Um Amor Psicopata
7 Como Assim?
Notas iniciais
–Serei breve... O León fugiu.
Suas palavras pareceram entrar em meu cérebro e ligarem o replay. Eu acho que por uns 20 segundos isso era a única coisa que se passava em minha cabeça.
–Ahn, como a-assim, fugiu?
As palavras pareciam não querer sair da minha boca. Se eu não estivesse me segurando na mesa acho que cairia.
–Eu não sei. Hoje de manha quando a enfermeira foi levar o café da manha pra ele, o mesmo já não estava lá. Parecia ter evaporado.
–A porta estava tranca?
–Sim! Esta tudo como sempre deixamos.
–Tentem de repente ver as câmeras.
–Seria uma boa. Desculpa, lhe incomodar, sei que hoje é seu dia de folga mas achei que devesse saber.
–Fez bem... Mas eu acho que vou ir pra ai...
–Não claro, que não. Hoje não seu dia pra isso...
–Mas eu vou...!
Após desligar o telefone, fiquei um tempo olhando para o nada para ver se conseguia raciocinar a conversa que acabei de ter.
Como o León fugiu?
Por que fugiu?
Aii León...
Ao sair de meus devaneios, corri escada a acima para poder me trocar e correr para o Manicômio. Coloquei uma roupa básica, peguei minha bolsa e as minhas chaves que estavam em cima da estante. Fechei a casa e fui direto para o meu carro.
Após chegar em meu destino, o manicômio, entrei no mesmo as pressas indo direto para a sala de Pablo. Bati na porta apressada e apreensiva, não deu dois segundos e alguém abriu a mesma.
–Que bom venho. –Disse Pablo assim que entrei.
–Pensei que não quisesse que eu viesse. –Falei tentando quebrar o clima tenso.
–Mas já que você insistiu tanto, me conformei com a ideia. –Falou dando um sorrisinho, e eu ri fraco. –Mas vamos ao que interessa...
–Como aconteceu? Descobriram algo? –Falei o interrompendo.
–Bem, ainda não vi as câmeras. Estava esperando você chegar para fazermos isso. –Falou ele se sentando em frente ao seu computador.
–Esta bem... –Falei me sentando na cadeira a sua frente.
(...)
Já havia se passado três horas, e nada de descobrir algo sobre o León. Absolutamente nada...
Como esse garoto fugiu não faz sentido. Ele virou pó e saiu voando pelo ar?
Mas que droga..!
–Eu já não sei mais o que possamos fazer... –Falei me jogando na cadeira, de forma desistente.
–Também não. Como o León fez isso? –Ele comentou frustrado, com as mãos no rosto.
–Eu também não sei... Ele não pode ter feito nada muito surreal, pois nem tem tantas formas de sair daqui. –Falei mexendo em minhas mãos.
–Não foi pela janela, não foi pela porta, não tem nenhum buraco no quarto dele...
–Não tem?
–Não tem, o que? –perguntou confuso.
–Um buraco no quarto dele? –Perguntei como se fosse obvio.
–Ta brincando né? –Perguntou Pablo com uma cara engraçada.
–Claro que não. León é um psicopata, nada é impossível para ele.
–Vamos no quarto dele.
Nos levantamos das nossas cadeira e fomos em direção ao quarto de León.
Cada passo que dávamos tentávamos entender como isso podia ter acontecido. Como Pablo disse, não foi pela janela, não foi pela porta, será que teria mesmo um buraco em seu quarto?
Claro que não Violetta, você esta ficando louca.
Chegamos no corredor escuro e frio que ligava ao quarto de León, e o mesmo estava igual a sempre, sem nenhuma pista de que León havia passado por ali, ainda mais em fuga.
–Você venho no quarto dele depois que ele sumiu? –Perguntei a Pablo.
–Vim... Quando Francesca entrou as pressas a minha sala, gritando igual a uma louca que León não estava em seu quarto, não pensei duas vezes e vim para cá te certeza de que ela não estava ficando louco. Assim que cheguei no quarto ele realmente não estava lá, eu surtei também, não sabia o que fazer, isso nunca havia acontecido aqui, nunca ninguém sumiu assim. Sempre tive controle de tudo. Mandei todos os seguranças vasculharem a área, mandei fecharem todos os portões, e mandei também alguns seguranças olharem pela volta, vá que achassem ele no meio do caminho, que seja lá aonde ele iria. Violetta eu to confuso, cada vez mais eu me preocupo com León
–Meu Deus Pablo... –Falei horrorizada.
León realmente era um caso difícil. Não acha que era impossível, mas difícil completamente.
–Ele já esta aqui á muito tempo Violetta. –Ele comentou assim que chegamos na porta do quarto dele.-E não teve evolução alguma.
–O que você quer dizer com isso? –Perguntei assustada.
–Talvez você seja nova demais...
–Você quer dizer que, eu não to dando conta do recado? –Perguntei o interrompendo e ofendida.
–Estou falando que você é inexperiente a esses casos...
(...)
Já era noite e eu estava na minha casa. Pablo e eu não havíamos mas tocado naquele assunto, ele disse que depois conversaríamos que agora o mais importante era acháramos León. E eu concordo com ele. Mas sinceramente não quero deixar o León, ele é um caso diferente, e realmente nunca cuidei de algo igual, mas também se eu nunca tentar curar alguém como ele, eu nunca vou aprender a lidar com essas pessoas, e assim eu nunca irei evoluir, para mim conseguir e ter experiência com essas pessoas eu vou ter que conviver e tentar curar elas, não posso simples me sentar e esperar, eu tenho que tentar fazer algo. Eu vou fazer algo.
Após ficar pelo menos uma hora pensando sentada em meu sofá, resolvi ir tomar um banho para depois tentar fazer algo pra comer e ir para a cama descansar.
Subi em direção ao meu quarto e peguei minhas coisas e fui até o banheiro, onde liguei o chuveiro e deixei a banheira enchendo. Enquanto esperava, fui me despindo. Quando já estava totalmente nua, me virei para o espelho vendo meu corpo magro, muito mais magro que o normal. A um tempo para cá, não venho me alimentando bem, fico focada demais no trabalho que na hora do almoço só como um sanduiche quando como né, e a noite chego tarde e dificilmente tenho paciência para fazer algo para comer, única coisa que quero é um banho e me deitar. E agora eu vejo o quanto isso esta me prejudicando.
Sai de meus pensamentos quando olhei para a banheira e a mesma já estava quase trasbordando. Desliguei a mesma e entrei. Senti aquela água morna em meu corpo foi a melhor coisa que havia me acontecido hoje, confesso que consegui relaxar e até mesmo esquecer de tudo a minha volta.
Depois de acabar o banho –que acho que até cochilei uns minutinhos- vesti apenas uma camiseta gigante preta minha e coloquei meus chinelos. Sequei meus cabelos e desci para fazer algo para comer.
Enquanto pegava minhas panelas para fazer um miojo mesmo, fui esquentando a água, peguei o pacotinho e coloquei a massa na água já quente. Fiquei de pé diante a panela com água quente e massa de miojo, mexendo o conteúdo. Até que a campainha toca. Sem me importar com a minha roupa fui até a mesma a abri a porta.
Não. Pode. Ser...
–León?...
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