Um Amor Por Contrato
7 Juntando o Útil ao Agradável
Notas iniciais
— Posso saber o que significa isso? – Carlito, meu empresário, me pergunta.
— Isso o que, Lito? – pergunto para ele.
— Esse “menáge” que você fez com o Enrique Iglesias e o Rafael no hotel.
— Não estou te entendendo.
— Não se faça de sonso, Juan Luis – ele grita comigo e me joga o Tablet com uma notícia em que diz que eu, o Rafa e o Enrique tínhamos transados. Além disso na matéria diz que os hóspedes que estavam nos quartos ao lado estavam reclamando da “gritaria”. E tinha fotos do Rafa e de mim e do Iglesias saindo do quarto.
— Não me diga que você está acreditando nisso, Carlito – Estou tranquilo, isso não é verdade e não irá me atingir de forma alguma.
— Você que vai me dar uma bela desculpa para não acreditar nisso, Maluma.
— Ah, ótimo empresário você. Acredita no que qualquer jornalzinho de quinta fala.
— O caso não é se a notícia é verdadeira ou não, o caso é que isso pode desmoronar sua carreira inteira. E eu não vou conseguir desmanchar mais essa burrada que você fez, Juan Luis.
— E dai que se a gente transou mesmo? – grito com ele, indignado que ele está pensando somente em dinheiro – E não, não transamos ou qualquer outra coisa assim. E esquece isso, logo logo passa.
— Para a gravadora isso não vai passar logo logo.
— To nem aí pra gravadora. Quero que todos eles se explodam.
— Então quer dizer que tudo isso que te dei, que construí para você ... – interrompo ele.
— E tudo isso que você também tem, que você também construi foi as minhas custas, foi em cima de minha voz, foi em cima de vários e vários dias sem dormir porque tinha que cumprir agenda. É nesses momentos você estava aonde? Dando escândalos em boates, se divertindo com putas durante os shows, batendo os carros de milhões de dólares que você comprou com o meu dinheiro – Acredito que isso seja uma devolução da vida para mim, mas não admito ser diminuído por alguém que não tem um pingo de valor para poder falar de mim.
— Ah, vai se fazer de vítima agora?
— A única pessoa aqui que está se fazendo de vítima é você.
— Quer saber de uma, de agora para frente você se vira, não vou mais te acobertar.
— Pode ir, o que não falta é gente querendo o seu lugar e que vai dar mais valor ao trabalho. Aliás, vai estar me dando uma grande ajuda por eu não ter mais que ficar envergonhado com o meu empresário quando me perguntarem sobre ti.
— Então porque não me demitiu antes, já que você se acha o espertão?
— Por causa de sua filha. Por pena de você. Mas sua ex-esposa já tem condições suficientes para cuidar dela e eu posso ajudar elas diretamente. Então não tenho mais pena de ti e nada mais me prende a você – eu vejo a raiva escorrer em seus olhos e ele sai pisando fundo e irritado do quarto. Pela primeira vez estou me sentindo solto, livre, para ser quem eu realmente sou. E eu acho que devo isso a alguém.
***Continuando com a narração: Rafael***
Recebo uma mensagem no celular do Maluma pedindo para eu encontrar ele no espaço em que come no hotel. Já estou aqui, mas estou acompanhado.
Percebo que ele está chegando e a Emily e a Fernanda também.
— Bom dia – ele chega cumprimentando, puxa a cadeira e se senta conosco. Parece um pouco irritado, nervoso. Aconteceu algo – atrapalho alguma coisa?
— Atrapalha uma vida inteira, mas ... – Emily o responde curta e grossa.
— Calma, gata – tento acalma-la e dou uma risadinha.
Antes de eu falar mais alguma coisa a Fernanda diz algo – Estávamos conversando sobre você e, olha, minha vontade de socar sua cara até afundar o piso deste lugar está maior que a idade da Madonna – percebo que o clima vai esquentar e tenho que apaziguar.
— Ela já sabe? – me pergunta o Juan antes de eu dizer algo.
— Sim, ela sabe de tudo e elas sabem de tudo que aconteceu nesta noite – ele faz uma cara de preocupado mas não ocupa seu estado de nervosismo – Aconteceu alguma coisa? Você parece nervoso.
— Sim, briguei com o meu ex-empresário. Trocamos tiros, como você diz – finalmente o Rafael está surtindo efeito bom no Maluma – E estou disposto a colocar minha carreira em risco para poder ser mais livre.
— Calma ai, não entendi.
— Você já está por dentro da notícia?
— Sim, mas essas coisas de revista quando é mentira a gente finge que nem viu. E já postei uma daquelas formas de desmentir minhas.
— Ah. Mesmo assim, ele brigou comigo por conta daquilo, me falou um monte – ele começa e contar toda a história.
***
Depois de alguns minutos de ele contando o que ocorreu percebo que a Fernanda e a Emily parecem com menos vontade de matar ele. E percebo que “Chumbo trocado não dói” rolou na briga. Ah, aquele contrato surtiu efeitos...
— Então, você pretende fazer o que agora? – Emily questiona. Essa mocinha vai aprontar o que, Deus?
— Sinceramente? Não sei. Estou me sentindo libertado mas perdido ao mesmo tempo porque, mesmo não querendo, ele tinha controle sobre tudo em minha vida.
Todos ficam em silêncio. Mas o Maluma corta o clima. E vai acho que ele vai falar merda.
— Topa ser minha nova empresária? – ele pergunta para a Emily. E eu fico “MASZOQ?”
Gente, claro que ela vai ... Emily interrompe meu pensamento. Com sua respiração profunda e diz – Sim, eu topo.
— Calma aí, é isto mesmo que estou ouvindo? Gente, usar droga hora dessa da manhã não pode – já são 10h mas um drama é essencial.
— Quando o inimigo enche muito o saco a gente se junta a ele para ver se diminui. E como vocês dois estão mais de boa entre si, acho que é uma ótima ideia unir o útil ao agradável – Parece que, finalmente, minha vida vai começar a andar. Mas vamos esperar para ver porque o futuro sempre nos guarda grandes surpresas. Mas, isso seria meu sonho?
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