado – falou o senhor de idade – eu falei para ela não doar tanto sangue...

A carrego para dentro da casa tentando ser o mais cuidadoso possível, sua cabeça está encostada em meu ombro e ela está mole. Está muito parecida com quanto ficou doente e isso é assustador. Quase a perdi daquela vez, já perdi Merle e não quero perdê-­la agora. Não agora.

Que história é essa de doar sangue? Ela é magra demais, não é nem um pouco difícil carregá-­la, quase dá para sentir seus ossos! É obvio que ela não tem peso suficiente para doar sangue, tem teve essa ideia estúpida. Deito ela no sofá e o senhor começa a examiná-­la.

Depois de um tempo ele suspira e informa que ela vai acordar logo, olho para ela e nada. Passo os dedos por seu rosto e noto que ela não está quente. Ao menos não está com febre, mas mesmo assim é arriscada. Doar sangue, onde ela estava com a cabeça.

– De quem foi essa ideia estúpida de doar sangue, é obvio que ela não tem o peso mínimo para doar – falo olhando nos olhos de cada um – quanto ela doou?

– A ideia foi dela, ela chegou aqui falando que seu tipo sanguíneo é O­ e que poderia ajudar – falou o senhor de idade – você tem uma irmã bem cabeça dura, ela doou duas bolsas de sangue.

– Ela não é minha irmã – digo seco e grosso sem olhá-­lo.

Duas bolsas de sangue? Não entendo muito sobre quanto vai em uma bolsa de sangue mas sei que uma mulher com o peso mínimo – que ela não tem – só pode doar uma bolsa a cada 8 meses! Eles estão loucos? E como assim minha irmã? De onde esse velho tirou essa ideia estúpida?

Ela deu a ideia de doar sangue, francamente! Quando eu disse para ela vir porque estaria ajudando o Carl imaginei em apoio moral, segurar a mão dele, passar toalha em seu rosto. Não falei para ela doar quase todo o seu sangue, francamente o que ela tem na cabeça? Se eles fossem atacados por uma horda de zumbis ela estaria tão fraca que nem conseguiria fugir!

Seus olhos se abrem lentamente ela me encara e sorri de leve, seus dedos finos e frios tocam o meu rosto em um carinho. Dou um meio sorriso para ela por alguns segundos, ela está bem. É isso que importa, beijo sua testa sabendo que isso a deixa feliz. Seus lábios estão entre abertos e eu os encaro a lembrança do beijo que lhe dei enquanto dormia volta. Não foi algo bom o que eu fiz, jamais poderei confessar isso, me aproveitei de quando ela estava doente. Eu devia ter vergonha de mim mesmo.

– Concordei em deixar que vocês fiquem aqui até que Carl se recupere e vocês encontrem a garota sumida, mas não irei aceitar pedofilia na minha casa – falou aquele velho.

Pedofilia! Pedofilia! Quem esse cara pensa que é para se meter na minha vida, não sei se o que me deu mais raiva foi o que ele disse ou o tom quem que ele me disse. Tenho que me controlar a cada instante para não agarrar Cristal e fazer metade das coisas que gostaria de fazer porque ela é uma criança, uma garotinha inocente e doce demais. Eu não tenho nada com ela, absolutamente nada e mesmo que tivesse ninguém tem o direito de julgar de se meter. Eu não pedi para me apaixonar por essa adolescente que é inconsequente, põe qualquer pessoa em primeiro lugar antes dela e não quer machucar zumbis.. Eu não pedi, não sei porque aconteceu e se eu pudesse eu mataria esse sentimento. Mas eu também não quero ninguém se metendo na minha vida, o mundo acabando e as pessoas ainda conseguem arrumar tempo para se meter na minha vida.

Me levantei e corri na direção do velho o empurrando contra a parede, eu estava realmente irritado. Achei que essa merda de me chamar de pedofilo já havia terminado, será que cada vez que encontrarmos um novo grupo isso vai acontecer? O seguro sobre o colarinho, mas antes que eu possa quebrar a cara desse velho e descontar a minha raiva T­-dog e Shane pulam sobre mim me jogando no chão.

– Daryl fique calmo – fala Shane me prendendo no chão.

– Herschel a relação do Daryl com a Cristal é completamente fraternal, sei que parece outra coisa a primeira vista mas eles não tem nada – diz Rick intervindo – Daryl a encontrou em um banheiro assustada e a salvou de zumbis todas as vezes que eles apareceram, eles se aproximaram rápido... Ele perdeu o irmão na mesma época que a encontrou, foi quase uma transfusão de sentimentos...

Shane e T­dog me soltam, mas ainda ouço um sermão estúpido sobre ética e moral. Minha vontade era de sair dali, mas Cristal estava ali deitada no sofá completamente frágil pela pressão baixa. Ela leva uma colher de Sal a boca e faz uma careta pelo gosto salgado na boca, uma verdadeira garotinha.

Depois todos vão lá para fora para o enterro simbólico de um membro morto da família, pelo que eu entendi ele foi pego por zumbis quando foi até a cidade com Shane. Não pretendia ir, não conhecia o cara, não sei nem como é o rosto dele. Não tem o porque de eu ir em um enterro simbólico, seria algo completamente falso. Mas Cristal faz questão de ir – isso é algo bem típico dela, ela foi no que fizemos quando o nosso antigo acampamento foi ataco. Me preocupo que com o sol escaldante de lá de fora a pressão dela baixe novamente, ela ainda tem uma aparência doentia.

Os membros da família dizem algumas palavras, Shane descreve os momentos finais de vida do cara para a esposa e o filho dele (N/A: sim eu criei um filho para o Otis e a Patricia). Os membros da família Greene choram como crianças, não consigo deixar de achar que estão exagerando. Não chorei quando Merle sumiu, não sei nem se ele está vivo. Estamos em um mundo onde a morte é completamente aceitável e deveria ser normal.

Cristal vai até o filho do cara morto e o abraço, o rapaz a abraça forte com os braços contornando a sua cintura. Ele também é um adolescente, deve ter mais ou menos a idade dela e seus braços contornam a cintura dela. Minha mandíbula trava, eles estão próximos demais, sei que esse ciúmes é irracional. Não posso ficar com ela, mas isso não quer dizer que eu queira vela com outro rapaz. Ele não é digno dela, ela é pura demais. Nenhum rapaz é digno dela, não quero ela perto dele. Minha vontade é afastá-­los a força, tenho que me controlar fortemente para não fazer isso.

Depois ela volta para o meu lado, mais algumas palavras são ditas e no final todos nós decidimos deixar a família Grenne chorar pelo morto em paz. Levo Cristal até dentro da casa, ela precisa descansar. Ainda não falei com ela sobre essa ideia estúpida de doar sangue, Rick tem o mesmo tipo sanguíneo que o filho. Porque ela teve que perder quase todo o sangue?

Sento ela no sofá e a encaro, as olheiras por baixo dos olhos o ar de cansado. Mesmo assim seus olhos parecem brilhar, a cor parece ter voltado ao menos um pouco para seu rosto. Céus eu me preocupo demais com ela, não deveria ter me aproximado tanto. Isso pode acabar me matando, nos matando.

– De onde veio essa ideia de doar sangue? Foi uma ideia estúpida? E se a fazenda fosse atacada? Como você iria fugir? Eu falei para você se manter segura – digo ríspido.

Seus olhos se arregalam, ela comprime os lábios e ela se encolhe no sofá. Seus olhos que antes me encaravam tão profundamente adora estão abaixados, talvez eu tenha sido duro demais com ela. Mas ela tem que entender que não pode ser assim tão inconsequente. Céus não faz muito mais de uma semana que ela quase morreu, ela tem noção disso? Quando ela simplesmente desmaiou foi assustador, foi um sentimento de perda muito similar ao que senti quando minha mãe morreu.

– Desculpe... – ela diz baixo, quase um sussurro sem me encarar nos olhos.

The Walking Dead – POV Cristal

Eu estava em uma situação complicada e não tinha a menor ideia de como resolve­la. Quando cheguei na fazenda fui ver como Carl estava, ele não estava nada bem, sem um aparelho de respiração não poderia fazer a cirurgia e Rick estava doando mais sangue do que deveria. Foi por isso que resolvi ajudar, meu tipo sanguíneo é O­ sou doadora universal, eu poderia realmente fazer algo de útil pelo grupo. Daryl me disse para vir por Carl, jamais pensei que estivesse fazendo algo errado.

– Eu só queria ajudar... Não fique bravo comigo – digo sentindo meu coração se encolher diante da situação – não fique bravo.. por favor

Não tinha coragem de encará­lo nos olhos, como eu poderia ter? Estava morrendo de medo do que poderia ver neles, e se Daryl ficasse bravo para sempre comigo? E se agora ele passasse a me considerar um fardo? Eu não faço nada certo, e o medo de perdê­lo é tão grande.

– Nunca mais faça algo tão estúpido quanto isso – ele disse eu me senti ainda pior, foi quando ele por passou os dedos na ponto do meu cabelo que estava preso em tranças que eu ergui os olhos – não vou permitir que você morra...

E então o meu coração pode voltar a bater naturalmente porque aquilo me fez perceber que tudo estava bem. Só tenho que ser mais cuidadosa, posso fazer isso. Basta analisar bem a situação e ver se algo de errado pode acontecer. Todos no grupo parecem fazer, então eu também posso. Não pude continuar esse pensamento pois ouvimos um grito e T­dog chamando a todos.

Me levanto em um pulo do sofá, não estava mais cansada, nem um pouco cansada. Na verdade eu nunca me senti cansada, certo só quando eu acordei naquele sofá depois do desmaio. Não me arrependo de ter doado o sangue, mas não posso dizer que faria de novo. Tenho medo que Daryl fique realmente bravo comigo, gosto da preocupação dele ela faz com que eu me sinta especial.

É egoísmo meu me sentir assim,feliz por ele se importar. Devia me preocupar com outras coisas, mas não tenho controle sobre isso. Acho que nunca tive e desde que me descobri apaixonada por ele. Sei que ele não age assim com mais ninguém, essa preocupação por trás das atitudes grossas e isso só faz com que meu coração bata ainda mais rápido. Estúpido eu...

Meu pensamento é cortado quando vou ver o que todos olhavam dentro do poço, céus tem...tem um zumbi ali! Como ele foi parar ali, ouço eles conversarem mas não consigo desviar os olhos do zumbi. Ele é gordo, os olhos parecem meio opacos e ele tenta subir mais não consegue. Será que zumbis podem morrer afogados? Achei que havia uma força que os afastada da água, eles saberem nadas é assustador. Senti alguém segurar meu braço e o puxar para trás, caio no chão e engulo o grito que iria soltar ao olhar para Daryl.

– Fique longe daí, se cair você vira jantar de zumbi – ele diz sério.

Engulo em seco, mas não ouso me aproximar de novo. Não quero morrer, de certo esse é um bom lugar para um zumbi ficar. Bem distante, vejo eles se movimentando e acordo para a realidade, não posso ficar olhando para as nuvens. Não quero ser um peso,tenho que me concentrar em ser útil para o grupo, isso é o mais importante. Me levanto e vou até onde estão, vejo que eles tem uma corda dentro do poço com algo dentro, mas o zumbi nem dá bola.

– Talvez ele não goste de comida enlatada... – digo pensando alto e todos me olham, droga falei alto demais. Daryl faz um sinal com a mão para eu continuar, respiro fundo – quer dizer não vemos eles atacando supermercados ou despensas...

– Precisamos de uma isca viva – diz Andrea me olhando.

Engulo em seco, o modo como ela me olha diz sugestivamente que ela espera que eu seja essa isca. Engulo em seco e faço lentamente que sim com a cabeça dando um passo para frente. A ideia de ficar perto de um zumbi em um poço escuro e úmido não é nada animadora. Mas tenho que ajudar, não sei atirar nem nada e eu sou a mais leve... Tem sentido eu ir.

Daryl segura minha mão e me puxa para trás dele, o toque dele na minha pele ainda me deixa arrepiada. Céus tenho que parar de pensar nisso, droga será que isso está na lista de coisas estúpidas que eu não deveria fazer? Talvez, isso parece mais perigoso e ligado a zumbis do que doar sangue. Droga Daryl vai me matar.

– Ela não vai entrar naquele buraco! Não me importa quem vai entrar lá, Cristal não é uma opção – diz Daryl irritado – ela pode ser mais leve, mas é a mais indefesa! Porra ela não tem o menor instinto de sobrevivência e ela desmaiou faz algumas horas! Qual o problema de vocês? E se ela desmaia lá dentro! Ela doou duas merdas de bolsas de sangue. Mandem o chinês entrar ai, ele é tão leve quando ela e mais ágil!

Todos nos encaravam, abaixo o rosto constrangida. Daryl ainda segurava a minha mão com força e eu segurava a mão dele de volta. Ele beijava a minha testa, as vezes me abraçava e dormíamos próximos, mas era difícil segurarmos as mãos. No fim Glenn decide entrar no poço e evitar confusões. O abraço forte para desejar boa sorte, sei que sou uma covarde por não ir lá. Deveria ter vergonha de mim mesma.

De repente o cano onde a corda estava sendo presa se solta do são, grito alto vendo a corda correr. Todos tenta segurar a corda para impedir que Glenn despenque até o chão. Céus isso é perigoso! Corro até o poço preocupada e arregalo os olhos ano notar o quão perto ele está do zumbi! Meu deus ele não pode morrer! Se ele morrer eu jamais vou me perdoar. Ele gritava para que nós o tirássemos dali, isso não pode estar acontecendo... Eles começam a puxar a corda e vejo Glenn se aproximar da superfície, ele pula para fora do posso e se joga no chão. Ele estava ao meu lado, me jogo no chão ao seu lado e o abraço forte, ele me abraça também. Nossos joelhos estão no chão e eu sinto sua respiração no meu pescoço, tive tanto medo que ele morresse.

– Você está bem? Está ferido? – sussurro preocupada em seu ouvido, ele ainda me abraça forte – é tudo culpa minha, eu deveria estar lá.

– Não... – ele disse se levantando – Daryl estava certo, aquele lugar não era para você.

Depois disso ele fez um carinho nos meus cabelos e se levantou, todos nos encaravam. Não sabia como me sentir com isso, Daryl estava sério. Um pensamento estúpido se passou na minha mente, pensei que ele pudesse ter ciúmes. Quer dizer isso é impossível! Daryl Dixon com ciúmes de mim! De mim uma garotinha como eu? Impossivel, o que ele sente por mim é algo fraternal. Rick disse mais cedo que ele me usou para esquecer o irmão... deve ser isso, coisa de irmão.

– Nunca mais... volto lá – ele disse ofegante entregando a corda que segurava para Tdog – aqui está o seu zumbi.

Todos, menos eu, correm até o poço para ver o zumbi prego em uma corda. Acho que não tenho estomago suficiente para ver o zumbi sendo erguido no ar. Me sento no chão e fico olhando o grupo, tento ficar um pouco na sombra, quando tentei ajudar com a corda fui vetada por todos falando que eu ainda não estava recuperada de tanto sangue perdido. O jeito foi ficar olhando e torcendo por eles.

A cabeça do zumbi apareceu e logo boa parte do seu corpo, puxei os joelhos e me encolhi. Mesmo assim não consegui tirar os olhos dele, me perguntava qual a sua história. Sua história de vida, como teria sido infectado. Será que foi logo no inicio? Será que ele resistiu por um bom tempo? Será que foi doloroso? Em certo momento a cabeça dele virou e ele me encarou, o encarei de volta. Ele era enorme, será que ele tinha família?

O corpo grande já estava mais da metade para fora do poço quando aconteceu, o corpo se dividiu na metade e a metade inferior caiu no poço, dava para ver vários órgãos do corpo do cara. Levei a mão a boca, aquilo era nojento, senti vontade de vomitar.

Fechei os olhos quando T­dog, Daryl e Shane começaram a bater na cabeça do zumbi e esmagá­la. Aquilo era completamente nojento para dizer o mínimo, o cheiro chega no meu nariz e era nojento, o zumbi emitia alguns gemidos. Meu corpo não parecia me obedecer, eu simplesmente corri. Corri até a fazenda, corri para longe dali. Aquilo era demais para mim, demais.

Corri para dentro da fazenda, ouvi meu nome ser chamado algumas vezes mas não me atrevi a olhar para trás, corri até minhas pernas doerem e eu chegar na casa da fazenda, parei de andar sentindo meus músculos doerem. Olhei e vi o dono da fazenda, um senhor chamado Herschel que cuidara de Carl.

– Oi – falei meio ofegante.

Ele colocava água, ou algum outro liquido em uma maquina de metal, a olhava um pouco intrigada. Não sabia nada sobre maquinas, muito menos as que deviam ser usadas em fazendas. Fui criada em cidades grandes, cresci em Atlanta e estudei em New York. Acho que o meu maior contato com animais não domésticos foi no zoológico. Completamente humilhante, mas talvez possa recuperar o tempo perdido.

– O que houve? Está passando bem? – ele perguntou.

Herschel era um cara legal, ele se fazia de tudo e isso é provavelmente para proteger a família. Ele é mais na paz, talvez seja até como eu que não consegue matar zumbis. Não tenho muita certeza sobre a ultima parte, afinal pelo que eu entendi o líder do grupo geralmente mata zumbis. Demorou um pouco até o meu coração se acalmar e eu conseguir respirar normalmente.

– Tinha um zumbi no poço... tentaram o tirar sem matá­lo – falei e comecei a narrar a história, desde a entrada de Glenn até eles batendo na cabeça do zumbi – não consegui ficar lá, acho que tenho estomago fraco. Não consigo matar zumbis, eles ainda parecem muito humanos pra mim.

Mordi o lábio inferior de leve me sentindo tola, havia falado demais. Quer dizer sei que falo muito, principalmente o que não deveria. Tenho que pensar mais antes de agir, Daryl me disse isso. Só que isso é complicado, as palavras simplesmente saltam da minha boca. Falar que não tenho coragem de matar zumbis porque eles são muito humanos, quando disse isso sem querer na frente do resto do meu grupo todos me olharam como se eu fosse doida e ficaram um bom tempo tentando mudar o meu ponto de vista. Não conseguiram, obviamente, e só pararam quando Daryl se irritou e falou vários palavrões e disse que eles não tinham nada haver com isso. Certo vou admitir que quando ele disse que me protegeria dos zumbis então o que eu sinto em relação a eles não faria diferença o meu coração bateu muito forte.

Fui despertada dos meus pensamentos quando Herschel fez um carinho de leve no topo da minha cabeça, meio que como os avôs fazem. Aquilo fez com que eu me sentisse bem, olhei nos seus olhos e vi que ele não me achava uma louca, ou idiota ou iria tentar fazer que eu mudasse a minha opinião.

– Você é uma boa garota, não perdeu sua humanidade. O seu gru... o mundo precisa de mais garotas como você – ele falou e eu sorri envergonhada – eles devem estar preocupados.

– Me deixe ajudá­-lo, eles estão ocupados com o zumbi ou fazendo ronda. Não tenho nada para fazer – falei quase implorando com os olhos – nunca estive em uma fazenda antes, mas aprendo rápido. Não vou atrapalhar, só vou fazer o que você mandar.

Ele me olhou, não disse nada. Parecia pensar sobre os pós e contras de me deixar ajudar. Os contras provavelmente devem ser a minha falta de talento para coisas do campo, quer dizer eu nem sei o que ele está fazendo. Mas posso aprender e isso seria bom para ocupar a minha mente. Não vou dar trabalho e sou boa em seguir regras, Daryl poderia dizer isso a ele. Droga será que Daryl ficaria bravo por eu estar aqui? Acho que não, quer dizer não é como se a minha vida estivesse em risco.

– Não sei se é uma boa ideia, não quero problemas com o Rick. Melhor voltar para perto dos seus – ele disse me deixando bem desanimada.

Droga não queria voltar para lá, Daryl já devia ter saído para procurar Sophia e todos os outros deviam estar ocupados com o zumbi. Além disso eu queria ser útil, sou inútil na maior parte do tempo para o acampamento. Queria ser útil na fazenda e também queria ter a chance de conhecer melhor os Grenne, eles parecem pessoas boas. Herschel até nos ajudou a curar Carl e nos deixou ficar por aqui. Mas seria uma grosseria da minha parte insistir para ficar ali, talvez outro dia.

– Tudo bem – disse tentando esconder o desapontamento em minha voz – se mudar de ideia e achar que precisa de ajuda pode me chamar. Você não terá problemas com o Rick, ele não cuida de mim. Quem faz isso é o Daryl, mas ele não liga que eu me ocupe se não for perigoso... bem não vou mais te atrapalhar, tchau.

Talvez ele mude de ideia amanhã, também posso perguntar se Maggie, Beth ou Patricia precisam de ajuda em alguma coisa tipo lavar roupa, também nunca fiz isso (nossas roupas no internato eram lavadas por funcionários, eles falavam que tínhamos que nos preocupar com a dança e não com isso). Já havia me virado e dado alguns passos quando ouço a voz de Herschel.

– Poderia me passar aquele balde – ele diz e eu abro o meu melhor sorriso

Acabei ficando a tarde inteira ali, passando ferramentas e água. Descobri que a água posta ali iria por um mecanismo encher os bebedouros dos porcos e cavalos. Aquilo foi bem legal, conversamos sobre algumas coisas sobre nós e as nossas vidas antes de tudo isso.

A primeira esposa do Herschel (a mãe da Maggie) morreu quando ela era pequena, ele se casou alguns anos depois com a mãe de Beth que foi contaminada por esse vírus que tem transformado todos em zumbis. Descobri que Patricia e Otis trabalham aqui, eles vieram quando a mãe da Maggie morreu e Herschel não conseguia cuidar de uma garotinha sozinho. Patricia teve seu filho – Bruce – um pouco antes de Beth nascer. Atualmente todos moram aqui, isso é bem legal. Acho, contei um pouco sobre como era a minha vida.

Do meu sonho de ser dançarina, de como estava passando as férias em casa quando tudo começou. Contei como Daryl me salvou e das coisas que aconteceram desde que entrei para essa grande família com quem tenho seguido viagem. Contei das baixas que tivemos, do CCD (menos a parte do beijo, isso eu vou manter a 7 chaves pelo resto da minha vida),da minha doença e de todo o resto até chegarmos na fazenda. Conversar com aquele senhor era fácil, tão fácil quando falar com Dale, eles me lembravam um pouco os meus avós.

Ajudei ele a organizar algumas coisas, e prometi que voltaria no dia seguinte. Não sei se ele levou a sério, só notei que o tempo havia passado quando Bruce nos encontrou e me olhou surpreso. Acho que ele não me esperava aqui, não sei ao certo.

– Cristal não deixe Herschel te colocar para fazer todo o trabalho duro – ele disse me fazendo rir – assim vou ficar sem trabalho.

– Podemos dividir, que tal? Metade para cada um – digo estendendo a mão para ele.

Ele ri junto com Herschel, acho que disse algo engraçado. De qualquer modo já estava tarde e era melhor eu ir encontrar com os outros no nosso acampamento, me despedi e falei que os veria depois. Dei um beijo na bochecha de cada um deles e fui correndo para o acampamento.

Cheguei lá e todos estavam em volta de uma fogueira esperando a comida ficar pronta, não sei o que é mas o cheiro está ótimo. Sorrio para eles, vejo Daryl sentado mais afastado e me sento ao seu lado, todos estavam quietos e não conversavam me encaravam seriamente.

– Onde você esteve, ficamos preocupados depois que você saiu correndo – comentou Andrea.

– Fiquei ajudando o Herschel a por água para os animais, não é tão difícil quanto parecia – falei animada – ele disse que posso ajudá­lo amanhã, Bruce falou que também posso ajudá­lo...

Todos me olhavam, inclusive Daryl, como se eu tivesse algum problema. Droga, o que eu fiz de errado agora? Eu achei que estava tudo bem, achei inclusive que não estava atrapalhando. Olhei para baixo sentindo minhas bochechas ficarem cada vez mais vermelhas, fiz alguma besteira e das grandes e ninguém quer me falar. O pior Daryl vai ficar bravo de novo comigo de novo. Seria mais fácil eu saber como agir se eu entendesse melhor o que esperam de mim, quer dizer não me meter em problemas... Não achei que estava fazendo isso, talvez seja melhor eu perguntar isso mais claramente para Daryl mais tarde, isso se ele não estiver muito bravo comigo. Tomara que não esteja muito bravo comigo.

– Cristal, hoje de manhã Herschel falou que não nos queria na fazenda, que podia tomar conta de tudo sozinho – fala Rick.

Droga fiz besteira, uma besteira das grandes. Mas eu não sabia! Ninguém havia me falado que eu não podia tentar ajudar, ou que eu não podia ajudar. Será que eu posso ser culpada por fazer algo que eu nem sabia que era errado? Aparentemente sim.

Notas finais
Muito obrigada a todos que ainda acompanham a fanfic, vocês não sabem o quanto isso é importante para mim
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.