Um Amor Sem Limites
5 Um sequestro bem suspeito
Artemis abriu os olhos com dificuldade. Estava deitado em rocha sólida, podia sentir o chão frio. Não queria acordar. Não podia acreditar que não tinha pensado naquilo, que não tinha percebido a armadilha, era tão evidente! Até Holly estava desconfiada...
Holly... Por falar nela...
Artemis entrou em desespero. Tinha colocado Holly, e talvez Palha em perigo. A doença o teria afetado realmente. O Artemis de antigamente nunca deixaria isso acontecer.
–Holly... – sua voz estava fraca – Holly, você está ai?
Ao invés de uma resposta, Artemis recebeu um soco no braço. Não o típico soco que Holly dava para cumprimentar, um soco dez vezes mais forte.
– Ai...
– Viu o que você fez Artemis? – Holly estava sussurrando, mas tão furiosa quanto se estivesse gritando – Eu avisei que era uma armadilha! Mas você nunca me escuta!
Artemis desconsiderou por um momento a provocação. Ele colocou os dois ali. E era ele quem iria tirar. Só precisava bolar um plano, dessa vez um sem falhas.
Artemis olhou ao redor “Analise a situação” teria dito Butler. Era um cômodo isolado, provavelmente um porão, porque a única janela, com grades de ferro, parecia sair em um jardim, evidentemente no subsolo. A porta era revestida de ferro, com mecanismos de segurança, e um código complicado. Artemis e Holly estavam em uma espécie de prisão, mas com ferro revestido, e vazado com barras, o que dava pra ver o cômodo todo.
No outro lado da sala um centro de controle com diversas telas e dois computadores, como os que Artemis tinha em seu escritório. Aliás, aquele lugar o lembrava muito seu escritório, na época que tinha aprisionado Holly, a não ser por uma estranha construção.
A construção estranha era de ferro e media um metro e meio de altura, com um circulo no meio, como se fosse uma passagem. Estranho, uma passagem pra onde? Não, aquilo era uma espécie de portal. Minerva não estava mexendo só com a ciência humana, havia magia ali.
Holly parecia estar observando também, olhou pra Artemis, esperando que ele dissesse alguma coisa. Então notou as câmeras, por toda aquela prisão. Então não achou que era uma boa hora pra arrancar um plano infalível de Artemis.
Mas desde que acordou ela estava sem equipamento, o capacete havia sumido, e a sua Neutrino também. Não conseguia se concentrar sem sua arma. O que restava era o macacão que estava em frangalhos, como se estivessem arrancado todos os fios eletrônicos e mecanismos. A qualquer momento aquela roupa iria rasgar, e ela ficaria realmente constrangida. E havia um colar fino de ferro no seu pescoço, como uma coleira, estranho.
Então ela apareceu. A porta se abriu com um BIP e de lá saiu Minerva Paradizo. Os cabelos longos, antes cacheados, agora estavam lisos. Ela vestia um suéter com mangas longas, e uma saia cinza e os óculos garrafa. Ao contrario do cabelo, o jeito de Minerva de se vestir continuava o mesmo.
– Artemis Fowl, que surpresa! Não esperava vê-lo por aqui...
Artemis se levantou em um salto. Não sabia o que dizer... Não sabia o que fazer. Possibilidades e Probabilidades iam e vinham na sua mente como nunca agora.
– Minerva Paradizo... Também não esperava vê-la por um bom tempo.
– Porque o espanto Artemis? Achou que eu nunca seria capaz de te capturar? E nem a essa criatura?
– Você... As armas...
– Ah, sim! As armas! Veja bem Artemis, precisava das armas para o meu pequeno projetinho.
– Projetinho? – Perguntou Holly.
– Não dirija a palavra a mim, criatura. A conversa aqui é entre mim e Artemis.
Em um impulso, Holly tentou usar sua magia pra calar aquela garota irritante. Mas o colar de ferro que estava em seu pescoço transmitiu um choque muito forte. E Holly caiu no chão.
Artemis abaixou e colocou a cabeça de Holly em seu colo, afagou seus cabelos e tateou a corrente de ferro em seu pescoço.
– O que você fez?!
– Ela vai ficar bem. Vamos Artemis, você não é apegado a “isso”, é? – Perguntou Minerva, com um olhar de repulsa.
Uma súbita faísca de compreensão brilhou nos olhos de Artemis. Ele carregou Holly e a colocou na única cama da cela.
– O que é isso? – Disse Artemis, apontando para o pescoço de Holly.
– É somente um mecanismo feito para bloquear a magia, é simples, quando detectam alguma faísca, ele manda um choque de muitos volts.
– Você iria precisar de uma amostra de magia...
– Exato, eu recolhi umas amostras enquanto a coisa estava apagada... Viu Arty? A gente se entende... – Minerva se aproximou da cela e tentou tocar a mão de Artemis, que recuou repugnado.
– Você é louca!... Afinal... O que você pretende com tudo isso?
– Estou tentando terminar esse... ér... Supercomputador que estou desenvolvendo. Aliás, não é da sua conta.
Artemis franziu o cenho. Minerva havia hesitado, ela estava mentindo.
– Não me parece um supercomputador...
– Ora, cale-se! – Minerva estava evidentemente nervosa, mas se recompôs – Artemis, me desculpe ser rude com você... Eu vou soltá-lo amanha, depois de ter terminado, aí lançarei imediatamente na imprensa, e então ninguém poderá me impedir. Você não precisa se machucar.
– É esse seu plano? Lançar uma tecnologia super avançada para humanos extremamente mercenários e sedentos de sangue? O povo das fadas será descoberto!
– Sabe? Isso não seria de todo ruim... – Minerva desviava o olhar – Imagina essas criaturas como nossas escravas? Os humanos com posse da magia?
– Minerva, você sabe o caos que isso vai causar! Não seria do seu feitio.
– Ora, não seria do meu feitio?! Humanos mercenários e sedentos de sangue?! Você diz isso como se você muito bom... Como se excluísse si próprio a sua raça!
– Eu mudei Minerva. E pensava que você também.
– Você não me conhece Artemis Fowl! As pessoas não mudam! Eu tinha 12 anos, era uma criança assustada. Agora tenho 16 e percebo que fiz tudo isso em vão! Eu preciso voltar...
Então ela se calou e cobriu a boca. Como se estivesse falado algo que não devia. Artemis percebeu.
– Voltar... Como assim voltar, Minerva?
– Chega! Você tem sorte de eu te soltar ainda!
– Minerva...
– E você tem um quarto lá em cima.
Essa súbita mudança de um assunto confuso para um absurdo foi bastante perceptível. Minerva estava tentando esconder algum coisa.
– Como?
– Você entendeu.
–Eu não vou largar Holly – Ele olhou pra amiga, que estava acordada agora, tentando se levantar com dificuldade.
– E vai dividir a cela com essa criatura? Aqui só tem uma cama. O quarto de hóspedes é bem mais confortável.
– Mas ela não pode ir, suponho.
– Claro que não! Não seja idiota, não ia querer levar “isso” com você.
– Não se refira a ela como “isso”! – Artemis já estava furioso com aquilo tudo. – Qual a necessidade de manter Holly assim? Ela não pode usar magia! Você está sendo ridícula! Seu plano é cheio de falhas e contras, não percebe? Você enlouqueceu!
Minerva estava vermelha de raiva. Então simplesmente se virou e saiu da sala, dizendo ao chegar na porta:
– Realmente Artemis. Esse plano é cheio de falhas, fazer o que... Você não é tão inteligente quanto antes.
Então saiu, deixando Artemis e Holly sozinhos.
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