Notas iniciais
Ta pequeno, mas não queria demorar mais para postar. Espero que gostem da nossa Aurora, espero não demorar tanto para o próximo cáp.

Aurora

Mais uma manhã se inicia e minha preguiça de levantar vem multiplicada ao cubo, sábado para a grande maioria é dia de descanso, para mim o dia mais agitado da semana, para quem trabalha com figurinos para apresentações o sábado é dia de entregas, retoques de última hora, sempre tenho que apertar os figurinos, ok, acho que estou de mau humor, falando mal de bailarinas sendo que sou uma, um pouco fora dos padrões, mas ainda sou uma. Sou Aurora Pallock filha de ciganos, 25 anos, Estilista e que possui um pequeno apartamento em Nova York.

Chega de ficar pensando na vida tenho muita coisa pra resolver hoje. Levanto já checando as horas no celular que marca exatamente sete e dois, vai dar tempo de passar na cafeteria. Fiz a higiene matinal e tomei um banho rápido, coloquei um vestido soltinho com saia rodada, meia calça preta e sapatilhas porque andar de salto a essa hora da manhã ninguém merece, coloco tudo que vou precisar na bolsa e saiu rumo a garagem que é no subsolo do prédio, antes pego os figurinos que entregarei na Lun Academy que para nível de informação a dona é minha tia Dalila outra desvirtuada como diz a mamãe, nem sei por que a vovó deu esse nome pra ela, pois de dócil essa mulher não tem nada. Nós ciganos costumamos colocar o nome segundo a personalidade da pessoa ou o que esperamos que ela seja também temos três nomes o primeiro que é o nome de batismo que é como a sociedade irá nos reconhecer, o segundo que só os membros da tribo, clã ou para simplificar, os ciganos nos conhecem e o terceiro que é sussurrado em seu ouvido pela mãe, então logicamente só você e ela sabem. Os meus são Aurora como já mencionado, Zafira que é como minha família me chama e o terceiro é secreto, não posso dizer. Já não sou considerada uma seguidora das tradições ciganas, imagine se disser meu terceiro nome pra alguém, apesar de ser um pouco contrária a certas ideologias do meu clã tenho orgulho de ser cigana e não quero ser deserdada de vez.

Passo na cafeteria a duas quadras de casa, compro alguns biscoitos e um café extra forte pra viagem e sigo para a escola de dança, agradecendo mentalmente que o trânsito está muito bom hoje, o que é novidade se tratando de Nova York.

Assim que coloco os pés na Lun minha tia aparece toda trabalhada no brilho (de jóias, porque essa daí só usa preto) mandando e desmandando nas coitadas das bailarinas que buscam apenas alguns minutinhos de descanso, mas dona Dalila não sabe o que é descanso devo acrescentar. Titia é uma quarentona com 1,60 e magra, sério ela fez alguma mandinga para ter esse corpo em plenos quarenta e três anos, é loira de farmácia, não que fique feio pra ela, pelo contrário, os cabelos presos em um coque bem feito, os olhos grandes e negros como a noite ganhando destaque devido a maquiagem leve. Uma característica da minha família são os olhos e cabelos negros, aposto que titia só pintou as madeixas pra ir um pouco mais contra as naturezas ciganas, essa dai ama irritar a vovó.

Enquanto ela se aproxima entrego os figurinos para Melissa, a recepcionista magricela com sorriso fácil. já devem ter percebido que aqui todos são magros e ressalto isso a todo momento, não que eu seja gorda, peso cerca de 68 kg distribuídos em 1,68 de altura com corpo violão, pernas torneadas devido as aulas de dança, tipo normalzinha gente.

— Sua benção tia, como está? — digo já recebendo um abraço de urso e beijinhos nos dois lados do rosto.

— Deus te abençoe filha, estressada, essas meninas não estão prontas e ficam de lenga lenga pelos cantos da minha escola. E você como está ? Engordou em, tem que parar de comer esses biscoitos. — paro de ouvir aí, é sempre assim ela começa a falar e nem deixa as pessoas responderem, depois reclama da vovo sendo que é igualzinha. sai me puxando pelos corredores sem parar de falar um minuto e eu só confirmo entendendo meia duzias de palavras.

Paramos na sua sala, melissa entra logo atrás, coloca os figurinos em um cabideiro e sai fechando a porta. Me acomodo na cadeira de couro destinado aos visitantes enquanto titia dá uma pequena avaliada nos figurinos.

— O que achou tia?

— Maravilhosos como sempre, os ajustes só podem ser feitos daqui duas semanas, pois as meninas estão em uma competição no Texas.- fala já sentando do outro lado da mesa.

— Sério tia, poderia ter me avisado, sabe o quanto corri para preparar isso pra hoje e desmarquei um compromisso com o pessoal das jóias.

— Desculpe querida, mas foi de última hora. Além disso só conseguimos nos ver quando você vem para os ajustes. Já disse para não abandonar a família toda por causa de alguns, a srta sabe muito bem que não sou como os outros do clã, mas me trata como....- e começou o monólogo de novo. mas dessa vez vamos pará-lo

— Tia tia, calma ae. Se lhe tratasse igual a eles não estaria aqui, pode ter certeza. Não estou aparecendo tanto porque estou com muito trabalho e prestes a fechar um contrato com uma marca famosa que ainda não posso revelar e a vogue está mandando mais freelas que o combinado. — Ela faz uma careta e continua.

— Tudo bem então, mas lembre-se de sair e se divertir, não viva somente para o trabalho. Sua mãe ligou. — lá vem.

— O que é dessa vez ? — desde que decidi sair de casa para cursar a faculdade minha mãe não fala diretamente comigo, só trocamos algumas palavras através de titia, minhas amigas na comunidade me ligam escondido de seus pais, pois eles pensam que irei desvirtua-las. Eles não me deserdaram porque gastaram muito com minha educação e querem isso de dote quando me casar, até parece que isso vai acontecer um dia.

— O aniversário de sua prima, elas pediram que eu indicasse uma estilista, adivinha quem eu indiquei minha querida cigana Zafira.- diz com um sorrisinho de lado. Argh que ódio, ela não devia ter feito isso.

— Não, não e não, nem pensar tia. Como a Sra me faz isso, sabe que para fazer o vestido terei que ir até lá. Eles vão fazer da minha vida um inferno. — drama mode on.

— Para de drama menina, Karen adorou a ideia de você desenhar o vestido dela e bem será uma oportunidade de mostrar que você é perfeitamente capaz de preservar as tradições mesmo longe deles — olhando por esse lado, sou muito boa no que faço e meus modelos sempre tem toques ciganos. ela corta meus pensamentos.

— E não é como se você fosse leiga no assunto "vestidos para ciganas", já vi diversos croquis que são verdadeiras obras de arte e adivinha quem os fez?.

— Ok, ok. andou bisbilhotando de novo né — ela apenas sorri como resposta — duvido que Karen tenha adorado a ideia, aquela ali me odeia, mas vou pensar, quanto tempo tenho pra decidir ?

— Karen sabe que é uma estilista renomada, só não sabe que é a prima. — deixo uma risada escapar — que foi ?

— Não acredito que omitiu quem sou, você é suja titia. — agora é a vez dela de rir.

— Imagine a cara deles quando verem que a estilista de sucesso que trabalha pra mim, pra vogue e mais alguns grandes nomes é a fugitiva que todos desprezam.

— Ok, seria hilário, mas quanto tempo tenho pra decidir?

— A festa será em seis meses. faça as contas querida. — tenho três meses então.

— Ótimo, assim que decidir lhe aviso. Agora vou indo — digo me levantando — tenho coisas a fazer, bye bye tia. — saio da sala antes que ela comece a falar.

Assim que chego no carro confiro na agenda o que posso adiantar das coisas que tenho pra fazer na segunda. Aqui, vamos atrás de alguns tecidos. ligo o carro e vou em direção ao centro, torcendo para que a Lá Seda esteja aberta.

O trânsito estava horrível na volta pra casa fiquei 40 min parada e outros 30 tentando chegar em um cruzamento para sair das grades vias congestionadas. por fim só chego em casa as sete, jogo no sofá da sala as compras e sigo para o banheiro tomar um banho relaxante no caminho peço uma pizza para o jantar.

Assim que saio do chuveiro o interfone toca é Sr. Raff. avisando que o entregador chegou, autorizo sua entrada.

— Pizza, pizza, pizza. — Vou cantarolando enquanto pego o dinheiro e caminho até a porta abrindo-a, o entregador me olha um tanto quanto estranho, pago e fecho a porta.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.