Um Amor Para O Youkai
1 Nascendo
Por Ichimoku Ren
Muitas vezes, enquanto ajudava a senhorita a investigar a vida das pessoas que pedem ajuda pela internet, ficava pensando comigo mesmo o que seria se não houvessem me encontrado se continuaria a ser “a espada esquecida na pedra”, porém, talvez fosse melhor se eu tivesse uma vida, algo a mais a que me apegar algo diferente a explorar...
Era estranho, algumas vezes, compartilhar o mundo com os humanos sendo que nem sempre poderia fazer algo que realmente ajudasse-os, não via o mundo da mesma maneira e não podia compartilhar o que de fato sinto. Agora que não precisávamos mais compartilhar a mesma casa eu me sentia sozinho, encontrávamos em um pub qualquer e conversávamos sobre nossa vida, era nostálgico, fui o primeiro a chegar, era tarde, o sol estava se pondo, não tínhamos hora marcada para aparecer, apenas acontecia...
– Me solte seu imbecil! Está me machucando!
– Pensei que gostasse de ser machucada.
Parecia ser uma briga de casal, na verdade, ainda não me acostumei direito a essa idéia de viver sem poder interferir na vida das pessoas, continuei a mexer no meu suco com o canudo, mas sem nenhuma vontade de beber. As outras pessoas não estavam ligando, parecia ser algo cotidiano, um som de tapa e de corpo caindo no chão, não poderia ser normal. Quando vou deixar de ser detetive? Quanto mais isso pode durar?
Levantei-me de minha cadeira, deixei o que devia e uma gorjeta, passei próximo à garota no chão, ela estava imóvel e sua cabeça estava virada contra o chão, escutei sua voz:
– Por favor, me tire daqui...
Seu vestido me lembrava o que Hone Onna costumava usar, mas, não parecia ser do Japão. Acompanhei-a até fora do pub, o homem já havia ido embora...
– Obrigada, acho que daqui eu posso ir sozinha.
– Não tem medo de que façam algo?
– Todos fazem, estou acostumada.
– Quem é você?
Ela olhou para mim como se eu fosse de outro planeta (o que não era tão longe da verdade, de fato), perguntei novamente, ela virou sua cabeça e respondeu:
– Não iria querer saber, parece ser um cara muito normal...
– É o que tento ser.
– Como assim?
– Não iria querer saber. Onde você mora?
– São duas quadras daqui, mas, eu já disse que posso ir sozinha.
– Quero acompanhá-la até lá.
– Pra quê?!
– Preciso ter certeza de que vai ficar bem.
– Se assim quer...
Chegamos lá rápido, era um pequeno apartamento de um cômodo só além de banheiro e cozinha, parecia ter havido algum tipo de briga lá dentro:
– Tem certeza de que está tudo bem em ficar sozinha?
– A maioria dos clientes é assim, não posso reclamar da vida que escolhi.
Então, ela é mesmo igual à Hone Onna...
Porém, minha atenção foi desviada para ela, que parecia estar prestes a desmaiar, segurei-a antes que caísse e ela me perguntou:
– Por que faz isso?! Qualquer outro me trataria como...
Antes que eu pudesse pensar, estávamos nos beijando, se bem que, depois de tanto tempo (Quanto era mesmo? Quantos séculos?! Perdi as contas!), bom, não importa. Ela pareceu surpresa, mas abraçou-me do mesmo modo, afastou-se e perguntou:
– Tem certeza de que não me conhece?!
– Não mesmo. Ainda não sei seu nome...
– Pode me chamar de Sara. E como você se chama?
– Pode me chamar de Ren.
O que aconteceu depois?! Acho que seria inadequado falar agora. Só posso dizer que tudo aconteceu como se fosse a primeira vez.
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