Um Amor Para Recordar

43 Capítulo 18 — Cuidado com os cleptomaníacos


Notas iniciais
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH OI. Gente, eu to de volta e meu senhor Jesus Cristo eu amo esse capitulo. Eu encerrei ele agora e ta top, olha, ta uma coisa de louco. Mentira. Eu quero dar um spoiler, mas nao posso. Ai que dor no coraçao. Enfim, leiam, espero que goste, nao ta tao depressivo assim. Boa leitura.

Perseu

Quando a luz do sol entrou no meu quarto, eu me joguei para fora da cama e iniciei a minha sessão matinal de 100 flexões. Quando terminei, corri para me trocar e vesti algo confortável. Tomei um café da manhã reforçado e desci as escadas, pronto para dar a minha costumeira volta em torno da lagoa.

Era muito cansativo, eu assumo. Mas era revigorante, ver a lagoa ali, com os arranha-céus refletidos, sentir o oxigênio puro vindo das arvores em primeira mão para você, ouvir o primeiro canto dos pássaros e encontrar várias outras pessoas e sorrir para elas. Isso é algo bom.

Na volta para casa, precisei seguir por outro caminho graças a um acidente de carro que acontecera na avenida, aquilo me trouxe péssimas lembranças, ignorei-as e segui outro caminho. Foi quando me vi a frente do hospital, parado ali observando.

Tentei obrigar meus pés a seguirem caminho, mas eles criaram vida própria e começaram a seguir as entradas, com certa relutância, mas continuaram subindo até estarmos na frente do balcão da recepção com uma moça loura sorrindo.

— O que o senhor deseja? — ela me perguntou.

Eu comecei a gaguejar.

— Sinto muito senhor — ela pediu — Mas não entendo o que o senhor disse.

— Esquece — murmurei e dei a volta.

Não, eu não podia voltar ali. Ela com certeza já morrera e ninguém quisera me avisar. Ela estava naquela cama a muito tempo e eu sabia que Thalia havia programado desligar os aparelhos. Mas ela podia voltar a atrás...

— Não! Não! Não! — gritei, chamando a atenção de várias pessoas.

Uma mulher parou e me encarou.

— Você é o Percy Jackson? — perguntou-me.

— É, eu sou — confirmei.

— Meu marido é um grande fã seu, poderia me dar um autógrafo?

Assenti com a cabeça e assinei um pequeno papel. Ela agradeceu e saiu.

Voltei a encarar o hospital. Eu era muito idiota. Quinze caminhos para casa e eu escolho aquele.

Balanço a cabeça e decido seguir para o meu pequeno refúgio no mundo: a casa de Chris.

Quando chego a porta da casa dele, meus dedos travam. Lá estava eu novamente incomodando meu amigo e sua família, que tipo de pessoa eu sou? Antes que pudesse dar meia volta, a porta se abriu e Alexander esbarrou em mim.

— Ah, oi tio Percy. — ele disse e me cumprimentou com um aperto de mão.

Alexander era o primeiro filho de Clarisse e Chris, ele tinha o cabelo castanho claro do pai e os olhos verdes da mãe. Era meio ranzinza, mas contava piadas ótimas.

— Seus pais estão Alex?

— É, eles estão.

— Ok.

Entrei na casa e encontrei Chris sentado no sofá brincando com Julia, a filha mais nova.

— Eai Percy! Que surpresa. — ele se levantou para me cumprimentar com um aperto de mão.

— Oi cara.

Clarisse apareceu na porta.

— Oi Percy, como vai?

— Bem e você Claire? — perguntei.

— Ah, estamos bem. O que faz aqui?

Julia veio até mim e sentou no meu colo.

— Oi tio Percy.

— Oi jujuba — brinquei com seus cabelos e ela riu — O que me traz aqui? Eu não posso fazer uma simples visita?

— Não, você não pode. — Clarisse retrucou — Desembucha Jackson.

Suspirei.

— Eu passei pelo hospital hoje — comecei — E eu lembrei dela. Mas... Não faz sentido né? Thalia já desligou os aparelhos de qualquer jeito... Eu deveria voltar ao terapeuta.

— Que droga Percy! — Claire exclamou. Julie encarou-a com o canto dos olhos — Desculpa filha, eu não queria dizer isso.

— Clarisse... — Chris disse — Não se precipite.

— Ele precisa saber Rodriguez.

— O que eu preciso saber?

Clarisse passou as mãos no rosto e pigarreou.

— Nós continuamos visitando Annabeth, mesmo depois de... Você parar. — ela hesitou — Percy, faz cerca de 2 meses que ela acordou.

Fiquei em estado catatônico. Annabeth acordara? Ela estava viva então... Ela estava acordada e provavelmente estaria se recuperando agora, talvez até já estivesse recuperada.

— Porque vocês não me contaram?

Chris riu.

— Será que eu vou precisar lembrar da sua ladainha de “ela não existe mais para mim, não me falem mais dela, ela vai morrer então a partir de agora ela está morta para mim”? — ele arqueou a sobrancelha para mim — Não preciso? Ótimo.

Maneei a cabeça.

— Viva... Ela... Ela faz perguntas? Ela perguntou sobre mim? — indaguei, esperançoso.

— Sinto muito Percy — Clarisse disse e saiu da sala.

Apoiei minha cabeça nos braços e entrei em um devaneio. Aquilo era mesmo real? Eu acordara hoje? Aquilo só podia ser um sonho... Thalia ia desligar os aparelhos... Não, ela nunca faria isso. Ninguém deixaria. Era Annabeth, era amada por todos, ninguém deixaria que aqueles aparelhos fossem desligados. Ela ia continuar ali para sempre se possível.

— Tio?

— Fala jujuba — sussurrei.

— ‘Tá tudo bem? — ela me perguntou.

Eu sorri.

— ‘Tá sim.

— Então porque você está preocupado?

Ri. Ela me conhecia bem demais.

— Não é nada Ju, vai brincar vai.

Ela saiu correndo, saltitando. Levantei os olhos e Chris me encarava.

— Ela é uma fadinha, tem até o som do pirimpimpim. — comentei.

— Percy, Julia é cleptomaníaca. Ela roubou suas chaves — ele disse calmamente.

Tateei meu bolso e só encontrei meu celular.

— Uma fadinha bem danada — falei e sai correndo atrás dela pela casa. — Jujuba devolva as minhas chaves.

A peguei no colo e ela começou a rir, balançando as chaves para mim como um prêmio. Comecei a fazer cócegas nela e Julia gargalhava cada vez mais.

— Para! Para!

Eu parei e a fiz olhar em meus olhos.

— Minhas chaves Ju.

Julia revirou os olhos, igualzinho a alguém que eu já conhecia, e me entregou.

— Boa garota — a peguei pela mão e a guiei até a sala. Chris estava descendo as escadas com outra roupa. — Onde você vai?

— O correto é onde vamos Percy. — ele corrigiu-me — Vamos visita-la.

Fiquei boquiaberto.

— O que? Chris eu não entro naquele hospital faz 6 anos e você quer que eu volte hoje lá e visite Annabeth como se fossemos velhos amigos e nada tivesse acontecido? — exclamei.

Chris fez cara de pensativo.

— Talvez eu queira.

— Você endoideceu de vez.

— Percy, você precisa encarar os fatos! — ele me cutucou no ombro — Quando o assunto é Annabeth você foge e exclui aquilo da sua vida até ser obrigado a encara-lo de novo. E está na hora de você parar de fugir. Você a ama e ela está viva! Você deveria ter ficado ao lado dela durante esses sete anos, porque você sabe que os seus motivos são ridículos. Ela nunca te enganaria por dinheiro. Então está na hora de você deixar de ser um completo idiota e pegar Annie de vez, porque tudo que você fez durante toda a sua vida foi deixa-la escapar. Eu não posso deixar você fazer isso de novo.

Abaixei a cabeça, envergonhado.

— Odeio o fato de você estar certo. — resmunguei.

Ele sorriu.

— Eu sempre estou certo — ele riu — Não diga isso a Clarisse.

— Pode deixar.

Ele colocou a mão no meu ombro.

— É hora de conquistar a sua garota de vez amigo.

***

Quando o carro estacionou, fingi estar tendo um devaneio para não descer do carro. Mas fui obrigado por Chris.

— Ei você não vem? — perguntei, quando percebi que meu amigo não sairá do carro.

— Não sou eu que preciso deixar de ser o idiota.

— Está certo... Obrigado pelo apoio. — ironizei.

— Amigo é para essas coisas.

Entrei no hospital e vi a recepcionista que encontrara naquela mesma manhã. Caminhei até uma parede onde havia a planta do hospital. Annabeth estava se recuperando... Devia estar fazendo fisioterapia. Vasculhei a planta e segui pelo corredor a esquerda, peguei o elevador e depois virei a direita duas vezes e por último virei a esquerda. E ali estava ela com o rabo de cavalo desarrumado que deixava boa parte de seus cabelos loiros caídos no rosto. Ela estava deitada no chão com uma perna levantada e fazia uma careta de dor. Uma fisioterapeuta a ajudava e apenas quando levantou a cabeça percebi que era Thalia.

— Annie... — sussurrei.

Ou pensei que sussurrei, porque ela levantou o olhar e me viu.

Era tão bom vê-la de novo, encarar aqueles olhos cinzentos que eu tanto amava, e saber que ela estava bem... Não se compara a nada.

— Como você ousa aparecer aqui de novo? — alguém gritou. Balancei a cabeça e vi que era Thalia vindo em minha direção com a mão levantada pronta para estapear minha face.

— Thalia, para! — Annabeth interrompeu e tentou se levantar, mas cambaleou. Thalia foi correndo ampara-la.

— Está tudo bem? — a medica perguntou, preocupada.

— Claro mamãe — ela brincou e sussurrou algo em seu ouvido — Eu preciso disso.

Thalia resmungou e a soltou, passou por mim me fuzilando com os olhos e saiu.

Annabeth se sentou numa cadeira e me encarou.

— Pode começar.

— Começar o que? — indaguei, confuso.

— Se você está aqui, é porque tem algo para me falar. Pois comece — ela indicou e se aconchegou na cadeira.

Soltei um longo suspiro, falar? Eu não havia pensado nisso.

— Eu acho que não tenho nada para falar — disse baixinho, envergonhado. Annabeth riu.

— Que tal começar se desculpando por pensar que eu sou uma interesseira? — ela arqueou as sobrancelhas — Eu acho uma boa.

— Certo, eu também acho — murmurei — Sinto muito por pensar isso de você... Mas ficar te vendo deitada naquela cama paralisada mexeu comigo e eu não estava muito bem e... Na hora eu estava apenas tentando achar qualquer desculpa fajuta para me afastar de lá.

— Porque? — ela perguntou, seus olhos lacrimejando — Porque você não aguentava mais ficar perto de mim?

— Não! O problema não era você! Nunca foi e nunca vai ser. — repliquei — O problema era eu... Eu não aguentava vê-la daquele jeito, ali, sem vida e não fazer nada. Eu odiava a sensação de impotência e poder sair dali fazia com que eu sentisse que podia controlar algo.

Ela abriu a boca para falar, mas fechou de novo.

— Eu nunca fiz a coisa certa quando o assunto era você, não sei porque esperava que eu superasse suas expectativas.

— Quem disse que eu já criei alguma expectativa em relação a você? — Annabeth retrucou.

— Essa doeu — murmurei.

Annie riu.

— Era para machucar.

Ela tomou impulso e se levantou e caminhou até mim com dificuldade, quando estava a um metro esticou os braços e agarrou as minhas mãos.

— Sinto muito, depois de 7 anos você desaprende e eu ainda não peguei o jeito. — ela riu.

Coloquei os braços em sua cintura para segura-la melhor, Annie se aproximou e ergueu a cabeça para olhar em meus olhos.

— Eu te odeio por ter me abandonado, eu te odeio por ter pensado que eu te enganaria, eu te odeio por ser tão frouxo e nunca ter tomado uma atitude de verdade em relação a mim, eu te odeio por ser tão errado, eu te odeio por ser tão lerdo, te odeio por nunca parecer se importar de verdade, eu te odeio Percy Jackson. Odeio do fundo do coração. Odeio os seus olhos, odeio a sua boca, odeio o seu sorriso, odeio o jeito como me segura, odeio o jeito como me encara nos olhos, odeio como mexe em seu cabelo, odeio o jeito como passa a língua nos lábios a cada frase encerrada. Eu odeio você por completo. Mas eu me odeio muito mais por ter acabado de dizer tantas mentiras, por odiar tanto cada detalhe seu que acabo amando eles, eu me odeio por continuar te amando tanto mesmo depois de cerca de 19 anos, por ter te amado por cada segundo desde que eu te beijei pela primeira vez. Eu odeio te amar Percy Jackson.

Foi impossível não segurar um sorriso, foi impossível não me inclinar até sentir sua respiração e quase tocar seus lábios.

— Eu acho que vou te beijar.

— Ao menos uma vez na vida, cala a boca e faça algo certo Percy.

Notas finais
tuts tuts tuts percabeth tuts tuts tuts quero comentários, recomendaçoes, bem, fica a criterio de voces. xoxo
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!