Um Amor Sem Fronteiras
22 Fim dos Mistérios!!!
Notas iniciais
– SAMANTHA! – gritou Vivi parecendo “acordar” e descendo o mais rápido que podia.
Quando chegou lá no fundo da grota, Samantha, já de pé, procurava limpar o barro que havia sujado toda sua roupa rasgada. Na testa, um corte que sangrava.
– Você esta bem? – perguntou Vivi tirando um lenço para limpar o sangue.
– Sim, estou...
– Não quebrou nada?
– Não, felizmente. Foi só o susto.
– Desculpe ter insistido para você vir! A culpa foi toda minha!
– Melhor voltarmos e deixarmos o bosque para outro dia. Será que você é capaz de subir?
– A perna está doendo, mas acho que sim. Vamos tentar. Levaram um bom tempo para chegar ao topo, e muitas vezes Vivi teve de ajudar Samantha.
– Melhor não comentarmos o acidente em casa – sugeriu Vivi, depois que as duas já estavam montadas. – Mamãe poderia chamar-me de irresponsável e...
– Está bem, eu compreendo – prometeu Samantha não vendo a hora de tomar um banho quente e mudar de roupa.
Quando chegaram, Luna já avia retornado de Acácia, que ao ver o estado da namorada ficou preocupada, querendo saber o que avia acontecido, porem Samantha a tranquilizou dizendo que avia sido apenas um tombo que avia tomado na caminhada pela fazenda. Felizmente ninguém mais fez mais perguntas ou suspeitou do acontecido.
A noite caiu e Samantha foi dormir mais cedo porque estava exausta pela emoção do passeio. Não foi, porem um sono tranquilo. Despertou assustada, em meio a um pesadelo no qual ela mergulhava em uma grota profunda. Sentando-se na cama, levou a mão à testa e olhou o relógio: uma da madrugada. Samantha sentiu sede. Levantou, foi até a cozinha, tomou um pouco de água e voltou. Depois, deitou-se, se cobriu e pagou luz. Estava quase novamente mergulhado no sono, quando escutou ruídos lá fora. Teve a impressão de que eram no jardim. Curiosa, levantou-se, abriu a janela e espiou por uma fresta. Quando bateu os olhos no jardim onde a fraca luz do poste iluminava o canteiro de rosas, estremeceu:
– Ana Beatriz?!
Plantada no jardim, olhando para o casarão, estava Ana Beatriz com a roupa azul da pintura e tendo as mãos um punhado de rosas brancas. Samantha gelou! Era uma sensação que misturava pavor, satisfação e ódio. Se afinal queria lutar contra Ana Beatriz, aquela não seria uma ótima oportunidade?
De repente, tomada por uma estranha força, saiu do quarto, atravessou o corredor e escancarou a porta de entrada. Mas quando olhou para o jardim, não viu mais a garota.
– Ela tem de estar por aí! – Desta vez, eu agarro essa maldita!
Desceu apressada a escada de cimento e foi até o lugar onde Ana Beatriz tinha sido vista. Ali, quando muito encontrou uma rosa branca amassada no chão. Depois, vasculhando em todas as direções, encontrou outra rosa amassada mais adiante. Parecia uma pista, um convite de Ana Beatriz para que ela seguisse. Samantha aceitou o desafio e continuou pelo caminho das rosas amassadas. Quando chegou junto a um alto cipreste, de repente, ouviu um barulho pelas costas. Voltou-se rápido, e a expressão se encheu de pavor. Quis gritar, porem, em vês disso, virou nos pés e desatou a correr no meio da noite. Desnorteada, olhando mais para trás do que para a frente, Samantha não tomou cuidado e bateu com a cabeça contra um galho de mangueira, baixo e desfaleceu.
Nisso um barulho de moto se aproximou. O vulto que a perseguia disparou correndo. O barulho aumentou dando sinal que a moto se aproximava mais e mais. O farol varreu a escuridão com a luz dourada, um grito de “Cuidado!” despertou a noite e ouviu-se um baque surdo. Em seguida, um outro grito dolorido, agoniado, plangente ficou no ar.
Imediatamente acenderam-se as luzes no casarão e na casa de seu Aurélio, enquanto os cachorros começaram a latir.
– Meu Deus, o que está acontecendo? – perguntou Olivia saltando da cama enquanto Vinicius enfiava a calça do pijama.
Saíram numa corrida.
– A porta da frente está aberta! – murmurou Olivia, assustada. – Será que saiu alguém? E acendeu a luz do alpendre, cuja claridade varreu parte do jardim. Em seguida, desceu aflita pela escada de cimento enquanto o marido corria atrás.
Do lado do casarão, na trolha para a casa de seu Aurélio estava caída à moto de Liphe. Pouco mais adiante, resmungando coisas, o rapaz se levantava. E mais distante. Com as mãos no rosto Bianka olhava pálida e assustada, gritando sem parar.
Ao mesmo tempo chegaram correndo dona Lucinete e seu Aurélio. A pobre senhora fechava o decote da camisola com as mãos e estava descalça. Luna chegou logo em seguida e, assustada, ficou olhando a cena.
– Minha filha! – murmurou dona Lucinete caindo de joelhos junto à garota. – A sua voz voltou? Meu Deus foi um milagre! Foi um milagre!
Bianka continuava aos berros, agora não mais de pavor, mas pela surpresa de ser novamente capaz de falar.
– Liphe o que foi que aconteceu? – Perguntou Olivia aproximando-se sem saber o que fazer primeiro. – Seu rosto esta sangrando!
– Não foi nada, pode deixar...
– Mas por que Bianka gritou? – perguntou Olivia olhando para a garota que, agora havia fechado a boca. – O que aconteceu?
– Acho que atropelei alguém – disse o rapaz.
– Quem?
– Não vi direito. Eu estava chegando de moto. De repente o farol iluminou um vulto de azul que cruzou o meu caminho. Não consegui brecar, senti o golpe e...
– Um vulto de azul? – repetiu Luna, assustada.
– F-foi A-na B-eatriz! – murmurou Bianka, pela primeira vez falando em tantos anos e apontando para uma laranjeira não muito distante dali.
Só então os olhares de todos voltaram-se para a direção apontada onde jazia um vulto caído de bruços. Correram todos – menos dona Lucinete e Bianka. Ajoelhando-se, Olivia virou o corpo desfalecido e sentiu um calafrio:
– Vivi!?
Com os lábios sangrando Vivi continuava sem sentidos.
– Deus do céu, ela esta vestida com a roupa de Ana Beatriz, a roupa que Samantha usou no baile! – murmurou Olivia quase sem voz. – Por quê?
Ao ouvir aquilo, Luna aproximou-se confusa. Trêmula, ajoelhou-se ao lado da mãe que suplicava para que Vivi abrisse os olhos. Depois, segurou a mão da irmã e perguntou perplexo:
– Vivi... é mesmo você?
– E-eu não que — quero ver ela – começou a gritar Bianka, agora revoltada. – Eu não gosto dela! Eu quero que ela moooooora!
– Calma, filhinha, calma, não é Ana Beatriz, é a Vivi! – falou dona Lucinete abraçando a filha com toda a força.
– Elas são uma só! Foi Vivi quem roubou minha voz! Eu também quero que ela moooooora! – continuou a garota histericamente.
Dona Lucinete procurou acalmar a filha enquanto Olivia tentava inutilmente fazer Vivi voltar a si. Desesperada, voltou-se para o marido:
– Vá tirar o carro, Vinicius. Depressa! Temos de levá-la para o hospital!
– Sim, querida, vou-me vestir. Luna, por favor, vá na frente – mandou o pai.
Luna, porém, parecia petrificada, continuava imóvel a olhar a irmã como se fosse incapaz de sair do lugar. Vendo aquilo, Vinicius agarrou-o pelo braço.
– Luna, ponha o carro para funcionar enquanto me visto!
Só aí que Luna deu acordo de si. Os olhos piscaram várias vezes como se acabasse de sair de um pesadelo e olhou a toda a volta a gritar:
– SAMANTHA! SAMANTHA! Onde esta você?
Como ninguém lhe respondeu, correu para casa. Desesperada, viu que aporta do quarto dela estava aberta, e um calafrio percorreu lhe o corpo. Por que Samantha não estava lá fora também? O que teria acontecido a ela?
– SAMANTHA! – gritou do jardim. – Onde está você?
Nenhuma resposta. Nessa altura, Vinicius desceu apresado a escada de cimento.
– Samantha desapareceu, pai! – disse a garota agarrando Vinicius pelo braço.
Vinicius nem pestanejou:
– Quando ouvimos o barulho e corremos a porta já estava aberta – disse. – Será que Samantha já teria saído? Meu Deus, o que está acontecendo nesta casa?
– SAMANTHA! – gritou Luna, desesperada. – Onde está você?
Enquanto Vinicius corria para tirar o carro, seu Aurélio ajudava a procurar Samantha. Enquanto ele ia para um lado, Luna ia para o outro. Não custou muito para que Luna encontrasse uma rosa branca amassada. Imediatamente acreditando que se tratasse de uma pista pôs-se a procurar outras e, finalmente, encontrou Samantha desfalecida quase junto à cerca da horta.
– Meu Deus! – gemeu ajoelhando-se junto a ela. Samantha! Samantha! Fale comigo! – pediu enquanto lhe esfregava os pulsos. – Samantha, sou eu, Luna!
Depois de algumas tentativas, as pálpebras estremeceram e, em seguida, com um leve gemido, ela abriu os olhos. Sua primeira reação foi de pavor:
– Onde está ela? Ela queria me matar! Ela correu atrás de mim com um punhal!
– Calma, calma, Samantha, está tudo bem! – disse Luna abraçando-a contra o peito. – O pior já passou!
Custou para ela dominar os nervos e parar de soluçar. Quando se sentiu mais encorajada, afastou o corpo e olhou-a bem de perto.
– Oh, Luna, eu estou apavorada! Por que ela queria me matar?
– Você esta bem? É capaz de andar?
– Sim, acho que sim... – respondeu, com esforço, pondo-se de pé. – Foi só a minha cabeça... Aqui na testa... – e sentindo que a vista fugia, quase desfaleceu. Por isso, Luna tomou-a nos braços e levou-a para casa.
– Samantha, você precisa saber de uma coisa – disse ela colocando-a no banco do alpendre. – Não foi Ana Beatriz quem tentou matar você, foi... Vivi!
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