Um Amor Sem Fronteiras

5 A Chegada de Luna


Notas iniciais
Mais um Capitulo para vocês, Boa leitura a Todos!!! :)

O dia seguinte voou e embora não tivesse revelado a ninguém, Samantha não via a hora de ele acabar porque no outro dia Luna chegaria. Por duas vezes, quando estava a sós na sala, abriu a porta do quarto da garota e ficou namorando a fotografia. Na primeira, ficou um tempão. Quanto mais olhava maior era a emoção que sentia, o coração até batia mais forte! Havia algo de enigmático no olhar de Luna, que a obrigava a ficar olhando, hipnotizada. Que mistério esconderiam aqueles olhos azuis, sonhadores e... tristes?

Da segunda vez, ela quase foi apanhada em flagrante. Só não foi porque Vivi a chamou da cozinha. Isso fez com que saísse, fechasse depressa a porta do quarto e disfarçadamente simulou estar procurando alguma coisa. Não deu para descobrir se Vivi havia desconfiado ou não, porque Vivi ficou parada por alguns momentos, olhando para ela junto à porta, mas depois sacudiu a cabeça como se para afastar os pensamentos e convidou-a para saírem. Logicamente, não tocaram no assunto, mas Samantha preocupa bem que gostaria de saber o que Vivi estaria pensando...

Dormiram bem tarde aquele dia. É que Vivi a convidou para ver um bom filme antigo que havia gravado e a sessão terminou bem depois da meia-noite.

Aquela terça-feira amanheceu ensolaradíssima. Quando Samantha foi à cozinha, encontrou sua tia Olivia dizendo às empregadas:

– Podem fazer broinhas de fubá que ela adora.

– A que horas Luna vai chegar? – perguntou Geralda, adivinhando os pensamentos de Samantha.

– Às dez.

– A senhora vai à rodoviária? Se for, preciso de compras do supermercado.

– Você me mata com essa história de supermercado, Geralda! Não, não vou à cidade. Luna vai esperar no trevo e Vivi vai buscá-la de moto!

Ao ouvir aquilo, Samantha sentiu um banho de água gelada na emoção, e uma ponta de ciúme a fez morder os lábios. Vivi ia buscá-la de moto? Poxa, ela havia sonhado a noite inteira em ir de carro esperá-la na rodoviária, dar-lhe boas- vindas...

– Mas tratou de disfarçar porque Olivia voltou-se e topou com ela.

– Bom dia! Que cara é essa numa linda manhã como essa?

– Nada, nada... – disfarçou. – Estava só pensando numas coisas...

Dali Olivia saiu para o serviço, pois como era a veterinária tinha que cuidar dos animais, e Samantha ficou sozinha na sala. Vivi estava no terreiro e só entrou por volta de nove e quarenta. Vinha no maior afobamento, cantando, feliz da vida. Afundada numa poltrona, Samantha ficou pensando: “Ela tem todo o direito de estar feliz porque a irmã dela vai chegar, e eu não posso ficar aqui amuada e com cara de tonta!”.

Mas ficou até que Vivi saísse do quarto com o cabelo escovado, cinco minutos depois. E perfumada! Samantha ficou enciumada porque Vivi tinha se enfeitado e arrumado só para ir recebê-la.

– Você está chateada? – perguntou a garota aproximando-se e colocando a mão no ombro dela.

– Eu? Claro que não! Estava só pensando...

– Em que?

– Bobagens, inculcações... Aonde você vai?

– Buscar minha querida Luna, lógico! Não sabia?

– Bem... não, não sabia. Eu sabia que ela ia chegar, mas não sabia que ia chegar agora...

– Vou de moto e volto rapidinho. Isso se o ônibus não atrasar. Sabe como são os ônibus, não sabe? e, depois de uma piscadinha, saiu correndo. Samantha continuou afundada na poltrona e olhando pela janela. Dali a pouco escutou o ronco da moto, e lá se foi Vivi. “Ela podia ter me convidado” — pensou ressentida. “Ela devia imaginar que eu estava louca de vontade de ir esperar a Luna também! Então, por que não me convidou? Só pode ter sido ciúme, egoísta!”

Mordeu a ponta do dedo. Sentia-se frustrada e triste. Por isso continuou forçando os pensamentos em busca de uma resposta que a tirasse daquele estado de angústia. “Ela não me convidou porque numa moto só cabem duas pessoas! – disse de repente endireitando o corpo e ficando mais animada.“ É isso mesmo! Se ela me levasse não poderia trazer a Luna. Lógico! Que boba eu sou! Vivi só não me convidou porque não tinha lugar. Não foi por egoísmo, não. Como pude pensar isso a respeito dela?”

Essa descoberta renovou-lhe as forças. Por isso Samantha levantou-se e resolveu:

– Também vou me pentear, me perfumar e fica toda bonita para receber a Luna.

E correu para o banheiro onde, energicamente, começou a escovar o cabelo. Continuava se fazendo bonita quando de repente, olhou para o fundo de seus próprios olhos refletidos no espelho. Aí, parou com a escova no ar:

– Por que estou fazendo tudo isto? – perguntou-se. –Por que fiquei tão assanhada? Será possível que...

Nem terminou a frase, por que o espanto se estampou no rosto refletido no cristal. Mais do que depressa suas bochechas pegaram fogo de vergonha. Ela não queria ouvir, em voz alta, a grande verdade, que estava apaixonada por aquela garota que só conhecia de foto e que não via há mais de seis anos!

– Você está maluca, Samantha! – falou, abaixando a escova devagar. – O ar do campo deve ter virado sua cabeça. Por que mal chegou aqui e já esta brincando de historinha de amor? Tenha paciência! Seja romântica, seja sonhadora, mas não seja ri-dí-cu-la! Para começar você nem sabe se ela também gosta de garotas como você. E depois a Luna, linda como é, deve ter um milhão de namorados e não vai se derreter assim por você. Ponha os pés na terra, sua boba, e pare de se desmanchar por causa daqueles olhos... azuis e tristes!

Deu um suspiro e novamente desanimada, saiu do banheiro. Sem ter o que fazer, voltou para a sala, afundou-se na mesma poltrona e ali ficou pensativa, até que o antigo relógio deu 10 pancadas chochas. “Ela deve estar chegando” – pensou cruzando os braços. “Agora, o ônibus parou. Daqui a um pouquinho, ela está descendo. Está com a mala nas mãos. Que droga! Vivi deu um beijo nela e ela deu um beijo em Vivi! Agora, elas subiram na moto e Vivi deu a partida. Estão vindo para cá. Que raiva! Elas continuam conversando e rindo numa boa! Droga mil vezes droga!

Amuada, afundou-se ainda mais na poltrona enquanto pensava ora em Luna ora nela própria. As dez e quinze perguntou a Jurema se o relógio da sala não estava atrasado. Jurema respondeu dizendo que aquele relógio não atrasava nuca. Samantha esperou mais quinze minutos. Quando bateu dez e meia, saltou aflita:

– Geralda! – e entrou na cozinha– será que aconteceu alguma coisa a elas?

– Elas quem? – perguntou Geralda com a mão lambuzada de banha, pois estava untando uma forma.

– Com Vivi e a Luna. Ela foi buscá-la no trevo, e o trevo fica pertinho. Já são dez e meia!

– Ah, que bobagem se preocupar! – e Geralda caiu na risada. – Elas não vão chegar já não, pode tirar o cavalo da chuva.

– Não? Por quê?

–Porque são duas loucas. Quando estão naquela motoca de doidos, ficam dando mil voltinhas pela fazenda, assustando os bois, correndo atrás de cachorros, galinhas e até de gente. Só depois de cansar é que voltam pra casa. Toda vez que a Luna chega, é a mesmíssima coisa. Escute meu conselho: se está esperando aquelas birutas, pode ir até dormir um bocado!

Samantha ficou irritada e cruzou os braços Sentiu vontade de esbravejar, mas Geralda não tinha nada com isso. Portanto, voltou para a sala e debruçou-se em uma das janelas, de onde ficou observando a paisagem. “Não sei por que eu vim!” – pensou, irritada. “Cada um tem suas próprias ocupações, e eu fico aqui, sozinha como boba”. Eu bem que poderia ter convencido meus pais há me deixarem ir para Disney, mas eu quis vir pra cá, se eu tivesse ficado em Acácia, pelo menos poderia ir a um cinema, ao clube, fazer compras, sei lá, ou então tinha meus amigos.

Dali a cinco minutos resolveu:

– Não vou ficar esperando ninguém. Estou fazendo papel de boba!

Acabava de falar, quando ouviu o ruído da moto. Naquele mesmo instante, esquecendo-se da promessa. Samantha se debruçou na janela e viu a moto vermelha que descia pela pequena colina da capela. Naquela corrida maluca, os loiros cabelos de Vivi esvoaçavam, e ela vinha agarradinha à garota de lindos olhos azuis que dirigia a moto, a qual assemelhava a um cometa embriagado. Samantha ficou de novo hipnotizada e, no rosto triste, pareceu um vasto sorriso. Continuou grudada ao parapeito da janela até que a moto tomou o caminho da alameda para o jardim. Com isso Samantha disparou correndo e foi esperá-los no alpendre.

A moto parou com uma freada e Luna estendeu as pernas compridas para apoiar-se no chão. Ao mesmo tempo Vivi saltou e, sempre rindo, apanhou a mala.

Foi aí que Luna olhou para cima e viu Samantha no alto da escada. De pé, bem ao centro, ela parecia também transformada em pedra e não tirava os olhos de cima dela. Transpirando, rosado pelo entusiasmo da corrida, os cabelos revoltos, aqueles olhos tristes e penetrantes, que olhavam fixos para ela apenas para ela, para ninguém mais do que ela.

–Samantha! – exclamou, de repente, erguendo os braços para recebê-la.

Samantha não viu mais nada. Correndo pela escadaria aninhou-se impetuosamente num abraço apertadíssimo naqueles braços que seriam capazes de fazê-la esquecer- se dos seis anos que haviam estado separadas sem se ver, sem se tocar, sem se sentir.

Notas finais
Então pessoal, espero que tenham gostado!! :) ... se der amanha posto outro se não só sexta!! Comentem!!! ^_^