Um Amor Muda Tudo

5 Grandes Revelações - Parte 2


Tasha e Nathalie foram deixadas em total privacidade para poderem conversar, as duas tinham muitas coisas para serem esclarecidas.
O restante do time se dividiu para investigar tudo o que Patterson tinha descoberto recentemente.

— Gente temos um problema! — Exclamou Rich entrando no laboratório.

— É Sério? Mais um? — Perguntou Kurt.

— Sim, o Reade falou que teria um treinamento em Quântico, porém não tinha nada agendado. — Explicou ele. — Eu consegui avisa-lo a tempo e ele já está voltando.

— Você não falou sobre a Zapata e a filha não foi? — Questionou Patterson.

— Sim, claro que falei sobre a Zapata Júnior, é mais um motivo pra ele vim correndo. — Disse ele voltando a mexer no seu tablet.

— Nossa, será que quem planejou que a Zapata encontrasse a filha também está por trás pra que o Reade não estivesse perto dela? — Suspeitou Jane. — É a única coisa que me passou pela cabeça.


Tasha e Nathalie conversavam numa sala reservada, as duas tentavam entender como tudo aconteceu. Enquanto isso Reade chegou e observou a conversa de longe, não queria atrapalhar esse momento das duas.

— Porque você me abandonou? — A garota como sempre direta.

— Eu não abandonei você! Eu nunca faria isso. — Ela falou com a voz embargada e continuou — Eu estava na escola preparatória quando eu descobri da gravidez, eu queria continuar mas não podia... só uma amiga que sabia e foi ela que me ajudou, ou pelo menos eu acreditei nisso. Quando você estava perto de nascer eu pedi uma licença, disse que precisava cuidar de uma tia, e nós fomos pra uma cidade pequena, lá onde ninguém me conhecia você nasceu, mas eu não pude te segurar ou te olhar. Ela disse que era um menino, e que tinha nascido morto, eu fiquei muito abalada e na época eu estava decidida a largar tudo pra ficar com meu bebê, independente se eu tivesse pra onde ir ou não. — Tasha nunca tinha contado essa parte da sua vida para ninguém, nem mesmo para o Reade que sempre soube muito sobre ela. — Quando eu acordei depois de algumas horas ela disse que o bebê não tinha resistido ao parto, eu pensei que tinha sido pelo esforço que eu fazia nos treinamentos, você não sabe o quanto eu sofri, não tem ideia de quanto eu me culpei por isso. — A garota lhe encarava profundamente sem esboçar nenhuma reação. — Voltei pra academia, me formei, eu nunca contei isso pra ninguém, nem aos meus amigos. — Ela falava sem conseguir respirar direito.

— E o meu pai porque você não procurou ele? Ele poderia ter ajudado você simplesmente excluiu ele da minha vida. — A garota falava sempre num tom alterado expressando sua total indignação.

— Seu pai era a última pessoa que eu queria por perto. Depois de tudo o que aconteceu entre nós. — Ela responde num tom mais fraco.

— Então você sabe quem é meu pai? — A garota perguntou surpresa. — Porque você ainda está mentindo pra mim? Porque ainda está mentido pra todos a sua volta? — A garota parecia que iria explodir, ela não acreditava em nada.

— Não vale a pena Nathalie você saber quem é seu pai, tenha certeza que de todas as pessoas ele era a última a querer nos ver. — Ela a garota encarou mais uma vez

— Isso sou eu quem decido, não você! Você já interferiu de mais na minha vida, eu tenho direito de saber a verdade, é o mínimo que você pode fazer. A garota falava com um ar de ódio.

— Eu estava pronta pra abrir mão de tudo pra ficar com você, ia deixar minha carreira, minha profissão que eu tanto sonhei por você, eu queria ficar com o meu bebê. — As lágrimas já começavam a rolar e a voz já estava falhando.

— A minha avó não disse nada disso. — Disparou Nathalie fazendo todos ficarem surpresos pelas revelações, principalmente Reade que acreditava saber tudo sobre a sua namorada. — Depois que eu soube que você não estava morta e sim que você foi embora, que me abandonou eu criei tanta raiva de você, e você disse a minha vó que voltaria logo e nunca voltou, você também a abandonou. — Cada palavra de Nathalie eram como facadas, dava pra sentir a dor e o ódio que foi alimentado por anos. — Você nem se quer nos ligou pra saber se estávamos bem. Nunca mandou um cartão de natal ou de aniversário. Eu passava o dia grudada no telefone esperando pelo menos ouvir sua respiração do outro lado da linha caso você resolvesse ligar. Imagina o que eu tive que passar nos vários dias das mães sem você, todas as mães iam até o colégio e eu me escondia porque eu não tinha mãe, eu não tinha ninguém. Será que você consegue sentir isso? Porque isso é um filme que não para de se repetir na minha mente. — Todos ficaram pasmos com as revelações da garota.

— Que avó Nathalie? — Ela fala com a voz embargada, ainda em choque pelo que ouviu. Tasha se levanta e começa a andar de um lado para o outro. — Meus pais morreram num acidente de carro quando eu tinha 17 anos, então eu não sei de quem você está falando, e não sei como você chegou a esse abrigo, e eu também não sei quem é essa mulher que se diz ser minha mãe, eu juro!

— A mulher que me encontrou no México? Ela me disse que era a sua mãe e estava procurando por mim, que estava há anos procurando onde eu estava, que não sabia que tinha uma neta, eu tinha doze anos quando a conheci. — Disse Nathalie respirando fundo, tentando manter o mesmo tom de voz. — Ela me tirou do orfanato e me levou para sua casa, lá eu tinha babás para cuidar de mim o tempo todo, ela disse que quando soube da minha existência foi logo me procurar e foi quando eu comecei com as pinturas, porque foi a única coisa que tinha sua, essa foto. — Falou a garota colocando a fotografia bastante dobrada sobre a mesa. — Eu sempre carreguei essa foto por anos. Depois que eu fiz 17 anos ela me contou a versão dela, que você tinha ido embora, que estava viva e que tinha me deixado lá no orfanato, foi então eu decidi apagar os desenhos. Foi um choque enorme em saber que eu chorei tanto a morte de alguém que estava tão viva.

— Não é possível, como ela é? — Ela falou confusa com toda essa situação.

— Um pouco alta, cabelos castanhos, tem uns 50 e alguma coisa, é isso, nos falávamos muito por telefone porque ela trabalhava viajando, mas sempre tinha alguém comigo. — Disse a garota. — Olha só vamos facilitar as coisas, você não tem a obrigação de gostar de mim, nem de ficar comigo, eu aprendi a me virar sozinha no mundo. Eu só queria te ver de perto, saber se você era real, se realmente estava viva, e você está, é bem resolvida na sua vida e na sua profissão, então está tudo bem! — Concluiu Nathalie. — Não vou ficar e mendigar por um sentimento que nunca vai existir da sua parte, eu sei como você foge deles. — Tasha encarou a ousadia da sua garota, tão parecida com ela. — Eu só quero voltar pro México, e você pode continuar na sua vida, nada do que você me explique ou faça vai mudar o meu passado. As paredes que eu pedi para desenharem eu mesma vou mandar apagar, eu só queria eternizar a mulher que diziam que estava morta, que morreu protegendo uma nação, e agora ela está bem na minha frente e eu não sei se ela ainda está mentindo ou se está falando a verdade.

— Você tem razão nada vai mudar o passado, mais eu posso ajustar o nosso presente. — Tasha jamais pensou em fazer planos, muito menos incluir uma filha nesses planos. — Você quer voltar? Tudo bem, não vou e nem posso obrigar você a viver comigo. E também não posso ficar o resto da minha vida me martirizando por algo que eu nem sabia que existia. — Ela não tinha certeza se a garota estava falando a verdade, então não queria demonstrar sentimentos.

— Você tem razão Natasha eu vou voltar, quero ir embora hoje mesmo. Pelo visto você não acredita no que eu falo, e nem eu estou acreditando em você. — Bufou a garota sentada em sua frente.

— Tudo bem, vou levar você de volta pro México, não é isso que você quer? — Perguntou Tasha se levantando. — Vou conseguir um avião agora mesmo. — A garota permaneceu em silêncio, Tasha apenas saiu da sala fazendo a garota bufar.

— Foge mesmo rainha do gelo, você sempre foge. — Disse a garota secando as lágrimas.

Ao sair ela deu de cara com o Reade que observava toda a conversa pelo televisor junto com o restante do time.

— Ei você não vai fazer nenhum esforço pra sua filha ficar com você? É isso vai desistir fácil dela? — Disse Reade a acompanhando pelo corredor.

— Ela quer ir embora, você ouviu? Ela não quer ficar aqui. — Disse Tasha parando no meu do corredor. — E se essa garota não for minha filha? E aí? Eu vou criar um sentimento pra ser jogado pra escanteio depois? — Ela falou tentando se recompor.

— Essa garota é sua filha Tash, ela é sua cópia fisicamente, além da forma como age, você já reparou no olhar dela? É idêntico ao seu. — Ele falou de certa forma assustado pela total semelhança das duas.

— Eu não sei mais o que fazer Reade, eu não sei! — Confessou ela. —. Não consigo acreditar em nada.

— A única coisa que eu sei é que essa garota não merece mais ninguém mentindo e nem fingindo sentimentos por ela. — Disse a encarando.

— Tudo que eu falei foi verdade. — Disse quase numa súplica.

— Tudo bem, você está dizendo. — Ele falou um pouco frio, ele estava tão chocado quanto ela, Reade não sabia no que acreditar.

— Eu não preciso de mais ninguém apontando o dedo pra mim e me condenando como se eu fosse a vilã, eu sou tão vítima quanto ela. Nem você nem ninguém pode me julgar assim, como se conhecesse todo meu passado. — Ela desabou num choro novamente. Ele se aproxima dela

— Tira a mão de mim! — Disse ela se esquivando e ele cedeu. — Você foi a única pessoa que eu imaginei que ficaria do meu lado, pelo visto ninguém por aqui vai conseguir superar o passado.

Tasha não consegue aguentar os últimos acontecimentos, foram muito fortes e bastante doloroso, sendo impossível ela controlar a onda de sentimentos que ela está segurando, causando uma crise de choro, Patterson tentou acalma-lá.

— Ei, ei calma! — Pediu a loira. — Bebe um pouco de água vai, estou ouvido seus gritos lá do laboratório, se acalma. — Disse Patterson.

— Que gosto horrível, o que tem nessa água? — Ela questionou.

— Bebeu? É realmente horrível. — Afirmou a loira. — Eu não devia mas aí tem um remédio pra você se acalmar e dormir, você está muito nervosa, precisa descansar e isso vai te ajudar. — Disse Patterson.

— Eu não quero dormir, eu só quero que todos esses problemas sumam. — Falou Tasha.

A vista dela foi ficando embaçada a cada momento, o corpo estava pesando até que ela não viu mais nada. Reade mesmo não concordando ajudou Patterson a acomoda-la pra que ela pudesse descansar.