Um Amor Nº V
15 Reconciliação
Notas iniciais
POV Damon
Até agora não sei de onde veio o impulso para que eu beijasse a April. Talvez do bilhete que Elena escreveu mandando você tomar uma atitude antes que fosse tarde demais. Ou talvez pelo fato de que eu precisava saber se realmente ainda sentia algo pela April.
–Damon, não. – ela diz me afastando. – A Elena está com você agora e vocês dois formam um lindo casal. E eu realmente espero que um dia eu seja feliz como vocês parecem ser. Quando fomos almoçar, notei o quanto os olhos de vocês brilhavam ao encarar um ao outro.
–April, eu não estou com a Elena. Ela é apenas a minha secretária. Quando você me ligou para avisar do casamento, disse que traria minha namorada apenas para provocar ciúmes em você. Nada disso é real.
–Vou me casar em alguns dias, Damon. Sinto muito, mas você não é o cara com quem eu vou ficar. Talvez você devesse pensar um pouco na Elena. Essa história de que os dois fingiram um relacionamento foi bem convincente. Vai atrás dela.
E é isso que eu faço. Volto para o local onde aconteceu o ensaio, que agora está quase vazio. Procuro rapidamente por Elena, mas não demoro muito tempo para notar que ela não está ali. Ligo para seu celular, mas ela recusa a chamada. Que estranho. O que será que aconteceu?
Pego um táxi e volto para o hotel em que estamos hospedados. Subo até o quarto na esperança de encontrá-la lá e podermos conversar um pouco, assim eu saberia o que a havia feito ir embora da festa tão repentinamente. Sou surpreendido pelo fato de que não há um pertence sequer no quarto. Entro em desespero.
Depois de ligar muitas vezes para o seu celular, desisto de falar com ela e começo a procurá-la. Volto até a recepção e pergunto ao rapaz que está no balcão se ele viu alguém com a descrição de Elena. Ele me responde que acabou de começar o trabalho e que a moça que estava ali antes dele acabara de sair.
Saí em disparada do saguão para a rua, tentando de qualquer maneira encontrar a tal mulher. Sabia quem era, pois era a funcionária que estava na recepção quando eu e Lena saímos para o ensaio. Encontro com ela no quarteirão seguinte.
–Hey, moça! – ela se vira. – Será que a senhorita sabe me dizer se viu aquela mulher linda que estava comigo essa noite? Preciso muito saber onde ela está.
Ela me encara e começa a pensar.
–Não sei. Pode ser que eu a tenha visto. Minha memória anda um pouco falha. Quem sabe se você não me ajudar... – e estende a mão.
–Oras, mas isso é chantagem. Esse é um caso de vida ou morte! Ela não conhece a cidade. A senhorita precisa me ajudar! – pedi desesperado.
–É só me ajudar a lembrar. Quem sabe eu não tenho alguma informação que o ajude a encontrá-la? – e estende novamente a mão.
Pego minha carteira no bolso e tiro uma nota de vinte dólares.
–Lembro-me de tê-la visto chorando. E pedindo que eu não contasse a você que a tinha visto. Pode ser que eu lembre de mais alguma coisa... – e lá estava novamente sua mão estendida.
Ponho mais vinte dólares em sua mão e ela imediatamente guarda na bolsa.
–Ela chegou chorando no hotel e foi até os elevadores parecendo um furacãozinho. E depois de algum tempo, desceu com a mala feita, pedindo para que eu não dissesse nada caso você perguntasse. Se quer minha opinião, ao entrar no táxi, ela pediu ao motorista que a levasse ao aeroporto.
–Muito obrigado! Mesmo que pra conseguir essa informação eu tenha precisado pagar.
Saio correndo de volta ao hotel. Mas é claro! Porque eu não pensei nisso antes? A Caroline deve saber alguma coisa sobre. Pego meu telefone do bolso de trás da calça enquanto jogo minhas roupas de qualquer maneira dentro da mala. Após três toques, ela atende.
–Damon? Aconteceu alguma coisa? – Caroline pergunta preocupada.
–Caroline, você sabe da Elena? Estávamos no ensaio do casamento da April, mas nos desencontramos e quando cheguei ao hotel, ela não estava lá. Foi embora com a mala e não avisou pra onde ia. E agora não atende a droga do celular.
–Damon, calma. Espera um minuto, o telefone está tocando. – espero enquanto ela vai atender o telefone de casa. Quando ela volta a falar comigo, seu tom de voz está ligeiramente alterado. – Damon Salvatore, o que foi que você fez? – fico confuso com a pergunta.
–Não sei. O que eu fiz?
–O pai da Lena acabou de me avisar que ela está vindo para casa e que ligou para ele chorando e dizendo que precisava urgentemente de mim. Logo, desembucha: O. Que. Você. Fez? – pergunta pausadamente.
–Não sei, Car. Lena e eu nos separamos na festa, então não faço nenhuma ideia do motivo dessa partida repentina dela. Por favor, assim que tiver notícias, não deixe de me avisar.
Desliguei o telefone. Estou extremamente confuso. Por que será que ela fez isso? Algo definitivamente a chateou, e eu não faço ideia do que possa ter sido. Não devia tê-la deixado sair de perto de mim. Então algo me ocorre. Será que essa volta repentina da Lena a Nova York tem a ver com o beijo que eu dei na April? Droga, ela não pode ter visto aquele beijo!
Não sei o que aconteceu para que a Elena saísse desse jeito do hotel, mas estou voltando para Nova York agora mesmo. Vou consertar a burrada que eu fiz. Sem querer acabei magoando a pessoa errada.
POV Elena
Faz dois dias que voltei para casa. E dois dias que não saio do quarto. Estou deprimida com o que aconteceu. Damon foi um idiota. Ao chegarmos lá, ele me tratou como uma criança. No dia seguinte, ele quase me beijou. E na noite do ensaio do casamento da April ele a beijou. Ela vai se casar! Pensei que Damon pudesse estar começando a gostar de mim depois daquela crise que eu tive no hotel. No dia seguinte eu saí pra correr e ele ficou muito preocupado comigo. Mas então tudo mudou.
–ARGH! Não aguento mais pensar sobre Damon, April, casamentos! Preciso comprar! Comprar até não conseguir mais carregar as bolsas de compras. Quero sentir o cheiro de coisa nova. E acima de tudo, quero um Chanel Nº V novo!
Levanto e começo a me arrumar. Estou sozinha no apartamento, já que Car tem que ir trabalhar, mesmo quando sua vontade é ficar aqui comigo me dando colo. Quando estou pegando as chaves na mesinha para sair de encontro à minha terapia, Caroline entra no apartamento.
–Elena?! Você de pé depois de dois dias sem sair do quarto? E aonde você vai toda arrumada desse jeito?
Opa. Não era pra Car me encontrar agora. Preciso de uma desculpa, e rápido! Pensa, Elena. Pensa! Já sei!
–Oi, Car. Eu estava indo encontrar você pra sairmos e fazermos alguma coisa juntas. Não aguento mais ficar aqui, nem ficar pensando nele, nela, em casamentos... – menti. – Preciso me distrair!
–Sei. Elena, não acredito que você ia fazer isso! Depois de tanto tempo, se eu não tivesse chegado aqui nesse exato momento, você agora estaria comprando! Gastando tudo o que você vem juntando!
Começo a chorar.
–Car, eu nunca passei por isso. Sempre afoguei minhas mágoas com o mundo comprando. Não sabia, até uns dias atrás, o que era estar apaixonada. É estranho, é novo pra mim. Simplesmente não sei o que fazer!
–Eu sei. Nós vamos agora até o seu quarto, vou ajudar você a limpar esse rosto e a fazer uma maquiagem linda. Vou ligar pro Klaus e nós vamos sair para jantar. Quem sabe o que pode acontecer depois? – ela diz, sorrindo maliciosamente.
–Car, não. Pode ir. Divirta-se com o Klaus. Não quero atrapalhar vocês. Seria péssimo. Não se preocupe comigo.
–Elena, eu insisto. Vou me arrumar e então venho ajudar você. E não esqueça a lingerie provocante! Tenho uma ótima sensação a respeito dessa noite! – ela provoca, desaparecendo pelo corredor.
A ideia de me divertir com a minha amiga começa a me animar. Se no fim da noite estivermos em uma balada, por mim tudo bem. Afinal, posso beber até não conseguir mais lembrar meu próprio nome. Volto para o meu quarto enquanto ouço minha melhor amiga andar de um lado para o outro no quarto dela.
Tomo outro banho antes de recomeçar a me arrumar, mandando embora, junto com a água, minha vontade de comprar. Escolho uma lingerie vermelha de renda, que eu nem lembrava de ter, um vestido cinza com a saia rodada e uma sandália de salto vermelha. Enquanto espero Caroline vir me ajudar com uma maquiagem que combine perfeitamente com a roupa, fico me admirando no espelho.
O amor realmente muda as pessoas. Não que tenha feito um milagre no meu corpo, mas graças às duas noites mal dormidas, há duas olheiras bem fundas sob meus olhos e eu estou pálida. Mas meus olhos brilham e eu às vezes me pego com um sorriso idiota no rosto.
–Pronto, Lena, vamos lá. – me assusto quando ela me chama, mas tento não demonstrar.
Quando Car termina a maquiagem, pareço outra. Quer dizer, ainda sou eu, mas as olheiras sumiram e meu rosto tem muito mais cor. Ela sempre foi muito talentosa na hora de maquiar alguém. Um talento que já veio com ela desde criança. E eu a admiro muito por conseguir fazer algo por mérito próprio.
–Onde vamos? – estava muito curiosa. Ela ainda não havia dito nada a respeito do nosso destino essa noite.
–No momento, para a sala esperar o Klaus chegar. – e sai do meu quarto encerrando a conversa. Mas não desisto. Vou atrás dela.
–Onde vamos jantar? Qual o restaurante?
–Sinceramente, Lena? Não faço ideia. É uma surpresa pra mim também. Klaus disse pra deixar isso com ele.
Ok, isso é estranho. Primeiro ela insiste que eu vá com ela e agora me diz que não sabe para onde vamos? Caroline pega o celular na bolsa. Provavelmente estava vibrando.
–Ótimo, podemos descer. Nossa carona chegou.
Descemos juntas no elevador e Caroline não diz uma palavra. Quando chegamos à calçada em frente ao nosso prédio, entendo o motivo de tanto mistério. Damon Salvatore.
–Car, o que significa ele estar aqui na nossa porta, de terno e gravata e com o Klaus? – sussurrei no ouvido dela. Não sabia se ficava triste ao vê-lo, com raiva da surpresa, ou feliz por ele estar ali, provavelmente para me ver.
–Vai precisar perguntar a ele. Só me pediram pra trazer você até aqui. Até amanhã, amiga! Vou dormir com o Klaus hoje.
Traíra! Como ela pôde me jogar assim aos leões. Sabia que havia algo errado naquela empolgação toda pra me tirar de casa. Caroline entra no carro de Klaus, que está acenando para mim, e os dois vão embora, deixando-me ali sozinha com Damon.
Ficamos nos encarando durante um bom tempo. Quando finalmente descongelei, virei para a porta e fiz menção de entrar, mas algo me impediu. Simplesmente não consegui evitar deixá-lo sozinho na porta do meu prédio sem ao menos saber o que ele estava fazendo ali.
–Lena, eu... – ele começa, mas eu interrompo.
–O que você quer? – pergunto, seca.
–Não fala assim comigo, Lena. Vim aqui perguntar por que você sumiu daquele jeito. E pedir desculpas pelo que quer que tenha sido. No dia em que você foi embora, eu nem ao menos pude contar a você o que aconteceu naquela noite!
–Poupe-me dos detalhes da sua noite de amor, Damon. Não quero saber.
–Noite de amor? Elena, do que você está falando?
–Você e April! Eu vi quando a beijou.
–Então eu estava certo sobre o motivo da sua volta. Não rolou nada entre nós dois, Elena. E sabe por quê? – olhei em seus olhos. O que quer que ele tivesse pra me dizer, não faria com que eu mudasse de ideia a respeito dos planos dele para a noite. – Porque naquela noite, quando beijei April, seguindo seu conselho de tomar logo uma atitude, aliás, não senti nada. Não era aquilo que eu queria.
Sua explicação me atinge de uma maneira para a qual eu não estava preparada para ser atingida. Pensei que ele pudesse dar qualquer desculpa idiota. Mas dava pra ver em seus olhos que estava sendo sincero. Tão sincero quanto a preocupação de Caroline com minhas crises.
–Passei aquela noite atrás de você. Quando não a encontrei no hotel, e suas coisas haviam sumido, entrei em desespero. Nunca me senti tão desolado quanto naquele momento. Ninguém sabia me dizer onde você estava. Liguei para a Caroline e ela não sabia onde você estava, a mulher pra quem você pediu sigilo havia acabado de sair. Eu corri atrás dela e tive de pagar quarenta dólares pra que ela me contasse o pouco que ela sabia sobre onde você havia ido.
Sorri quando ele disse que precisou pagar quarenta dólares àquela mulher. Eu imaginei que isso pudesse acontecer. E se Damon Salvatore, um economista pão-duro da Wall Street, pagou a uma mulher para saber notícias sobre meu paradeiro, quer dizer que sou muito importante para ele.
–Damon, eu... Realmente não sei o que dizer.
–Que tal dizer sim ao meu convite?
–Que convite?
–O de jantar comigo. Hoje. Em um lugar especial. Assim como você.
Seu elogio me faz corar. Damon se aproxima e beija minha bochecha.
–Você está linda. Não. Você é linda.
Pega minha mão e me leva até o carro. Quando já estamos os dois sentados, ele me pede pra pôr uma venda, alegando que o lugar para onde vamos é uma surpresa.
Damon dirige por longos e incontáveis minutos, até que para. Não estamos na cidade, pois quando ele desliga o carro, tudo parece extremamente silencioso. Ouço quando a porta do motorista abre e quando ela é fechada. Poucos segundos depois, Damon está ao meu lado, me dando a mão para me ajudar a sair do veículo.
–Surpresa! – diz após retirar a venda do meu rosto. Estamos em um lugar maravilhoso: um chalé muito bonito com um jardim extenso e multicolorido pelas diversas flores. Há pequenas velas decorativas fazendo um caminho até uma tenda, onde posso ver uma mesa posta para dois.
–Tudo isso é pra mim?
–Tudo isso é por você. Eu fui um idiota e você teve razão para se afastar. Mas agora não pretende mais deixá-la fazer isso. Eu amo você, Elena.
Suas palavras me emocionam. Nunca as tinha ouvido antes. Pelo menos não com tanta emoção, tendo tanta certeza de sua veracidade. Damon nunca mentiria a esse respeito. E a verdade é que também o amo. Mas quando tento dizer, não consigo. Minha voz sumiu tamanha a emoção desse momento. Lágrimas de alegria escorrem pelo meu rosto.
–Vem, vamos comer. Temos a noite toda para admirar o jardim.
Ele pega minha mão e me leva pelo caminho iluminado até a mesa, onde puxa a cadeira para que eu sente, como um verdadeiro cavalheiro. Jantamos tranquilamente, conversando normalmente, como se os dias em que não nos vimos nunca tivessem existido. Quando terminamos, Damon me levou para fazer um pequeno tour pela casa. Durante o passeio, começamos a nos beijar. Nunca senti tanta vontade de beijar alguém antes. Damon consegue despertar vontades adormecidas e adormeces vontades descontroladas em mim.
Quando ele me mostra o último cômodo, o quarto principal, o clima entre nós dois já esquentou e muito. Nossas mãos parecem ganhar vida e vão conhecendo o corpo um do outro. As roupas começam a ficar pelo chão no caminho até a cama. Ao deitarmos juntos, ainda nos beijando, Damon se afasta.
–Você tem certeza?
–Nunca pensei que pudesse ter tanta certeza quanto tenho agora.
Damon voltou a me beijar, acariciando cada centímetro da minha pele. Ele começa a descer os beijos por meu pescoço, barriga, até chegar à minha intimidade. Meus gemidos, que já não estavam baixos, ficam extremamente altos quando ele começa a acariciar minha parte íntima com a língua. Circula meu clitóris, suga, me leva à loucura. Volta a me beijar. E é então que eu sinto. Damon encosta seu membro em minha entrada. Tenho um momento de hesitação, mas logo passa. Ele age com tanto carinho e delicadeza.
Sinto um pouco de desconforto quando ele finalmente me penetra, mas depois de alguns minutos, quando relaxo, começo a sentir prazer. Damon intensifica cada vez mais os movimentos, e começo a sentir uma sensação estranha. E então entendo que estou gozando pela primeira vez em minha vida. Um orgasmo de verdade. Um que não é comprado. Logo depois ele também chega ao clímax.
Quando nossas respirações normalizam, Damon delicadamente sai de dentro de mim e se deita ao meu lado. Noto, de relance, que ele tira a camisinha que eu não sabia que ele havia posto, e dá um nó, jogando-a ao lado da cama.
–O Damon que eu conheci não jogaria isso no chão.
–Acho que o Damon que você conheceu não existe mais. Agora existe o Damon que se apaixonou por uma garota incrível que conseguiu, à sua maneira, mudá-lo.
–Também amo você. Sei que não disse antes, mas simplesmente não consegui. Estava emocionada demais. Obrigada por me fazer sentir bem.
–Obrigado por me fazer abrir os olhos para o mundo.
Ele me beija e então me aconchega em seu peito. Não demoro muito para dormir, as emoções me deixaram exausta, e saber que amanhã vou ser cruelmente interrogada me deixava ainda mais cansada.
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