Um Amor Para Recordar

37 Capítulo 12 — Usando o negro


Notas iniciais
Oi amores. Como vocês estão? Espero que bem. Esse cap é dedicado para a querida Lorrayne Chase Jackson. Muito obrigada pela sua recomendação, eu chorei lendo, sério. Eu vi que você recomendou e comecei a chorar e ai eu li e chorei ainda mais, minha família inteira já leu, até quem não é da família hahaha Obrigada mesmo. Sigam o exemplo dela que está sempre comentando (eu percebo tá?) e que recomendou a fanfic! Isso ajuda muito. Eu chorei escrevendo esse capitulo, eu dei tudo de mim porque é a segunda mãe que eu mato. Vai ter umas partes que talvez vocês não entendam, mas é por causa do luto. Enjoy.

Perseus

Você já teve a impressão de que o seu mundo caiu em um segundo?

Eu já.

Pergunto-me se a ciência já pesquisou sobre o efeito que uma seqüência de palavras pode ter sobre uma pessoa. Ouvir que a pessoa que você mais amou em todo o mundo está morta é horrível e eu não desejo isso a ninguém. É terrível saber que, agora, a minha mãe não existe. A única parte dela que restou no mundo é o corpo, mas não importa. Porque esse corpo esta imóvel e ficara assim até o fim dos tempos.

Minha mãe nunca mais poderá fazer nada por mim, e eu não poderei fazer nada por ela. E isso me corta mais forte que uma faca.

A dor que eu sinto agora não tem explicações, ela era a minha mãe! Ela cuidou de mim durante todos os segundos que eu estive perto dela. Ela me amou todo esse tempo. Ela me amou antes mesmo que eu saísse do ventre dela. E agora ela não pode mais fazer isso.

Tentar controlar as lágrimas é desperdício.

Elas saem de mim como a água cai de uma cachoeira. E eu não me importo que todos estejam me vendo chorar, gritar e espernear igual uma criança com fome. Porque a minha mãe esta morta e ela não poderá vir me acalmar.

Eu estou num canto da sala numa situação deplorável, meu rosto esta vermelho e manchado, e minha camiseta esta rasgada porque quando meu pai falou “ela esta morta” eu tive um ataque de raiva, eu quis me jogar daquela varanda do vigésimo sétimo andar. Para me controlar eu rasguei a minha camisa.

Eu não queria sair dali, eu queria que aquele pesadelo acabasse.

Clarisse se aproximou de mim e colocou uma mão em meu ombro.

— Claire — a chamei pelo apelido — Vai ficar tudo bem?

— Você quer que eu seja realista ou otimista? — ela questionou.

— Eu quero a verdade — murmurei entre soluços.

— Não vai ficar tudo bem. Você vai gritar chorar e espernear, mas ela não vai voltar. E você não pode fazer nada sobre isso. Você vai odiar a sensação de impotência. E a única coisa que você pode fazer é encarar a realidade. Encarar que a sua mãe não esta mais ali e não pode fazer nada sobre isso. Mas que você tem que seguir, você tem que continuar a sua vida, a dor vai continuar lá e sempre que alguém falar a palavra “mãe” você vai sentir como se tivessem perfurado o seu coração com uma chave de fenda. E você não vai poder fazer nada sobre isso porque a vida é assim. Ela não é misericordiosa, boa e doce. Ela é justa. Mas a justiça sempre vai acabar fudendo com alguém. — ela fez uma pausa e me olhou, eu assenti pedindo que ela continuasse tudo que ela falou era doloroso, mas era a verdade e eu a preferia — Agora a sua mãe não esta sentindo nada e pra ela tudo acaba bem, mas pra você não. Esse é o engraçado da morte, quem morre simplesmente morre. Ele desaparece e não sente nada. Quem sofre de verdade é quem fica. E Percy eu sei por experiência própria que perder a mãe é uma dor que nunca pode ser superada, ela pode ser amaciada. Mas você nunca vai conseguir deixá-la para trás, a não ser que você seja um egoísta insensível, mas eu sei que você não é isso, e eu apenas te digo: aprenda a conviver com essa dor, a amacie e você poderá viver com um pouco de paz.

Segurei as lágrimas.

A campainha tocou e Clarisse gritou um “entra”. Meu pai entrou em casa e veio até mim.

— Oi pai — murmurei.

Ele já estava muito velho e cansado, mas ainda saia por ai e fazia alguns shows.

Poseidon esticou a mão para mim e me ajudou a se levantar. Ele envolveu-me num abraço que quase me sufocou.

— Não precisa me confortar, Clarisse já fez isso. — avisei.

— Mas eu preciso que alguém me conforte — ele respondeu.

Pensei em quais palavras usar, no fim apenas sussurrei:

— Ela te amava muito.

Ele se separou de mim e me deu uns tapinhas no ombro.

— Você tem que se arrumar, para o funeral.

— Vai ser hoje? Por quê?

— Foi o único horário disponível.

Assenti e fui tomar um banho. Não usei terno, apenas coloquei uma camisa preta com o casaco por cima. Antes de sair de casa me lembrei que Annabeth e minha mãe eram muito próximas, e decidi ligar para ela.

— Olá Percy, como você esta?

— Annabeth — hesitei — É a minha mãe.

— O que aconteceu com Sally?

Contei-lhe tudo e ela ficou sem reação, disse que ia se arrumar e sair. Apesar de insistir para que ela ficasse Annie preferiu ir.

Quando cheguei ao enterro, todos os amigos dela estavam lá. Muita gente tinha pegado um avião correndo e vindo para NY. Mamãe era querida demais, ela era um ser humano tão maravilhoso. Todos vieram até mim, me abraçaram e me deram as suas condolências. Eu era grato por todas elas, mas um “sinto muito” não me adiantava muita coisa.

— Percy? — ouvi uma voz rouca me chamar me virei lentamente e encontrei Atena Chase, a mãe de Annabeth.

— Senhora Chase — disse e andei até ela.

— Seu pai me ligou, eu não pude deixar de vir — ela contou — Sua mãe e eu nos tornamos muito próximas.

— Ela gostava muita da senhora.

— E eu gostava muito dela.

Atena não era mais tão bela quanto antes, mas ainda mantinha aquela elegância que a fazia parecer da realeza espanhola. Se parecia muito com Annabeth.

— Mãe?

Falando nela...

— Annie? Você aqui?

— Sim, Percy me contou hoje no telefone — Annabeth explicou — Não esperava que você aparecesse.

— E eu não esperava que você e Percy estivessem próximos.

— Nós nos reencontramos faz uns meses — declarei — Parece que no fim o enterro valeu de alguma coisa, vocês puderam se vir.

— Percy! — Annie repreendeu — Não faça piadas.

— Desculpa, elas afastam a dor.

Afastei-me das duas e caminhei até o caixão. Ele estava aberto.

Sally Jackson estava linda como sempre, com o cabelo arrumado e semi preso. Seu rosto estava tão sereno... Silena se aproximou de mim.

— Ela está tão bonita — murmurei — Calma. Nem parece que morreu sentindo uma dor terrível.

— Isso machuca, eu sei.

— O que mais machuca é que a ultima sensação dela foi dor. Odiaria que ela levasse essa lembrança do mundo. — hesitei — Gostaria que ela tivesse ido em paz.

Silena fungou.

— Percy, eu sei que isso não adianta muita coisa, mas... Eu sinto muito.

— Obrigada — disse — Não adianta muito, mas conforta.

Acariciei o rosto dela e fiquei ali, vendo todos irem rogar por ela e se afastarem me falando “sinto muito”, “meus pêsames”, “minhas condolências” e “ela está em paz agora”.

Fiquei observando as pessoas, muitas choravam ou apenas soluçavam. Algumas conversavam para afastar a aura de morte, contavam as novidades. Outros faziam algumas piadinhas para que o clima não ficasse tão pesado. E havia aqueles que ficavam num canto se perguntando se aquilo era realmente real, se Sally Jackson abandonara mesmo o mundo. Esse era eu.

Não sai de perto do caixão por nenhum segundo, quando a cerimônia começou pediram que eu me afastasse, mas me neguei a fazer isso. Minha mãe havia morrido e eu só tinha o corpo dela, não me tirariam isso também.

Era estranho, mas durante o funeral eu não soltei uma lagrima. Eu havia gastado todas elas em casa.

A hora de levar o caixão chegou e eles o tamparam. Segui ao lado de minha mãe durante todo o tempo. O caixão foi enterrado e aos poucos as pessoas foram depositando flores e indo embora, passando por mim e afagando meu braço. Depois que todos saíram, Annabeth se aproximou e ficou ao meu lado. Em silencio.

— O que nós fazemos? — perguntei num murmúrio. — Eu não sei...

— Acho que você deveria falar alguma coisa para ela antes de ir e depois... Bem, você devia ir para casa, tomar um banho, beber um café muito forte e dormir.

— E amanhã?

— Amanhã... — ela hesitou — Você vai levantar da cama e seguir sua vida.

Abaixei a cabeça e senti o vento.

— Você... Você pode nos dar alguns minutos a sós?

— Claro.

Annie se afastou calmamente e ficou num canto distante fingindo não estar me olhando a cada 13 segundos.

Ajoelhei-me perto da lápide onde estava escrito:

“Aqui jaz

Sally Jackson

Grande mãe. Grande coração”

— Oi mãe — sussurrei — Eu já estou com saudade. E parece que essa saudade nunca vai morrer. Oh, desculpe, acho que metáforas sobre morte não ficam legais agora. — hesitei — Bem... Eu prometo voltar aqui sempre que puder, afinal, a senhora é minha mãe. Eu...

As lágrimas começaram a cair e eu mal pude evitá-las.

— Eu te amo tanto mãe — balbuciei — Nunca vou me conformar da senhora ter ido assim... Eu daria qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, para poder me despedir da senhora. Surpreender-lhe chegando por trás da senhora e lhe abraçando. Como eu costumava fazer? Você lembra? Eu sempre te causava cócegas... Você tinha muita sensibilidade, até o vento lhe causava cócegas e você ria tanto... A senhora rindo era muito engraçado — tentei em vão reprimir um sorriso — Você ria pelo nariz e parecia que tinha acabado de se afogar.

— Agora a senhora não esta mais sentindo dor e isso me conforta muito. Você não vai mais sofrer e não ficara preocupada toda a manhã se perguntando se eu tinha engravidado alguém. Eu vou sempre me lembrar de usar preservativo, eu prometo. Mas... Agora mãe, eu acho que encontrei alguém, na verdade reencontrei. Acho que quero ficar com essa pessoa para o resto da minha vida, eu não sei direito. É algo meio complexo. Ela é Annabeth. Com certeza se lembra dela, a apreciava tanto, a considerava uma filha.

Sorri.

— Eu não quero me precipitar mãe, não dessa vez. Eu... Eu acho que já tenho de ir.

Pus-me em pé e depositei a minha flor em cima da lápide. Coloquei a mão de dentro do casaco e apertei entre os nós dos dedos a corrente com o nome “Sally”.

— Você a usou a vida inteira — lembrei — Acho que vai querer continuar com ela. É ouro puro. Você... Você gostaria de ficar com ela.

Fiz um pequeno buraco perto da lápide e a enterrei lá.

— Fique em paz mãe... E eu ficarei também.

Caminhei até Annabeth e ela entrelaçou nossos braços.

— Você tinha um encontro hoje –-lembrei-a — Com o cara da peça.

— Com o Marley?

— Esse mesmo — confirmei.

— Eu desmarquei. Ele entendeu quando eu disse que apesar de não ser a minha mãe, era quase como. — ela falou e olhou em volta. — Minha mãe disse que estaria nos esperando. Ela queria levá-lo para almoçar.

Olhei Annabeth, com seus lindos olhos e sorri.

— Não acho que estou no clima para um almoço.

— Ninguém está Percy — Annie comentou — Mas você conhece a minha mãe. Ela se sente na obrigação de fazer algo.

O caminho descia até o portão.

— Eu aceito. Mas é apenas porque eu não conseguiria cozinhar.

Annabeth sorriu sem mostrar os dentes e ligou para a mãe.

— Mãe? Ele aceitou... Sim, ele está... Mãe! — ela fez uma careta — Está certo... Tchau!

Annie desligou o telefone e me encarou.

— Ela já esta no restaurante. Aquele vietnamita que antes era um restaurante grego.

— Ah, eu gosto desse.

— Eu preferia o grego, mas também gosto desse.

Estávamos tentando, mas era difícil manter o clima legal, e era difícil sorrir.

Eu fui dirigindo, e assim que chegamos, fiquei parado um pouco no carro esperando a música que tocava acabar.

— Percy? — Annabeth chamou-me, tirando-me do devaneio enquanto tirava seu cinto — Vamos?

— Eu já vou — falei — É que adoro essa música.

— Eu também adoro — ela murmurou.

Cantarolamos a música baixinha e quando acabou eu percebi que não tinha mais nenhuma desculpa para não sair do carro.

— Agora temos que ir — Annie avisou — Mamãe já percebeu nossa presença.

Ela desceu e eu a segui. Sentamos-nos à mesa em frente a Atena. Ela estava com as mãos entrelaçadas, como se rezasse, e deveria estar rezando, pois seus olhos estavam fechados.

Ela abriu quando pigarreei.

— Agradeço por me convidar para almoçar — murmurei, ajeitando-me a cadeira desconfortável.

— Não é nada — ela sibilou — Mas acho que deveria ter escolhido um lugar com cadeiras mais confortáveis.

Soltei um riso tristonho e o garçom se aproximou. Pedimos uma sopa vietnamita que parecia apetitosa já que a mulher ao lado se deliciava com ela.

Annabeth conversava com a mãe sobre os 3 anos que elas não se viam e tentavam me incluir na conversa, mas eu deixava claro que não queria que meus devaneios fossem interrompidos.

Superar uma morte era fácil, eu já entendera que minha mãe se fora e que tinha que seguir a minha vida. Afastar o clima pesado que fosse o difícil. E eu não colaborava.

— E então Percy, como vai à carreira de cantor? — a mulher perguntou, educadamente.

— Vai muito bem — declarei — Estamos trabalhando no nosso novo disco e está indo tudo muito bem — tentei manter o tom animado — Ainda estamos indo com calma, porque atualmente nossas vidas pessoais estão bem turbulentas.

— É eu soube que aquela garota marrenta... — A senhora Chase foi interrompida.

— Mãe! — Annabeth a repreendeu.

— Desculpe... Clarisse La Rue — ela se corrigiu — Está grávida, certo?

— Sim, está. Já está para fazer dois meses.

Atena assentiu, e adicionou um comentário:

— É estranho, mas acredito que ela será uma ótima mãe.

Sorri.

— Sim, ela será — concordei — Ela que cuida de todos nós desde que começamos a carreira. Ela é mãe de quatro caras com 30 anos.

Consegui arrancar um riso delas.

A sopa chegou e comemos conversando sobre assuntos que brotavam. Quando acabou, Chase reclamou de não estar se sentindo bem.

— Você esta bem filha? — a mãe perguntou.

— Na verdade, estou meio enjoada — disse Annie — Essa sopa não me caiu bem. Eu vou ao banheiro.

Ela se levantou de súbito e pareceu ficar tonta. Curvou-se e despejou toda a sua sopa no chão vomitando.

— Annabeth! — exclamamos em uníssono.

— Eu me sinto zonza — a loira reclamou.

Olhei em volta e um garçom se aproximava para limpar a sujeira. Com certeza aquilo não acabaria legal. Vomitar logo depois de comer aquela sopa acarretaria uma má fama ao restaurante.

Atena suspirava.

— O que foi? — indaguei apreensivo.

— Tontura e enjôo. Isso até parece gravidez — ela comentou e riu.

De algum modo, não consegui achar graça no comentário. Apenas razão.

Notas finais
Gostaram? Eu queria fazer um apelo: a fanfic tem muuuitas leitoras e muitas visualizações para poucos comentários. São cerca de 100 leitoras e sabem quantos comentários eu recebi no ultimo capitulo? Menos de 10! Por favor, comentem! Eu gosto de saber se vocês estão gostando. Alias, para não parecer uma egoísta injusta, obrigada a todas que estão sempre comentando. E varias leitoras fantasmas apareceram e isso me deixou taaaao feliz, mas ainda assim a média de comentários me deixa magoada. Eu só quero saber se vocês estão gostando, odiando ou sei lá. Se vocês tem dicas e etc. É isso. Obrigada, beijoos na testa. Lion.