Um Amor Sem Fronteiras

17 As Vésperas Do Baile!!!


Notas iniciais
Espero que gostei boa leitura e contagem regressiva para o fim!!! :D rsrs

Quando Samantha despertou, a casa estava em alvoroço por que era o grande dia do baile. Ela levantou-se abriu a janela e viu que o sol brilhava lá fora como se o dia tivesse vindo por encomenda, pois a nitidez dos contornos da paisagem colorida era até exagerada. Alheia, porem, aquela beleza, Samantha suspirou ao lembrar-se de tudo o que avia ficado sabendo na véspera. Depois pensativa, saiu para tomar café. Ao vê-la, Olivia a agarrou-a pelo braço e empurrou-a para a cadeira:

–Tome voando seu café que eles já começaram a limpeza no salão!

Nisso, Samantha escutou um barulho no teto. Alguém, lá em cima, puxando móveis.

– Vinicius, seu Aurélio, Lipe, Luna e Vivi já foram abrir o casarão – continuou Olivia –Nós iremos à cidade buscar flores. Encomendei gladíolos brancos, o que você acha? Será que branco deixara a festa com ar de casamento?

Não deu tempo de Samantha responder, porque escutaram novas pancadas acima do teto. E quando Samantha ia abrir aboca, Jurema entrou ofegante e gaguejante:

– D-Deus me l-livre, dona O-Olivia, mas naquela c-casa cheia de f-fantasmas eu não p-ponho mais os p-pés!

– Ora essa, o que foi? – perguntou Olivia, admirada, ao ver a expressão da garota.

– T-tem morceeeeeegos lá dentro! – choramingou Jurema fazendo careta. – Eu morro de medo de morcegos porque Vivi falou que de noite eles viram gente que chupa o sangue das pesooooooas!

– Ora, vamos, que bobagem! – falou Olivia segurando a empregada pelos ombros. – Vivi tem mania de inventar historias só pra meter medo nos outros! O que ela lhe disse só acontece no cinema e nos filmes que ela vê. Pode deixar que vou ter uma conversa muito seria com minha filha! Vamos desmanche essa cara de choro, Jurema! Se não quiser voltar ao casarão, não precisa.

– Eles pediram para levar o pano de passar no chão, mas eu não quero voltar mais lá!

– Está bem, deixe que eu levo!

– Eu levo – ofereceu-se Samantha que estava louca de vontade de ter uma oportunidade para conversar com Luna.

– Então, termine seu café.

– Não estou com fome.

– Mocinha não quero donzelas desmaiando nesta fazenda. Já não chegam os vampiros da Jurema? – disse Olivia olhando para a empregada que se afastava resmungando.

Samantha tomou rapidamente a xícara de leite, engoliu um pedaço de pão caseiro e correu até a cozinha à procura do pano. De cara feíssima, Jurema apontou para perto da pia:

– Aquele ali.

Prevenida Samantha pegou o balde, o esfregão, o rodinho e foi até à casa duplicada pelo alpendre. A porta estava aberta e na entrada ela parou receosa. Ultrapassar aquela porta era o mesmo que mergulhar no passado, mas agora, com as janelas abertas, o ar ventilando, parecia que os mistérios haviam sido varridos para longe. Pôde, então, mais a vontade, observar melhor os moveis as cortinas, as pinturas na parede a até os retratos principalmente o de Ana Beatriz que, iluminado pela luz difusa, ganhava novas dimensões. Por alguns momentos ali ficou parada, observando os detalhes e imaginando mil coisas. Os olhos de Ana Beatriz eram tão vivos que Samantha se arrepiou.

Continuava Samantha observando o quadro e nem percebeu uma sombra que, silenciosa, aproximou-se por trás. De repente, colocou-lhe a mão no ombro. Tudo aconteceu muito depressa, Samantha olhou para trás e, quando viu o rosto inexpressivo, os olhos verdes, os cabelos ruivos, deu um grito de terror e deixou cair o balde.

O grito chamou a atenção de todos. Lipe e Luna foram os primeiros a chegar, aos pulos pela escadaria que ligava o salão de festas ao pavimento de baixo. Ainda trêmula, Samantha olhava para a silenciosa Bianka que, muda e imóvel, também olhava para ela.

– O que aconteceu? – perguntou Lipe.

– Eu... me assustei! – respondeu Samantha, a custo tomando fôlego. – Eu estava olhando o retrato quando... Bianka chegou por trás, pôs a mão no meu ombro... Desculpe, mas eu não... vi quando ela chegou!

Lipe olhou para a irmã. Bianka mordeu os lábios. Parecia furiosa! Samantha tentou desculpar-se.

– Sinto muito, Bianka, mas acontece que esta casa me deixa assustada e...

Em vez de responder, Bianka pegou o balde, o esfregão e o rodinho e correu para o salão de cima.

– Ela é muda, mas podia fazer algum ruído para você perceber que ela estava se aproximando – disse Lipe. – Já cansamos de pedir para Bianka não fazer assim, mas ela é teimosa, revoltada...

– Compreendo, compreendo – repetiu Samantha, agora com a cor normal no rosto. – Acho que a culpa foi mais minha do que dela. Afinal, eu não precisava ter aprontado este escândalo!

– Então, está tudo bem – disse Lipe enquanto, envergonhada, Samantha baixava os olhos. – Vamos continuar a limpeza, que este museu tem mais teia de aranha do que qualquer outra coisa. Venha, Samantha, venha conhecer o salão de cima. – Falou Lipe por fim passando os braços ao redor dos ombros de Samantha.

Ela deu uma olhada para Luna. Sentiu uma terrível vontade de segurá-la e dizer-lhe mil coisas. Os olhos dela faiscaram de um modo acusador e parecia ate que com certos ciúmes, porem Samantha achou que estava imaginando coisas, balançou a cabeça e subiu junto com Lipe.

A escadaria para o segundo piso era em dois jogos. Samantha subiu devagar, atrás de Lipe, pois Luna tinha sido a primeira a dar meia-volta e subir correndo. Quando chegou lá em cima, arregalou os olhos. O salão, com as oito janelas abertas de par a par, tinha o teto todo decorado com figuras de cupidos barrigudos a segurar guirlandas de rosas. Na sala azul, uma alta porta abria-se para o balcão. Samantha ficou tão encantada que era como se houvesse entrado no solar de uma Marquesa.

– Assustada porque entrou no “museu”? – brincou seu tio Vinicius.

– Um museu chatíssimo de limpar – emendou seu Aurélio, um ruivo altão e desengonçado igual à Lipe. – Só quero ver quem vai meter-se a fazer a limpeza do lustre que está todo sujo de vela. Parece que nuca limparam essa porcaria...

Cadeiras de espaldar de veludo estavam amontoadas em um canto. Samantha continuava olhando maravilhada.

– Já imaginou minha gente os bailes no tempo do imperador? – perguntou Lipe erguendo o nariz e fazendo poses.

– Aquela nobreza toda cheia de não-me-toques, condes, marqueses, barões, baronesas... Sabem o que eu penso? Que a noite, os fantasmas desse pessoal todo vem dançar um baile de fantasmas!

Nisso, Vivi apontou da escada. Vinha com um balde de água. Samantha desviou os olhos para Luna, a única que não havia rido da piada de Lipe. Ela quase chorou de desespero porque, embora tivesse insistido olhar para a garota, ela teimosamente desviou os olhos. Lipe percebeu que Samantha não estava bem por causa de Luna, já ia se aproximar da garota, mas Vivi acabou chegando primeiro dizendo:

– Sá, você já espiou lá do balcão? – perguntou Vivi deixando o balde no chão e conduzindo-a até à porta aberta. – Venha ver o espetáculo mais bonito do mundo!

Os outros reiniciaram a limpeza, e Samantha entrou no balcão. De fato, a vista era belíssima, podia ver até os últimos contornos dos morros mais distantes, a colônia, a capela, as plantações...

– Quando eu era criança, vivia sonhando ser a única dona de tudo isto como se fosse à filha dos barões Almeida de Sá revelou Vivi com um ar sonhador. – Era uma delícia! Sabe como fazia? Mamãe não me deixava vir aqui, lógico. Mas eu subia pela trepadeira do alpendre, andava pelo telhado e entrava aqui no balcão, onde passava horas e horas sonhando que tudo isto era meu... Aí, depois que os morressem, iria herdar tudo: a fazenda, os escravos, a terra... Depois, me casava com o grande amor da minha vida e viveríamos felizes para sempre. Não e um sonho lindo?

– Muito lindo... – comentou Samantha olhando tão fixamente que Vivi até ficou desconsertada.

– Ei, por que você está me olhando assim? – perguntou. – Falei alguma bobagem?

– OH, não! Nada disso! Ao contrario! Eu só estava... invejando seu lindo sonho romântico.

Nisso, uma voz lá de baixo:

Samantha olhou. Dali apouco sua tia Olivia assomou no topo da escada:

– Como é? Estou esperando para irmos buscar as flores na cidade. Você vem ou não vem comigo?

Samantha deu uma olhada para o salão. Luna estava olhando para ela! Mas, ao ser surpreendida a observando, desviou os olhos e pôs-se a empurrar as cadeiras.

– Está bem, vou indo... – respondeu, magoada, dirigindo-se para a escada onde sua tia continuava a sua espera.

Notas finais
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