Um Amor Nº V
16 Bônus - Casa Comigo?
Notas iniciais
POV Caroline
Estou preocupada com a minha melhor amiga. Desde que voltou dessa viagem maluca com o chefe dela, ela se enfiou no quarto e não tem tido ânimo nem vontade de sair de lá. Nem mesmo para comer. Quando encontro Klaus para almoçar, comento com ele.
–Damon me ligou na noite em que a Lena voltou. Ele não fazia ideia de onde ela estava, por isso me procurou. Você por acaso sabe o que aconteceu entre os dois? – vou direto ao ponto pra evitar que ele se faça de desentendido.
–Não faço ideia do quê, exatamente, aconteceu. Só sei que, seja o que for, afetou o Damon também. Ele tem estado desconcentrado, tá com cara de quem não tem dormido bem... Nem tem cuidado da aparência. Aquela barba por fazer no rosto dele é de assustar. Nunca o vi deixar aquilo crescer! *
–Essa história está bem mal contada. Preciso falar com ele. Não aguento mais ver minha amiga naquele estado. Fiz a comida favorita dela ontem, e ela nem ao menos quis levantar para comer. O máximo que consegui foi fazê-la comer sentada na cama, já que ela me disse que uns biscoitos seriam bons.
–Amor, faz assim: pede ao seu chefe a tarde de folga. Vou falar com o Damon e vou convencê-lo a tomar uma atitude.
Mudamos de assunto. Klaus resolveria dois problemas: o do Damon e o da Lena, que no fim das contas era o mesmo. Terminamos de almoçar e Klaus se despediu logo após pagar a conta. Voltei para o trabalho e fui conversar com meu chefe. Como eu sou uma funcionária exemplar e muito dedicada, ele me deixou ir para casa.
Pego o celular na bolsa enquanto desço e ligo para Klaus.
*Ligação ON*
–Oi meu amor. E aí, está indo para casa?
–Sim. Quero saber se você já fez sua parte? Falou com o Damon?
–Acabei de sair da sala dele. Daqui a pouco vamos embora. Espera um pouco, o Damon que falar com você. – há uma pausa na linha – Caroline?
–Oi, Damon. – sou educada, mas não muito amigável afinal, ele aprontou com a minha melhor amiga.
–Preciso que me faça um favor. Quando chegar a casa, convença Elena a se arrumar para uma noite incrível. Ela pode estar como se sentir melhor, mas deixe-a linda. E não conte nada pra ela. Estou preparando uma surpresa.
–Não sei se deveria fazer isso por você. Mas não se preocupe. Farei isso pela minha amiga. Não consigo mais chegar ao apartamento e encontrá-la jogada na cama chorando. – se ele realmente estava mal como o Klaus disse, jogar isso na cara dele não ia fazer muita diferença.
–Muito obrigado, Caroline. – e desliga.
*Ligação OFF*
Pego um táxi na porta do prédio onde trabalho e digo o endereço ao motorista. Chegando ao prédio, sinto-me muito empolgada por, finalmente, ter uma razão pra acabar com a fossa da minha amiga. Pego o elevador até nosso andar. Procuro a chave na bolsa enquanto caminho do elevador à porta.
Ao abrir a porta, surpreendo-me: Elena não só está de pé, como está arrumada e pronta para sair. Será que Damon resolveu contar os planos a ela? Esse é meu primeiro pensamento. Mas quando noto sua atitude hesitante, sei exatamente qual o motivo dela estar ali. Resolvo confirmar antes de acusá-la.
–Elena?! Você de pé depois de dois dias sem sair do quarto? E aonde você vai toda arrumada desse jeito?
Ela demora um pouco a responder e é isso que me dá a certeza de que ela estava prestes a fazer uma besteira.
–Oi, Car. Eu estava indo encontrar você pra sairmos e fazermos alguma coisa juntas. Não aguento mais ficar aqui, nem ficar pensando nele, nela, em casamentos... Preciso me distrair!
–Sei. – respondo em tom irônico. – Elena, não acredito que você ia fazer isso! Depois de tanto tempo, se eu não tivesse chegado aqui nesse exato momento, você agora estaria comprando! Gastando tudo o que você vem juntando!
Minha amiga começa a chorar desesperada e isso aperta meu coração.
–Car, eu nunca passei por isso. Sempre afoguei minhas mágoas com o mundo comprando. Não sabia, até uns dias atrás, o que era estar apaixonada. É estranho, é novo pra mim. Simplesmente não sei o que fazer!
–Eu sei. – e realmente sabia. Lembrava muito bem de quando ela me contou a história do único garoto de quem ela gostou. – Nós vamos agora até o seu quarto, vou ajudar você a limpar esse rosto e a fazer uma maquiagem linda. Vou ligar pro Klaus e nós vamos sair para jantar. Quem sabe o que pode acontecer depois? – não consigo impedir um sorriso malicioso. Sei exatamente o que pode acontecer essa noite.
–Car, não. Pode ir. Divirta-se com o Klaus. Não quero atrapalhar vocês. Seria péssimo. Não se preocupe comigo. – e deixar você aqui sozinha pra sair e comprar? Não nasci ontem, Lena. Além disso, se eu não deixar você linda para o Damon, você vai se entocar de novo naquele quarto.
–Elena, eu insisto. Vou me arrumar e então venho ajudar você. E não esqueça a lingerie provocante! Tenho uma ótima sensação a respeito dessa noite! – provoco, tentando fazer com que ela saia logo da sala para ir se arrumar.
Ligo para Klaus depois de trancar a porta do quarto. Espero que ela não venha até aqui. Seria estranho para ela encontrar a porta trancada. Ele atende depois de três toques.
*Ligação ON*
–Você faz ideia do que é que ele vai aprontar? – sussurro com medo de que Lena esteja ouvindo atrás da porta.
–Nenhuma. Mas posso te passar o número dele e você pergunta o que fazer agora.
–Tudo bem. Mas... E nós dois? Aonde vamos? – não consigo conter a curiosidade.
–Surpresa pra namorada mais linda do mundo. Você vai saber em algumas horas. – suspiro. E Klaus ri ao ouvir.
–Bom, se não vai me contar, então vou desligar. Preciso me arrumar para uma surpresa. E ligar para ele. Amo você.
–Também amo você, Car.
*Ligação OFF*
Klaus me manda uma mensagem com o número de Damon e logo depois de tomar banho, ligo para ele.
*Ligação ON*
–Damon, é a Caroline. Consegui convencê-la a se arrumar. Mas menti dizendo que íamos sair juntas. O que eu faço agora?
–Não precisa se preocupar com mais nada. Assim que Klaus e eu estivermos aí na portaria, ele vai te avisar. Assim a Lena não suspeita de nada.
–Nós vamos nos separar. Isso o Klaus me contou. Você sabe de alguma coisa? – não custa nada tentar, mesmo que ele não saiba.
–Talvez ele tenha deixado algo escapar, mas se eu contasse, perderia um dedo, ou até a língua! – Damon ri com o próprio comentário.
–Tudo bem. Obrigada por nada. Você deveria ter um pouco mais de consideração depois de tudo o que fiz pra você. – ataco.
–Não seja dramática. Nem sentimental. Estou apenas guardando um segredo que vale uma surpresa. Você me odiaria se eu estragasse isso. – talvez ele tivesse razão. Ou talvez não.
–Bom, vou desligar. Preciso terminar de me arrumar e ajudar a Lena.
–Obrigado de novo.
–Não se acostume. – e desligo.
*Ligação OFF*
Quando falei com Klaus ao telefone, não sabia o quê, exatamente ele e Damon estavam aprontando. E meu namorado disse que era surpresa. Klaus sabe que odeio quando ele não me conta o que está preparando. Mas no fim, sempre amo as surpresas que ele faz. Meu namorado costuma ser bem romântico.
Termino de me arrumar. Modéstia a parte, fiquei deslumbrante com esse vestido. Ele é vermelho e de renda na parte de cima com um forro cor da pele. E a saia é rodada e de um tecido brilhante. Calço um scarpin nude e pego uma bolsa da mesma cor do sapato para guardar documentos, o celular e as chaves.
Destranco a porta bem devagar pra não fazer barulho e vou para o quarto da minha amiga. Ela está encarando fixamente o espelho e parece estar refletindo sobre alguma coisa.
–Pronto, Lena, vamos lá. – ela tenta disfarçar o susto, mas é em vão.
Desde pequena, sempre gostei muito de maquiagem. Na adolescência, quis fazer um curso, mas meus pais nunca puderam pagar. Mas isso não me impediu. Sempre testava em minhas amiguinhas e elas gostavam de me chamar para a casa delas para ajudá-las quando tinham alguma festa para ir.
Esse talento veio a calhar agora, já que Elena estava com um rosto bem cansado e com duas olheiras enormes. Sem contar a palidez. Mas assim que termino, nada disso aparece mais.
–Aonde vamos? – ela está realmente curiosa. Mas não posso simplesmente alegar a alta traição que cometi, mesmo que seja para o bem dela.
–No momento, para a sala esperar o Klaus chegar. – Saio de seu quarto, tentando evitar o assunto. Mas sei que não vai adiantar, e tenho razão, pois logo Elena vem atrás de mim.
–Onde vamos jantar? Qual o restaurante? – pergunta, não conseguindo esconder o interesse.
–Sinceramente, Lena? Não faço ideia. É uma surpresa pra mim também. Klaus disse pra deixar isso com ele.
Elena finalmente sossega depois de conseguir alguma resposta, mesmo não sendo a que ela esperava. Sinto meu celular vibrar na bolsa. Ao checar, vejo uma nova mensagem.
*Podem descer. Eu e Damon estamos esperando.*
–Ótimo, podemos descer. Nossa carona chegou.
Enquanto estamos no elevador, descendo até a portaria, fico em silêncio absoluto. E tenho a impressão de que isso incomoda minha amiga. Quando chegamos à calçada, nos deparamos com dois homens lindos: meus namorado, que se arrumou mais do que o normal para um simples jantar e Damon, que preciso dizer, ficou magnífico no terno de risca de giz.
Elena olha de rabo de olho pra mim de maneira acusatória. Fico envergonhada por ter mentido e enganado tão descaradamente minha melhor amiga.
–Car, o que significa ele estar aqui na nossa porta, de terno e gravata e com o Klaus? – Lena sussurra para mim. Não conseguia tirar os olhos de Damon. E parecia estar um pouco desconfortável com sua presença.
–Vai precisar perguntar a ele. Só me pediram pra trazer você até aqui. Até amanhã, amiga! Vou dormir com o Klaus hoje. – saio de fininho indo até Klaus e beijando sua boca. Entramos no carro e assim que o carro começa a se mover, acenamos.
Que tudo dê certo e minha amiga volte a ser alegre, bem-humorada e doida do jeito que eu gosto que ela seja. Assim eu não vou mais precisar passar pelo que passei hoje: encontrá-la saindo para gastar o que ela não pode. Olho para meu namorado e noto que ele não consegue parar de sorrir.
O que é que você está aprontando, Klaus?
–Você devia atuar melhor. Esse seu sorriso me diz que a surpresa é muito boa!
–E ele tem razão. Mas você, minha linda curiosinha, só vai saber o que é na hora certa. – Isso tudo é tão frustrante! Quanto tempo será que vai levar até chegar essa “hora certa”? me distraio tão profundamente com meus pensamentos, que só noto que o carro parou quando Klaus vira pra mim e diz.
–Chegamos!
Olho ao redor. É meu restaurante preferido. Mas há algo estranho... Todas as luzes estão apagadas e não há movimento. Olho confusa para Klaus e ele não diz nada, apenas continua sorrindo. Aponto para o restaurante, como se estivesse pedindo uma explicação. Podia sentir a interrogação na minha testa.
–Vamos? – ele pergunta. Cínico! Ele está fingindo que não vê a confusão em que estou. E continua sorrindo, inabalável.
–Mas Klaus, o restaurante está fechado! – é nesse momento que alguém abre a porta do carro e eu me assusto.
–Boa noite, senhorita. Sejam bem-vindos ao Le Francè. – notei, com certo alívio, que era apenas um dos funcionários do restaurante que havia aberto a porta para me ajudar a sair.
–Boa noite. E muito obrigada. – dei-lhe minha mão para que ele me ajudasse a levantar.
Logo Klaus estava ao meu lado me estendendo o braço. Ponho a mão na curva interna de seu cotovelo e caminho a seu lado até o interior do restaurante. Ainda não entendia como o restaurante estava fechando para todos, exceto nós dois.
–Surpresa! – Klaus sussurra quando entramos no salão do restaurante. As luzes são acesas e vejo toda a decoração. Há uma faixa com a pergunta: “Quer casar comigo?” bem acima de uma mesa que está posta para duas pessoas. Há um caminho de pétalas de rosa e uma garrafa de champanhe na mão do maître.
–Klaus, o que é isso tudo? – pergunto com a voz embargada. Meus olhos estão transbordando lágrimas.
–Uma surpresa. Para pedir em casamento a mulher mais amada do mundo. Você merece tudo isso e muito mais. – ele me abraça e logo me beija apaixonadamente. – Vem, vamos comer. A noite hoje é nossa. – ele me puxa pela mão até a mesa.
O maître abre a garrafa com um floreio um pouco exagerado e nos serve. Agora que descobri o que Klaus estava aprontando, tenho um sorriso tão bobo quanto o dele. E inabalável da mesma maneira. Esse momento é tão maravilhoso que não vai ser fácil conseguir me fazer deixar de sorrir pelos próximos meses.
Fazemos uma excelente refeição com os cumprimentos do chef, que veio nos parabenizar pelo noivado. Klaus me explicou que o restaurante tinha sido comprado recentemente por um amigo seu e que ele concordou em emprestá-lo por uma noite, já que estava pensando em fechá-lo para algumas reformas.
Depois de comer, a senhorinha que costuma cantar durantes algumas noites no restaurante, começa a cantar uma música romântica e lenta e Klaus me convida para dançar. Ao fim da música, ele ajoelha, tira do bolso do blazer uma caixinha de veludo e olha diretamente em meus olhos.
–Caroline Forbes, eu amo você. E penso que esse é motivo suficiente para decidir pedi-la e casamento e dar mais um passo no nosso relacionamento. Espero que consiga continuar fazendo você muito feliz depois de nos casarmos, se você disser sim e...
–Mas que pergunta, Klaus! É claro que aceito me casar com você. Não há ninguém mais no mundo com quem eu deseje estar.
Ele põe a aliança em meu anelar e se levanta. Abraça-me, tirando meus pés do chão e girando comigo pelo salão. Não poderia estar mais feliz. Elena e Damon estão resolvendo seus problemas essa noite, depois dela finalmente sair daquele apartamento, Klaus acabou de me pedir em casamento e a noite só fica cada vez mais perfeita.
–Está pronta pra ir? – Klaus pergunta com ternura. Seus olhos brilham na penumbra do salão.
–Estou. Mas ainda não estou pronta para encerrar a noite.
–Nem eu. – ele responde com malícia.
Vamos para o apartamento dele. Ao chegar, Klaus e eu começamos a nos beijar com paixão, caminhando às cegas para o quarto dele. Nossas roupas vão ficando pelo caminho enquanto nossos lábios não se descolam. Deitamos juntos na cama. Fazemos amor durante boa parte da madrugada. Quando o sol começou a aparecer, ele me puxou para perto, aninhando-me em seu peito. Sussurra um ‘eu te amo’ e então eu caio na inconsiência.
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