Um Amor Inconveniente
2 O começo ou o fim do que começou?
Notas iniciais
— Hanna’s Pov —
Estávamos já no fim do ano e estava uma correria na escola. As provas começariam em uma semana e os professores pareciam não entender que precisávamos de tempo para estudar porque dependíamos daquela nota para passar – pelo menos eu precisava. Minhas notas ficam sempre na média, logicamente não sou a melhor aluna, mas também não sou a pior.
A Debby é uma das melhores alunas da classe e sempre me ajudava quando eu me encontrava com dificuldade em alguma matéria. O fato de sermos vizinhas também ajudava bastante quando trabalhos eram em duplas ou grupos. E com aquele trabalho de história não foi diferente. Assim que a professora anunciou que era dupla, nos olhamos. Sorrimos e foi o suficiente para que a nossa parceria fosse selada.
Naquela mesma tarde, na hora marcada – ela sempre fora pontual – ela tocou a campainha da minha casa. Minha mãe estava em casa e já ia atender quando eu corri do quarto para a sala e fui mais rápida. Assim que abri a porta aquele perfume doce e floral fez com que eu fosse hipnotizada pelo olfato. Olhei-a de cima a baixo e concluí que ela estava linda.
Na verdade, Debby era linda. Tinha um corpo bem mais desenvolvido que o meu, mesmo sendo alguns meses mais nova, mas o que mais me impressionava nela era seu olhar. Ela tinha olhos mel, que dependendo do momento e do humor dela, ficavam esverdeados. Os cabelos castanhos claros ainda estavam úmidos e os cachos soltos, vestígios de um banho recente. Ela usava uma blusa e um short curto, que deixavam suas belas pernas – sempre admiradas por mim – a mostra.
Eu estava com uma blusa e uma saia. Meus cabelos pretos e lisos estavam presos em um rabo de cavalo mal feito e folgado, com alguns fios soltos. Eu era mais alta que ela e era engraçada a forma que ela tinha que tombar a cabeça para trás para poder me olhar nos olhos.
Não disse nada, na verdade, nenhuma palavra era pedida para aquele momento. Apenas dei espaço para ela entrar e como ela já conhecia a minha casa, já que sempre nos reuníamos nela, caminhou para meu quarto também em silêncio e eu apenas a segui.
Não foram gastos mais de uma hora para a confecção toda do trabalho que era sobre a Revolução Russa e nesse meio tempo, minha mãe teve que sair, nos deixando sozinha. A chamei para a minha cama e por ser de casal – benefícios de filha única adolescente -, e nos sentamos lado a lado e então começamos a conversar.
Passamos pelos mais variados assuntos, desde fofocas da escola a sapatos. Até que o assunto chegou no mais temido naquelas circunstancias: sexualidade.
— Você já beijou uma garota? – Debby me perguntou.
Neguei com a cabeça, me sentindo um pouco sem jeito pela pergunta que me pegara de surpresa, mas esbocei um sorriso malicioso.
— Mas, tenho vontade. –Ousei falar só para ver a reação dela.
Não, eu não esperava o que viria a suceder a minha fala. Debby conseguiu me pegar completamente de surpresa. Ela se aproximou de mim, nossos rostos estavam tão próximos que eu conseguia sentir sua respiração contra a minha pele. Não sei se eu fui quem tomou a iniciativa ou ela. Só sei que nossos lábios se uniram em um beijo que a princípio fora calmo e lento, mas que mudara de forma abrupta para algo intenso.
Sem me dar conta, minhas mãos estavam segurando-lhe na cintura e a dela deslizava pelos meus seios. O beijo era aprofundado e não demorou muito para que o corpo dela estivesse embaixo do meu. Nossos lábios não haviam se separado até aquele momento. Até aquele momento, porque o telefone tocando foi o que nos interrompeu.
Afastamos-nos em um pulo por conta do susto. Olhei para ela, com a respiração um tanto irregular e os batimentos descompassados. Fitei-a por alguns segundos, ela estava do mesmo jeito que eu, ou talvez pior, já que seus olhos castanhos estavam arregalados e suas pupilas bastante dilatadas.
Corri para o telefone e o atendi. Era a minha mãe. Eu falava de forma nervosa e eu disse que estava assim. Debby continuava estática. Troquei algumas palavras com ela que dissera que ia demorar um pouco porque ela resolvera passar no mercado e ligara justamente para perguntar se eu precisava de algo. Disse que não e desliguei em seguida, me aproximando novamente de Debby.
— Hanna... Is-isso foi erra-rrado.
Ela disse antes que eu pudesse dizer qualquer coisa sobre o que tinha acontecido. Na verdade, meus lábios apenas se entreabriram porque eu realmente não tinha nada para dizer. Soltei um suspiro longo, procurando me acalmar. Não poderia deixar que ela se sentisse culpada por algo que fora um impulso. Tentei tomar o controle da situação, me aproximando.
— Não foi errado... Eu não me arrependo. Mas, se preferir, podemos esquecer.
Ela me olhou nos olhos, daquele jeito que me deixava incrivelmente sem jeito e hipnotizada. Com as mãos um pouco trêmulas, tomei coragem e tirei uma mecha de seu cabelo que lhe caia na frente do rosto, cobrindo a visão dela, e a coloquei atrás de sua orelha. Debby não fez nada. Entendi aquilo como um sinal para eu prosseguir. Aproximei nossos rostos novamente e encostei minha testa na dela.
— Eu te amo. – Murmurei, deixando que as palavras escapassem antes que eu pudesse pensar no peso que elas tinham.
Senti suas mãos me afastarem pelos ombros e no segundo seguinte, ela já não estava mais no quarto. Corri para tentar impedi-la de sair, mas fora tarde demais. Calma, Hanna, tenha um pouco de compreensão... Ela deve estar tão confusa quanto você.
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