Um Amor Quase Impossível
4 Capítulo 4
- Kessy? – ele falou vindo em minha direção.
Eu não sabia se ria, se chorava, se fugia, mas preferi ficar parada.
- O que está fazendo aqui? Não ia ao parque com a Vic e com o Carlos?
- Sim, mas eles preferiram vir aqui... E eu não tive escolha a não ser vir com eles.
- Ah... Vai ficar aqui por muito tempo? – ele disse se aproximando.
- Vou embora daqui a pouco... Uns 20 minutos.
- Então você ainda pode ficar um pouco comigo! – ele disse, me beijando.
Eu só olhei pra Victória, que estava rindo, como se pedisse “socorro”. Ela não fez nada, só saiu dali e ainda abanou pra mim.
Não nego, o Logan é um fofo, principalmente no quesito beijar. Ele é tão carinhoso, mas parece que passa longe do meu coração. Só não entendo por que não consigo amá-lo do jeito que ele me ama.
Quando terminamos de nos beijar, fomos até a barraca de pescaria e ele pegou um urso lindo pra mim. O agradeci com um beijo, que tentei fazer parecer muito apaixonado. Ficamos brincando em alguns brinquedos até que eu resolvi ir embora. Inventei algumas desculpas como “meu dente que eu achava que tinha quebrado está doendo”. Essa foi uma das que mais o fez rir e, para não perder a graça, eu ria junto.
- Tudo bem, Kessy. Amanhã nós nos vemos na aula – ele disse com um sorriso encantador – Mas saiba que vou ficar com saudade!
- Eu também sentirei sua falta. Até amanhã!
Beijamos-nos e cada um tomou o seu caminho. Encontrei a Vic na saída do píer, e então nós fomos juntas até a minha casa.
- Menina, que beijos foram aqueles?! – ela disse rindo. – Achei que o Logan ia te engolir.
- Nossa, depois eu sou exagerada.
- Sério! O Carlos não parava de olhar pra vocês dois com uma cara de coitado. Aposto que essa história de namoro com a Laura é pura invenção.
- Acho que você está vendo coisas, Victória! Você e o Vinicius. Dois loucos. Perfeitos um para o outro. – eu falei sorrindo. – Até os nomes combinam!
- Ih, sai fora. Eu o Vinicius? Agora a louca é você!
- Não duvido nada que vocês dois se amam secretamente. – eu ri. – Pronto, chegamos à minha casa. Até amanhã, namorada do Vini.
- Não começa, Kessy. Eu me decepcionei hoje com você, não rolou nenhum beijo na montanha russa, e eu já estaria com a câmera pronta se tivesse levado. Imagina que romântica ficaria a foto!
- Se você tivesse tirado uma foto você não acharia nada romântico o jeito que eu ia te esganar.
- Ai, ui, não me bata. – ela riu. — Até amanhã, Kessy!
- Até! – eu falei entrando em casa.
Acho que a Victória deveria investir na carreira de comediante, porque só ela pra me fazer rir desse jeito. “O Carlos não parava de olhar pra vocês dois com uma cara de coitado”. Aham. Agora me diz que a cachaça que aquele cara no píer estava tomando era mesmo limonada.
Mal cheguei e minha mãe já vem gritando. É melhor eu ir lá ver o que é.
- O que foi, mãe?
- Filha, adivinha! Seu pai foi promovido, e vamos nos mudar para o Canadá ano que vem! – ela falou me abraçando.
- Sério? Que fo... fontástico! É fontástico, mãe! Não é fontástico?!
- Kessy, você está muito estranha. Foi a água do vaso que você tomou outro dia, não foi?
- Hã? Aquilo foi sem querer, mãe! Eu não sabia! Quem mandou deixar na cozinha? – eu cruzei os braços.
- Mas pior foi aquela vez que você usou limão como desodorante e depois eu fiz limonada com aquilo. Tive que desinfetar minha boca porque os resquícios do seu sovaco estavam em toda minha boca, assim como na do seu pai e do seu irmão!
- Nem me lembre disso! Por falar em irmão, cadê o Paulo?
- Deve estar tomando banho. Ele vai para uma festa mais tarde já que não tem aula amanhã na faculdade. – ela disse com uma cara não muito simpática. – Mas por que estamos falando nisso? Estou tão ansiosa para ir para o Canadá!
- É! Já é daqui a um mês e meio, né?
- Sim, vamos por volta do dia dez de janeiro. – ela disse sorrindo. – O jantar já está quase pronto, vá tomar um banho!
Eu saí da cozinha e fui até o banheiro. Comecei a pensar na viagem e lembrei de uma coisa que eu ainda não tinha me tocado: terei que deixar meus amigos aqui! A Vic, o Carlos, o Logan, a Alice, o Vinicius, a Bruna... É melhor eu começar a me preparar para a despedida. Como vou sentir falta dos conselhos da Vic, dos carinhos do Carlos, me protegendo... Da amizade de todos os meus amigos, mas principalmente dos meus dois melhores amigos. Mas... E o Logan? Por que eu só o vejo como um amigo? Nunca penso nele como um namorado. É melhor eu ir tomar banho logo e deixar a água varrer esses pensamentos.
Nossa, já é segunda de novo. Estou com tanto sono (e me vestindo que nem uma tartaruga), que nem lembro direito o que aconteceu noite passada. Só lembro-me de ter ido jantar, dado tchau para o Paulo (o meu irmão sortudo que não tem aula hoje!) e... E ter falado com o Carlos no telefone. Ele veio com um papo muito estranho...
Lembro de pequenos detalhes, mas acho que com o tempo vou me lembrar mais... O caso é que estou com muito sono pra pensar direito. Lembro de que minha mãe me disse, depois do almoço, que era pra eu atender o telefone. Então eu fui lá.
Eu: Alô?
Carlos: Kessy? Oi Kessy!
Eu: Oi! Sua voz está esquisita, Carlos. Bebeu alguma coisa?
Carlos: Não, só umas 10 taças de champagne... E você?
Eu: Hahahaha.
Carlos: Kessy, eu liguei pra te dizer algumas coisas... Primeiramente, eu não estou namorando a Laura...
Eu: Ah, bem que a Vic falou. Por que você disse isso, então?
Carlos: Acho que eu fiquei com medo da sua reação depois que eu dissesse o que eu gostaria de dizer na verdade.
Eu: Então por que você não fala?
Carlos: Segundamente... Eu fiquei com vontade de bater no Logan hoje! Ele estava lá, te agarrando, sendo que eu não posso fazer isso...
Eu: Não estou entendo direito o que você está falando!
Carlos: Kessy, o que eu quero te dizer realmente, é que eu te...
O telefone ficou mudo de repente, e desligou. Acho que esse telefone e a Victória estão mancomunados, porque não é possível! Eu vou ir parar num hospício daqui a pouco, com tanta coisa acontecendo na minha vida e com essa curiosidade que tá me matando! Só sei que agora, quando eu chegar à escola, vou pedir pro Carlos esclarecer tudo! Só preciso esperar meu pai acordar pra me levar. E, falando nele, está me chamando.
Cheguei à escola com a maior vontade do mundo, como sempre: me arrastando para chegar à sala, dando um ‘oi’ tão sonolento aos meus amigos que eles mal ouvem. Quando avistei o Carlos, corri até ele.
- Oi Carlos, tudo bem? – eu falei sorrindo.
- Kessy, cadê aquele sono que você sempre tem de manhã? Animou hoje?
- É ansiedade. Ontem você ligou lá em casa e...
- Liguei? – ele me interrompeu. – Sério?
- Você não se lembra?
- Eu não me lembro muito bem de nada que fiz ontem. Só lembro-me de ter saído do píer e ido para uma festa ali perto. Ah, o Paulo estava lá! Mas, tirando isso, não me lembro de mais nada.
- Então... Deixa pra lá! Não é importante. – eu falei olhando para baixo.
- Seja o que for Kessy, eu não vou guardar segredos de você! Pode me perguntar qualquer coisa, eu te digo! E você já notou como a Vic e o Vini estão juntinhos hoje? – ele falou, franzindo as sobrancelhas.
Eu olhei para o lado, onde a Vic estava, e vi ela e o Vini num papo tão gostoso, tão juntos, que qualquer um que visse acharia que eram um casal. Disse para o Carlos que já voltava e me aproximei dos dois.
- Nossa, a gente sente até a energia do amor no ar. – eu falei, cutucando a Vic e rindo.
- Não fala nada, dona Kessy! E você e o Carlos, hein?
- O que tem? – eu falei, cruzando os braços.
- Tudo bem que você tem namorado, mas todo mundo vê que o Carlos é apaixonado por você e vocês dois combinam!
- Ninguém acha isso!
- Ah é? Vamos ver! – ela disse se distanciando, até chegar a uma menina ali perto. – Maria, espaço gosta da Kessy, quem é?
- É o Carlos! – ela disse sorrindo.
- Obrigada! – a Vic disse, se aproximando. – Viu Kessy? Qualquer um sabe!
- Assume que gosta dele, Kessy! – o Vinicius riu.
- Tem uma coisa que vocês não sabem sobre mim... E mesmo que eu gostasse do Carlos, eu não teria como levar isso adiante. – eu olhei para baixo.
- O que? – a Vic pareceu surpresa.
- Eu vou me mudar para o Canadá ano que vem. Meu pai foi transferido para lá.
- Kessy, por que não me contou isso antes? – ela só faltou me dar um soco.
- Porque eu só fiquei sabendo disso ontem!
- Só sei de uma coisa... – ela disse me abraçando. – Vou sentir sua falta.
- É, eu também, mas não vou te abraçar, nem chorar. – o Vini disse me dando um soquinho de brincadeira.
- Tá, sei... – eu disse sorrindo. – Vou voltar pro meu lugar, faltam cinco minutos para a aula começar.
- Duvido que é por causa da matéria que você está ansiosa assim, aposto que é pra ficar olhando o Carlos a aula toda! – a Vic riu.
Eu saí dali bufando de raiva, já não aguento mais essas piadinhas, já estão perdendo o controle. É melhor eu me sentar e ignorar.
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