Um Amor Impossível
5 Quatro
Chegando no local onde Sam a esperava, Emilly abraçou-a forte. Samantha ficara sem reação no primeiro momento, mas logo depois, retribuiu seu abraço. Ela se sentia, de alguma forma, protegida, como se, enquanto os braços de Emilly estivessem em volta dela, nada de ruim pudesse acontecer.
Depois de alguns longos segundos, separaram-se e começaram a caminhar sem rumo, em silêncio.
– Que tal irmos ali? – Perguntou Samantha, apontando para um parque, não só porque estava cansada de andar, mas também para quebrar o silêncio que tanto irritava-a. Ela queria poder ler mentes só para saber o que Emilly estava pensando enquanto caminhava olhando para o chão.
Sem responder, ela começou a andar em direção ao parque e Sam a seguiu. Não fazia idéia de onde estavam, mas isso não importava. A única coisa que importava para ela, era estar com Emilly.
Ambas caminharam até uma grande árvore e sentaram-se embaixo dela.
– Quer conversar sobre o que aconteceu? – Perguntou Sam, finalmente.
– Pode ser – respondeu, um pouco fria. – Vou começar falando sobre Jacqueline. – Sam estremeceu ao ouvir esse nome. Jacqueline?, pensou. Mil coisas negativas passaram pela sua cabeça. – Bom, Jacqueline namorou com meu pai por quatro anos, antes dele conhecer minha mãe. Quando ele a conheceu, ainda estava com ela, mas acabou se apaixonando pela minha mãe, e, esse foi o motivo de eles terminarem o namoro. – Fez uma pausa e suspirou. – A dois anos atrás, meus pais sofreram um acidente de carro. Eles estavam parados no trânsito, então veio outro carro e bateu no deles, fazendo-o capotar e o motorista fugiu antes da policia chegar. Meu pai sobreviveu, mas ficou paralítico, tendo que usar cadeira de rodas. Já minha mãe... – Seu olho encheu de lágrimas. Samantha notou, abraçou-a e secou seus olhos com a manga de sua blusa, consolando-a. Se separaram, mas ela continuou com o braço em volta de Emilly. – Depois de cinco dias, Jacqueline apareceu em minha casa, dizendo que nunca havia deixado de gostar de Anthony, meu pai. Passaram algumas semanas e eles voltaram a namorar, mas meu pai nunca deixara de amar minha mãe. É claro que eu fiquei um pouco triste com isso, quem não ficaria? Mas eu precisei entender que meu pai não podia passar o resto de sua vida se lamentando pela morte de minha mãe e com o tempo, até comecei a gostar de Jacqueline. – Emilly segurou a mão de Samantha, que abraçava-a. – Quando ela e meu pai estavam completando sete meses de namoro, dois policiais bateram na porta de minha casa, procurando por ela.
*flashback*
Emilly e seu pai estavam sentados no sofá da sala, rindo e conversando, enquanto Jacqueline fazia um pequeno bolo para comemorar os sete meses de namoro que estava fazendo com Anthony, na nova família que haviam construído. De repente, ouviram uma batida na porta. Emilly levantou-se para atender, mas seu pai não deixou, como se já soubesse quem era e foi atender ele mesmo.
Quando abriu a porta, se deparou com dois policiais, que logo perguntaram a ele:
– A senhora Jacqueline Miller se encontra?
– Sim, sim. O que desejam com ela? Aconteceu alguma coisa? – Respondeu Anthony, assustado com a pergunta.
Os policias se olharam e responderam:
– Vamos explicar ao senhor.
Anthony olhou para trás e percebeu que sua filha escutava a conversa. Então, fechou a porta. Ele não fazia sabia o que era a bomba que viria pela frente, nem desconfiava, mas, não importava o que fosse, Emilly tinha apenas 16 anos. Mesmo com sua personalidade fortíssima, ela continuava tendo apenas 16 anos.
– A câmera de um edifício filmou um acidente de carro, onde o carro que provocou-o fugiu. Dêmos zoom nas imagens da câmera e conseguimos ver o número da placa do carro. Depois de muito tempo pesquisando sobre o assunto, descobrimos que o carro com esta placa estava nesta rua. Passamos em diversas casas desta rua procurando pela senhora Jacqueline Miller, agora, eu acho que achamos.
– Não... Não pode ser — disse Anthony, arrasado. – Deve ter havido algum engano.
– Temos certeza absoluta do que estamos falando, senhor.
– Eu não posso acreditar em uma coisa dessas! – Gritou.
– Mantenha a calma, senhor.
– Calma? Acabei de saber que esta vagabunda, que hoje eu chamo de minha noiva, matou minha ex-mulher e me deixou paralítico e você pede para mim manter a calma?
– Sentimos muito, mas você precisa se acalmar e ser forte neste momento.
Emilly ouviu as palavras de seu pai e se assustou. Resolveu ir até a porta e abri-la.
– O que está acontecendo aqui, pai?
– Nada, minha filha, entre e vá para o seu quarto. Eu preciso resolver um assunto importante.
– É sobre a mamãe, não é?
– Vá para o seu quarto Emilly.
– Eu não tenho mais 12 anos, pai. Vamos, me fale.
– É sobre sua mãe sim, agora chame a Jacqueline e vá para o seu quarto. Não saia de lá até eu lhe chamar, entendeu? Depois que eu resolver as coisas, te explico tudo.
Emilly obedeceu-o.
A porta permaneceu aberta. Quando Jacqueline foi até ela, arregalou seus olhos e perguntou á Anthony:
– O que houve, querido? O que esses policiais fazem aqui? – No fundo, Jacqueline sabia o que estava acontecendo. Sabia ainda melhor o motivo daqueles policiais estarem na porta de sua casa.
– O que houve, sua vagabunda? Você tem coragem de perguntar o que houve?
Anthony só não deu um tapa na cara de Jacqueline porque os policiais o prenderiam.
– Calma amor... – Disse, colocando a mão em seu ombro. Anthony tirou a mão dela de seu ombro rapidamente, com agressividade.
– Não encoste em mim. Eu tenho nojo de você – ele entrou dentro de sua casa. Antes de fechar a porta, acrescentou aos policiais: — Levem-na.
*flashback*
Quando Emilly terminou de contar o que acontecera mais cedo em sua casa á Samantha, ela falou:
– Eu sinto muito, Emi. Não chore, não suporto te ver assim. Aposto que sua mãe também não suportaria se ela estivesse aqui — disse, secando suas lágrimas.
– O problema é que ela não está.
Emilly encostou sua cabeça no ombro de Samantha, que fez cafuné em seu cabelo.
xxx
Três horas se passaram e ambas permaneceram embaixo daquela árvore, caladas. Emilly estava quase dormindo com a cabeça encostada no ombro de Sam, então ela olhou seu relógio e viu que estava na hora das duas irem embora. Estava tudo tão bom, por quê tinham que ir embora justo agora?
Ambas levantaram-se e começaram a caminhar em direção a suas casas, que ficavam a uma quadra, uma da outra.
Nenhuma das duas falou alguma coisa no caminho. Estavam caminhando com os olhos fixos no chão, quase coladas. Samantha estava tensa. De repente, Emilly segurou a mão de Samantha e encaixou seus dedos nos dela.
– Queria ficar mais tempo com você – falou. – Não estou com nem um pouco de vontade de chegar em casa e encontrar Jacqueline outra vez. Provavelmente ela vai voltar a morar lá.
Samantha ficou pensativa. Então, finalmente, respondeu:
– Você pode passar alguns dias na minha casa até você se resolver com seu pai, se quiser. Meus pais não se importam. – Quando terminou a frase, suas pernas começaram a tremer. Estava com medo da resposta de Emilly. Será que eu disse a coisa certa?, pensou.
– Mas, e você? Você se importa?
– É claro que não, sua boba.
Samantha deu um beijo na testa de Emilly e falou:
– Vai ficar tudo bem, meu anjo.
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