Um Amor Sem Fronteiras
12 A conversa com Vivi... E Ana Beatriz você existe?!
Notas iniciais
Algumas horas depois Samantha finalmente chegou, e quando entrou na sala deu de cara com Vivi que a esperava, e quando a viu Vivi foi logo falando:
− E então vai me dizer o que foi que aconteceu ou não?
Samantha ficou meio reticente, sem saber se deveria contar ou, porem depois de alguns segundos pensando resolveu que era melhor contar:
− Tudo bem, eu vou de contar. – As duas então se sentaram no sofá e Samantha começou a falar:
− Bem para começo de conversa, você deve estar querendo saber o que o Lipe e eu estávamos fazendo abraçados no porão, não é?
− Na verdade sim... confesso que fiquei meio surpresa quando cheguei lá e vi vocês dois abraçados. – Falou Vivi por fim.
Samantha na hora resolveu inventar uma desculpa não queria contar à prima sobre o que realmente avia ocorrido e assim começou a falar:
– O que aconteceu foi que ele estava apenas me consolando por causa de uma coisa que aconteceu...
− E o que foi que aconteceu? – Perguntou Vivi.
Samantha deu um suspiro e falou:
− Eu vou lhe contar – Samantha então começou a falar:
− Bem ontem a Luna me convidou para irmãos até Bela Vista, e quando estávamos voltando paramos junto a um riacho que ficava no caminho conversamos um pouco e bem... o caso foi que.. ela me beijou! ─ Falou Samantha finalmente.
– O que? Ela te beijou?
– S-sim... M-mas... Não vai... Não vai me dizer que você é... é c-contra?
Vivi parou como se houvesse levado um choque. Mas falou por fim:
–Não, C-claro que não e-eu acho o amor lindo seja ela como for, eu só estou um pouco supressa com essa noticia só isso... mas e depois o que aconteceu?
– Bem... depois parecia que estava tudo bem entre a gente, eu estava muito feliz mas ai...
– Mas ai o que!?
– Bem, mas ai hoje eu vim até aqui vê-la e percebi que ela estava um pouco estranha e resolvi perguntar se avia acontecido algo!
– E o que ele disse?
– Ela veio com uma historia sem pé nem cabeça de que... de que amava outra garota!
– Outra? Quem? Quando?
– É Ana Beatriz – respondeu Samantha furiosa.
– Ana Beatriz? – e Vivi franziu a testa. – Mas que piada essa? Primeiro eu descubro que minha irmã e a minha prima gostam de garotas e que, além disso, vocês se beijaram, até ai eu compreendo afinal de contas quem é que manda no coração não é mesmo... Agora você me dizer que a garota que ela diz amar realmente é Ana Beatriz que já morreu faz um tempão e que dela só existe o corpo lá na igreja, sinceramente isso tudo é loucura...
– Foi o que eu tentei dizer a ela – respondeu Samantha levantando-se e indo até a janela.
– Mas e depois?
– A impressão que tive é que ela está obcecada, hipnotizada, em transe, sei lá! Luna não está em seu senso normal, Vivi! Não daquele jeito, o modo que me olhou... que falou comigo... Não era normal!!! Eu gritei, falei, expliquei que era impossível que ela estivesse apaixonada por uma garota que havia morrido no século passado, muito antes de ela nascer...
– E o que ela disse?
– Respondeu que Ana Beatriz está viva, que ela sentia isso e que, à noite, até a vê em seu quarto. Ela me deixou apavorada! Depois, foi embora dizendo que era eu quem não queria enxergar essas coisas. O que você acha disso?
Vivi encolheu os ombros.
– Não sei. Às vezes a Luna diz coisas que me deixam confusa...
– Acho que o melhor a fazer e falar com tia Olivia, contar tudo e...
– Não! – protestou Vivi com um grito tão violento que Samantha estremeceu. Ficou olhando, espantada, para Vivi, cuja expressão lentamente voltava à serenidade de antes. – Desculpe, eu não deveria ter gritado, mas quando me falam em médicos, psiquiatras e outros profissionais dessa área, esta é minha reação. Talvez você não saiba, mas, quando eu era criança, passei uns maus momentos com esses profissionais, quando Bianka perdeu a fala. Aconteceu quando estávamos brincando no casarão, ela levou um susto e nuca mais falou. Fomos interrogados por mil médicos, até parecia que eu era uma criminosa! Horrível! Até hoje não se pode falar em médicos para Luna, que volta toda aquela angustia de antigamente. Por isso lhe peço: não fale com nossos pais. Pelo menos por enquanto, entendeu?
Samantha ficou surpresa com o pedido, porém concordou.
– Esta bem... Prometo que não conversarei com seus pais, mas existe uma coisa que não posso prometer!
– O que?
A expressão dela se encheu de zanga:
– Hei de lutar contra Ana beatriz até o fim!
– O que você está dizendo? – perguntou Vivi surpresa. – Você acaba de dizer que Ana Beatriz não existe!
Samantha deu uma risadinha diabólica:
– Estou dizendo que estou cheia de ouvir falar dela, de fantasmas que aparecem espiando em janelas de quarto, de rosas murchas e de outras coisas dela que ainda nem ouvi! Estou dizendo vivi, minha priminha querida que vou desmascarar Ana Beatriz, só isso. – e sabe por quê? Porque a odeio!
– Meu Deu! – e Vivi colocou a mão no peito. – Nuca ouvi você falar assim com tanto ódio!
– Para você ver Vivi! Eu cheguei até em pensar em ir embora da fazenda, mas acabei entendendo que seria uma fuga. Aí, parei e pensei: “Não vou mais fugir, não senhora!” Hei de enfrentar a situação e lutar por aquilo que quero. “E nem Ana Beatriz, por mais que tente, não conseguirá me impedir de conquistar Luna”.
– E como você pretende lutar contra uma... lembrança?
– Há mil maneiras, principalmente quando você está apaixonada – respondeu Samantha com os olhos brilhantes. – Não sabe que o amor consegue fazer milagres? Pois eu juro pra você que farei a Luna se esquecer dessa estúpida ideia de que está apaixonada por uma alma do outro mundo... por um amor sem fronteiras!
Vivi estava muito surpresa. Samantha concluiu:
– Tenho meus planos traçados e, se não derem certo, conversarei seriamente com Tia Olivia e tio Vinicius, Colocando-os a par dessa situação, mesmo apesar do pavor que ele sente por médico, mesmo que tenhamos – todos nós, inclusive eu e você – de ser examinados por psiquiatras, psicólogos e até médiuns. Eu estou resolvida, Vivi: desta vez, custe o que custar, acabarei com esta palhaçada, doa a quem doer. Luna não pode continuar deste jeito!
Vivi impassível, não disse um A.
Luna entrou em casa às quatro e meia, tinha indo dar uma volta pela fazenda a cavalo e quando chegou foi direto para o banheiro onde tomou um demorado banho quente.
Uma nuvem escondeu o sol. Pelo jeito, talvez logo começasse um aguaceiro.
Terminando o banho, enrolada no roupão, foi para o quarto, vestiu-se e calçou seu All Star. Quando, porem, olhou para acama, ficou surpresa ao ver três rosas brancas no travesseiro.
Luna ficou hipnotizada com a presença das flores. Quem as teria posto ali?
Em um gesto espontâneo, abaixou-se para apanhá-las, porem algo a impediu de tocá-las. É que, de repente lembrava-se de que rosas brancas eram as flores preferidas de... Ana Beatriz!
Pensativa, lembrou-se do rosto que tinha tido a impressão de ver observando-a pela janela. E agora quando não faltava mais nada aquelas rosas apareciam ali...
Seriam as flores uma brincadeira de alguém ou... existiria mesmo algo de sobrenatural naquele casarão? Por que ela ficava daquele jeito quando pensava em Ana Beatriz? Por acaso estaria ela apaixonada por um sonho, por uma mentira? Será que havia mesmo um fantasma por ali, o fantasma de uma menina que teria conseguido ultrapassar os limites da morte? E mesmo se houvesse, por que agora as coisas estavam começando a acontecer com ela?
– Essas coisas não existem! – falou, em voz alta, como se para espantar os pensamentos.
Tentou, então, apanhar as flores. Mas quando as tocou, sentiu um formigamento como se uma corrente elétrica tivesse passando por seu corpo. Assustada, Luna atirou-as longe e, apavorada, ficou observando-as caídas ao chão. Tinha sido verdade ou, mais uma vez, acabava de ser vítima de sua própria imaginação?
Abrindo a porta do quarto, saiu quase correndo.
Samantha estava lendo na biblioteca e viu quando ela passou, saindo pela porta da frente. Mais do que depressa, fechou o livro e saiu atrás, porem cautelosamente, ocultando-se para que ela não a visse.
Nuvens escuras amontoavam-se no poente. Sinal de que logo mais despencaria um aguaceiro. Ela, porem, não se preocupou com isso. Curiosa, queria apenas saber para onde Luna estava se dirigindo.
A garota seguiu pela alameda das palmeiras cujo piso era a cascalhado, assim produzindo um ruído chocho sob seus passos. Para não ser vista nem ouvida Samantha foi pelo lado de fora e, escondendo-se atrás de cada tronco, mantinha uma boa distância.
A certa altura Luna saiu pela estradinha que levava à colônia onde haviam dez casas enfileiradas. Todas iguais, caídas de branco, com janelas e portas pintadas em azul-marinho, tinham telhados escuros. Ali moravam os empregados da fazenda. Além das casinhas, isolada em um terreno cercado por um murro branco, estava à capela. Era pequena, possuía uma única torre que terminava em forma de pirâmide de oito ângulos encimada por uma cruz negra. Samantha ficou ainda mais admirada quando viu a garota entrar na capela.
Começou a soprar um ventinho que ocultou o sol. As nuvens esvoaçavam baixar, ameaçando despejar chuva de um momento para outro. Ao longe se ouviu um trovão.
– Droga! – falou Samantha olhando para cima.
Sempre procurando manter-se oculta, seguiu para a capelinha, mas por trás das casas da colônia. Algumas pessoas a viram, mas Samantha disfarçou. O que estariam pensando daquela maluca, fingindo passear quando ameaçava cair um temporal?
Por sorte ninguém puxou conversa.
Samantha deu a volta pelo fundo da capela, seguiu pela direita e, ao aproximar-se da porta entreaberta, redobrou a cautela. O vento apertou, atirando poeira pelos ares, e ela espiou. Luna, de pé em frente a uma porta lateral à direita do altar... falava sozinha!
Curiosa, ela tentou ouvir o que Luna estava dizendo, mas não dava. Tentou então achar uma maneira de se aproximar sem ser vista...
Foi ai que notou que havia uma janela lateral, bem ao lado da porta onde ela estava e, e por sorte a janela estava aberta. Rápido, Samantha correu até debaixo da janela, de onde pôde ouvir os murmúrios de Luna:
–... Morte... Amor depois da vida? Ana Beatriz... você existe? Onde esta você agora?
Samantha arrepiou-se Luna conversando com Ana Beatriz? Não era possível!
Uma rajada, mais forte de vento atirou-lhe folhas secas ao rosto. Um trovão estourou mais ameaçador. Samantha encolheu-se, não queria ir embora sem saber o que iria acontecer.
– Apareça, Ana Beatriz, apareça! – pediu Luna com a voz angustiada.
Samantha estremeceu e levou a mão à boca para que a voz não saísse:
– Ela deve ter enlouquecido! – murmurou estupefata.
– Eu...
Nisso, um grito desesperado saiu de dentro da capelinha, mas foi imediatamente abafado por um fortíssimo trovão que pareceu ter estourado na torre da capelinha:
– Apareça, Ana beatriz eu estou esperando você!!!
Samantha ficou petrificada e estremeceu quando o raio cortou a cena com sua luz sinistra. Depois, mordendo o dedo, encostou-se na parede e começou a chorar baixinho.
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